O metrô do Rio começou 2026 com aumento no número de passageiros. Só entre os meses de janeiro e março, foram contabilizados 47.514.109 embarques — cerca de 1,4 milhão a mais do que no mesmo período de 2025.
A alta foi de 3,2%, sustentada pelo avanço gradual do movimento ao longo do trimestre e pela expansão do cartão Jaé dentro do sistema.
A recuperação, contudo, ainda não devolveu ao MetrôRio o volume anterior à pandemia. O primeiro trimestre de 2026 ficou 22% abaixo dos mesmos meses de 2019, quando o sistema transportou 60,9 milhões de passageiros.
Movimento cresceu em todos os meses do primeiro trimestre de 2026
Diferentemente do observado nos trens metropolitanos, onde o avanço do trimestre ficou concentrado em março, o metrô apresentou crescimento nos três primeiros meses de 2026. A aceleração foi maior em fevereiro e março.
| Mês | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 14,6 milhões | 14,7 milhões | +0,3% |
| Fevereiro | 15,1 milhões | 15,7 milhões | +4,2% |
| Março | 16,2 milhões | 17 milhões | +4,9% |
Com mais de 17 milhões de embarques, março de 2026 teve o melhor resultado mensal desde março de 2023. Ainda assim, o volume permaneceu abaixo dos meses mais movimentados do período anterior à pandemia, quando o sistema chegou a superar 20 milhões de passageiros em diferentes momentos do ano.
Recuperação anual do metrô do Rio perdeu força após 2023
O maior movimento da série ocorreu em 2018, quando o metrô do Rio transportou 251,4 milhões de passageiros. Em 2019, último ano completo antes da pandemia, foram 249,5 milhões.
A crise sanitária interrompeu essa trajetória. O total caiu para 117,6 milhões em 2020, retração de quase 53% em apenas um ano. Depois de uma recuperação lenta em 2021, o movimento avançou para 170,1 milhões em 2022 e 189 milhões em 2023.
Desde então, porém, o sistema entrou em uma espécie de estabilidade:
| Ano | Passageiros |
|---|---|
| 2023 | 189 milhões |
| 2024 | 184 milhões |
| 2025 | 186,4 milhões |
Em 2025, o número de embarques aumentou apenas 1,3% sobre o ano anterior. O resultado ainda ficou 25,3% abaixo de 2019 e 25,9% inferior ao recorde de 2018.
Isso significa que, embora o metrô tenha recuperado boa parte do movimento perdido durante a pandemia, ainda transporta aproximadamente um passageiro a menos a cada quatro viagens em comparação com o patamar anterior à crise sanitária.
Jaé já responde por um em cada cinco embarques
A principal transformação recente aparece na forma de acesso ao sistema. A categoria Jaé começou a aparecer nos dados em agosto de 2025 e ganhou espaço rapidamente.
Nos primeiros três meses de 2026, o cartão foi utilizado em 9.648.799 embarques, o equivalente a 20,3% de todo o movimento do metrô do Rio. Apenas em março, foram 3,54 milhões de registros pelo Jaé, participação de 20,8%.
Ao mesmo tempo, a categoria Fetranspor caiu de 30,95 milhões de utilizações no primeiro trimestre de 2025 para 22,86 milhões no mesmo período de 2026, redução de 26,1%. O cartão pré-pago também recuou 26,1%.
A queda dessas formas de acesso não significou perda equivalente de passageiros, porque parte relevante dos usuários migrou para o novo sistema. Somadas, Fetranspor e Jaé responderam por 68,4% dos embarques do primeiro trimestre de 2026.
O cartão unitário manteve-se praticamente estável, com 8,31 milhões de utilizações e participação de 17,5%.

Gratuidades representam mais de 11% das viagens
As categorias associadas à gratuidade também ocupam espaço relevante no metrô. Considerando estudantes, pessoas com necessidades especiais ou doenças crônicas, passageiros maiores de 65 anos e integrantes das forças de segurança, foram registrados 22,16 milhões de embarques em 2025, equivalentes a 11,9% do movimento anual.
O número foi 5,5% superior ao de 2024, impulsionado principalmente pelo crescimento dos embarques de idosos e das forças de segurança.
No primeiro trimestre de 2026, essas categorias somaram 5,36 milhões de viagens, alta de 4,7% sobre o mesmo período de 2025. Os idosos responderam sozinhos por 4,54 milhões de acessos, quase 85% do total relacionado às gratuidades consideradas.
Os dados indicam que a recuperação recente não ocorreu apenas entre passageiros pagantes. Parte do aumento do movimento foi sustentada por grupos atendidos por benefícios tarifários previstos nas regras do sistema.
O cenário sugere que o metrô do Rio superou a fase mais aguda da perda de passageiros, mas ainda enfrenta o desafio de transformar a melhora recente em crescimento estrutural. Os próximos meses mostrarão se o avanço de 2026 será suficiente para romper a estabilidade observada desde 2023 ou se o sistema continuará oscilando em torno de 185 milhões a 190 milhões de embarques anuais.

