Não faz muito tempo, um rapazola da política, desses acostumados a cortes nas redes sociais e lacrações, disse ser “forjado na guerra”. Candidatos mais uma vez, os experientes Eliomar Coelho (Rede), de 85 anos, e Paulo Pinheiro (PSOL), de 77, bem poderiam ensinar ao estouvado mancebo um pouco de humildade e boa Música Popular Brasileira. “Esses moços, pobres moços / ah! Se soubessem o que eu sei”, como já cantava Lupicínio Rodrigues.
Sem mandato, mas com muita experiência
Sem mandato, esses veteranos das trincheiras políticas disputam uma vaga no plenário da Assembleia Legislativa do Rio. Mesmo com a dificuldade dos novos tempos, em que as batalhas acontecem muito nas redes e nem tanto nas ruas, acreditam que têm lenha para queimar. Sobre os desafios digitais, Eliomar faz uma reflexão.
“A esquerda tem que acompanhar as mudanças. Em algum momento, não visualizamos o que estava por vir”, diz o candidato da Rede.
Paulo Pinheiro mostra um certo desconforto.
“Hoje não temos políticos. Temos influencers. Eu via nas casas legislativas os parlamentares com dois ou três assessores filmando tudo o tempo todo para fazer cortes. Mas debate que é bom, nada”, critica.
Uma história marcada por lutas
Um bom desafio, porém, é combustível para esses dois veteranos. Médico pediatra de formação, Paulo Pinheiro enfrentou seus primeiros dissabores no serviço público, ao defender gestões coletivas em hospitais. Acabou defenestrado do Hospital Salgado Filho por isso. Levou suas convicções, então, para o Miguel Couto.
Engenheiro, Eliomar Coelho começou a fazer política estudantil em 1969, auge do Ato Institucional 5, que permitiu à ditadura militar então instalada no Brasil os piores abusos e violências contra os opositores. Aquilo, sim, era trincheira de verdade.
Antídotos contra a lacração e os cortes nas redes
Paulo Pinheiro acredita num bom e velho remédio para contrapor o desafio das redes sociais. Com apenas inserções de sete segundos no programa eleitoral gratuito, vai gastar sola de sapato. Outro dia, foi e voltou do Leblon ao Leme andando. Vai fazer o mesmo em áreas como Bonsucesso, Méier e outras áreas da Zona Norte, onde é conhecido por sua atuação.
“Tenho feito musculação e comido muita proteína para aguentar o tranco”, detalha.
Eliomar Coelho apela à experiência de anos na política para encontrar seu caminho até os eleitores.
“A gente trabalha muito na base da escuta. As pessoas trazem suas demandas, e a gente trabalha em cima delas”, ensina ele, que interage com os eleitores também em seu site e nas redes sociais.
Motivação que vem das ruas para os candidatos
As ruas têm trazido motivação aos veteranos.
“Eu passo nas ruas e escuto um dizendo ‘meu filho nasceu com você’, outro falando ‘você salvou a perna do meu pai’”, conta Paulo Pinheiro.
“Ouço muito o povo dizendo ‘volta, Eliomar’, que se tornou até um bordão”, diz, satisfeito, o candidato da Rede.
Uma missão que ainda não acabou
Tendo exercido sete mandatos como vereador e dois como deputado estadual, Eliomar Coelho tem uma explicação simples sobre o motivo que o leva a querer continuar na política.
“Gosto do que eu faço. E jamais conseguiria ficar em casa sem fazer nada em relação ao que está acontecendo. Tem que ir pra luta. Eu sei o que significa uma ditadura. Jamais quero ser governado de novo por pessoas que querem o autoritarismo de volta”, pontifica.
Eliomar acredita que tem muito a fazer
Paulo Pinheiro declara sua atividade como médico encerrada após 46 anos na labuta. Mas, após dois mandatos como deputado estadual e quatro como vereador, acredita que, na política, ainda tem uma missão a cumprir.
“Tenho uma luta que não terminei contra as OS (Organizações Sociais), que são um modelo que fazem mal à saúde pública”, discursa.
Paulo Pinheiro aposta na sola de sapato
Atuando em partidos diferentes, e concorrendo ao mesmo cargo, Paulo e Eliomar são amigos. E nem podem ser exatamente considerados adversários. Estando na mesma federação, um até pode ajudar, eventualmente, a eleger o outro. E estão firmes no propósito de tentar, a despeito das dificuldades.
“Eu não entrego a goiabada”, decreta Eliomar, falando, talvez, em nome dos dois.
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Se o ladrão tivesse a mão amputada por ter cometido o crime, como ocorre em países segundo a jurisprudência interpretando as leis islâmicas, muito dificilmente tornaria a roubar. Como pensar que arriscaria perder a outra mão não é mesmo?