A proposta de um convênio de R$ 25 milhões entre o Corpo de Bombeiros Militar do Rio (CBMERJ) e o Instituto Rio Metrópole (IRM) levou o governo do estado a ampliar o pente-fino sobre contratos da corporação.
O acordo, que previa o repasse de recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) ao instituto, foi barrado após um parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que considerou a operação juridicamente inviável.
Valor destinado a monitoramento de desastres naturais
A minuta previa a transferência de R$ 25 milhões para a implantação, operação e manutenção de um Sistema de Monitoramento Metropolitano de Desastres Naturais. Pelo modelo proposto, os recursos do Funesbom seriam destinados diretamente ao IRM.
Segundo a PGE, o fundo possui destinação específica e deve ser utilizado exclusivamente para investimentos e custeio da própria corporação, como aquisição de viaturas, equipamentos e fardamentos.
Com o parecer contrário, a Secretaria de Estado de Defesa Civil encerrou o processo administrativo antes que qualquer repasse fosse realizado.
Relação próxima entre Didê e comandante-geral
A negociação também chamou atenção pela relação entre o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Tarcisio Salles, e o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, preso sob suspeita de participação em esquemas de corrupção.
Em novembro de 2024, Dide recebeu das mãos de Tarcisio Salles a Medalha Mérito Avante Bombeiro. A homenagem foi concedida após o ex-presidente do IRM ter sido submetido a um Conselho de Disciplina na corporação em razão de sua prisão, em 2020, durante as investigações sobre a compra de respiradores com suspeita de superfaturamento na pandemia.
Didê, que é bombeiro da reserva e responde a processos relacionados a supostos esquemas de corrupção que somam R$ 86 milhões, cumpre prisão no agrupamento prisional do Corpo de Bombeiros. A unidade é comandada pelo tenente-coronel Sirlei Gomes, apontado como amigo pessoal do ex-presidente do IRM.
Governo acendeu alerta sobre convênios
A repercussão da tentativa de celebração do convênio motivou o governo estadual a determinar uma auditoria ampla nos contratos do Corpo de Bombeiros. A medida ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o Instituto Rio Metrópole e é tratada nos bastidores como uma resposta administrativa ao caso.
No IRM, as investigações também provocaram mudanças na estrutura do órgão. Em uma semana, 14 servidores foram exonerados, e a expectativa é de que novas demissões ocorram nos próximos dias.
Em nota, a Secretaria de Estado de Defesa Civil informou que a proposta de convênio seguiu os trâmites administrativos previstos, mas foi considerada inviável pelas áreas técnicas, sendo arquivada antes de qualquer transferência de recursos.
O coronel Tarcisio Salles afirmou que sua relação com Davi Perini Vermelho sempre ocorreu no exercício de funções institucionais entre agentes públicos. O Corpo de Bombeiros declarou que a custódia de militares presos segue rigorosamente a legislação vigente, sem qualquer tratamento diferenciado.
Já a defesa de Davi Perini Vermelho sustentou que todos os contratos e convênios firmados durante sua gestão passaram pela fiscalização dos setores competentes e afirmou que políticas públicas não podem ser criminalizadas em razão de relações de amizade entre gestores.
Com informações da TV Globo.



