O Diário Oficial voltou a registrar movimentações assinadas por Ricardo Couto nesta sexta-feira (04), depois de um dia sem qualquer nomeação ou exoneração. E o retorno veio com predominância dos reforços: seis novos nomes foram alçados a cargos no governo estadual.
Vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, a Faetec foi o principal destino da rodada. Quatro gerentes de área passam a integrar os quadros da fundação: Rafael Sibilio do Nascimento de Barros, Vivian Guimarães de Oliveira, Luis Henriques Sales Pereira e Regina Célia de Souza.
A rodada, no entanto, não ficou restrita ao órgão. Em outras áreas do governo, Couto também promoveu mudanças em cargos de direção. Hugo Carvalho de Sá foi nomeado diretor geral da Assessoria de Engenharia do Detran-RJ. Já na Secretaria estadual de Polícia Penal, Carlos Eduardo Correia Henriques assume a Diretoria Geral de Administração e Finanças.
Poucas saídas e ajustes pontuais nos bastidores
Se as nomeações deram o tom da rodada, as exonerações apareceram de forma bem mais discreta. Foram apenas duas saídas diretas da máquina estadual. Uma delas foi a de Jorge Luiz Soares da Silva, que deixou a Diretoria Geral da Assessoria de Engenharia do Detran-RJ, cargo que passa a ser ocupado por Hugo Carvalho de Sá.
A outra ocorreu no Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA), onde Halph dos Santos Pires foi exonerado, a pedido, da Diretoria de Apoio Operacional.
Além das trocas efetivas, o Diário Oficial registrou uma série de movimentações para preencher temporariamente postos e reorganizar funções. No próprio IEEA, a chefe de gabinete Carla Sandriane Souza Silva foi designada para responder pelo expediente da diretoria deixada por Halph. Na Secretaria de Estado de Saúde, Keila Justino de Almeida Silva passou a responder pela Coordenação de Gestão de Assistência Farmacêutica.
Já na Educação, Alessandra Oliveira de Abreu teve uma portaria anterior revogada para assumir oficialmente o expediente da Superintendência de Gestão de Pessoas.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com uma ação de impugnação para barrar a candidatura à reeleição do deputado estadual Renato Machado (PT). O órgão cita como motivação as acusações de envolvimento do político com o crime organizado e com a suposta liderança de uma narcomilícia em Maricá.
A ação também cita as denúncias envolvendo a morte do jornalista Robson Giorno — crime pelo qual o deputado foi acusado de ser mandante.
O documento ajuizado pelo MPE afirma que Renato Machado capitaneava uma estrutura criminosa ligada à narcomilicía de seu aliado e braço armado, Rodrigo José Barbosa Da Silva, conhecido como “Rodrigo Negão”. A organização exerceria atividades típicas de milícia privada, como a exploração clandestina de serviços de “gatonet” e o comércio ilícito de cigarros, com o tráfico de entorpecentes, mantendo estreita aliança com criminosos vinculados à facção Terceiro Comando Puro (TCP).
Além disso, um amplo aparato bélico também é mencionado na ação de impugnação. O objetivo seria impor um regime de medo e terror sobre os habitantes da região. Também aparecem na ação menções à suposta exigência sistemática de 20% de propina sobre os valores de obras públicas enquanto o deputado ocupava a presidência da autarquia Serviços de Obras de Maricá (Somar).
Renato Machado foi denunciado como mandante do assassinato de jornalista
O homicídio triplamente qualificado do jornalista Robson Giorno, em 2019, também aparece como motivação para o pedido de impugnação do parlamentar. Renato Machado chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como mandante, mas a Justiça entendeu que não havia provas suficientes contra o deputado.
No embalo do “sextou” de Ricardo Couto, a Casa Civil assumiu o comando da movimentação nos bastidores do Palácio Guanabara nesta sexta-feira (04). Enquanto o governador em exercício assinou seis nomeações e duas exonerações em atos próprios, a pasta comandou uma rodada ainda mais movimentada: foram 26 nomeações contra 22 exonerações, além de sete trocas internas e uma revogação.
O Detran-RJ foi o principal ponto de turbulência da rodada. A autarquia concentrou dez movimentações, com mudanças em cargos de comando, incluindo coordenadorias, diretorias e chefias de serviço.
A Secretaria estadual de Fazenda também entrou no radar da Casa Civil nesta rodada. A pasta recebeu seis novos nomes em postos estratégicos de assessoria e assistência, reforçando a estrutura da pasta e ampliando o time responsável pela gestão fiscal do estado.
A disputa eleitoral pelo governo do estado do Rio subiu o tom e foi parar nos tribunais. Representada pelo advogado Tiago Santos, a coligação do presidente da Alerj e candidato a governador Douglas Ruas (PL) acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral exigindo a cassação do registro de candidatura de Eduardo Paes (PSD) e de sua vice, Jane Reis (MDB), além da perda de seus direitos políticos por oito anos.
Segundo a acusação, a propaganda partidária de Paes, produzida em formato profissional, foi utilizada como instrumento para atacar a imagem e reputação do adversário.
Ainda de acordo com a petição assinada pelo advogado da coligaçã e protocolada na Justiça, a propaganda — exibida no horário gratuito de rádio e televisão e posteriormente multiplicada por dezenas de perfis de aliados nas redes sociais — constrói uma narrativa dolosa que tenta associar Ruas a esquemas de corrupção e ao grupo criminoso Comando Vermelho (CV).
O processo sustenta que o vídeo induz o eleitor a conclusões falsas sobre a origem do patrimônio do candidato do PL e sobre sua trajetória pública, utilizando acusações sem provas para causar rejeição eleitoral direta.
Inteligência artificial no centro da ação
Outro ponto questionado na ação é o uso de inteligência artificial na produção do vídeo. A defesa de Ruas sustenta que a gravação recorreu a recursos de edição digital e à criação de conteúdos sintéticos para manipular as imagns sem apresentar o aviso prévio e ostensivo previsto nas novas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026.
De acordo com o advogado responsável pela ação, a ausência da sinalização pode levar o espectador a interpretar como reais imagens que, segundo a acusação, foram produzidas ou modificadas digitalmente.
Além de pedir a cassação da chapa de Paes, a ação pede uma liminar para retirar o vídeo imediatamente de todas as plataformas. A ação também requer que a produtora responsável pelo programa entregue os arquivos brutos do material, metadados e os comandos de inteligência artificial (prompts) utilizados nas ferramentas de produção da gravação.
O pedido ocorre em meio a outras decisões recentes do TRE-RJ envolvendo conteúdos semelhantes. Em um dos casos, o tribunal aplicou multa de R$ 5 mil a Eduardo Paes por um vídeo publicado no Instagram com teor semelhante.
A tentativa de “atropelar” o Ibama também vai ser investigada pela Polícia Federal. Em decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o compartilhamento integral das provas obtidas no âmbito da Operação Hidra de Lerna — deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPRJ). A ordem é a PF aprofundar as investigações sobre esquemas de corrupção, favorecimento indevido e lavagem de dinheiro envolvendo altos agentes públicos do estado e o Grupo Refit.
A determinação de Moraes prevê que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) envie à PF relatórios de análise de mídias, dados bancários e fiscais, além de autorizar o acesso aos dispositivos eletrônicos apreendidos.
Atuação contra pareceres do Ibama
A Operação Hidra de Lerna investiga irregularidades e favorecimento na concessão de licenças ambientais no Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e na Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). Conforme noticiado anteriormente, a ação do MPRJ teve como alvos o presidente da Ceca, Maurício Couto Cesar Junior (afastado do cargo), o ex-presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere, e o ex-vice-presidente da autarquia, José Dias da Silva. A decisão de Moraes detalha como o esquema tentava contornar a resistência técnica de órgãos de fiscalização.
Mensagens interceptadas pela PF mostram integrantes do governo fluminense irritados com a postura de representantes do Ibama, que votavam contra a renovação de licenças para a refinaria Refit em razão da contaminação do solo e de águas subterrâneas.
Além de integrar o acervo da Operação Hidra de Lerna aos inquéritos da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes acolheu requerimentos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para autorizar:
Mandados de busca e apreensão
Ações direcionadas a alvos do núcleo político e empresarial, como o ex-governador Cláudio Castro, o ex-secretário Bernardo Chim Rossi e o advogado Antonio Carlos da Conceição Santos (“Pipo”).
Afastamento de sigilos
Quebra dos sigilos bancário, fiscal e das operações na Bolsa de Valores de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Preservação de provas
Análise prioritária do material apreendido e garantia da cadeia de custódia com o registro dos códigos hash dos arquivos digitais extraídos.
Luxo no Leblon: novo condomínio no terreno da mansão mais cara do Brasil vende sete das dez residências previstas, com valores que chegam a R$ 42 milhões
Sete das dez casas do Estância Pernambuco, novo condomínio de alto padrão no Leblon, Zona Sul do Rio, já foram vendidas. O empreendimento ocupa o terreno da mansão que chegou a ser anunciada por R$ 220 milhões e ficou conhecida como a propriedade residencial mais cara do Brasil. As unidades têm preço médio de R$ 35 milhões, segundo a imobiliária, e a mais cara delas saiu por R$ 42 milhões. Apenas três residências continuam disponíveis.
Os lotes terão dimensões entre 900 m² e 1.800 m², tamanho considerado raro no Jardim Pernambuco, onde os terrenos costumam ter cerca de 500 m² e grande parte é formada por áreas inclinadas. No novo condomínio, predominam terrenos planos.
As primeiras máquinas chegam ao terreno nesta sexta-feira (04), marcando o início da demolição da estrutura remanescente da mansão. Ao longo dos últimos quatro meses, os antigos proprietários retiraram móveis, obras de arte, quadros, esquadrias e demais peças de valor, que permaneceram sob sua posse. Segundo a incorporadora Mozak, responsável pelo empreendimento, apenas o “esqueleto” da mansão será demolido.
Quem pode chamar o Leblon de casa
Os sete imóveis vendidos até agora têm um perfil de compradores bastante específico: todos são brasileiros e, de acordo com a incorporadora, a maioria é natural do Rio. A lista reúne empresários do mercado financeiro, advogados, bilionários que construíram os próprios negócios e investidores ligados ao agronegócio.
Segundo a empresa, os futuros moradores se dividem principalmente em dois perfis. De um lado, estão casais que assumiram a segunda geração dos negócios da família e procuram um novo espaço para viver com os filhos. De outro, aparecem compradores interessados em uma casa ampla o suficiente para reunir diferentes gerações da família sob o mesmo teto.
Vista para o Cristo Redentor e praia do Leblon
O novo condomínio terá mais de 10 mil metros quadrados de área de lazer, com quadra de beach tennis, campo de futebol, parquinho infantil, academia, áreas para caminhada e espaços de contemplação.
A circulação interna será feita também por carrinhos de golfe. A empresa chegou a se referir inicialmente a uma “trilha” exclusiva no empreendimento, mas esclareceu que se trata de um espaço de wellness, voltado a caminhadas, contato com a natureza e atividades ao ar livre.
Cada uma das dez casas poderá ser personalizada pelo comprador em conjunto com os arquitetos responsáveis pelo projeto. Todas terão piscina de borda infinita, além de sauna seca e úmida.
O projeto também foi pensado para valorizar um dos principais diferenciais do terreno: a paisagem. Segundo a incorporadora, as casas terão vista simultânea para o mar do Leblon, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor.
Segurança se destaca entre os atrativos do novo empreendimento
A segurança é outro diferencial apresentado pela incorporadora. O acesso ao condomínio será feito em três níveis de controle: primeiro, pela entrada do Jardim Pernambuco; depois, pelo acesso exclusivo ao Estância Pernambuco; e, por fim, por um controle individual para cada residência.
Com informações do colunista Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”.
O governo do estado do Rio de Janeiro oficializou, por meio da Secretaria da Casa Civil, o Termo de Cooperação Técnica nº 025/2026 com a empresa Rock World S/A, organizadora do festival Rock in Rio 2026. O acordo foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (03).
Embora a justificativa oficial do Poder Executivo enfatize a ausência de repasses financeiros diretos entre os cofres públicos e a empresa, o contrato prevê contrapartidas operacionais, apoio logístico em segurança e tributação, além do recebimento de uma cota total de 3.110 ingressos para o evento.
Saiba mais sobre a cota de ingressos do governo no Rock in Rio: civisão por setor e calendário
Segundo a 4ª cláusula do termo de cooperação, a Rock World entregará à Casa Civil do Estado uma cota de bilhetes dividida em duas categorias:
Ingressos de Gramado (2.200 no total)
Destinados oficialmente a ações de promoção turística do estado, os bilhetes serão distribuídos ao longo dos sete dias de festival:
04/09/2026 (Sexta-feira): 400 ingressos
05/09/2026 (Sábado): 400 ingressos
06/09/2026 (Domingo): 200 ingressos
07/09/2026 (Segunda-feira): 200 ingressos
11/09/2026 (Sexta-feira): 400 ingressos
12/09/2026 (Sábado): 200 ingressos
13/09/2026 (Domingo): 400 ingressos
Ingressos VIPs (910 no total)
Os bilhetes para o espaço reservado e exclusivo do festival mantêm uma cota diária fixa durante toda a programação:
130 ingressos para cada um dos 7 dias de festival (04, 05, 06, 07, 11, 12 e 13 de setembro de 2026).
O texto do acordo impõe restrições jurídicas explícitas sobre a destinação das entradas: é proibida qualquer comercialização, devendo o órgão público zelar pelo cumprimento da Lei Anticorrupção (Lei Federal nº 12.846/2013) na distribuição das cortesia.
As obrigações do governo e da organizadora
O termo assinado prevê obrigações institucionais recíprocas:
Atribuições do estado
Centralizar a interface entre a produtora e órgãos estaduais de serviço (Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Detran, Cedae e Inepac); conceder regime especial de tributação (sujeito à avaliação da Secretaria de Fazenda); atuar na segurança do entorno e no trânsito; autorizar a veiculação de publicidade do festival em logradouros públicos e pontos turísticos; e manter o reconhecimento do evento como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado (Lei nº 9.599/22).
Atribuições da Rock World
Arcar integralmente com os custos de produção, montagem, programação artística e infraestrutura provisória; ceder espaço estruturado para a atuação da Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC-RJ) no local; e disponibilizar espaço para ações educativas e preventivas da Operação Lei Seca dentro do evento.
Justificativa econômica e institucional
Na justificativa do acordo, a gestão estadual cita o impacto socioeconômico da edição de 2024, que reuniu 730 mil pessoas (sendo 46% visitantes de fora do estado), injetou R$ 2,94 bilhões na economia fluminense e gerou cerca de 32 mil empregos.
O Termo de Cooperação Técnica estabelece que a parceria não envolve transferências diretas de verbas financeiras e terá vigência fixada até 31 de dezembro de 2026.
A Polícia Federal aponta que o desembargador Guaraci de Campos Vianna teve despesas pessoais custeadas por uma estrutura ligada ao entorno econômico da Refit em troca de decisões judiciais favoráveis. Entre os gastos identificados estão o aluguel de um Jeep Compass, honorários advocatícios milionários e R$ 71 mil em despesas relacionadas a um procedimento cardíaco no hospital particular Copa Star.
A investigação chegou aos pagamentos após analisar o celular de Guaraci, que foi apreendido na primeira fase da Operação Sem Refino em maio deste ano. A PF diz ter encontrado conversas e documentos que indicam o uso de terceiros e empresas relacionadas a pessoas que orbitavam economicamente a Refit para financiar despesas pessoais do desembargador.
E o vínculo com a atuação do desembargador em processos envolvendo a refinaria aparece expressamente no documento divulgado pelo Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (03).
Honorários milionários para defesa de Guaraci no CNJ seriam pagos por ‘advogado da refinaria’
Na análise do telefone de Guaraci, a PF encontrou uma conversa de 7 de abril na qual o desembargador, afastado do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) desde março por suspeitas sobre sua atuação em processos envolvendo a Refit, discutia alternativas de advogados para sua defesa. O afastamento foi determinado pela Corregedoria Nacional de Justiça após a identificação interna de indícios de decisões irregulares em um processo de recuperação judicial da refinaria.
Na conversa, o desembargador e uma interlocutora identificada como Ana Carolina discutiam nomes de advogados e escritórios para assumir a defesa do desembargador, incluindo profissionais cujos honorários custariam até R$ 4 milhões.
O magistrado afirmou que “o adv. da Refinaria ainda não respondeu se irá ou não pagar os honorários do advogado escolhido”. Ainda segundo a PF, Guaraci sugeriu que os recursos fossem depositados na conta da 7 Pilares e que o contrato com o escritório fosse formalizado pela empresa.
Reprodução da conversa entre o desembargador e a sócia da empresa “7 Pilares Assessoria” – Foto: Supremo Tribunal Federal/Polícia Federal
Ana Carolina Godinho Motta Miranda e Maurício Castro de Jesus Leite são sócios na empresa 7 Pilares Assessoria, que aparece na investigação da PF como intermediária em pagamentos relacionados a Guaraci e a Refit.
Empresa também pagava aluguel de Jeep usado pelo desembargador
Durante as buscas, a PF encontrou um Jeep Compass Sport Turbo na garagem do imóvel de Guaraci. Segundo o relatório, a esposa do desembargador confirmou que o veículo era utilizado exclusivamente por ele.
A corporação procurou a empresa responsável pela locação e identificou que o carro havia sido alugado pela empresa 7 Pilares. O contrato tinha valor global de R$ 12.102,40.
Em abril, quando o contrato estava perto do fim, Guaraci e Ana Carolina voltaram a conversar sobre a renovação do aluguel. Segundo a PF, o desembargador afirmou que esperava que aquela fosse “a última renovação”.
R$ 71 mil em despesas médicas no Copa Star
A PF também identificou pagamentos de despesas médicas do desembargador feitos após transferências de recursos de Maurício Castro para a conta do desembargador. Em 27 de abril, Guaraci enviou ao homem um documento chamado “Relatório de Honorários”, referente a procedimentos médicos cardíacos realizados em seu nome, no valor de R$ 52 mil. Logo depois, perguntou: “Tem como transferir 40?”.
Segundo a investigação, Maurício fez a transferência e, em seguida, Guaraci realizou o pagamento de R$ 52 mil a partir de sua própria conta. O desembargador também encaminhou os dados bancários de duas empresas responsáveis por serviços de anestesia, solicitando transferências de R$ 9,5 mil para cada uma, totalizando R$ 19 mil.
Após receber os comprovantes, o empresário respondeu ao desembargador: “Poxa irmão, nem deu tempo de esquentar na sua conta rsrs”. Para a PF, as conversas revelam a transferência de recursos utilizados para custear despesas médicas pessoais do desembargador.
Na conclusão da análise, a Polícia Federal afirma que a empresa 7 Pilares aparece reiteradamente como “instrumento de suporte financeiro ao investigado” e aponta um padrão de “financiamento indireto de despesas privadas”, mediante a utilização de terceiros e empresas relacionadas a pessoas ligadas ao universo econômico da Refit. Para a PF, essa dinâmica, associada à atuação jurídica favorável anteriormente identificada, é um forte indicativo de mecanismos de dissimulação da origem e do destino dos recursos em benefício do desembargador.
A Procuradoria-Geral da República também relaciona diretamente os pagamentos à refinaria. Segundo a Procuradoria, Ana Carolina Godinho Miranda e Maurício Castro funcionavam como “elo de repasse financeiro entre os benefícios concedidos pela Refit e o desembargador Guaraci de Campos Vianna”.
Competição voltada para atletas de todas as idades, o Troféu de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro 2026 vai ocorrer neste domingo (06), em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. A competição será Quadra CEPT Professora Zilca Lopes da Fontoura. A entrada é gratuita.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e registrada como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a iniciativa é da Federação de Capoeira Cultural e Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCCDERJ), com apoio da Confederação de Capoeira Desporto do Brasil (CCDB), da Prefeitura de Maricá e da Secretaria Municipal de Esportes de Maricá. A competição reunirá desde crianças até atletas da categoria master, evidenciando a evolução da capoeira como modalidade esportiva organizada, sem perder suas raízes históricas e culturais.
Para Janaina Benvindo, capoeirista e Diretora de Projetos da FCCDERJ, o objetivo é valorizar a capoeira em todas as suas dimensões.
“A capoeira é muito mais do que uma modalidade esportiva. Ela representa a história, a resistência e a identidade do povo brasileiro. O Troféu de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro nasce com o propósito de preservar essa tradição, fortalecer a prática no estado e criar oportunidades para que crianças, jovens e adultos possam desenvolver seu talento, mantendo viva uma manifestação cultural que atravessa gerações”, revela Janaina.
O Mestre Robertinho, presidente da Federação de Capoeira Cultural e Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCCDERJ), destaca o momento de fortalecimento vivido pela entidade e a importância da competição para a modalidade.
“A Federação vive um momento bom, estamos felizes com o crescimento da participação dos grupos e cada vez mais reconhecimento do trabalho que desenvolvemos em todo o estado. Eventos como este são fundamentais para exaltar a capoeira, valorizar seus mestres, atletas e praticantes e propagar ainda mais essa manifestação cultural que é patrimônio do Brasil e motivo de orgulho para todos nós”, afirma o Mestre Robertinho.
A programação será dividida em três modalidades. No Combate Técnico, atletas disputam por categoria, sexo e peso em sistema eliminatório. Os campeões garantem vaga no Campeonato Brasileiro, com transporte, hospedagem e inscrição custeados pela organização, além de premiação em dinheiro e pontuação para o ranking oficial da modalidade.
A modalidade Conjunto reunirá equipes compostas por 15 a 20 atletas, avaliadas em critérios técnicos, culturais e organizacionais. Os três melhores grupos receberão premiação em dinheiro.
Já a modalidade Duplas será destinada às categorias de base e contemplará crianças das categorias Fraldinha (3 a 6 anos), Mirim (7 a 10 anos) e Infantojuvenil (11 e 12 anos), incentivando a formação de novos talentos e garantindo a continuidade da tradição da capoeira entre as novas gerações.
Ao todo, a organização estima mais de R$ 200 mil em premiações e incentivos esportivos. Além da disputa pelos títulos, os atletas classificados passam a integrar o ranking estadual e poderão se habilitar ao programa Bolsa Atleta 2027, fortalecendo a capoeira também como ferramenta de desenvolvimento esportivo e inclusão social.
Serviço Troféu de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro 2026
Data: 6 de setembro de 2026
Horário: 7h credenciamento dos participantes | 8h – início ao público
Local: Quadra CEPT Professora Zilca Lopes da Fontoura
Endereço: Rua Barão de Inoã, 137 – Centro – Maricá (RJ)
Entrada: Gratuita.
Mais informações: https://fccderj.org
O Governo do estado do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública assinaram, nesta quinta-feira (03), dois acordos de cooperação técnica para ampliar a integração entre as forças estaduais e federais no combate ao crime organizado. Os documentos foram assinados pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Um dos acordos estabelece a cooperação entre União e Estado para fortalecer a Política Estadual de Reocupação Territorial. O outro cria uma estratégia integrada para ampliar a segurança nos principais corredores logísticos do estado. Além disso, a parceria inclui compartilhamento de informações, inteligência territorial, apoio operacional e integração de tecnologias, além de iniciativas voltadas ao enfraquecimento das estruturas financeiras e patrimoniais utilizadas pelo crime organizado.
“Segurança pública é um serviço essencial à população e exige a cooperação entre todas as instituições. A parceria entre o Estado e a União amplia nossa capacidade de atuação, com mais inteligência, tecnologia e integração, para fortalecer a presença do poder público onde a população mais precisa. O objetivo é melhorar a vida das pessoas, levando mais segurança e presença do Estado aos territórios” declarou Couto.
Os acordos também ampliam a integração entre as forças de segurança estaduais e federais, com o compartilhamento de informações e o uso de plataformas de inteligência. A cooperação poderá envolver estruturas especializadas da Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal, respeitadas as competências de cada instituição.
Está prevista também a integração entre os sistemas penitenciários federal e estadual, com intercâmbio de informações e protocolos voltados ao isolamento de lideranças criminosas e à interrupção da comunicação entre integrantes presos e organizações que atuam nos territórios.
– Essa é uma cooperação federativa no sentido pleno: o Estado define suas prioridades territoriais, e a União coloca à disposição suas capacidades operacionais, de inteligência e de investigação patrimonial – afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Atuação nos territórios e combate financeiro ao crime
Um dos principais objetivos é fortalecer a presença permanente do poder público nos territórios priorizados, por meio da integração de políticas de infraestrutura, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico e acesso à Justiça.
A implementação será orientada por Planos Táticos de Reocupação Territorial, coordenados pelo Governo do Estado. A iniciativa contempla ainda ações de documentação civil, atendimento a vítimas, proteção de grupos vulneráveis e ampliação da oferta de serviços públicos essenciais nas áreas contempladas.
O combate às estruturas econômicas utilizadas por organizações criminosas também faz parte da cooperação entre Estado e União, com ações de inteligência financeira e patrimonial. Para isso, o acordo inclui articulação com instituições como Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central e agências reguladoras para identificar, bloquear e recuperar ativos ligados ao crime organizado, enfraquecendo fontes de financiamento dessas organizações.
Proteção dos corredores estratégicos
Um dos acordos estabelece atuação integrada para reforçar a segurança nos principais corredores logísticos do estado. Entre os trechos inicialmente definidos como prioritários estão a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio de Janeiro e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
A estratégia estabelece planejamento conjunto, monitoramento permanente e emprego de tecnologias como cercamento eletrônico, leitores automáticos de placas, drones e centros integrados de comando e controle. O foco é reduzir roubos de cargas e veículos, além de fortalecer as investigações sobre organizações criminosas que atuam nessas regiões.
Uma cobrança da BR Marinas Glória serviu como prova, de acordo com a Polícia Federal, de que um barco que estava no nome da AC Santos Escritório, na verdade, pertencia ao ex-secretário estadual do Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e ao ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere. Ainda segundo a investigação, embora a embarcação “Sail Away” esteja no nome de Antonio Carlos da Conceição Santos, o Pipo, e Rafael Bittencourt Lucurci de Oliveira, na prática, segundo a investigação Jordão e Rossi foram os responsáveis por quitar o débito até então existente.
Uma mensagem de uma funcionária da BR Marinas, de 18 de fevereiro de 2025, cobrava uma dívida de uma embarcação que estava no local. Entretanto, quem recebeu tal cobrança não foi Antonio Carlos, o dono da AC mas Jordão, que respondeu à mensagem pedindo o envio do boleto para acertar o valor não pago à época..
“Constatou-se que no dia 18 de fevereiro de 2025 Renato Bussiere recebeu mensagens encaminhadas por funcionária da empresa BR Marinas Glória, nas quais era realizada cobrança referente a débito pendente vinculado à pessoa jurídica AC Santos Escritório Jurídico”, cita a investigação.
Em outro trecho, o documento afirma que a “autoridade policial ressalta que apesar do custo ter sido registrado em nome de terceiro, o investigado Renato (Jordão) Bussiere demonstrou ter ciência da dívida e se portou como destinatário de fato da cobrança”. Na sequência, a Polícia Federal informa que o comportamento de Jordão foi determinante para confirmar que ele era, de fato, um dos proprietários da empresa que é acusada de pagar caviar e uma mansão em Petrópolis para Cláudio Castro:
“Ao receber a mensagem encaminhada pela funcionária, (Jordão) Bussiere prontamente solicitou o envio do boleto referente ao débito em aberto vinculado à pessoa jurídica AC Santos Escritório Jurídico, demonstrando familiaridade com a cobrança e aparente disposição para tratar da pendência financeira apresentada. A reação do investigado revela-se relevante sob a perspectiva investigativa, uma vez que, em vez de questionar sua vinculação à obrigação ou redirecionar a demanda aos responsáveis formais pela pessoa jurídica devedora, Bussiere assumiu postura compatível com a de alguém que possuía conhecimento prévio do assunto e condições de intervir para sua resolução”, cita a investigação.
Em seguida, a investigação ressalta que o documento de cobrança foi compartilhado por Renato Brussiere com Bernardo Rossi, fato que “se mostra compatível com a existência de vínculos ou interesses comuns relacionados ao objeto da cobrança”.
Compartilhamento do boleto com Bernardo Rossi
A Polícia Federal detalha que, logo após receber o boleto, Renato Jordão compartilhou o documento com Bernardo Rossi, que, à época da cobrança, era o chefe da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade. Na sequência, um diálogo entre ambos é anexado ao documento como prova de que os dois, de fato, eram os donos da embarcação, que também teria sido usada também por Cláudio Castro.
À esquerda, o registro original das conversas fornecido pela PF; à direita, a mesma imagem otimizada com uso de IA para melhorar a leitura, sem prejuízo do conteúdo – Fonte: Reprodução/STF
”
Na página 49 do processo, a PF afirma em seu relatório:
“De acordo com a representação policial, trocas de mensagens revelaram que Renato Bussiere e Bernardo Rossi seriam proprietários de fato de embarcação registrada em nome de terceiro, com gastos de marina sendo registrados em nome da empresa AC Santos Escritório Jurídico”.