O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) adiou, mais uma vez, a decisão sobre o registro de candidatura de Ricardo Abrão (PSDB), deputado federal que tenta a reeleição em 2026. Por unanimidade, a Corte decidiu nesta terça-feira (22) converter o julgamento em diligência — ou seja, determinar a inclusão de novos documentos e informações no processo antes de decidir se o registro será deferido ou não.
Ex-presidente da Beija-Flor de Nilópolis e sobrinho do contraventor Anísio Abraão David, Ricardo Abrão é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e levou a uma operação de busca e apreensão contra o deputado em 3 de setembro. O julgamento deve ser retomado na próxima terça-feira (29).
Desembargador pediu novos documentos do STF e da PF
A conversão do julgamento em diligência foi proposta pelo desembargador Bruno Bodart, que havia pedido vista do processo na sessão de 17 de setembro. Na ocasião, o relator Guilherme Calmon havia votado pelo deferimento da candidatura de Ricardo Abrão.
Ao apresentar o voto-vista nesta terça, Bodart afirmou que a documentação disponível no processo era insuficiente para uma análise completa dos fatos investigados na Operação Astrea e da possível relação do candidato com as acusações apresentadas pela Procuradoria Regional Eleitoral.
O desembargador pediu que sejam juntados aos autos a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a busca e apreensão contra Ricardo Abrão, cópias de processos sigilosos que tramitam no TRE-RJ e o relatório final de um inquérito da Polícia Federal relacionado às investigações sobre os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Ricardo Abrão é investigado por suposta compra de votos em Nilópolis
Durante o voto, Bodart citou a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a busca e apreensão contra Ricardo Abrão. Segundo o documento, a investigação teve origem na prisão de 24 pessoas na véspera das eleições de 2024, em um imóvel de Nilópolis apontado como sede clandestina de compra de votos.
Ainda segundo a decisão mencionada pelo desembargador, foram apreendidos dinheiro em espécie, cadernos com registros de pagamentos, material de campanha e uma arma. A partir da análise de mensagens obtidas com a quebra do sigilo de aparelhos apreendidos, a PF teria apontado Ricardo Abrão como responsável pelo financiamento de parte do esquema.
Julgamento da candidatura de deve acontecer na próxima terça-feira
Com a decisão, o TRE-RJ ainda não definiu se Ricardo Abrão poderá disputar a reeleição. Os novos documentos deverão ser incorporados ao processo e disponibilizados às partes e ao Ministério Público Eleitoral.
A previsão é que a defesa tenha três dias para se manifestar e a Procuradoria, um dia. Com os prazos, o tribunal estima conseguir retomar o julgamento em 29 de setembro.





















































