Faltando uma semana para a eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou todas as fichas em uma jogada de alto risco.
Na última sexta-feira, o governo decidiu proibir as bets — as apostas esportivas e os jogos online que, em poucos anos, se transformaram em um negócio bilionário, capaz de ocupar espaços na televisão, nas redes sociais e, principalmente, no futebol.
Hoje, boa parte dos clubes brasileiros estampa marcas do setor na camisa. Muitas transmissões dependem de sua publicidade. E uma geração inteira passou a conviver diariamente com anúncios que prometem transformar alguns cliques em dinheiro fácil.
Não é a primeira vez que Lula cruza o caminho da indústria do jogo.
Em 2004, pouco mais de um ano após chegar ao Palácio do Planalto, o governo enfrentou sua primeira grande crise política. A divulgação da gravação em que Waldomiro Diniz, ex-presidente da Loterj e assessor da Casa Civil, aparecia negociando vantagens com o empresário Carlos Cachoeira colocou o tema no centro do debate nacional. A resposta veio em forma de medida provisória: o fechamento dos bingos e das máquinas caça-níqueis em todo o país.
Vinte e dois anos depois, o cenário é outro. Os bingos deram lugar aos aplicativos. O caixa das casas de jogo migrou para os celulares. O apostador não precisa mais atravessar a cidade para tentar a sorte. Basta abrir uma tela. Mas a lógica política guarda semelhanças.
Assim como ocorreu em 2004, Lula aposta que a maioria dos brasileiros enxergará a medida menos como uma intervenção econômica e mais como uma resposta a um problema social que parece ter saído do controle. Histórias de famílias endividadas, jovens viciados em apostas e trabalhadores comprometendo parte da renda em jogos se multiplicaram nos últimos anos.
A diferença é que, desta vez, o presidente não compra briga apenas com empresários do setor. Compra também uma disputa com clubes de futebol, patrocinadores, influenciadores digitais e uma cadeia econômica que aprendeu a depender do dinheiro das apostas.
Na reta final da campanha, trata-se de uma jogada calculada. Se a percepção popular for de proteção às famílias, Lula pode colher dividendos políticos. Se prevalecer a visão de interferência excessiva do Estado, o efeito pode ser o oposto.
Como em qualquer mesa de apostas, o resultado só aparece quando as cartas são abertas.
E, a uma semana da eleição, Lula decidiu fazer o seu ‘all-in’.























































