Desdobramentos recentes de investigações sobre o empresário e candidato a deputado federal Renato Araújo (PL) provocaram forte incômodo no PL do Rio. Uma construtora ligada a Araújo foi alvo, nesta quinta-feira (13), de mandados de busca e apreensão em inquérito da Polícia Civil sobre fraudes em obras de escolas públicas estaduais.
A apreensão é palpável, às vésperas do lançamento oficial da campanha do candidato do partido à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Maricá, Campos dos Goytacazes, Cabo Frio, São Gonçalo, Mangaratiba e Angra dos Reis — este último, sede da Bravo Construções.
As investigações teriam apontado indícios de um esquema direcionado de contratações.
Na mesma noite da operação, Renato Araújo promoveu um evento de lançamento de sua candidatura contando com a presença da chapa principal do PL-RJ, incluindo Douglas Ruas, candidato ao governo, e os postulantes ao Senado, Carlos Jordy e Carlos Portinho.
Contratos e investigações em curso
A Bravo Construções está registrada em nome da mulher de Renato Araújo, mas o empresário já foi sócio da firma e assinava propostas enviadas à Secretaria Estadual de Educação como seu diretor-geral. Em maio, o jornal “Folha de S.Paulo” revelou que a empresa tinha R$ 16 milhões em contratos para reforma de escolas durante a gestão de Cláudio Castro (PL).
Além da Polícia Civil, as reformas em escolas públicas estaduais são investigadas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Em abril, o TCE-RJ determinou a suspensão dos pagamentos às empresas envolvidas, incluindo a Bravo Construções.
O tribunal apontou indícios de burla às licitações públicas: a Secretaria de Educação estaria utilizando um mecanismo previsto por lei para pequenos reparos emergenciais (que repassa verbas diretamente a Associações de Apoio à Escola (AAEs), sem licitação ou publicação em Diário Oficial) para executar obras de grande vulto. Levantamento do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) mostra que esses repasses saltaram de R$ 79 milhões em 2020 para R$ 630 milhões em 2024 e R$ 513 milhões em 2025.
A PF suspeita que o uso das AAEs servia para dar a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa, maior controle sobre as firmas contratadas, apurando o possível repasse de valores para o ex-deputado. Outro desdobramento do caso resultou na prisão do também ex-deputado estadual Thiago Rangel, em maio, por suspeita de desvio em obras no Norte Fluminense.
Auditores do TCE constataram ainda que a ampliação das intervenções partia da própria secretaria, e não das necessidades relatadas pelas escolas, como no caso de um colégio em Nova Iguaçu que pedia reparos hidráulicos e recebeu um direcionamento de mais de R$ 2 milhões para substituição de telhado.
A obra, aliás, foi assumida pela Bravo.
Proximidade com o clã Bolsonaro
Renato Araújo concorre à Câmara dos Deputados usando o nome de urna “Renato Araújo do Bolsonaro”, tendo obtido permissão para usar o sobrenome graças à sua proximidade com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. O empresário supervisionou a reforma da casa do ex-presidente na Vila Histórica de Mambucaba, em 2023, e solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para visitá-lo na Papudinha.
Nas eleições de 2024, quando disputou a prefeitura de Angra dos Reis, contou com a presença de Jair, Flávio e até Eduardo Bolsonaro na campanha. Araújo chegou a ser indicado por Jair para vice na chapa de Rodrigo Bacellar — então pré-candidato ao Palácio Guanabara com apoio da família Bolsonaro até ser preso, em 2025, pela Polícia Federal.
O que diz a construtora
A Bravo Construções não comentou as buscas desta quinta-feira. Em maio, a construtora declarou à “Folha” que apresentou propostas de preços em estrita conformidade com os critérios técnicos exigidos e que as contratações foram desdobramento natural de sua trajetória comercial, anterior a qualquer vínculo político.


























































