As obras da Estação Leopoldina devem se estender até 2027, adiando a reabertura do prédio histórico. A previsão inicial da Prefeitura do Rio era concluir a intervenção ainda este ano, justamente quando a estação completa cem anos, mas o cronograma foi revisado e a entrega acabou postergada.
Em outubro do ano passado, as obras tinham acabado de ser retomadas após uma paralisação iniciada em junho, em meio a uma troca de acusações entre a prefeitura e a Concrejato, empresa à frente do projeto. A empreiteira alegava falta de pagamento, enquanto o município afirmava estar apurando possíveis descumprimentos de leis trabalhistas.
A Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), responsável pela contratação da restauração, afirma que as intervenções seguem em andamento em diferentes frentes, como recuperação estrutural, restauração e modernização do conjunto histórico. Segundo a empresa pública municipal, o cronograma foi revisto por se tratar de uma obra de grande porte, que exige trabalho criterioso de restauração e preservação. O projeto está orçado em cerca de R$ 80 milhões.
Estado tem até o fim do mês para retirar bens do terreno ao lado da Estação Leopoldina
A cargo do governo do estado do Rio, a desocupação do terreno ao lado da estação, que abriga antigas composições de trem e milhares de aduelas (estruturas de concreto que deveriam ter sido usadas na expansão do metrô), ainda enfrenta entraves.
O processo de desocupação ganhou novo prazo para sair do papel. Em abril, a Justiça Federal já havia determinado a retirada dos bens abandonados que pudessem atrapalhar as obras de restauração. Agora, neste mês, uma segunda decisão manteve a ordem e deu 30 dias para que a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central) remova veículos, equipamentos e demais materiais sob sua responsabilidade.
Na prática, o estado tem até o fim de agosto para desobstruir o terreno, sob pena de multa diária de R$ 30 mil, limitada a R$ 3 milhões.
O destino das aduelas
Em nota, a Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) informa que uma empresa, a COL (Central de Logística Ltda.), “foi contratada para retirar os veículos e equipamentos de propriedade da Central que estão no terreno da Estação Leopoldina. A previsão é de que os bens sejam transferidos para outra área da Central, em Deodoro, após a conclusão das tratativas em andamento com o Inepac e o Iphan.”
O contrato com a empresa foi fechado por R$ 2,87 milhões.
Anteriormente, o governo havia alegado dificuldades logísticas e financeiras para cumprir a determinação judicial. De acordo com documentos do processo, o estado sustentou que a retirada das 6.672 aduelas armazenadas no local exigiria uma operação de nove a 12 meses e poderia custar cerca de R$ 5 milhões. Produzidas para a construção da Linha 4 do metrô, as estruturas, agora sem uso, estão distribuídas em 834 conjuntos, com segmentos que pesam entre oito e dez toneladas cada.
A Justiça considerou que o estado já tinha conhecimento da sua obrigação desde acordo firmado com a União, em 2022, e vinha sendo intimado a cumpri-la desde 2023. E destacou que a Central só começou a adotar providências efetivas para liberar o terreno anos depois das primeiras intimações.























































