A tarifa de metrô no Rio é quase oito vezes mais cara do que era quando a empresa MetrôRio iniciou a concessão, em janeiro de 1998. A passagem, que custava R$ 1 na época, chegou a R$ 7,90 — valor efetivamente cobrado pela concessionária desde abril de 2026.
Em pouco mais de 28 anos, a alta acumulada no preço da passagem foi de 690%, sem descontar a inflação do período.
Para passageiros beneficiados pela tarifa social, porém, o preço permanece congelado em R$ 5 desde 2023.
Tarifa de metrô homologada em 2026 foi de R$ 8,20
O valor atual não conta toda a história. Uma vez que, em 2026, a tarifa calculada e homologada pela agência reguladora chegou a R$ 8,20. Uma decisão do governo do estado manteve o valor efetivamente cobrado em R$ 7,90 e renovou, por mais um ano, a tarifa social de R$ 5.
O sistema passou, assim, a funcionar com três referências: o valor contratual calculado, a tarifa comum efetiva e o preço social.
Embora o aumento de 690% abranja quase três décadas, uma parcela relevante ocorreu nos anos mais recentes. Entre 2019 e 2025, a tarifa comum passou de R$ 4,60 para R$ 7,90, uma elevação nominal de 71,7% em seis anos
Escalada começou nos anos 2000
Nos primeiros anos da concessão, os reajustes foram relativamente pequenos em valores absolutos, mas rapidamente elevaram o preço. A passagem foi de R$ 1 em 1998 para R$ 1,20 em 2000, R$ 1,33 em 2001 e R$ 1,47 em 2002. Em dezembro de 2003, subiu para R$ 1,88; em 2004, chegou a R$ 2,01; e, em 2005, a R$ 2,25. Em sete anos, o preço nominal mais que dobrou, com aumento acumulado de 125%.
A trajetória, contudo, nunca foi uma linha perfeitamente contínua. Em 2007, por exemplo, a tarifa de metrô passou por uma sucessão incomum de decisões. Um preço de R$ 2,40 entrou em vigor em janeiro, mas foi reduzido para R$ 2,30 no mês seguinte, após um embargo ligado a uma ação do Ministério Público.
Ao longo daquele ano, a tabela registra ainda valores de R$ 2,29, R$ 2,30, R$ 2,35 e novamente R$ 2,40.
O caso é um exemplo de como os reajustes calculados pela agência estão sujeitos a diferentes formas de alteração, que vão de decisões administrativas e acordos contratuais a decretos.
Reajustes foram revogados ou reduzidos
Outra intervenção relevante ocorreu em 2013. A tarifa de R$ 3,50 começou a ser cobrada em abril, mas o reajuste foi revogado pelo governo estadual. A partir de junho daquele ano, o preço retornou para R$ 3,20.
Nos anos seguintes, decretos passaram a instituir tarifas sociais e temporárias para usuários cadastrados no sistema de bilhetagem. Em 2014, por exemplo, enquanto a tarifa reajustada era de R$ 3,50, o valor social ficou em R$ 3,20.
Com tarifa social, desconto é de cerca de 36%
A mudança mais marcante na série recente da passagem começou em 2023, quando o governo criou uma tarifa social de R$ 5. A diferença inicial era de R$ 1,90 por viagem. Desde então, o valor social permaneceu congelado, mas a tarifa cheia continuou subindo: foi para R$ 7,50 em 2024 e R$ 7,90 em 2025.
Atualmente, a distância entre os dois preços é R$ 2,90 por embarque. A tarifa comum cresceu 14,5% entre 2023 e 2026, enquanto o valor social não sofreu reajuste. Hoje, o benefício representa um desconto de aproximadamente 36,7% sobre a passagem efetivamente cobrada.
Para um passageiro que faça duas viagens por dia durante 22 dias úteis, a diferença é expressiva. O gasto mensal, que seria de R$ 347,60 na tarifa de metrô regular, passa a ser de R$ 220 com o valor social — uma economia de R$ 127,60 por mês.
Os dados isolados não permitem concluir se a passagem ficou mais cara ou mais barata em termos reais, porque os valores da tabela são nominais e não foram corrigidos pela inflação. Ainda assim, os dados indicam que, para além dos reajustes periódicos, oas mudanças no preço estão diretamente ligadas a disputas contratuais, a capacidade de pagamento do passageiro e a decisões das autoridades estaduais.

