O Centro do Rio começa a deixar para trás e trocar o cenário de ruas vazias e imóveis fechados que marcou os anos da pandemia, por uma movimentação renovada. Entre os novos negócios, obras e projetos residenciais, o coração da cidade agora volta a atrair moradores e trabalhadores, enquanto bares e restaurantes ajudam a prolongar o movimento pela região também à noite.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) estima que, das 8.903 unidades residenciais licenciadas de 2021 — quando a prefeitura lançou o projeto Reviver Centro, para incentivar a construção de moradias — até julho passado, 3,7 mil estão prontas ou em obras.
Na Rua Sete de Setembro, um antigo endereço comercial passa por uma transformação que traduz essa mudança de perfil. O Shopping Vertical, que reunia 64 lojas, está em obras e será convertido em um residencial com 172 estúdios de 28 a 40 metros quadrados. Todas as unidades, vendidas a partir de R$ 360 mil, já foram comercializadas na planta, e a previsão é que as obras sejam concluídas em 18 meses.
A localização, próxima ao Aeroporto Santos Dumont e ao metrô, é apontada pela construtora Calçada como um dos atrativos do empreendimento.
Já o Largo de São Francisco, outra área tradicional do Centro, onde fica localizado um campus da Universidade Federal do Rio (UFRJ), também pode ganhar um novo uso. A Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula planeja erguer um prédio comercial em frente à igreja, em um terreno que hoje funciona como estacionamento. Como a área integra o Corredor Cultural, o projeto busca apoio do programa Reviver Pró-Apac, da prefeitura, criado para estimular a recuperação de imóveis e a instalação de novas atividades na região.
Novos investimentos e a retomada da vida noturna
O movimento de reocupação do Centro também começa a despertar o interesse de investidores. Entre os projetos já licenciados está o Connect Square, na Rua São José, no Buraco do Lume. O empreendimento terá uso misto e 584 unidades, a maior parte já comercializada. As obras estão previstas para começar em janeiro.
Perto dali, o Aliança da Bahia, edifício modernista tombado na Rua Araújo Porto Alegre, passou por uma transformação e teve suas salas comerciais transformadas em lajes corporativas.
A gastronomia é outro setor que amplia a presença nessa nova fase do Centro da cidade. No Beco das Sardinhas, por exemplo, o empresário Raphael Vidal, dono do Capiau, prepara quatro novos restaurantes. Os dois primeiros, Bife Gracioso e Pensão, começam a funcionar ainda este mês em um sobrado da Rua Miguel Couto.
Em outubro, será a vez do Fumeiro Santa Rita e do Galeto Comendador, no Largo de Santa Rita.
Enquanto isso, na Rua do Lavradio, a novidade fica por conta da Casa Jovê. O gastrobar dedicado à culinária brasileira e instalado no térreo de um imóvel restaurado será inaugurado ainda este mês. O cardápio terá pratos batizados com nomes de peças de teatro.
A partir de novembro, o segundo andar do imóvel também ganhará vida nova com a abertura do Pérola, que terá palco para shows e espaço para exposições, ampliando a oferta de cultura e entretenimento na região.
Lapa também entra no radar dos novos investimentos
A retomada de investimentos na região central do Rio também chega à Lapa, onde novos projetos começam a redesenhar o uso de imóveis e terrenos no local. A Glória Participações, que já administra um hotel no bairro e tem em seu portfólio o São Conrado Fashion Mall e o antigo Hotel Praia Ipanema, planeja inaugurar em 2027 um hostel na Rua Mem de Sá, com capacidade para 120 camas.
Outro movimento recente no bairro envolve um terreno de 3,3 mil metros quadrados na Rua Teotônio Regadas, ao lado da tradicional escadaria. O imóvel foi adquirido depois que a proprietária reduziu o valor diante da possibilidade de desapropriação pela prefeitura. Para os novos proprietários, a primeira opção para a área é a construção de um empreendimento residencial.
Salas comerciais ainda estão vazias no Centro
Apesar da chegada de novos projetos, o Centrodo Rio ainda tem um grande número de salas comerciais desocupadas. Segundo a Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi), são 7,4 mil salas vazias entre as 22,6 mil existentes no bairro, o equivalente a 33%. O número já foi maior: em 2021, durante a pandemia, a taxa de vacância chegou a 40%.
A expectativa é que esses espaços voltem a ser ocupados conforme os novos prédios residenciais sejam entregues e tragam mais moradores para a região.
O custo para manter os imóveis, porém, ainda pesa.
Com informações do jornal “O Globo”.






























































