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Início Rio é Rua

Rio é Rua

08/04/25 12:23
  • Oscar Valporto Oscar Valporto

Mário Filho e o futebol: o espírito carioca do ‘criador de multidões’

Mário Filho e o futebol: o espírito carioca do ‘criador de multidões’

Mário Filho na capa do primeiro volume de crônicas eternas do futebol: esporte no sangue e espírito carioca - Foto: Reprodução

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Eu tinha 12 ou 13 anos – um garoto, como tantos, apaixonado por futebol – quando meu pai me deu para ler ‘Copa do Mundo, 62’, de Mário Filho, autor que, obviamente, o menino conhecia de nome, o nome do estádio do Maracanã. Devorei o livro da primeira vez, reli dezenas – sem exagero – de vezes. É a história do bicampeonato da seleção brasileira: é a história contada por um jornalista, relatada com detalhes de quem tem intimidade com os fatos, escrita como se fosse um romance. Mas, de fato, é uma sequência brilhante de crônicas; de pequenos episódios que vão formando o retrato da seleção e sua trajetória até a conquista do Mundial.

São crônicas protagonizadas por Garrincha, Didi, Nilton Santos, Pelé; mas também há textos que têm como protagonistas o roupeiro Assis, o médico Hilton Gosling, o jornalista Sandro Moreyra – são crônicas que revelam a paixão do autor pelos seus personagens demasiadamente humanos. Não tenho como medir a influência de Mário Filho e de seu livro na minha própria trajetória, nas paixões pela escrita, pelo jornalismo, pelo esporte – não dá para medir, mas é impossível negar.

Mário Filho reaparece aqui neste #RioéRua, porque está sendo lançada a coleção Crônicas Eternas do Futebol, que pretende contar a história do futebol brasileiro através de textos de mestres da crônica esportiva desde o século passado. O primeiro volume é exatamente dedicado a Mário Filho. Como fui descobrindo ao ler, já um pouco mais velho, os livros com suas crônicas nos jornais que dirigiu (o Mundo Sportivo e o Jornal dos Sports) e também em O Globo e na Manchete Esportiva, Mário Filho foi o mais brilhante de todos os cronistas esportivas, em patamar acima até dos grandes João Saldanha e Armando Nogueira (também presentes na coleção) e de seu irmão Nelson Rodrigues.

Talvez tenha sido também o mais identificado com esta cidade de São Sebastião. Em uma das pesquisas aqui, inclusive, uma inteligência artificial qualquer apontou que “Mário Filho foi um jornalista e cronista esportivo carioca”. Não, ele não nasceu aqui mas talvez a IA estivesse certa, porque o pernambucano Mário veio para o Rio de Janeiro com oito anos de idade e marcou a cidade onde viveu até a morte em 1966. O futebol carioca deve demais a Mário Filho que fundou o primeiro jornal brasileiro dedicado inteiramente aos esportes. O Mundo Sportivo priorizava o futebol, com uma linguagem popular, mas abria espaço também para o remo, o boxe, a natação e outras modalidades. Até corridas de automóveis eram divulgadas e incentivadas no jornal.

A bola caía na Lagoa. O cronometrista travava o cronômetro. E o tempo parava. O Flamengo queria que o cronômetro parasse, o Fluminense queria que corresse. Eram duas concepções de tempo que se chocavam, irreconciliáveis. Não é possível, o cronômetro não anda. E andava, bem que andava. Para o Flamengo, corria. A angústia fazia com que para o Fluminense o tempo parasse; e corresse, desembestado, para o Flamengo”.

Mário Filho, cronista esportivo e muito mais.

Era um carioca de alma e de espírito, apaixonado por jornalismo e esporte, mas também pela noite e pelo samba. E, através de seu Mundo Sportivo, que já dava espaço para pautas carnavalescas, foi organizado o primeiro concurso de escolas de samba do Rio de Janeiro, em 1932 – vencido pela Mangueira, seguida pela Vai como Pode (que se tornaria a Portela). O Mundo Sportivo acabou, Mário Filho foi para O Globo, que passou a organizar o desfile competitivo até a organização ser assumida pelo governo do Distrito Federal.

Em 1936, Mário Filho, com ajuda de amigos, comprou o Jornal dos Sports que dirigiu por 30 anos, sem deixar de colaborar com outras publicações. No Jornal dos Sports, ele liderou a campanha para que o estádio para sediar a Copa do Mundo de 1950 fosse construído ali na região do Maracanã (na área do antigo hipódromo) – uma corrente, liderada por Carlos Lacerda, queria o estádio em Jacarepaguá. O jornal organizou também competições esportivas amadoras como os Jogos da Primavera – com várias modalidades femininas para crianças e adolescentes, com a participação de colégios e clubes – e os torneios de pelada no Aterro do Flamengo. Foi ainda o grande incentivador do relançamento, com sucesso, do Torneio Rio-São Paulo em 1950 – a competição havia sido disputada e concluída apenas uma vez, em 1933; em 1940, começou mas não terminou.

Mário Filho e o futebol: o espírito carioca do ‘criador de multidões’
Capas de Copa do Mundo, 62 e O Negro no Futebol Brasileiro: livros clássicos de Mário Filho – Foto: Reprodução

Fazia tudo isso sem parar de escrever. Seu livro O Negro no Futebol Brasileiro é considerado um clássico, estudado pela academia, nas cadeiras de história e sociologia. Mas é quase um livro de crônicas, guiado por histórias do futebol. Publicado em 1947, O Negro no Futebol Brasileiro começa assim: “Há quem ache que o futebol do passado é que era bom. De quando em quando a gente esbarra com um saudosista. Todos brancos, nenhum preto. Foi uma coisa que me intrigou a princípio. Por que o saudosista era sempre branco? O saudosista sempre branco, nunca preto, dava para desconfiar. E depois, a época de ouro, escolhida pelo saudosista, era uma época que se podia chamar de branca”.

Os acadêmicos falam do livro por sua “interpretação do Brasil” ou pela “construção da identidade nacional”, mas tudo isso passa pelas histórias, muitas em formato de crônica, sobre Fausto, Friedenreich, Leônidas, Domingos da Guia e também sobre o Bangu, primeiro clube a ter operários no time de futebol, inclusive o “center-forward” Francisco Carregal, “mulato, filho de pai português e mãe preta”, e Manuel Maia, “goalkeeper crioulo, filho de preto com preta”.

Mário Filho e o futebol: o espírito carioca do ‘criador de multidões’
O estádio do Maracanã, batizado como Mário Filho, após a morte do jornalista em 1966: líder da luta para que o estádio fosse construído perto do centro do Rio – Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Os personagens das crônicas de Mário Filho iam dos grandes craques aos mais simples torcedores, passando por jogadores que a história teria esquecido não fosse pelo cronista. “Quando o jogo acabou, Arubinha ajoelhou-se, juntou as mãos, olhou para cima. Lá em cima estava o céu, devia estar Deus também. Arubinha não via o céu, não via Deus. Assim mesmo pediu, alto, bem alto, para que Deus escutasse: ‘Se há Deus no céu, o Vasco tem de passar doze anos sem ser campeão’ Uns dizem que Arubinha não se contentou com isso. Que um dia foi a São Januário e enterrou um sapo no campo do Vasco” – a crônica ‘O Sapo de Arubinha’, publicada na Manchete Esportiva, em 1957, revive a noite em que o Vasco goleou o Andarahy por 12 a 0, em São Januário, 20 anos antes. É épica, mas não pela goleada: pelo temporal, pela espera dos jogadores do Andarahy sob chuva, pelo acidente com os carros que levavam os jogadores do Vasco ao estádio; pelo drama dos derrotados. E pela praga do Arubinha (leiam a crônica para saber seu desfecho).

O que era e como era a crônica esportiva antes de Mário Filho? Simplesmente não era, simplesmente não havia. A crônica esportiva estava na pré-história, roía pedra nas cavernas. Havia, no seu texto, uma visão inesperada do futebol e do craque, um tratamento lírico, dramático e humorístico que ninguém usara antes”.

– Nelson Rodrigues, dramaturgo, escritor e cronista esportivo.

Seu irmão famoso, o dramaturgo Nelson Rodrigues, escreveu que Mário Filho, no futebol, havia sido “um criador das multidões”: por ter levado o futebol à manchete dos jornais, por ter promovido seus craques, jogos e campeonatos, por ter sonhado o Maracanã lotado. E por ter popularizado a expressão ‘Fla-Flu’, imortalizando o clássico carioca. Não posso escrever sobre Mário Filho sem lembrar do Fla-Flu da Lagoa, jogo decisivo do campeonato carioca de 1937 em que o Flu jogava pelo empate na casa do Fla, o estádio da Gávea às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas: os rubronegros empataram em 2×2 quando faltava seis minutos para o jogo acabar e o tricolores começaram a chutar a bola para longe, para fora do estádio e para dentro da lagoa.

O cronista narrou assim a angústia daqueles minutos. “Era ainda o tempo do cronometrista. O juiz não mandava no tempo, quem mandava era o cronometrista. E lá estava o cronometrista. A bola caía na Lagoa. O cronometrista travava o cronômetro. E o tempo parava. O Flamengo queria que o cronômetro parasse, o Fluminense queria que corresse. Eram duas concepções de tempo que se chocavam, irreconciliáveis. Não é possível, o cronômetro não anda. E andava, bem que andava. Para o Flamengo, corria. A angústia fazia com que para o Fluminense o tempo parasse; e corresse, desembestado, para o Flamengo. Nem o Fluminense compreendia que ele custasse tanto a passar nem o Flamengo que ele corresse tanto”. Leiam o texto se quiserem saber dos detalhes do que se passou, em campo, nesses minutos – eu concluo como Mário Filho terminou sua crônica. “De repente, sem que ninguém mais esperasse, o cronometrista apitou e Juca abriu os braços e os levantou e fez assim, cruzando-os no ar. Era o fim. Ainda me lembro de um gemido que ouvi, de quem dá o último suspiro, olhei e vi uma senhora, já idosa, que escorregava da cadeira, já desanimada. Aquele gemido, aquele desmaio tanto podiam ser de alguém do Fluminense, como de alguém do Flamengo. E, sendo assim, eram o próprio Fla-Flu”.

Mário Filho e o futebol: o espírito carioca do ‘criador de multidões’
Mário Filho, gigante da crônica esportiva e ‘criador de multidões’: legados para o Rio de Janeiro – Foto: Arquivo Nacional

Presto essa homenagem a Mário Filho aqui neste #RioéRua como carioca, jornalista, amante dos esportes, banguense e também como cronista esportivo, atividade pela qual me aventurei em O Dia, aqui no Rio, e no Correio*, em Salvador. Mas, após usar e abusar das palavras de Mário, encerro a minha crônica com as de Nelson Rodrigues. “O que era e como era a crônica esportiva antes de Mário Filho? Simplesmente não era, simplesmente não havia. A crônica esportiva estava na pré-história, roía pedra nas cavernas”, escreveu o dramaturgo para datar o nascimento da crônica esportiva na publicação de uma reportagem de meia-página do irmão com Marcos de Mendonça, goleiro do Fluminense e da seleção, ainda em A Manhã, jornal de Mário Rodrigues – Mário Filho não havia completado 20 anos. “Havia, no seu texto, uma visão inesperada do futebol e do craque, um tratamento lírico, dramático e humorístico que ninguém usara antes”, define Nelson. E ninguém conseguiu igualar depois, atrevo-me a acrescentar.

Escrito por:

Oscar Valporto Oscar Valporto Ver publicações

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TRE-RJ barra candidatura de Ricardo Abrão à Câmara e aponta uso de estrutura do partido por ‘grupo paramilitar’

29/09/2026 16:39

Justiça do Rio torna TH Joias e ex-assessores réus por associação para o tráfico

29/09/2026 15:47

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Política

TRE-RJ barra candidatura de Ricardo Abrão à Câmara e aponta uso de estrutura do partido por ‘grupo paramilitar’

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Gabriele Maia

29/09/2026 16:39

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, nesta terça-feira (29), o registro de candidatura do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB), que tenta a reeleição em 2026. A decisão foi tomada após a Corte analisar novos documentos e provas obtidos durante diligência determinada na última semana (22).

O relator do processo, desembargador Guilherme Calmon, mudou o entendimento que havia apresentado no julgamento anterior, quando havia votado pelo deferimento da candidatura. Para ele, as novas informações alteraram o cenário probatório e passaram a demonstrar elementos suficientes para a aplicação do artigo 17, §4º, da Constituição, que veda a utilização de organização paramilitar por partidos políticos.

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) também havia se manifestado pelo indeferimento do registro. Segundo o órgão, os documentos incorporados ao processo apontam que Ricardo Abrão teria atuado como financiador de uma estrutura clandestina voltada à compra de votos em Nilópolis nas eleições municipais de 2024.

Relator cita mensagens sobre compra de votos supostamente financiada por Ricardo Abrão

Ao justificar o indeferimento, Calmon citou a investigação sobre o chamado “QG” em Nilópolis, onde 24 pessoas foram presas às vésperas das eleições municipais de 2024. Segundo os elementos descritos no voto, foram encontrados dinheiro em espécie, armas de fogo, listas de eleitores e cadernos com registros de pagamentos que somavam R$ 161,75 mil.

O relator também mencionou mensagens extraídas de celulares apreendidos na investigação. Em uma delas, aparece a frase “Ricardo Abrão esteve lá e deixou o carvão”. Segundo a interpretação apresentada no processo pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, “carvão” seria uma referência a dinheiro em espécie entregue pelo deputado.

Outra mensagem citada no voto registra um operador afirmando que tentaria “arrumar um dinheiro com o Ricardo” para resolver casos relacionados à compra de votos.

Para o relator, as mensagens, as apreensões e os demais elementos reunidos durante a investigação formam um conjunto de indícios “robustos, precisos e concordantes” sobre a atuação do candidato no financiamento da estrutura.

Caso seria ‘uma das situações mais evidentes de utilização da estrutura do partido’ por grupo paramilitar

Após o voto de Calmon, o desembargador Bruno Bodart, que havia pedido vista do processo na sessão anterior e proposto a conversão do julgamento em diligência, acompanhou o relator.

Bodart destacou a relação entre o imóvel usado pelo chamado “QG” e a estrutura formal da campanha. Segundo ele, o caso está entre “uma das situações mais evidentes” observadas pela Corte de utilização da estrutura de um partido político para servir a uma “facção de cunho paramilitar”.

O desembargador ressaltou que seria necessário o envio de informações do caso ao Ministério Público para apuração de eventual responsabilidade da legenda.

A decisão desta terça-feira não encerra a disputa pela candidatura de Ricardo Abrão, já que ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Política

Justiça do Rio torna TH Joias e ex-assessores réus por associação para o tráfico

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Redação

29/09/2026 15:47

A Justiça do Rio tornou réus o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e ex-assessores dele em uma ação que apura suposta associação para o tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A decisão acolhe a acusação contra os investigados e dá início à ação penal. Segundo o Ministério Público, TH Joias teria mantido uma relação estável com integrantes do Comando Vermelho e atuado na intermediação de negócios envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones.

A denúncia sustenta ainda que o então deputado teria utilizado a estrutura do mandato para favorecer integrantes da organização criminosa, inclusive por meio da indicação de pessoas para cargos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Acusação contra TH Joias

De acordo com o MPRJ, TH Joias teria participado de negociações para compra e venda de drogas, armas de fogo e equipamentos utilizados para dificultar o monitoramento de comunidades por forças de segurança.

O ex-deputado também é acusado de manter contato com integrantes do Comando Vermelho e de realizar pagamentos relacionados à organização criminosa.

As investigações apontam ainda que pessoas ligadas ao grupo teriam sido acomodadas em cargos públicos por indicação de TH Joias.

Prisão e outras investigações

TH Joias foi preso em setembro de 2025, durante a Operação Zargun, que investigou uma organização suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e armas e corrupção de agentes públicos.

O caso também gerou uma denúncia do Ministério Público Federal, que tramita na Justiça Federal. Em setembro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) recebeu a denúncia e tornou réus TH Joias e outros cinco acusados por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e armas, associação para o tráfico e corrupção.

No processo federal, o tribunal manteve a prisão preventiva de TH Joias e determinou sua transferência para uma penitenciária federal. O delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, também réu na ação, passou para prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico e afastamento do cargo.

As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas durante o processo, e os réus têm direito à defesa e ao contraditório.

Com informações do colunista Ancelmo Góis, de O Globo

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Política

Márcio Canella tem candidatura à Alerj liberada pelo TRE-RJ após análise sobre supostas ligações com a milícia de Belford Roxo

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Gabriele Maia

29/09/2026 15:45

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) decidiu, por 6 votos a 1, liberar a candidatura de Márcio Canella (União) à Assembleia Legislativa do Rio. A maioria da Corte entendeu que as provas reunidas no processo não demonstram que uma organização criminosa tenha colocado sua estrutura ou seu poder armado a serviço da campanha do ex-prefeito de Belford Roxo.

O julgamento aconteceu nesta terça-feira (29), depois de o TRE-RJ suspender a análise do registro, em 14 de setembro, para buscar novas informações sobre as relações políticas de Canella, a Operação Barricada Zero e o fuzil encontrado no carro blindado do candidato durante uma operação da Polícia Federal.

Relator do caso diz que não houve prova de uso da estrutura de milícia por Márcio Canella

O relator do processo, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, votou pelo deferimento da candidatura de Márcio Canella. Para ele, a questão central era saber se uma organização criminosa, enquanto estrutura, havia promovido ou coordenado a candidatura e colocado seu poder armado, territorial, econômico ou coercitivo a serviço dela.

As diligências determinadas pelo próprio TRE-RJ não encontraram, segundo o relator, registros de ameaça, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou presença de homens armados em benefício da campanha de Canella em Belford Roxo.

Também não foram encontrados registros contra o candidato pela Polícia Civil ou pela Polícia Militar.

Para Salomão, a nomeação de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão para secretarias da Prefeitura de Belford Roxo não seria suficiente, sozinha, para demonstrar ligação do então prefeito com uma organização criminosa. Os dois tiveram os registros de candidatura barrados pela Justiça Eleitoral em 2024 por vínculos com grupos paramilitares e deixaram os cargos em setembro de 2025.

O desembargador também considerou que as manifestações de apoio dos dois durante a campanha deste ano não comprovam, por si só, que a estrutura de uma organização tenha sido mobilizada em favor de Márcio Canella.

A apreensão de um fuzil Colt calibre 5.56 no carro blindado do candidato durante a Operação Unha e Carne também foi analisada. O advogado eleitoral Lauro Rabha afirmou que a arma pertencia ao estado do Rio e estava sob responsabilidade de um policial militar que fazia a escolta do candidato, e Salomão considerou que os documentos apresentados pela defesa corroboravam essa versão.

Único voto contrário destacou relação com Jorge Canella, preso neste mês

A divergência ficou por conta do desembargador Guilherme Calmon, que votou pelo indeferimento do registro.

O magistrado entendeu que os elementos reunidos no processo formam “um conjunto que vai além de simples relações políticas”. Entre os pontos citados estão as nomeações de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão, relações com pessoas apontadas como integrantes de grupos paramilitares, a Operação Barricada Zero, o fuzil encontrado no carro de Canella e fatos envolvendo aliados políticos.

Na avaliação do desembargador, Canella não apenas nomeou os dois ex-secretários, mas os manteve no primeiro escalão da prefeitura durante meses, mesmo depois de decisões da Justiça Eleitoral sobre suas candidaturas. Ele reforçou que os dois continuaram atuando na campanha de 2026 em apoio ao deputado.

Guilherme Calmon também deu destaque à relação entre Márcio Canella e o vereador e coronel da PM Jorge Canella. Jorge foi preso em flagrante pela Polícia Federal há uma semana, em 22 de setembro, durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, após a apreensão de dois fuzis e uma submetralhadora em sua residência.

Segundo o desembargador, Márcio Canella concedeu a Jorge Canella a Medalha Tiradentes em 2021, quando era deputado estadual. Nas eleições municipais de 2024, Jorge se apresentou como “vereador do Márcio” e, para a eleição de 2026, os dois apareceram em material de campanha conjunto com Antonio Rueda (União).

Para Calmon, a prisão do aliado com armas de uso restrito reforça o conjunto de elementos que ele considera indicativos de uma relação entre o grupo político de Canella e estruturas armadas. O desembargador também mencionou um inquérito eleitoral de 2024 que investigou Canella por suposto porte de arma durante atos de campanha e eventual coação de eleitores.

Apesar da divergência, prevaleceu o entendimento dos demais desembargadores de que não havia prova suficiente para impedir a candidatura, e Márcio Canella está apto para concorrer à Alerj.

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Rio

Câmara do Rio aprova doação de R$ 75 milhões para Super Centro Carioca da Criança e do Adolescente

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Felipe Galeno

29/09/2026 15:36

A Câmara do Rio confirmou, nesta terça-feira (29), a doação de R$ 75 milhões à prefeitura para o Super Centro Carioca da Criança e do Adolescente, na Zona Norte. O repasse foi aprovado pelos vereadores em segunda discussão nesta tarde.

A nova unidade de saúde funcionará no espaço do atual Hospital Municipal da Piedade, que receberá obras de reestruturação. O atendimento será exclusivo para pacientes de até 18 anos. O centro médico oferecerá 13 especialidades pediátricas, exames de imagem avançados e tratamento focado em diabetes tipo 1 e obesidade infantil.

O Super Centro Carioca da Criança e do Adolescente vai incluir, ainda, um Centro de Terapia Intensiva (CTI) para crianças e adolescentes com quadros crônicos graves.

No ano passado e no início de 2026, a Câmara também repassou verba para os Super Centros Cariocas de Saúde de Campo Grande e Benfica.

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Política

Vídeo de Erika Hilton gera alerta de treta com Benny Briolly sobre apoio nas eleições para o Congresso

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João Arruda

29/09/2026 15:36

Babado e confusão? Foi a impressão que ficou de um vídeo publicado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) na página do Instagram da boate Pink Flamingo dizendo quem, de fato, está apoiando nas eleições 2026. A parlamentar deixou claro que, no Rio de Janeiro, apoia apenas Rick Azevedo (PSOL) para deputado federal e Dani Balbi (PCdoB) para estadual.

O que gerou o burburinho é o fato de o rosto de Erika estar no material de campanha da candidata Benny Briolly (PT), que faz uma convocação: “rumo à bancada trans”. O material traz ainda os rostos de Thabatta Pimenta (PV-RN) e Duda Salabert (PSOL-MG), ambas candidatas ao Congresso.

No vídeo, Erika diz para eleitores não caírem “em golpes”, com candidatos que usam o nome dela mesmo sem o apoio declarado da parlamentar de São Paulo. Seria um alerta de treta entre Erika e Benny ou alguma outra candidatura?

“Ei, Pink Flamingo, boa noite pra vocês. Passando aqui diretamente de São Paulo pra dizer o quanto nós estamos em um momento fundamental da nossa democracia e das nossas eleições. Antes de mais nada, eu quero mandar um beijo pra todo mundo que tá aí, dizer que muito em breve o Rick já me convidou, e eu vou colar aí também pra gente fazer um rolê. Quero mandar um beijo especial pro Tia Araújo, quero mandar um beijo especial pra Karina Carão, pra Kiara Pucca, essas maravilhosas que fazem a festa, que agitam a noite, e dizer da importância de elegermos os nossos candidatos”.

‘Não caiam em golpes. Tem muita gente por aí dizendo que tem meu apoio’

Depois do início carinhoso, ela vai subindo de tom:

“Sim, o meu candidato a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro pra montar a bancada LGBTQIA+, que eu acredito, é Rick Azevedo. É o único candidato LGBTQIA+ que tem o meu apoio aí no estado do Rio de Janeiro. Não caiam em golpes, hein, porque tem muita gente por aí dizendo que tem meu apoio, que não sei o quê”.

‘Rick é a única bicha assumida, babadeira, candidata a deputada federal aí pelo Rio de Janeiro’

A deputada paulista continua o vídeo reafirmando suas escolhas:

“O meu candidato é Rick Azevedo e quero também dizer da importância da reeleição da nossa companheira aguerrida, que também conta com o meu apoio, Dani Balbi, pra deputada estadual. Nós precisamos fortalecer a democracia colocando pessoas de coragem e de verdade dentro do Congresso Nacional. Rick Azevedo é a única bicha assumida, babadeira, candidata a deputada federal aí pelo estado do Rio de Janeiro”.

‘A gente tem que eleger esse viado, gente! Parou o Brasil para discutir o fim da escala seis por um’

Logo depois, a fala assume mais o tom formal de divulgação de plataforma política:

“A gente tem que eleger esse viado, gente! Esse viado parou o Brasil pra discutir um tema mais importante da classe trabalhadora dos últimos 40 anos, que é o fim da escala seis por um. Tem entrega, tem compromisso, faz um trabalho incrível como vereador e caminha comigo, caminha ao meu lado, sendo a sua mãezinha travesti da política brasileira. Então, assim, ó, vamos fazer política com responsabilidade, vamos fazer política com seriedade, defendendo nossas vidas, nossos direitos, nossas pautas, nosso país e a nossa democracia”.

Apoiadores de Rick e Benny entraram em conflito nos comentários. Sobrou farpa para todo lado.

O TEMPO REAL entrou em contato com as assessorias de Benny e Erika. O espaço segue aberto para comentários sobre o assunto.

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Política

Alana Passos aciona Conselho de Ética da Câmara do Rio contra Rick Azevedo por denúncias de assédio; vereador reage: ‘boa sorte’

Foto de João Pedro Lima
João Pedro Lima

29/09/2026 15:15

A vereadora Alana Passos (PL) acionou o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara do Rio nesta terça-feira (29) após a divulgação de denúncias feitas por 11 ex-assessores contra o vereador Rick Azevedo (PSOL).

O grupo levou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) relatos de suposto assédio moral, abuso de poder, perseguição funcional, nepotismo e possível uso da estrutura pública para atividades particulares e eleitorais.

No documento encaminhado à presidência da Casa, Alana pede que as denúncias sejam submetidas ao Conselho de Ética para análise e eventual adoção de providências. O vereador reagiu com um vídeo nas redes sociais e disparou: “uma vereadora do PL, partido ‘MEQUETREFE’ de Flavio Bolsonaro, avisou que vai tentar cassar meu mandato. Boa sorte!”

Conselho de Ética da Câmara pode analisar as denúncias

O ofício protocolado cita especificamente acusações de assédio moral, perseguição funcional, desvio de finalidade e possível utilização de servidores, materiais e da estrutura do gabinete para atividades particulares e eleitorais.

A vereadora ressalta que o pedido não representa um julgamento antecipado das acusações. Segundo ela, quem ocupa um mandato público deve prestar contas de seus atos.

“Não cabe condenação antecipada, mas também não cabe silêncio. Que tudo seja rigorosamente apurado e que a verdade prevaleça, aplicando-se ao final as penalidades pertinentes”, afirmou Alana.

Suspeita de transfobia

Entre os relatos apresentados ao MPT está o de uma ex-integrante trans do gabinete de Rick. Segundo ela, ao ser desligada, recebeu como justificativa que demorava para cumprir tarefas e não correspondia às expectativas do vereador.

A ex-assessora contesta a versão e afirma que sua condição de mulher trans e a dinâmica de trabalho da equipe teriam sido desconsideradas. O episódio foi denunciado como possível caso de transfobia.

Vereador reage e chama medida de ‘perseguição’

Rick Azevedo reagiu às acusações em vídeos publicados nas redes sociais. Na legenda da publicação, afirmou que a iniciativa de Alana seria “mais uma perseguição” política.

O vereador afirmou que os ex-funcionários deixaram o gabinete porque, segundo ele, “não conseguiam prestar um serviço para a sociedade” e desafiou os denunciantes a apresentarem publicamente provas das acusações.

Após tomar conhecimento do pedido de Alana ao Conselho de Ética, Rick também publicou um vídeo criticando a vereadora. Ele afirmou que não tem medo de uma eventual investigação e classificou as acusações como “narrativas fajutas, mentirosas, compradas para tirar votos” às vésperas das eleições.

“Não tenho medo dessa gentalha porca, escravocrata, não tenho medo. Olha só, quem poderia imaginar, agora uma vereadora do partido do Flavio Bolsonaro vai entrar no conselho de ética da Câmara do Rio para cassar o meu mandato. Sem prova, sem nada concreto contra mim, simplesmente por não suportar a minha voz fazendo política”, afirmou.

Em outro trecho, o vereador disse que suspeitava de uma articulação política por trás das denúncias. “Eu sabia que tinha dedo de vocês por trás. Não tenho medo porque tenho minha consciência tranquila”, disse.

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Jogo Rápido

Acaso Cultural, em Botafogo, recebe noite de jazz e literatura nesta quinta-feira (1º)

Foto de Redação
Redação

29/09/2026 14:38

O Acaso Cultural, em Botafogo, recebe nesta quinta-feira (1º) uma programação que une música e literatura. A partir das 18h30, o escritor e compositor Lipe Portinho lança o livro Antes de Gaspar, uma história para um herói judeu, seu terceiro trabalho, seguido de sessão de autógrafos.

Às 20h, Lipe apresenta o show Great American Songbook, ao lado da cantora e saxofonista estoniana Pille-Rite Rei. O repertório reúne standards de jazz, temas autorais e uma bossa nova em estoniano. A banda também conta com Ana Azevedo (piano) e Renato Endrigo (bateria), com Lipe no contrabaixo.

No livro, o escritor resgata a história de Gaspar da Gama, navegante judeu ligado à expansão marítima portuguesa e à chegada dos portugueses ao Brasil. Entre fatos históricos e imaginação literária, Lipe reconstrói possíveis caminhos da trajetória do personagem, cuja vida atravessou diferentes territórios, culturas e acontecimentos importantes da História.

Compositor e escritor, Lipe Portinho também tem atuação na música clássica e no cinema. Em 2021, foi o único brasileiro indicado ao Marvin Hamlisch International Music Awards, na categoria de compositor emergente de música clássica. Em 2024, venceu o Festival de Cinema de Buenos Aires pela trilha sonora do filme A Deus.

Serviço

Noite de jazz e literatura no Acaso Cultural
Rua Vicente de Souza, 16, Botafogo
Quinta-feira, 1º de outubro
Lançamento do livro: 18h30
Show Great American Songbook: 20h
Térreo: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Mezzanino: R$ 110 (inteira) e R$ 55 (meia)
Ingressos: Sympla
Livro Antes de Gaspar – uma história para um herói judeu: R$ 70
Classificação: livre

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Política

Alvo de denúncia por morte de jornalista, Renato Machado tem recurso negado no TRE-RJ e não poderá disputar reeleição à Alerj

Foto de Gabriele Maia
Gabriele Maia

29/09/2026 14:36

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou, por unanimidade, nesta terça-feira (29), o recurso apresentado pelo deputado estadual Renato Machado (PT) contra o indeferimento de sua candidatura à reeleição. O parlamentar é alvo de denúncia do Ministério Público (MPRJ) como suposto mandante do assassinato do jornalista Robson Giorno, morto em Maricá em 2019.

A denúncia, porém, ainda não resultou em condenação criminal: em junho deste ano, Renato Machado foi impronunciado por falta de indícios suficientes para levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Mesmo assim, a decisão desta terça mantém o entendimento do TRE-RJ de que há elementos que apontam para uma suposta relação do deputado com uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP). O registro dele já havia sido indeferido pelo tribunal em 8 de setembro, também por unanimidade.

Renato Machado seria a ‘frente política’ de uma organização crimiosa infiltrada no poder público

No julgamento que indeferiu o registro de Renato Machado, o relator, desembargador Bruno Bodart, afirmou ter analisado cerca de 15 mil páginas de inquéritos e ações penais relacionadas às investigações. A partir desse material, o magistrado descreveu uma organização criminosa com três frentes de atuação: uma estrutura armada, responsável pelo controle territorial e por ações violentas; uma frente financeira, ligada à movimentação de recursos e empresas; e uma frente política, voltada à influência sobre a administração pública e às eleições.

Segundo Bodart, o deputado estadual aparece associado principalmente à frente política do grupo. O voto cita elementos que, segundo o relator, indicariam uma aproximação entre o deputado e integrantes da organização apontada como ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), incluindo a atuação de Rodrigo José Barbosa da Silva, o Rodrigo Negão, em áreas de Maricá.

Entre os elementos considerados pelo TRE-RJ estão investigações sobre homicídios atribuídos ao grupo, interceptações que indicariam influência sobre estruturas da administração municipal, movimentações financeiras consideradas suspeitas e registros de atuação de integrantes da organização em atividades relacionadas à campanha eleitoral de Machado.

Com a decisão desta terça, o indeferimento do registro foi mantido pelo TRE-RJ. A defesa ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que será responsável por analisar eventual recurso contra a decisão da corte fluminense.

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Política

TRE-RJ nega recurso e barra candidatura de Clébio Jacaré, que já enviou R$ 100 mil do fundo eleitoral para empresa da qual é sócio

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Gabriele Maia

29/09/2026 14:21

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou por unanimidade, nesta terça-feira (29), o recurso apresentado por Clébio Jacaré (União Brasil) para tentar reverter o indeferimento de sua candidatura a deputado federal. Mesmo com o registro barrado pela Justiça Eleitoral, o candidato já havia destinado R$ 100 mil do fundo eleitoral de sua campanha para uma empresa da qual é sócio-administrador.

O pagamento foi feito no fim de agosto à 2U Like Comunicação e Marketing Ltda., contratada para prestar serviços de “marketing e mídia”. Clébio aparece no quadro societário da empresa como sócio-administrador. A contratação foi paga com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o fundo eleitoral.

O quadro societário da 2U Like também inclui a Estrela Cadente Gestão e Participações Societárias S.A., da qual Clébio é presidente.

Procurada, a assessoria de Clébio afirmou que a empresa é referência no mercado e que a contratação foi realizada de acordo com as normas eleitorais.

O candidato ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Clébio Jacaré é alvo de ação penal desde 2022

No julgamento que indefiriu sua candidatura, o Ministério Público Eleitoral sustentou que Clébio estaria ligado a uma organização criminosa estruturada para “aparelhar e capturar” a administração pública de Itatiaia. Ele foi denunciado por organização criminosa, peculato, concussão, usurpação de função pública, estelionato contra a administração pública e corrupção passiva.

Segundo o MP, Clébio seria um dos principais líderes do grupo e teria participado da idealização do esquema, além de ter sido responsável pelo primeiro acordo com a administração pública de Itatiaia.

A investigação deu origem a uma ação penal, que tramita na Justiça desde 2022. Clébio foi preso em setembro daquele ano durante a Operação Apanthropía.

A decisão da Justiça Eleitoral sobre o registro, no entanto, não equivale a uma condenação criminal. O julgamento no TRE-RJ trata da possibilidade de Clébio disputar as eleições de 2026.

A candidatura de Clébio a deputado federal já havia sido questionada pela Justiça Eleitoral em outra ocasião. Ele tentou disputar a Prefeitura de Nova Iguaçu em 2024, mas também teve o registro barrado.

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Polícia

Justiça determina escolta policial integral para delegado sob risco de morte no Rio

Foto de Redação
Redação

29/09/2026 13:51

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou a implementação imediata de medidas de proteção pessoal ao delegado Leonardo Affonso, ameaçado de morte durante uma audiência, no mês passado, dentro do Tribunal do Júri, em São Gonçalo.

A decisão da 9ª Câmara de Direito Público determina, entre outras medidas, escolta policial integral e ininterrupta e o fornecimento de colete balístico. O delegado precisou recorrer à Justiça após, segundo o processo, não receber o suporte necessário da própria Secretaria de Polícia Civil.

Na decisão, o magistrado aponta a existência de elementos suficientes indicando risco de morte e menciona uma ameaça direta e explícita contra o delegado. O documento também considera a atuação do policial em investigações contra o crime organizado e o fato de ele ter prestado depoimento como testemunha de acusação em um processo envolvendo um integrante de um grupo miliciano.

Segundo a decisão, a avaliação de risco foi realizada no âmbito da Secretaria de Estado de Segurança Pública, por meio da Subsecretaria de Inteligência Integrada.

Além da escolta permanente e do colete balístico, o TJRJ determinou a adoção das demais medidas de proteção previstas na legislação, incluindo proteção durante deslocamentos e em futuros atos judiciais relacionados à persecução penal.

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