O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, entrou com uma ação de impugnação do registro de candidatura de Tadeu Amorim de Barros Júnior, conhecido como Júnior da Lucinha, que disputa uma vaga de deputado estadual pelo PSD nas eleições deste ano.
Na ação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), o MPE sustenta que a candidatura do atual vereador representa uma estratégia de “sucessão meramente formal” para manter o chamado “espólio político-territorial” de sua família em áreas da Zona Oeste do Rio.
Júnior é filho da deputada estadual Lucinha, que é ré em uma ação penal que teve origem nas investigações da Operação Dinastia II. Segundo a denúncia citada pelo MPE, a parlamentar é acusada de constituição de milícia privada e de integrar o núcleo político do grupo conhecido como Bonde do Zinho, ou Tropa do Z, que atua na região.
MPE aponta ‘coincidência’ na distribuição dos votos em Lucinha e seu filho
Um dos principais argumentos apresentados pela Procuradoria é a semelhança entre a distribuição dos votos de Lucinha nas eleições de 2022 e a votação de Júnior da Lucinha nas eleições municipais de 2024.
Segundo a ação, 89,9% dos votos recebidos por Lucinha no município do Rio em 2022 ficaram concentrados em zonas eleitorais de Santa Cruz e Campo Grande. Em 2024, Júnior reproduziu praticamente o mesmo padrão: 89,1% de sua votação ficou concentrada nessas mesmas zonas eleitorais.
A análise do TRE-RJ citada pelo Ministério Público classificou como “extremamente atípico” o desempenho eleitoral da família em 36 locais de votação. Segundo a Procuradoria, os pontos estão em um agrupamento geográfico contínuo em áreas apontadas nos elementos informativos como de atuação do Bonde do Zinho.
Um dos exemplos citados é a Escola Municipal Lourdes de Lima Rocha. No local, a família alcançou 48,1% dos votos nominais, uma votação 10,7 vezes superior à de qualquer outro concorrente.
A acusação também afirma que as nove zonas eleitorais de maior votação de Lucinha e Júnior são exatamente as mesmas, o que, segundo o MPE, reforçaria a semelhança entre as bases eleitorais dos dois.
Relatórios citam atuação de pessoas próximas a Júnior que seriam ligadas a milicianos
Para sustentar a impugnação, o MPE utilizou relatórios técnicos da Procuradoria-Geral da República e de inteligência do TRE-RJ.
A ação cita a atuação de Leonardo de Oliveira Silva, apresentado pela Procuradoria como liderança comunitária e interlocutor político da família de Lucinha em localidades da Zona Oeste. Segundo o documento, publicações em seu perfil no Instagram mostram Leonardo ao lado da deputada e de seu filho durante visitas a comunidades, entrega de obras e equipamentos públicos, divulgação de serviços urbanos e reuniões com moradores.
Entre as localidades mencionadas estão Rollas, Comunidade do Aço, Boa Esperança, Nova Jersey e Vila Califórnia.
O MPE também cita relatos recebidos pelo SAC-JE e pelo Disque-Denúncia sobre supostos episódios de intimidação eleitoral no Conjunto Cesarão.
Segundo a ação, familiares de milicianos presos teriam participado de ações de campanha de porta em porta e intimidado moradores a comparecerem a eventos políticos para serem vistos por Lucinha e por Júnior. O documento também registra denúncias de atos de campanha da deputada acompanhados por homens armados e de ameaças de represália contra quem não votasse em seu filho.
A Procuradoria cita ainda uma denúncia de que teria sido pago R$ 8 mil à milícia local para garantir a exclusividade da campanha na região. O documento registra, separadamente, relatos de cobrança mensal de R$ 120 de moradores.
MPE abre ressalva e diz que parentesco, sozinho, não sustenta impugnação
A Procuradoria faz uma ressalva sobre a relação familiar entre Júnior e Lucinha. O documento afirma que não pretende atribuir responsabilidade eleitoral ao candidato simplesmente por seu parentesco com a deputada.
Segundo o MPE, os vínculos familiares ganham relevância quando analisados em conjunto com outros elementos que, na avaliação da acusação, indicariam uma continuidade política, eleitoral ou institucional da atuação de um grupo criminoso organizado.
A ação afirma que Júnior passou a disputar a eleição após o impedimento partidário da candidatura de sua mãe à reeleição e o descreve como um “substituto” político. Para o MPE, a candidatura representa a continuidade do projeto político-familiar anteriormente estabelecido nas áreas apontadas como de influência da organização criminosa.
O que acontece agora
Na ação, o Ministério Público Eleitoral requer que Júnior da Lucinha seja citado para apresentar defesa no prazo legal. A Procuradoria também pede a produção das provas admitidas em direito e, caso seja considerado necessário, o envio pelo TJRJ da íntegra da ação penal envolvendo Lucinha ou de uma certidão criminal narrativa do processo.
Ao final, o MPE requer que a ação de impugnação seja julgada procedente e que o registro da candidatura de Júnior da Lucinha seja indeferido em caráter definitivo.
Comments 6
Só cego não vê que a privatização não deu certo ! Ainda vão procurar outra empresa para a conceção?! Só pode ser uma piada !!! Aporte! Isso quer dizer que o dinheiro público vai ser gasto ? A Supervia deveria pagar ao Governo do Estado MULTA pela quebra da conceção e uma INDENIZAÇÃO por estar devolvendo ao Estado a empresa que agora é PRIVADA. À propósito se a empresa é privada por quê ela mesma não realiza a venda do seu patrimônio ? O que o Estado do Rio de Janeiro tem que meter o dedo na negociação de uma empresa privada ? Se qualquer empresa PRIVADA quebrar quem tem que arcar com os ônus são seus avionistas e gestores, não o governo.
De qualquer forma Raquel……acho que você tem total razão,!!!!!
Está Supervia é uma vergonha ainda bem que vão entregar e espero que melhore com o próximo concessionário.
Só um adendo no comentário da Raquel, a Supervia está devolvendo a CONCESSÃO DE EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS FERROVIÁRIOS, ou seja, a responsabilidade por toda a gestão dos serviços continua sendo do ESTADO, detentor do serviço.
Os trens da Supervia são bons vieram da china o que deixa a desejar é infraestrutura do corredor ferroviário já viajei nesses trens o serviço essencial o percurso é longo que precisa melhorar como um todo infraestrutura seja nos trilhos ou nos muros que os cerca. Ficou uma enorme sucata dos trens que foram substituídos que precisa ser removidos. Não de como e onde o governador deve começar a estruturar toda via férrea feito tudo isso vai melhorar outra coisa é a bilheteria melhorou bastante ter trocado de lado foi a melhor coisa que fizeram o de resto é esperar de onde começar
Está Supervia foi decepcionante .Espero que o próximo concessionário seja de boa qualidade e é. isto que nós contribuintes desejamos.