A seleta e dedicada torcida do futebol local de Niterói começou o mês de setembro animada: o novo Parque Poliesportivo da Concha Acústica, em São Domingos, começou a receber jogos da equipe do município, o Niteroiense. No último sábado (05), a equipe jogou a primeira rodada do Campeonato Carioca da Série B1, a terceira divisão estadual, e o clima foi de festa para a torcida — tanto pela estreia como pelo placar, já que o time da casa venceu o Serrano por 2 a 0.
A partida aconteceu justamente na semana em que prefeitura anunciou avanços para tornar um dos tradicionais símbolos do futebol na cidade, o Estádio Caio Martins, em Icaraí, em um parque junto a um reservatório contra alagamentos na região. Por isso, o sentimento entre alguns torcedores presentes à Concha Acústica era meio melancólico, já que o campo em Icaraí não deve mais receber jogos de futebol tão cedo. Mesmo assim, a alegria de prestigiar um novo campo de futebol profissional na cidade foi maior.
Um desses entusiasmados torcedores era Leandro Faria, morador do Ingá. Nascido e criado em Niterói, ele admite que chegou a ter expectativas que o Niteroiense pudesse jogar no Caio Martins, mas comentou acreditar que o novo estádio se torne popular entre torcedores.
“Eu até cheguei a pensar que a estreia do time neste ano seria no Caio Martins, mas, infelizmente, isso não será mais possível. Porém, tenho as melhores expectativas possíveis para que nossa cidade abrace este novo estádio. Afinal, aqui é um celeiro de craques”, comentou.
Ao lado do filho Lucas, de 18 anos, Leandro citou acompanhar o time desde 2023, quando, à época, a equipe jogou, respectivamente, as Séries C (quinta divisão) e B2 (quarta), do Campeonato Carioca. E para ele, com o elenco atual jogando na Concha Acústica, o Niteroiense vai conseguir o acesso para a segunda divisão, a Série A2, no ano que vem.

Planos para o futuro e possibilidade de ampliação de público
Atual secretário municipal de esportes, Luiz Carlos Gallo conhece bem a relação entre futebol e Niterói. Afinal, ele foi atleta da extinta Associação Desportiva Niterói, a ADN, no início dos anos 80. A equipe é a única até hoje a representar Niterói no Campeonato Carioca da primeira divisão, feito ocorrido em 1980.
Em conversa com o TEMPO REAL, Gallo relembra com saudade do tempo em que atou como zagueiro da ADN. Citando jogadores nascidos na cidade que fizeram sucesso no futebol mundial, como Edmundo, ídolo do Vasco, e Leonardo, cria do Flamengo e campeão pela Seleção Brasileira na Copa de 1994, ele explica os planos para o futuro do Niteroiense.
“Daqui a dois anos queremos subir para a primeira divisão. Atualmente, o clube não tem muitos recursos financeiros. Por isso, lançamos um plano de sócio-torcedor para ter o apoio dos niteroienses. A gente quer ajudar Niterói a resgatar o orgulho de ter um time da cidade”, comentou.
Realista, o secretário de esportes admitiu que não há um planejamento atual pensando na ampliação de público que, no momento, comporta a capacidade para apenas 500 torcedores, aproximadamente. Por isso, se o Niteroiense conseguir o acesso à segunda divisão estadual, já tem em mente sobre o que pode ser feito.
“Se conseguirmos o acesso para a Série A2 do estadual no ano que vem, teremos que nos planejar para a ampliação do público. Uma ideia inicial seria aumentar a capacidade para 8 mil pessoas. Naturalmente, isso seria para partidas contra times de menor investimento. Não há condição de receber jogos contra as pequenos grandes. Se chegarmos à primeira divisão e não houver condições de jogar aqui, teremos que buscar opções em outros lugares”, reconheceu.

Futebol em nome do pai e do filho
Além de ter jogado profissionalmente, Gallo viu a paixão pelo futebol passar para o filho, o volante Bruno Gallo, que atua no Niteroiense há três temporadas. Questionado como reagiria ao ver a cria atuar na primeira divisão por uma equipe de Niterói, repetindo o feito do pai, o secretário se emociona.
“Isso aí, se Deus nos permitir, acredito que será realizado. Do jeito que ele se dedica, sendo o primeiro a chegar nos treinamentos e o último a sair, tenho certeza que ele vai repetir meu feito por Niterói como jogador profissional”, comentou.

Já o filho, Bruno Gallo, prefere não criar expectativa a respeito. Com 38 anos de idade, o jogador tem 11 gols em 36 jogos com a camisa do Niteroiense, incluída a vitória sobre o Serrano, e é um dos atletas que há mais tempo está no plantel. Mas afirma pensar no presente antes de imaginar o que pode acontecer mais adiante.
“Vamos um ano de cada vez. É um sonho poder chegar à primeira divisão e nossa missão é esta. De 2023 pra cá, crescemos muito e nos preparemos bem para este ano. O pensamento é este, mas vamos devagar, passo a passo. Quem sabe daqui a dois anos, não estarei no Maracanã?”, contou Bruno com um sorriso no rosto.
Os gols do jogo foram marcados por Chay, atleta morador de Niterói, e Diguinho.


























































