O julgamento do registro de candidatura de Diego Alba (PSDB) a deputado estadual foi interrompido, nesta quinta-feira (03), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) após pedidos de vista dos desembargadores Paulo Cesar Salomão e Tathiana Costa — que já indicaram a possibilidade clara de votar contra o tucano.
Até a suspensão da análise, o relator do caso, Guilherme Calmon, e os desembargadores Bruno Bodart, Fábio Ribeiro Porto, Fernando Cerqueira e o presidente do TRE-RJ, Claudio Mello Tavares, já haviam votado pela impugnação da candidatura.
Diego Alba foi condenado, em 2009, por formação de quadrilha armada especializada nas chamadas “saidinhas de banco”. Segundo a Justiça, o homem atuava como uma espécie de olheiro e permanecia dentro de uma agência bancária, observava a movimentação dos clientes e repassava informações aos comparsas que aguardavam do lado de fora.
Relatório do TRE-RJ aponta que candidato foi ‘aprovado pela alta cúpula do Comando Vermelho’
No voto, o relator Guilherme Calmon afirmou que o caso não se resume à condenação em 2009. Para o desembargador, o conjunto de informações reunidas no processo aponta para uma possível aproximação atual entre o candidato e uma organização criminosa armada.
Calmon citou um relatório técnico elaborado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do TRE-RJ, segundo o qual Diego teria sido “aprovado pela alta cúpula” do Comando Vermelho para fazer campanha em áreas sob domínio da facção. Entre os locais mencionados estão Jacarezinho, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Lins e Vasconcelos, Favela do Arará e Vila Kennedy.
Segundo o relator, a presença de Diego nesses territórios seria um dos elementos que indicariam uma relação de confiança com a facção. Na avaliação do desembargador, o conjunto de provas aponta para “indícios robustos, graves e convergentes de vinculação estrutural e aliança do candidato com organização criminosa armada”.
O relator também afirmou que a condenação por quadrilha armada, embora tenha ocorrido há 17 anos, não poderia ser analisada isoladamente. Para ele, o fato de a pena ter sido cumprida e a punibilidade extinta em 2016 não apaga o que chamou de “realidade histórica” da participação de Diego em um grupo criminoso armado.
Ao final do voto, Guilherme Calmon julgou procedente o pedido do MPE e votou pelo indeferimento do registro de candidatura de Diego Alba.
MPE aponta condenação por ‘saidinhas de banco’ e ligação com facção
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu o indeferimento da candidatura de Diego Alba com base no entendimento de que a Constituição impede a interferência de organizações criminosas no processo eleitoral.
Para a Procuradoria, a condenação de 2009 por formação de quadrilha armada é um dos elementos que sustentam a tese. A acusação afirma que ele integrava um grupo estável, com divisão de tarefas para a prática de roubos. Embora Diego não tenha sido condenado especificamente por organização criminosa ou milícia, o MPE afirma que isso não impede a aplicação do entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a interferência do crime organizado no processo eleitoral.
Segundo a Procuradoria, decisões recentes do TSE admitem o indeferimento de candidaturas a partir da existência de “elementos denotativos de participação” em grupos criminosos, sem exigir necessariamente uma condenação definitiva por organização criminosa.
O MPE também usou como argumento um relatório técnico elaborado pelo próprio TRE-RJ, que julgou a ação nesta quinta-feira. Segundo o documento, “o impugnado possui vínculos com a Organização Criminosa autodenominada Comando Vermelho – CV, indicando grave risco de infiltração institucional”.
A acusação afirma que Diego Alba poderia ter a “possível intenção de utilização de futuro mandato eleitoral como braço da referida facção no poder Legislativo”.
Outro ponto citado é uma denúncia de compra de votos por meio da oferta de serviços sociais e odontológicos no bairro Senador Camará, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O parecer relaciona a investigação ao Instituto Juntos Pelo Bem, que, segundo o MPE, teria sido fundado por Diego Alba.
Defesa diz que caso de Diego Alba é diferente da jurisprudência do TSE
Os advogados de Diego Alba sustentam que o caso é diferente dos precedentes utilizados no Tribunal Superior Eleitoral. A defesa afirma que ele foi condenado por quadrilha armada, e não por integrar uma milícia ou organização paramilitar. Também argumenta que os casos analisados pelo TSE envolviam situações como domínio territorial, violência, extorsão, homicídio e controle de atividades econômicas por grupos criminosos — circunstâncias que, segundo os advogados, não estão presentes na condenação de Diego.
Outro argumento é o tempo transcorrido desde a condenação. A defesa destaca que o episódio ocorreu há 17 anos e que a pena foi cumprida há uma década. Para os advogados, utilizar uma condenação já encerrada para impedir a candidatura criaria uma restrição sem prazo ao direito de ser votado.
Pedido de vista interrompe julgamento
Depois do voto do relator e das manifestações favoráveis à impugnação, os desembargadores Paulo Cesar Salomão e Tathiana Costa pediram vista do processo. Salomão afirmou que sua tendência era acompanhar o parecer Guilherme Calmon, mas disse que precisava analisar com mais detalhes os elementos do relatório técnico da Coordenadoria de Segurança e Inteligência antes de apresentar seu voto. Tathiana Costa acompanhou o pedido de vista e indicou a intenção de seguir o entendimento do relator.
Antes, cinco integrantes da Corte já haviam se manifestado pelo indeferimento da candidatura. O Tribunal deve finalizar o julgamento do registro ainda neste mês.
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Para nós, da comunidade evangélica, romper muitas vezes significa livramento. E isso está respaldado na Palavra de Deus. Não podemos, como diz o povo, acender uma vela para Deus e outra para o diabo.
A Bíblia é clara: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. O que passar disso vem do maligno.” (Mateus 5:37). Também sabemos que Deus não se agrada dos mornos.
Não falo isso com alegria ou dureza gratuita, mas com convicção de princípios. Não há como caminhar com quem ora se posiciona a favor dos valores cristãos, ora se alinha com projetos que afrontam esses mesmos valores.
Por isso, aplaudo de pé meu pastor Silas Malafaia ,por ter a coragem de tomar uma decisão difícil. Uma coisa é amizade, gratidão ou respeito por alguém em determinado momento da vida. Outra coisa é abrir mão de princípios.
Nenhuma gratidão pessoal pode justificar colocar em risco valores que defendemos para o Brasil: a família, a fé, a liberdade e a proteção das nossas crianças contra ideologias que tentam se impor à sociedade.
O Brasil não aguenta mais líderes que mudam de posição conforme a conveniência ou que tentam se aproximar da comunidade cristã apenas quando lhes interessa.
Chega. Basta.
Estamos do lado de Deus e dos princípios.
Romildo Jucá ✝️??