Enquanto o governo do estado prega rigor fiscal e contingenciamento de despesas, três oficiais superiores da Polícia Militar (PM) foram autorizados a viajar a Montevidéu, no Uruguai, para acompanhar presencialmente a final da Copa Libertadores da América.
A missão internacional, autorizada pela Casa Civil, custará R$ 41.687,51 aos cofres públicos.
De acordo com os autos do processo SEI-350016/019834/2026, a comitiva será integrada pelo coronel Ricardo Alexandre da Cruz Aguiar, comandante de Policiamento Especializado (CPE), pelo coronel Sandro Aguiar dos Santos, comandante do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) e pelo tenente-coronel Guylherme Lima Nogueira de Freitas, subcomandante administrativo do Bepe.
Inicialmente, o comandante do CPE cotado era o coronel Aristheu de Góes Lopes, substituído após mudança interna na unidade.
Passagens aéreas representam a maior parte das despesas
A maior fatia dos gastos será consumida pelas passagens aéreas de ida e volta, estimadas no valor total de R$ 22.812,21. Cada bilhete custará R$ 7.604,07. O processo prevê ainda o desembolso de R$ 564,90 para o seguro-viagem internacional do trio, equivalendo a R$ 188,30 por policial militar.
Para a cobertura das despesas com estadia, alimentação e deslocamento durante os cinco dias de afastamento — de 26 a 30 de novembro de 2026 —, o estado reservou R$ 18.310,40 em diárias e traslados. O cálculo baseou-se no cômputo de quatro diárias e dez cotas de traslado para cada agente.
O coronel Ricardo Alexandre da Cruz Aguiar terá direito a quatro diárias de US$ 280,00 (totalizando R$ 5.801,60 pelo câmbio fixado a R$ 5,18), somadas a R$ 440,00 em traslados urbanos (10 cotas de R$ 44,00), o que resulta em R$ 6.241,60.
Já os oficiais do Bepe, receberão quatro diárias de US$ 270,00 cada (R$ 5.594,40 por servidor), acrescidas dos mesmos R$ 440,00 de traslados urbanos, totalizando uma despesa individual de R$ 6.034,40 para cada um.
Cobrança da Casa Civil e justificativa técnica da PM
A liberação da despesa enfrentou questionamentos antes do aval definitivo. O secretário da Casa Civil, Flávio Willeman, chegou a travar o andamento da autorização ao apontar que a documentação inicial carecia de detalhamento técnico, assemelhando-se a um simples acompanhamento esportivo presencial.
A pasta exigiu a apresentação de programação formal, demonstração de interlocução institucional com autoridades uruguaias e justificativa para a presença simultânea de três comandantes.
Para destravar o processo, a PM acionou a Embaixada do Uruguai e o Ministério do Interior do país vizinho, obtendo uma agenda preliminar de visitas e intercâmbio. Em sua defesa, a cúpula da segurança sustentou que a missão visa a estudar o planejamento operacional, o controle de acessos, a gestão de multidões e a atuação integrada no Estádio Centenário.
A corporação argumentou que o aprendizado servirá para atualizar protocolos de segurança em praças esportivas fluminenses — como o Maracanã e o Estádio Nilton Santos — e preparar o efetivo para os desafios da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027.
Com a complementação, a Casa Civil autorizou formalmente o afastamento e a viagem.
COM FÁBIO MARTINS






















































