O que existirá por trás das taxações de Donald Trump?

Um grande amigo, usando a sua notável e comprovada inteligência, solicitou ao ChatGPT uma análise comparativa das vantagens e desvantagens para os Estados Unidos e China, e consequências esperadas das taxações anunciadas recentemente por Donald Trump. As opiniões da inteligência artificial coincidiram com aquelas que as inteligências naturais (sim, elas ainda existem e esse meu amigo é a prova viva) já vêm divulgando há bastante tempo.

Vejam vocês mesmos o que a IA respondeu:

  1. Produção industrial e exportações: Os Estados Unidos tendem a ser mais impactados. A China possui maior capacidade de adaptação e já vem diversificando seus mercados. A indústria americana, por outro lado, pode perder valor de mercado em setores estratégicos como tecnologia e aeroespacial;
  2. Cadeias de suprimento globais: Os Estados Unidos são mais vulneráveis. Muitas empresas americanas dependem da manufatura chinesa, e a realocação dessas cadeias de suprimento é cara, complexa e lenta;
  3. Consumo doméstico: Os Estados Unidos novamente são mais afetados. A população americana depende de produtos chineses baratos, e as tarifas impactam diretamente a classe média e os mais pobres, elevando a inflação e gerando pressão política;
  4. Resiliência política interna: A China leva vantagem clara. Seu regime autoritário permite controle sobre a mídia, intervenção direta na economia e manutenção de estabilidade social mesmo em tempos de crise. Já os Estados Unidos enfrentam oposição política imediata, com pressão do Congresso, da imprensa e dos eleitores;
  5. Mercados de destino alternativos: A China perde acesso a um grande mercado, mas tem mais opções de redirecionamento comercial devido a acordos bilaterais e parcerias com diversos países. Assim, o impacto sobre ela é menor nesse aspecto;
  6. Confiança dos investidores: Ambos os países perdem, mas os Estados Unidos têm sua posição fragilizada. A confiança no dólar como ativo seguro está sendo desafiada por alternativas como o ouro e o franco suíço;
  7. Dólar como refúgio seguro: O dólar tende a se valorizar no curto prazo, mas perde força como único porto seguro. Há uma fuga crescente para ativos como ouro e franco suíço, o que reduz uma vantagem tradicional dos Estados Unidos em crises globais;
  8. Impacto no PIB no curto prazo: Ambos sofrem queda no crescimento econômico, mas os Estados Unidos tendem a ser mais afetados pela sensibilidade de seu consumo interno e pela reação do mercado financeiro;
  9. Impacto estrutural no longo prazo: Os Estados Unidos têm mais a perder. A China vem se posicionando como potência alternativa, construindo infraestrutura geopolítica e econômica (como a Iniciativa do Cinturão e Rota), o que pode reduzir a influência americana no cenário internacional;

Conclusão do ChatGPT: Apesar de ambos os lados sofrerem com uma guerra comercial, os Estados Unidos perdem mais no conjunto da obra. A China, com seu controle político, capacidade de redirecionar exportações e estratégia de longo prazo, suporta melhor os efeitos prolongados de uma disputa tarifária.

De posse desses dados, aliando a resposta da IA com as opiniões unânimes de cientistas sociais, economistas, analistas de mercado, exportadores, importadores, políticos, e toda sorte de especialistas que concordam que a China será beneficiada com essas taxações adotadas pelo governo Trump, pude concluir que, ou toda unanimidade é burra (obrigado Nelson Rodrigues!), e todos, incluindo o Chat GPT, estão errados, ou estamos de diante de um problema alarmante, grande e desconhecido, e que só o tempo esclarecerá.

Por outro lado, mesmo aceitando que todas as análises dos humanos estão certas, é razoável supor que na equipe do governo do país mais rico do mundo existem cabeças luminares e assessores capazes de fazer estudos profundos e competentes sobre qualquer assunto. Como acreditar que eles deixaram o presidente Trump promover taxações tão danosas ao seu próprio país? Seria ele um louco? Mas, e os auxiliares que o cercam seriam todos malucos também? Muito difícil aceitar que a Casa Branca teria se transformado num enorme manicômio.

Outra hipótese, digna das mais elaboradas teorias da conspiração, é que Trump seria um agente chinês, infiltrado nos Estados Unidos há muitas décadas, o que seria compatível com a proverbial paciência chinesa e com o olavismo terraplanista.

O grande e terrível problema surge ao supor a existência de um plano maquiavélico, não explícito, ainda incompreendido pela inteligência mundial, onde o tarifaço seria o gatilho de um movimento que viabilizaria o sonho trumpista (ou Steevebanista?) de dar aos Estados Unidos a hegemonia econômica, política e militar mundial. A ditadura universal!

E aí residiria a grande preocupação dos dirigentes mundiais, e que deveria ser compartilhada por todos, até mesmo por aqueles governantes que se deixaram fotografar com bonés da campanha MAGA – Make America Great Again, numa inútil vassalagem.

As perguntas que se faz, e ainda sem respostas, é: como combater esse plano? Como derrotar um inimigo que se sabe onde está, mas não se sabe qual o seu objetivo e – pasmem! – talvez nem exista?

Rio, 2025

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Comments 12

  1. Paulo C says:

    Pior do que tentar entender o que o maluco do Trump tem como objetivo é tentar entender o Bolsonaro falando em inglês!!!

  2. Aguinaldo Valença says:

    VÁ ENTENDER A CABEÇA DE UM MALUCO QUE VC. FICARÁ IGUAL A ELE. EM SEIS MESES DÁ PRA SENTIR OS EFEITOS DAS MEDIDAS..

    • Simone Pacheco says:

      Nossa!! Essa análise foi surpreendente! Bom texto!! Não conseguimos entender essa loucura ainda.

  3. Erika Valença says:

    Não existe solução pra gente ruim.

  4. WANDERLINO TEIXEIRA LEITE NETTO says:

    O mundo está de cabeça para baixo. O que me espanta é haver tanta gente plantando bananeira, fiéis seguidores dos responsáveis por essa inquietante situação. No que vai dar? Quem viver verá…

  5. Fran says:

    Gostei da última reflexão, talvez não existam objetivos; na lógica trumpista e no seu sucesso populista, as vitórias acontecem ao longo de um processo inatingível, nas estratégias do capitalismo realista, que incorporam em si as próprias formas de resistência do povo americano. Fico inseguro se exista uma estrategia justa ao discurso nacionalista e a tentativa de lidar com a recensao economica deles, para isso o processo se inicia hoje, tarde, e afinal, se continuar, da forma lenta como se desenvolveu. Scott Bessent criou a propria fortuna atravez de crises, e a oportunidade atravez da crise, possa ser o destino final…

  6. Eduardo says:

    Ótimo texto.

    • Everaldo Luz Xavier says:

      Essa peleja entre Estados Unidos e China, pelas taxações, podemos chamar de briga de gente grande. De acordo com a IA, a China leva grande vantagem sobre os Estados Unidos em diversos setores da economia, notadamente no que se refere às Cadeias de Suprimento Globais. Está bastante claro, que o crescimento industrial da China está incomodando e muito o presidente Trump. Como represália, o grande mandatário dos Estados Unidos, quer empurrar de goela abaixo, essas taxações malucas. Por último, o presidente americano anunciou uma pausa de 90 dias, na cobrança de tarifas em todos os países que não retaliaram a cobrança. Essa medida não vale para a China, que terá sua alíquota de importados aumentada para 125%. Espero que muito brevemente, a economia mundial seja estabilizada, sem essas maluquices. Alfeu, o tema é pra lá de polêmico. Parabéns.

  7. Felipe says:

    Excelente texto. Mas ainda acho que o objetivo de Trump é frear o crescimento Industrial Chinês e tentar garantias da não ocupação chinesa em Taiwan. Mas essa ocupação já tem prazo. Os EUA não terão mais tecnologia de ponta, sem Taiwan.

  8. Maria Aparecida Valença says:

    Boa pergunta Alfeu, o que existirá por trás das taxações do louco do Trump? Pelo visto até agora, suas ações contam com o aval da Casa Branca e apoio de boa parte dos americanos. Onde vamos parar? Deterioração da economia mundial? E tome retaliações. Lamentável pois a corda arrebenta sempre do lado mais fraco e como país emergente, sentiremos na pele.

  9. Pascal de SLOOVER says:

    Sim, tudo indica que Trump é louco, com uma equipe de incompetentes sob seu comando… sua imprevisibilidade é perigosa para todos os países, incluindo o seu. Mas o que importa para ele é ele mesmo. Mesmo assim, ainda é difícil saber como ele vai sair dessa! Ele já mudou seu plano, estendendo a trégua por 90 dias…exceto para a China (aparentemente ele ignora a capacidade de paciência deles…). Tudo isso é muito triste! Para onde o nosso mundo está indo com todos esses retardados mentais governando países?

  10. Jose Roberto Salerno says:

    Essa parece uma nova versão de uma velha história , só que agora no masculino , espelho espelho meu …………………………..

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Justiça Eleitoral manda retirar publicações de cinco aliados de Paes por ligarem Douglas Ruas ao Comando Vermelho sem provas

06/09/2026 12:11

A desembargadora Maria Paula Gouvêa Galhardo, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), determinou, neste sábado (5), a  imediata remoção de vídeos que vinculam, nas redes sociais, o candidato do PL ao governo do estado, Douglas Ruas à facção criminosa Comando Vermelho e a esquemas de corrupção.

As ordens de exclusão dos vídeos atingiram as contas de cinco aliados políticos do prefeito Eduardo Paes (PSD).

Duas representações foram protocoladas, em 3 de setembro, pela coligação de Douglas, a “Rio Real” (PL/Mobiliza/Agir/Avante). Assinados pelo advogado Tiago Santos, os textos alegavam que, na véspera, Paes e seus aliados veicularam em massa vídeos e “stories” com acusações graves contra Ruas: nepotismo, enriquecimento ilícito e ligação direta com o crime organizado, além de citá-lo como “príncipe herdeiro” do ex-governador Cláudio Castro e “tropa” de Rodrigo Bacellar.

Ao analisar a representação contra os apoiadores de Paes — Marcelo Calero, Flávio Valle, Salvino Oliveira, João Pires e Roberto Martins —, a magistrada disse que os vídeos extrapolavam os limites da liberdade de expressão e da crítica política. Segundo a desembargadora, a imputação de ligação com o Comando Vermelho a um candidato sem qualquer condenação ou denúncia formal configura “divulgação de fato sabidamente falso” e grave estratégia de desinformação.

Diante disso, concedeu a liminar mandando a Meta (Facebook Serviços Online do Brasil Ltda.) e os cinco alvos removerem as postagens no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

No processo individual contra Eduardo Paes, porém, houve um problema. Como o conteúdo havia sido postado na ferramenta “story” (que expira em 24 horas), o link anexado à inicial já não direcionava para a publicação e não havia print nos autos.

Por não ser possível verificar a veiculação no perfil oficial do ex-prefeito, a magistrada negou a ordem de exclusão do post. Ela fixou apenas uma medida preventiva contra Paes, determinando que ele se abstenha de divulgar novos conteúdos com o mesmo teor, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

TRE-RJ: associar a imagem de Douglas Ruas ao Comando Vermelho constitui propaganda ilícita

Galhardo destacou em suas decisões que este não é um episódio isolado na pré-campanha fluminense.

Ela relembrou decisão anterior, na qual o TRE-RJ já havia fixado o entendimento de que associar a imagem de Douglas Ruas à facção criminosa Comando Vermelho constitui propaganda eleitoral negativa ilícita.

Os representados têm dois dias para apresentar defesa antes do parecer final da Procuradoria Regional Eleitoral.

Mercado imobiliário do Rio cresce no 1º semestre do ano; vendas sobem 4,65% e lançamentos, 2,26%

06/09/2026 11:57

O mercado imobiliário do Rio encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais de crescimento, ainda que em ritmo moderado. As vendas de imóveis cresceram 4,65% até junho, enquanto que o número de unidades lançadas avançou 2,26% na comparação com os 12 meses anteriores.

Os dados fazem parte de uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica para a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ). No período, foram colocadas no mercado 13.272 unidades e vendidas 12.883.

De acordo com o presidente da associação, Leonardo Mesquita, os números positivos aparecem depois de um período especialmente difícil para o setor no Rio.

Na avaliação dele, ainda há espaço para ampliar a produção de novos empreendimentos. “Podemos crescer mais. Ainda estamos construindo pouco, e essa baixa produção se reflete nos preços de venda e de aluguel dos imóveis”, afirmou.

Eleições trazem incertezas

Apesar dos resultados positivos, o desempenho do primeiro semestre de 2026 é encarado com cautela. Isso porque parte do crescimento pode estar relacionada ao calendário eleitoral de 2026.

De acordo com as análises da Brain, o mercado está preocupado com as eleições, e antecipou alguns lançamentos imaginando um segundo semestre mais conturbado, mesmo que a intenção de compra esteja nos maiores números da série histórica, segundo dados da pesquisa nacional de intenção de compra da Brain.

Minha Casa, Minha Vida puxa novos lançamentos

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foi o principal motor dos lançamentos imobiliários no Rio no primeiro semestre de 2026. As unidades representaram 49,9% de todos os empreendimentos colocados no mercado entre janeiro e junho.

Na sequência, aparecem os imóveis de médio padrão, com 25,4% dos lançamentos, e os compactos, que responderam por 24,5% do total. O desempenho mostra o peso dos diferentes perfis de imóveis na expansão do mercado no período.

Entre abril e junho, cinco bairros concentraram a maior parte dos novos lançamentos: Recreio dos Bandeirantes, Centro, Barra Olímpica, Olaria e Ramos, nesta ordem.

Além disso, o programa também foi o destaque entre os imóveis vendidos no primeiro semestre de 2026. As unidades enquadradas no Minha Casa, Minha Vida representaram 38,3% das vendas no período. Na sequência, ficaram os imóveis compactos, com 30,7%, e os de médio padrão, que responderam por 29,6%.

Entre abril e junho de 2026, o Recreio dos Bandeirantes também apareceu na liderança dos bairros preferidos pelos compradores. Em seguida vieram Jacarepaguá, Centro, Campo Grande e Pilares.

Morre aos 75 anos o ex-vereador Paulo Eduardo Gomes, liderança histórica de Niterói que ajudou a construir o PT e o PSOL

06/09/2026 11:21

O ex-vereador de Niterói Paulo Eduardo Gomes morreu na noite deste sábado (05), aos 75 anos. Uma das figuras históricas da política da cidade, PEG, como era chamado por amigos e companheiros de militância, enfrentava um câncer. A notícia foi comunicada em suas redes sociais, e provocou a manifestações de diversos políticos.

O velório será realizado neste domingo (06), na Câmara de Vereadores de Niterói, das 15h às 19h. O sepultamento está marcado para segunda-feira (07), no Parque da Colina, em Pendotiba.

O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL) relembrou a convivência com Paulo.

“Quando fui eleito vereador em Niterói, eu tinha 24 anos e vivia esquecendo a gravata. O Paulo sempre tinha uma para me emprestar. Demorei a entender que aquilo não era sobre gravata. Era um jeito de dizer: você pertence a este lugar, garoto. Fica aqui”, escreveu o parlamentar.

Candidato a deputado federal pelo PT, Marcelo Freixo afirmou que PEG foi um “militante histórico da política niteroiense” e lembrou a parceria entre os dois durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio. “Fomos companheiros de partido por anos e, enquanto estive na Alerj como deputado estadual, sempre pude contar com o trabalho de PEG na Câmara de Niterói”, escreveu.

Na linha de frente da esquerda niteroiense

A trajetória de Paulo esteve ligada à esquerda em Niterói. Ele participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e, anos depois, esteve entre os nomes que ajudaram a construir o PSOL, partido ao qual permaneceu filiado. Ao longo da carreira, disputou duas vezes a Prefeitura de Niterói e exerceu mandatos na Câmara de Vereadores, sempre com votações expressivas.

Formado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo deu início a sua trajetoria profissional ao ingressar na Embratel logo após concluir a graduação. Na empresa, participou da fundação da Associação dos Empregados da Embratel, entidade que presidiu por três mandatos.

Na política, dedicou parte de sua atuação à defesa da saúde pública e dos direitos humanos. Costumava se apresentar como um “ativista do SUS”.

Rock in Rio ganha ‘olhos no céu’: drones da Polícia Civil monitoram o megaevento em tempo real

06/09/2026 10:51

Com olhos no chão — e agora no céu — a segurança do Rock in Rio ganhou um reforço tecnológico neste sábado (05), segundo dia do festival. Drones da Polícia Civil passaram a fazer o monitoramento aéreo em tempo real da Cidade do Rock e de seu entorno, em uma operação que reúne diferentes forças do governo do estado.

A novidade fica por conta da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), criada em maio e que estreia em grandes eventos. A unidade acompanha a movimentação do público do alto e integra as ações de segurança com inteligência, fiscalização de consumo e atendimento social.

No centro da operação, uma estrutura funciona 24 horas por dia para concentrar as informações captadas durante o evento. As equipes acompanham as imagens de 152 câmeras instaladas pelo local, além de 3 drones, câmeras térmicas, radares meteorológicos e sistemas de reconhecimento facial.

Desde o início do festival, três pessoas foram identificadas pelo reconhecimento facial e levadas à delegacia montada na Cidade do Rock. Uma delas permaneceu detida após a polícia constatar uma pendência com a Justiça.

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Sala de controle funciona 24 horas por dia durante o festival — Foto: Divulgação

Inteligência policial e patrulhamento

Além do monitoramento por drones, policiais civis à paisana circulam pelo meio do público para coibir furtos e roubos. Para agilizar o atendimento, a ação conta com totens digitais, onde é possível registrar ocorrências, e mantém uma estrutura da 16ª DP (Barra da Tijuca) funcionando dentro da Cidade do Rock.

No entorno, vias de acesso e terminais rodoviários, a Polícia Militar dá continuidade ao patrulhamento ostensivo.

Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros permanece de prontidão no evento com ambulâncias, equipes de salvamento e drones para atender possíveis ocorrências. Nas ruas, agentes da Operação Lei Seca fazem abordagens educativas e alertam os motoristas para os perigos de dirigir depois de beber.

Queda de árvore sobre fiação interdita rua no Centro do Rio; frente fria traz chuva e ventos fortes à cidade neste domingo (06)

06/09/2026 10:20

A chegada de uma frente fria deixa o Rio em alerta para chuva e ventos fortes neste domingo (06). Nas primeiras horas do dia, uma árvore caiu sobre a fiação e interditou a rua Joaquim Silva,  no Centro, enquanto outras regiões também registraram rajadas de vento.

Segundo o Centro de Operações Rio (COR-Rio), a via está interditada na altura da Escadaria Selarón. Equipes da Secretaria de Ordem Pública atuam no local. CET-Rio, Comlurb, Guarda Municipal, RioLuz e a concessionária Light também foram acionadas para atender à ocorrência.

De acordo com informações da Defesa Civil do estado, houve registros de chuva fraca a moderada na capital e nas regiões Costa Verde, Metropolitana e Serrana. A temperatura mínima registrada foi de 12°C em Petrópolis, mas apenas na cidade do Rio houve rajada de ventos fortes.

O sistema Alerta Rio registrou esses ventos, entre 4h e 5h, em Marambaia (67 km/h) e Copacabana (59 km/h), nas Zonas Oeste e Sul do Rio, respectivamente. Às 5h22, foi a vez do aeroporto Santos Dumont (61,1 km/h).

Recomendações

Diante do registro de ventos fortes, a orientação do COR-Rio é manter janelas, basculantes e portas de armários fechados, reduzindo a circulação de ar dentro dos imóveis. Cortinas, persianas e blecautes também devem permanecer fechados para diminuir o risco de estilhaços caso algum vidro se rompa.

Quem estiver na rua deve evitar ficar próximo ou passar sob árvores, estruturas metálicas, cabos de energia, outdoors, andaimes e escadas. A recomendação também é suspender atividades esportivas ao ar livre, principalmente no mar, durante o período de instabilidade.

Outubro já começou

06/09/2026 10:00

Falta menos de um mês para a eleição. Parece muito tempo? Não, não é.

No meio do caminho haverá debates, pesquisas, programas eleitorais, entrevistas, caminhadas, recursos judiciais, agendas de campanha, o Rock in Rio e a sensação de que ainda existe tempo de sobra para candidatos e eleitores. Não existe.

Quando setembro terminar, a urna estará logo ali. Por isso, o calendário engana. Oficialmente, outubro ainda não chegou. Na política fluminense, porém, a corrida para o milharal já urge pela canjica.

É agora que as campanhas entram em sua fase decisiva. É agora que promessas serão confrontadas, alianças, testadas, e pesquisas passarão a ser observadas com mais atenção. É nesse momento em que os candidatos precisarão demonstrar, para além dos slogans e jingles, quais respostas têm para os desafios que o Rio enfrenta.

Segurança pública, saúde, transporte, educação, desenvolvimento econômico. Os temas são conhecidos. E os problemas também. Mas o que os eleitores esperam são soluções.

A disputa pelo Palácio Guanabara dominará o debate político nas próximas semanas. A Câmara Federal e o Senado também protagonizam as prévias, mas orbitam diante do que anseia o eleitor. E é assim que deve ser. Afinal, a escolha feita em outubro ajudará a definir os rumos do estado pelos próximos quatro anos.

É essa discussão que interessa ao eleitor. E é essa discussão que interessa ao TEMPO REAL.

O portal nasceu durante uma campanha municipal. Agora, pela primeira vez, acompanha uma eleição estadual e nacional em toda a sua dimensão. Chega a esse momento em uma nova fase.

Nos últimos meses, renovamos nossa plataforma, ampliamos a produção de vídeos, fortalecemos nossa presença digital e transmitimos, em parceria com a BandNews FM, o primeiro debate para o governo do estado de 2026. O crescimento da audiência e a circulação cada vez mais ampla de nosso conteúdo entre leitores, agentes públicos e atores da política fluminense mostram que o espaço conquistado também traz mais responsabilidade.

Mas esses avanços não representam uma linha de chegada. Representam preparação.

O amadurecimento do TEMPO REAL coincide com o momento em que o jornalismo político é mais testado: quando o eleitor precisa decidir. Refletir. E será justamente neste período que nossa equipe enfrentará seu maior desafio até aqui, acompanhando a primeira grande eleição estadual da história do portal.

Nas próximas semanas, haverá embates, estratégias, bastidores, pesquisas e tentativas de influenciar o voto dos fluminenses.

Nosso compromisso permanece o mesmo. Separar fato de versão. Informação de propaganda. Debate de ruído.

Outubro ainda não chegou ao calendário. Mas, quando ele chegar, boa parte da eleição já terá sido decidida.

E é por isso que a campanha mais importante não começa no mês da votação.

Ela começa agora.

PL já gastou R$ 750 milhões com candidatos; dez nomes concentram 15% desse valor, liderados por Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas 

06/09/2026 09:49

O PL já destinou mais de R$ 750 milhões às campanhas de seus candidatos nas eleições deste ano, segundo dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, R$ 116,7 milhões — mais de 15% — foram concentrados em apenas dez candidaturas.

No topo do ranking estão Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência da República, e Douglas Ruas, que disputa o governo do estado do Rio. A campanha presidencial recebeu R$ 42,9 milhões do PL, enquanto Ruas aparece em segundo entre os candidatos que mais receberam recursos da legenda, com R$ 17,7 milhões.

Veja o ranking de candidatos do PL que mais receberam recursos, somando R$ 116,7 milhões

  • 1º Flavio Bolsonaro – presidente – R$ 42.900.000,00
  • 2º Douglas Ruas – governador do estado do Rio – R$ 17.788.000,00
  • 3º Wilder Morais – governador do estado de Goiás – R$ 11.000.000,0
  • 4º Sergio Moro – governador do estado do Paraná – R$ 10.800.000,00
  • 5º Efraim Filho – governador do estado da Paraíba – R$ 6.870.000,00
  • 6º Andre Prado – senador por São Paulo – R$ 6.000.000,00
  • 7º Jorginho Mello – governador do estado de Santa Catarina – R$ 5.700.000,00
  • 8º Domingos Sávio – senador por Minas Gerais – R$ 5.400.000,00
  • 9º Carlos Portinho – senador pelo Rio – R$ 5.250.000,00
  • 10º Luciano Zucco – governador do estado do Rio Grande do Sul – R$ 5.000.000,00

O valor total gasto pelo PL até agora já corresponde a 85% do total do fundo eleitoral a que o partido tem direito neste ano — R$ 881 milhões.

No entanto, uma pequena parte das receitas têm origem em doações fora do fundo.

Centro do Rio reage ao esvaziamento da pandemia e volta a pulsar, com novos moradores, negócios e projetos residenciais

06/09/2026 09:03

O Centro do Rio começa a deixar para trás e trocar o cenário de ruas vazias e imóveis fechados que marcou os anos da pandemia, por uma movimentação renovada. Entre os novos negócios, obras e projetos residenciais, o coração da cidade agora volta a atrair moradores e trabalhadores, enquanto bares e restaurantes ajudam a prolongar o movimento pela região também à noite.

O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) estima que, das 8.903 unidades residenciais licenciadas de 2021 — quando a prefeitura lançou o projeto Reviver Centro, para incentivar a construção de moradias — até julho passado, 3,7 mil estão prontas ou em obras.

Na Rua Sete de Setembro, um antigo endereço comercial passa por uma transformação que traduz essa mudança de perfil. O Shopping Vertical, que reunia 64 lojas, está em obras e será convertido em um residencial com 172 estúdios de 28 a 40 metros quadrados. Todas as unidades, vendidas a partir de R$ 360 mil, já foram comercializadas na planta, e a previsão é que as obras sejam concluídas em 18 meses.

A localização, próxima ao Aeroporto Santos Dumont e ao metrô, é apontada pela construtora Calçada como um dos atrativos do empreendimento.

Já o Largo de São Francisco, outra área tradicional do Centro, onde fica localizado um campus da Universidade Federal do Rio (UFRJ), também pode ganhar um novo uso. A Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula planeja erguer um prédio comercial em frente à igreja, em um terreno que hoje funciona como estacionamento. Como a área integra o Corredor Cultural, o projeto busca apoio do programa Reviver Pró-Apac, da prefeitura, criado para estimular a recuperação de imóveis e a instalação de novas atividades na região.

Novos investimentos e a retomada da vida noturna

O movimento de reocupação do Centro também começa a despertar o interesse de investidores. Entre os projetos já licenciados está o Connect Square, na Rua São José, no Buraco do Lume. O empreendimento terá uso misto e 584 unidades, a maior parte já comercializada. As obras estão previstas para começar em janeiro.

Perto dali, o Aliança da Bahia, edifício modernista tombado na Rua Araújo Porto Alegre, passou por uma transformação e teve suas salas comerciais transformadas em lajes corporativas.

A gastronomia é outro setor que amplia a presença nessa nova fase do Centro da cidade. No Beco das Sardinhas, por exemplo, o empresário Raphael Vidal, dono do Capiau, prepara quatro novos restaurantes. Os dois primeiros, Bife Gracioso e Pensão, começam a funcionar ainda este mês em um sobrado da Rua Miguel Couto.

Em outubro, será a vez do Fumeiro Santa Rita e do Galeto Comendador, no Largo de Santa Rita.

Enquanto isso, na Rua do Lavradio, a novidade fica por conta da Casa Jovê. O gastrobar dedicado à culinária brasileira e instalado no térreo de um imóvel restaurado será inaugurado ainda este mês. O cardápio terá pratos batizados com nomes de peças de teatro.

A partir de novembro, o segundo andar do imóvel também ganhará vida nova com a abertura do Pérola, que terá palco para shows e espaço para exposições, ampliando a oferta de cultura e entretenimento na região.

Lapa também entra no radar dos novos investimentos

A retomada de investimentos na região central do Rio também chega à Lapa, onde novos projetos começam a redesenhar o uso de imóveis e terrenos no local. A Glória Participações, que já administra um hotel no bairro e tem em seu portfólio o São Conrado Fashion Mall e o antigo Hotel Praia Ipanema, planeja inaugurar em 2027 um hostel na Rua Mem de Sá, com capacidade para 120 camas.

Outro movimento recente no bairro envolve um terreno de 3,3 mil metros quadrados na Rua Teotônio Regadas, ao lado da tradicional escadaria. O imóvel foi adquirido depois que a proprietária reduziu o valor diante da possibilidade de desapropriação pela prefeitura. Para os novos proprietários, a primeira opção para a área é a construção de um empreendimento residencial.

Salas comerciais ainda estão vazias no Centro

Apesar da chegada de novos projetos, o Centrodo Rio ainda tem um grande número de salas comerciais desocupadas. Segundo a Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi), são 7,4 mil salas vazias entre as 22,6 mil existentes no bairro, o equivalente a 33%. O número já foi maior: em 2021, durante a pandemia, a taxa de vacância chegou a 40%.

A expectativa é que esses espaços voltem a ser ocupados conforme os novos prédios residenciais sejam entregues e tragam mais moradores para a região.

O custo para manter os imóveis, porém, ainda pesa.

Com informações do jornal “O Globo”. 

Marapicu, a história sem fim: depois de atrasos e aditivos, Cedae licita mais R$ 46 milhões para o reservatório não inundar o bairro do Jardim Guandu

06/09/2026 08:00

No que já pode ser considerada a saga do Reservatório Novo Marapicu, o que era crítico sempre pode piorar. Pois o contrato original já havia acumulado atraso superior a 50% do prazo inicialmente previsto, advertência à empreiteira, mudança da própria concepção do reservatório, rerratificações da planilha e novos milhões acrescentados à obra.

Agora surge uma novidade que, tecnicamente, tem muito pouco de nova: a Cedae colocou na rua uma licitação estimada em R$ 46,265 milhões para executar a obra que permitirá ao reservatório extravasar sua água. A entrada em operação do Novo Marapicu fica, no mínimo, condicionada à existência de uma solução segura para os 12 m³/s que precisarão ser descarregados.

Acontece que usar a estrutura apontada no edital, segundo a própria Cedae, pode agravar os alagamentos que já atingem a região.

Canal já não dá conta da água da chuva, sem o extravasor

A nova licitação prevê a elaboração do projeto executivo e a nova canalização do canal da Rua Ingá, em Nova Iguaçu, que deságua no Rio Cabenga e “será utilizado para a extravasão do Reservatório Novo Marapicu”.

As propostas serão abertas no dia 15 de setembro de 2026, com orçamento máximo de R$ 46.265.266,67 e prazo de execução de mais 450 dias corridos.

O mais impressionante, contudo, está no projeto básico SEI nº 126313895, assinado pelo diretor técnico e de projetos da Cedae, engenheiro Humberto de Mello Filho. É a própria companhia quem reconhece que o canal da Rua Ingá, “em seu atual estado, não comporta o acréscimo de vazão no momento da extravasão do Reservatório Novo Marapicu”. A análise técnica ainda classifica as travessias existentes como “subdimensionadas” e afirma que a passagem sob a Rua do Trevo, feita por tubo DN 1.200 mm, possui capacidade “totalmente incompatível com as vazões provenientes do extravasor e do sistema de macrodrenagem da região”.

Alagamento no entorno do canal da Rua Ingá, em Nova Iguaçu
Alagamento no entorno do canal da Rua Ingá, em Nova Iguaçu: evento comum em dia de chuva – Foto: Reprodução do processo de licitação

E tem (bem) mais.

Segundo a Cedae, “nas condições atuais do canal, mesmo sem a contribuição do extravasor, em eventos de chuva ocorre o transbordamento, provocando alagamentos em todo o bairro do entorno”. É justamente para esse canal, que já transborda sem o reservatório, que deverão ser encaminhados mais 12 m³/s.

Não se trata, portanto, de uma obra acessória ou de uma melhoria opcional.

O próprio memorial descritivo (SEI nº 122014832) reconhece que o canal atualmente não comporta sequer as contribuições de drenagem nas épocas de chuva e que, com os 12 m³/s adicionais do reservatório, “a melhoria do canal tornou-se peremptória”.

A palavra escolhida pela própria Cedae é perfeita: peremptória, isto é, indispensável.

A pergunta inevitável é: por que uma intervenção indispensável ao funcionamento seguro do sistema somente está sendo licitada em 2026, mais de três anos depois do início da construção do reservatório?

A cronologia torna a situação ainda mais difícil de explicar

A obra principal começou em 27 de fevereiro de 2023, com prazo de 900 dias e conclusão prevista para 14 de agosto de 2025. A Cedae, posteriormente, concedeu mais 480 dias, elevando o prazo para 1.380 dias e transferindo a conclusão para 7 de dezembro de 2026.

Agora, quando o reservatório originalmente já deveria estar pronto, abre-se outra licitação com prazo próprio de mais 450 dias. A história sem fim ganhou um novo contrato — e um novo cronograma.

A necessidade de extravasamento evidentemente não surgiu no decorrer da obra. Um reservatório dessa dimensão precisa dispor de solução hidráulica para descarregar água com segurança, e a capacidade do corpo receptor deveria integrar o planejamento do sistema.

O próprio objeto do contrato original já abrangia “Reservatório Novo Marapicu, Tronco, Extravasor e Adutora”. Mais: quando a Cedae alterou a concepção do reservatório de duas células retangulares para seis circulares, um dos benefícios apontados pela fiscalização foi justamente a “flexibilização do extravasor/drenagem”.

A companhia, portanto, não apenas conhecia a necessidade do extravasor como discutiu e modificou sua concepção durante a execução.

A documentação disponível não permite afirmar que toda a canalização da Rua Ingá integrava juridicamente o escopo do contrato nº 023/2023. O problema é outro: se adequar o canal é necessário para receber com segurança os 12 m³/s, por que essa obra não foi planejada e contratada de maneira coordenada com o reservatório? Poderia ter integrado o contrato original, caso técnica e juridicamente compatível; poderia ter sido licitada paralelamente; ou, no mínimo, contratada com antecedência suficiente para que ambas as obras terminassem sincronizadas.

Há ainda uma continuidade administrativa que torna a pergunta mais relevante. O diretor Técnico e de Projetos da Cedae assinou aditivos da obra principal, inclusive o 4º termo aditivo, que concedeu os 480 dias adicionais. É também Humberto de Mello Filho quem assina o projeto básico SEI nº 126313895 da nova obra, documento que reconhece a incapacidade atual do canal e os riscos de transbordamento.

O edital LI nº 014/2026 (SEI nº 138823827) também leva sua assinatura como diretor Técnico e de Projetos. Ou seja, a mesma Diretoria Técnica que acompanhou os aditivos do reservatório agora conduz a contratação necessária para adequar o destino de sua extravasão.

E não estamos falando de uma intervenção pequena. Serão seis trechos de canal aberto, cinco travessias em galerias fechadas duplas, estruturas em concreto armado, gabiões, desassoreamento do Rio Cabenga e intervenções nas vias adjacentes. O orçamento de R$ 46,265 milhões representa cerca de 16,7% dos R$ 277,81 milhões originalmente contratados para a obra principal.

O calendário chama atenção: o memorial descritivo é de 5 de janeiro de 2026, o projeto básico foi assinado em março e a licitação foi publicada em agosto. Depois da abertura das propostas, ainda haverá julgamento, eventuais recursos, contratação, elaboração do projeto executivo e até 450 dias de obras.

Assim, mesmo que o reservatório seja concluído no novo prazo de dezembro de 2026, o canal necessário à sua extravasão segura poderá continuar em construção.

Um resumo dos capítulos anteriores

O contrato principal começou por R$ 277,81 milhões e 900 dias. Em abril de 2024, a fiscalização advertiu a contratada OECI S.A. porque deveriam estar assentados 2.532 metros de tubulação, mas apenas 1.121 metros haviam sido executados: uma defasagem de 55,73%.

Depois, o projeto do reservatório foi profundamente alterado, passando de duas células retangulares para seis circulares. Vieram a prorrogação de 480 dias — aumento de 53,3% do prazo original — e, posteriormente, mais R$ 17,892 milhões em aditivo, levando o contrato a aproximadamente R$ 296,12 milhões.

A própria fiscalização registrou problemas de fluxo de caixa da contratada antes de sua recuperação judicial, enquanto o jurídico da Cedae alertou para o risco de algumas modificações serem interpretadas como correção de imprecisões do projeto básico ou executivo.

Agora sabemos que, além de tudo isso, ainda faltava preparar o caminho para a água sair.

Uma obra estratégica para a expansão do Guandu

O Reservatório Novo Marapicu deveria simbolizar a primeira etapa da expansão do Sistema Guandu. Até aqui, porém, tornou-se também um estudo de caso sobre o custo da falta de planejamento integrado.

Primeiro muda-se o reservatório. Depois aumenta-se o prazo. Depois aumenta-se o contrato. E, quando a obra principal já deveria estar pronta, abre-se uma licitação de outros R$ 46,265 milhões e mais 450 dias para adequar o canal que receberá sua extravasão.

Na engenharia, reservatórios precisam de extravasores. Na gestão pública, projetos precisam de planejamento. Em Marapicu, ao que parece, as duas coisas resolveram chegar depois.

COM FÁBIO MARTINS

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Honoráveis honorários: TCE suspende pagamentos de R$ 35 milhões a escritório contratado pela Prefeitura de Petrópolis

05/09/2026 19:00

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) determinou a suspensão imediata de novos pagamentos ao escritório Celso Gonçalves Sardinha Sociedade Individual de Advocacia, contratado pela Prefeitura de Petrópolis para atuar em ações relacionadas à revisão do Índice de Participação dos Municípios (IPM) e ao aumento dos repasses de ICMS ao município. A medida cautelar foi aprovada pelo plenário da corte.

Segundo o tribunal, o contrato previa remuneração de êxito equivalente a 12% do benefício econômico obtido pelo município. Embora a estimativa inicial da contratação fosse de R$ 5 milhões, os pagamentos efetuados entre 2022 e 2024 já somam R$ 35.135.906,31 — mais de sete vezes o valor originalmente previsto.

A decisão foi tomada após auditoria da Coordenadoria de Auditoria em Receita (CAD-Receita) e manifestação favorável do Ministério Público de Contas. Os órgãos apontaram sete possíveis irregularidades no contrato firmado sem licitação para a recuperação de receitas ligadas ao ICMS.

Pagamento baseado em decisão sem trânsito em julgado

Entre os principais questionamentos está o pagamento de honorários com base em decisões judiciais ainda não definitivas. De acordo com o voto da conselheira, mais de R$ 35 milhões já foram transferidos ao escritório com fundamento em decisão sem trânsito em julgado, cuja execução acabou posteriormente suspensa pelo próprio Poder Judiciário.

O tribunal também apontou ausência de estudos prévios que justificassem o percentual de 12% sobre o proveito econômico obtido pelo município. Segundo a análise técnica, não foram estabelecidos limites máximos para os honorários nem faixas de remuneração que garantissem proporcionalidade entre o trabalho executado e os valores pagos.

Outro ponto destacado é que o contrato foi firmado por inexigibilidade de licitação com previsão inicial de duração de 12 meses. Menos de dois meses depois, porém, o prazo foi ampliado para cinco anos, o que, segundo a área técnica do tribunal, enfraquece o argumento de que se tratava de uma demanda pontual e emergencial.

A corte também questiona a acumulação de honorários de êxito com os honorários de sucumbência fixados pela Justiça, além de possíveis falhas de transparência durante a execução contratual.

Além da suspensão dos pagamentos, o TCE-RJ determinou a abertura de prazo para que a Prefeitura de Petrópolis e o escritório apresentem justificativas sobre os pontos levantados pela auditoria. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também será comunicado sobre a decisão.

COM FÁBIO MARTINS

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