O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) já pode começar a sonhar com uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alerj). Acontece que o Ministério Público Eleitoral voltou atrás e emitiu um parecer favorável, nesta quinta-feira (03), à sua candidatura a candidato estadual que enfrenta quatro ações de impugnação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
Como justificativa, a procuradora Marylucy Santiago Barra, destacou que, embora uma jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permita barrar candidatos com suposta ligação a organizações criminosas, não foram apresentadas provas concretas que vinculem Márcio Canella a tais grupos. O órgão considerou que as acusações dos impugnantes se basearam em notícias de jornal e narrativas “sem suporte probatório”.
O parecer contraria as investidas dos impugnantes — que usam como exemplo a prisão preventiva na Operação Unha e Carne.
Na sexta fase da operação, o ex-prefeito e ex-deputado foi detido após a Polícia Federal encontrar um fuzil em um dos seus carros. A defesa comprovou nos autos que o armamento pertencia ao estado e estava legalmente acautelado a um policial militar que fazia escolta de Márcio Canella. Segundo os documentos apresentados, o PM foi disponibilizado pelo próprio governo por conta de ameaças recorrentes.
Márcio Canella foi solto e as medidas cautelares impostas na ocasião — como o uso de tornozeleira eletrônica e apreensão do passaporte — foram posteriormente revogadas ou substituídas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ex-secretários da Prefeitura de Belford Roxo foram citados como motivo para barrar sua candidatura
O MPE também analisou as acusações envolvendo dois ex-secretários de Belford Roxo, Eduardo Araújo e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão. Os dois tiveram os registros de candidatura indeferidos pela Justiça Eleitoral por envolvimento com milícia e, por isso, foram citados pelos impugnantes como prova da suposta ligação de Márcio Canella com grupos criminosos.
A defesa alegou que os dois já faziam parte da administração municipal antes da sua gestão e que eles foram exonerados assim que a Justiça Eleitoral confirmou o indeferimento de suas candidaturas.
Ministério Público mudou de opinião sobre a situação de Márcio Canella
O parecer desta quinta-feira marca uma mudança de posição do Ministério Público Eleitoral. Em agosto, quando as ações foram apresentadas, a Procuradoria havia defendido o prosseguimento das impugnações e pedido esclarecimentos sobre as anotações nas certidões criminais e sobre o inquérito da Operação Unha e Carne, que tramita em sigilo no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Porém, o MPE afirmou que não teve acesso ao teor e ao alcance da investigação no Supremo e concluiu que o material disponível na instância do Rio de Janeiro não traz elementos suficientes para vincular Canella a uma organização criminosa. Por isso, passou a defender o deferimento do registro de candidatura e a improcedência das quatro impugnações.
Agora, cabe ao TRE-RJ dar a palavra final sobre o registro de candidatura de Márcio Canella a deputado estadual.




















































