O Acaso Cultural, em Botafogo, recebe nesta quinta-feira (1º) uma programação que une música e literatura. A partir das 18h30, o escritor e compositor Lipe Portinho lança o livro Antes de Gaspar, uma história para um herói judeu, seu terceiro trabalho, seguido de sessão de autógrafos.
Às 20h, Lipe apresenta o show Great American Songbook, ao lado da cantora e saxofonista estoniana Pille-Rite Rei. O repertório reúne standards de jazz, temas autorais e uma bossa nova em estoniano. A banda também conta com Ana Azevedo (piano) e Renato Endrigo (bateria), com Lipe no contrabaixo.
No livro, o escritor resgata a história de Gaspar da Gama, navegante judeu ligado à expansão marítima portuguesa e à chegada dos portugueses ao Brasil. Entre fatos históricos e imaginação literária, Lipe reconstrói possíveis caminhos da trajetória do personagem, cuja vida atravessou diferentes territórios, culturas e acontecimentos importantes da História.
Compositor e escritor, Lipe Portinho também tem atuação na música clássica e no cinema. Em 2021, foi o único brasileiro indicado ao Marvin Hamlisch International Music Awards, na categoria de compositor emergente de música clássica. Em 2024, venceu o Festival de Cinema de Buenos Aires pela trilha sonora do filme A Deus.
Serviço
Noite de jazz e literatura no Acaso Cultural
Rua Vicente de Souza, 16, Botafogo
Quinta-feira, 1º de outubro
Lançamento do livro: 18h30
Show Great American Songbook: 20h
Térreo: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Mezzanino: R$ 110 (inteira) e R$ 55 (meia)
Ingressos: Sympla
Livro Antes de Gaspar – uma história para um herói judeu: R$ 70
Classificação: livre
O grupo levou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) relatos de suposto assédio moral, abuso de poder, perseguição funcional, nepotismo e possível uso da estrutura pública para atividades particulares e eleitorais.
No documento encaminhado à presidência da Casa, Alana pede que as denúncias sejam submetidas ao Conselho de Ética para análise e eventual adoção de providências. O vereador reagiu com um vídeo nas redes sociais e disparou: “uma vereadora do PL, partido ‘MEQUETREFE’ de Flavio Bolsonaro, avisou que vai tentar cassar meu mandato. Boa sorte!”
Conselho de Ética da Câmara pode analisar as denúncias
O ofício protocolado cita especificamente acusações de assédio moral, perseguição funcional, desvio de finalidade e possível utilização de servidores, materiais e da estrutura do gabinete para atividades particulares e eleitorais.
A vereadora ressalta que o pedido não representa um julgamento antecipado das acusações. Segundo ela, quem ocupa um mandato público deve prestar contas de seus atos.
“Não cabe condenação antecipada, mas também não cabe silêncio. Que tudo seja rigorosamente apurado e que a verdade prevaleça, aplicando-se ao final as penalidades pertinentes”, afirmou Alana.
Suspeita de transfobia
Entre os relatos apresentados ao MPT está o de uma ex-integrante trans do gabinete de Rick. Segundo ela, ao ser desligada, recebeu como justificativa que demorava para cumprir tarefas e não correspondia às expectativas do vereador.
A ex-assessora contesta a versão e afirma que sua condição de mulher trans e a dinâmica de trabalho da equipe teriam sido desconsideradas. O episódio foi denunciado como possível caso de transfobia.
Vereador reage e chama medida de ‘perseguição’
Rick Azevedo reagiu às acusações em vídeos publicados nas redes sociais. Na legenda da publicação, afirmou que a iniciativa de Alana seria “mais uma perseguição” política.
O vereador afirmou que os ex-funcionários deixaram o gabinete porque, segundo ele, “não conseguiam prestar um serviço para a sociedade” e desafiou os denunciantes a apresentarem publicamente provas das acusações.
Após tomar conhecimento do pedido de Alana ao Conselho de Ética, Rick também publicou um vídeo criticando a vereadora. Ele afirmou que não tem medo de uma eventual investigação e classificou as acusações como “narrativas fajutas, mentirosas, compradas para tirar votos” às vésperas das eleições.
“Não tenho medo dessa gentalha porca, escravocrata, não tenho medo. Olha só, quem poderia imaginar, agora uma vereadora do partido do Flavio Bolsonaro vai entrar no conselho de ética da Câmara do Rio para cassar o meu mandato. Sem prova, sem nada concreto contra mim, simplesmente por não suportar a minha voz fazendo política”, afirmou.
Em outro trecho, o vereador disse que suspeitava de uma articulação política por trás das denúncias. “Eu sabia que tinha dedo de vocês por trás. Não tenho medo porque tenho minha consciência tranquila”, disse.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) negou, por unanimidade, nesta terça-feira (29), o recurso apresentado pelo deputado estadual Renato Machado (PT) contra o indeferimento de sua candidatura à reeleição. O parlamentar é alvo de denúncia do Ministério Público (MPRJ) como suposto mandante do assassinato do jornalista Robson Giorno, morto em Maricá em 2019.
A denúncia, porém, ainda não resultou em condenação criminal: em junho deste ano, Renato Machado foi impronunciado por falta de indícios suficientes para levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Mesmo assim, a decisão desta terça mantém o entendimento do TRE-RJ de que há elementos que apontam para uma suposta relação do deputado com uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP). O registro dele já havia sido indeferido pelo tribunal em 8 de setembro, também por unanimidade.
Renato Machado seria a ‘frente política’ de uma organização crimiosa infiltrada no poder público
No julgamento que indeferiu o registro de Renato Machado, o relator, desembargador Bruno Bodart, afirmou ter analisado cerca de 15 mil páginas de inquéritos e ações penais relacionadas às investigações. A partir desse material, o magistrado descreveu uma organização criminosa com três frentes de atuação: uma estrutura armada, responsável pelo controle territorial e por ações violentas; uma frente financeira, ligada à movimentação de recursos e empresas; e uma frente política, voltada à influência sobre a administração pública e às eleições.
Segundo Bodart, o deputado estadual aparece associado principalmente à frente política do grupo. O voto cita elementos que, segundo o relator, indicariam uma aproximação entre o deputado e integrantes da organização apontada como ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), incluindo a atuação de Rodrigo José Barbosa da Silva, o Rodrigo Negão, em áreas de Maricá.
Entre os elementos considerados pelo TRE-RJ estão investigações sobre homicídios atribuídos ao grupo, interceptações que indicariam influência sobre estruturas da administração municipal, movimentações financeiras consideradas suspeitas e registros de atuação de integrantes da organização em atividades relacionadas à campanha eleitoral de Machado.
Com a decisão desta terça, o indeferimento do registro foi mantido pelo TRE-RJ. A defesa ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que será responsável por analisar eventual recurso contra a decisão da corte fluminense.
O pagamento foi feito no fim de agosto à 2U Like Comunicação e Marketing Ltda., contratada para prestar serviços de “marketing e mídia”. Clébio aparece no quadro societário da empresa como sócio-administrador. A contratação foi paga com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o fundo eleitoral.
O quadro societário da 2U Like também inclui a Estrela Cadente Gestão e Participações Societárias S.A., da qual Clébio é presidente.
Procurada, a assessoria de Clébio afirmou que a empresa é referência no mercado e que a contratação foi realizada de acordo com as normas eleitorais.
O candidato ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Clébio Jacaré é alvo de ação penal desde 2022
No julgamento que indefiriu sua candidatura, o Ministério Público Eleitoral sustentou que Clébio estaria ligado a uma organização criminosa estruturada para “aparelhar e capturar” a administração pública de Itatiaia. Ele foi denunciado por organização criminosa, peculato, concussão, usurpação de função pública, estelionato contra a administração pública e corrupção passiva.
Segundo o MP, Clébio seria um dos principais líderes do grupo e teria participado da idealização do esquema, além de ter sido responsável pelo primeiro acordo com a administração pública de Itatiaia.
A investigação deu origem a uma ação penal, que tramita na Justiça desde 2022. Clébio foi preso em setembro daquele ano durante a Operação Apanthropía.
A decisão da Justiça Eleitoral sobre o registro, no entanto, não equivale a uma condenação criminal. O julgamento no TRE-RJ trata da possibilidade de Clébio disputar as eleições de 2026.
A candidatura de Clébio a deputado federal já havia sido questionada pela Justiça Eleitoral em outra ocasião. Ele tentou disputar a Prefeitura de Nova Iguaçu em 2024, mas também teve o registro barrado.
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou a implementação imediata de medidas de proteção pessoal ao delegado Leonardo Affonso, ameaçado de morte durante uma audiência, no mês passado, dentro do Tribunal do Júri, em São Gonçalo.
A decisão da 9ª Câmara de Direito Público determina, entre outras medidas, escolta policial integral e ininterrupta e o fornecimento de colete balístico. O delegado precisou recorrer à Justiça após, segundo o processo, não receber o suporte necessário da própria Secretaria de Polícia Civil.
Na decisão, o magistrado aponta a existência de elementos suficientes indicando risco de morte e menciona uma ameaça direta e explícita contra o delegado. O documento também considera a atuação do policial em investigações contra o crime organizado e o fato de ele ter prestado depoimento como testemunha de acusação em um processo envolvendo um integrante de um grupo miliciano.
Segundo a decisão, a avaliação de risco foi realizada no âmbito da Secretaria de Estado de Segurança Pública, por meio da Subsecretaria de Inteligência Integrada.
Além da escolta permanente e do colete balístico, o TJRJ determinou a adoção das demais medidas de proteção previstas na legislação, incluindo proteção durante deslocamentos e em futuros atos judiciais relacionados à persecução penal.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) determinou a remoção imediata de publicações no Instagram que repercutiam as auditorias do governo do estado que citam Douglas Ruas (PL). As vistorias do governo descobriram relações empresariais entre o candidato a governador e o grupo do deputado Altineu Côrtes (PL) em contratos firmados com o estado na época em que Cláudio Castro (PL) era governador.
As postagens ligavam diretamente o nome do candidato do PL a um suposto desvio de R$ 42 milhões dos cofres públicos. O conteúdo exibia imagens de Douglas Ruas ao lado do deputado Altineu sob manchetes que cravavam o desvio milionário como um fato consumado.
A coligação do partido, representada pelo advogado Tiago Santos, entrou com uma representação pedindo a remoção dos posts e, em decisão, a juíza auxiliar Maria Paula Gouvêa Galhardo atendeu o pedido.
Decisão aponta que postagens extrapolam limite da crítica política
Na decisão, a magistrada afirma que a publicação extrapolou os limites da crítica política ao imputar crime diretamente ao candidato. A juíza ponderou que, embora exista uma auditoria administrativa em andamento na Controladoria-Geral do Estado (CGE) enviada à PGR, o procedimento está em fase de levantamentos, sem qualquer conclusão de conduta criminosa envolvendo Douglas Ruas.
Segundo o tribunal, a afirmação categórica de crime viola a presunção de inocência e pode configurar desinformação.
O TRE-RJ estipulou o prazo de 24 horas para a retirada do conteúdo do ar e intimou a empresa Meta, responsável pelo Instagram, a cumprir a ordem, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A plataforma também deve fornecer as informações cadastrais e registros de IP dos administradores dos perfis no prazo de 48 horas para identificação dos responsáveis.
Os administradores das contas também receberam ordem para parar de republicar conteúdos idênticos.
Verônica Costa, que está presa acusada de torturar o ex-marido, Márcio Costa, trocou de celulares depois que foi condenada em definitivo pela Justiça. Assim que passou a se procurada pela polícia, ela deixou seu apartamento, na Zona Sudoeste do Rio. Policiais que realizaram buscas pela ex-vereadora acharam duas caixas vazias de Iphone na primeira casa em que a “Mãe Loira do Funk” se escondeu. Posteriormente, Verônica foi achada em outro endereço, onde estavam os telefones correspondentes às caixas, já com chips novos.
Márcio Costa foi torturado e denunciou o caso à polícia. Foto: Reprodução de vídeo
Os policiais civis descobriram que, durante sua fuga, Verônica chegou a trocar de carro quatro vezes no trajeto para Araras, em Petrópolis, onde foi presa. Em algum lugar no meio do caminho, a “Mãe Loira” descartou o celular antigo, para dificultar o rastreamento. Ela passou por pelo menos dois sítios diferentes até ser encontrada pelos agentes.
A ex-vereadora foi condenada a dez anos e oito meses de prisão. No último sábado (26), passou por audiência de custódia, que manteve a prisão. Ela já havia sido transferida para o presídio de Benfica. Na ocasião, apareceu algemada à irmã, Tatiane Chaves Ribeiro, também presa pelo crime.
A decisão final da Justiça está longe de encerrar a história. Pelo menos no que diz respeito à conta de Verônica no Instagram, onde estão sendo publicados vídeos em que ela se diz vítima no caso.
Jeniffer Costa, filha de Verônica, também está ativa nas redes, publicando vídeos em que defende a mãe. Num deles, chegou a dizer que a ex-vereadora foi avisada várias vezes pela família para não continuar no relacionamento com Márcio, que é sobrinho do ex-marido de Verônica, Rômulo Costa, dono da Furacão 2000.
Márcio Costa, por sua vez, também está fazendo vários comentários em portais com notícias sobre a prisão de sua ex. Ele nega as acusações que estão sendo feitas contra ele, de comportamento abusivo no relacionamento, e diz que estão tentando transformar a vítima em culpado.
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido para suspender os efeitos da condenação que impede o ex-prefeito de Três Rios Joacir Barbaglio, conhecido como Joa Barbaglio (PSD), de disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.
A defesa recorreu ao TSE para afastar provisoriamente os efeitos da condenação, mas Mendonça entendeu que não havia elementos suficientes para suspender a decisão do TRE-RJ.
Condenado por utilização de recursos não declarados
A condenação está relacionada à campanha de 2024 para a Prefeitura de Três Rios e é resultado de um processo diferente daquele que levou à anulação da eleição e à inelegibilidade de Joa por rejeição de contas do período em que presidiu a Câmara Municipal.
Neste caso, o TRE-RJ entendeu que a chapa formada por Joa e pelo então vice, Jacqueson Martins Lima, utilizou recursos não declarados na campanha, caracterizando captação e gastos ilícitos. A acusação apontou que os valores informados à Justiça Eleitoral para a produção de material gráfico eram incompatíveis com a quantidade de impressos produzidos.
A campanha declarou ter gasto R$ 5.858 na produção de mais de 1,9 milhão de santinhos, panfletos e adesivos. Segundo as informações apresentadas no processo, uma quantidade semelhante dos mesmos materiais teria custo estimado em cerca de R$ 100 mil.
Para o desembargador Fernando Cerqueira Chagas, que abriu a divergência no julgamento, a diferença indicava a omissão de parte dos gastos e comprometia a transparência da campanha. A maioria do TRE-RJ acompanhou esse entendimento e cassou a chapa.
O governo do estado abriu o processo que pode levar ao cancelamento definitivo da Inscrição Estadual da Refit. A portaria que dá início ao procedimento foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (29).
Segundo a Receita Estadual, a medida foi tomada por causa de irregularidades no pagamento de impostos. A empresa é acusada de deixar de repassar ao estado valores de ICMS que havia recebido de seus clientes e também de não recolher o imposto devido em operações com combustíveis.
Com o cancelamento, caso o processo seja concluído, a Refit ficará impedida de voltar a ter uma inscrição estadual no Rio de Janeiro.
A empresa terá 30 dias úteis, a partir da publicação da portaria, para apresentar recurso contra a decisão. O pedido será analisado pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ). Se o recurso for negado, a inscrição será cancelada definitivamente.
A medida é mais uma ação do governo do estado contra a Refit e outras empresas ligadas ao grupo. Desde maio, a Sefaz-RJ já havia impedido o uso das inscrições estaduais da refinaria e de outras empresas do grupo.
Em junho, a Refit também perdeu um benefício fiscal que permitia adiar o pagamento do ICMS sobre combustíveis importados. Com o benefício, o imposto era recolhido apenas no momento da venda do produto.
Fiscalização no setor de combustíveis
O governo do estado afirma ainda que intensificou a fiscalização sobre o setor de combustíveis para combater a sonegação e a concorrência desleal.
Entre as medidas adotadas estão notificações a cerca de 1.700 postos para que apresentem informações fiscais e o impedimento das inscrições estaduais de 20 distribuidoras.
Segundo dados da Sefaz-RJ, a arrecadação de ICMS sobre combustíveis cresceu 87% entre maio e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. A receita passou de R$ 1,57 bilhão para R$ 2,94 bilhões.
Minha mais antiga lembrança eleitoral é um jingle: “É o M, é o D, é o B / É o M, é o D, é o B / É o meu povo que está com você / Nem precisa explicar porquê / É o MDB, é o MDB é o MDB”. Não precisava explicar nem podia explicar – porque essas eleições foram em 1970, em plena ditadura militar, e o MDB era o partido criado pelo regime para ser uma oposição comportada. Mas rolava um clima eleitoral: carros de som – fuscas com alto-falantes na capota – rodavam tocando os jingles dos dois partidos (o outro era o governista Arena) e até as crianças como eu eram abordadas pelos cabos eleitorais e recebiam santinhos dos candidatos a deputado estadual e federal e a senador (eleições para governador e presidente estavam banidas).
Nessas eleições 2026, eu nem decorei a nova versão do Rap do Silva e acho que nem ouvi o dos outros presidenciáveis. Nos bairros da Zona Sul e da Zona Norte, é possível andar quarteirões sem sequer aparecer um cabo eleitoral com bandeira ou santinho para distribuir. Por isso, nessa reta final de primeiro turno, gosto ainda mais de ir ao Centro do Rio, onde tem sempre uma caminhada de candidatos, um bandeiraço, um jingle tocando – nem que seja do candidato do ex-governador inelegível e investigado por esquemas diversos e do ex-presidente golpista atualmente em prisão domiciliar. A campanha está cada vez mais concentrada nas redes sociais, à mercê dos algoritmos e da desinformação em massa.
Às vésperas desse primeiro turno das eleições 2026, dei uma vasculhada em antigas fotos para entrar nessa brincadeira que o pessoal anda fazendo de como seria nos anos 80 – usando a IA. Como eu estava lá, posso dispensar a ferramenta. Busquei uma foto da primeira eleição para governador no Rio de Janeiro após o golpe militar, em 1982, quando votamos também para vereador, deputado estadual e federal e senador. Cheguei a distribuir santinhos para uma candidata, novata na política, à Câmara Municipal, “mulher, negra e favelada”, que foi eleita. Mas não achei fotos dessa eleição: aquela em que, apesar das manobras dos filhotes da ditadura aqui no Rio, no tempo que voto era de papel e as fraudes comuns, deu “Brizola na cabeça” – era o slogan do candidato.
Durante aqueles anos 1980, com a ditadura nos estertores, a política ganhou as ruas com a campanha pelas eleições diretas para presidente – milhões lotaram praças e avenidas por todo o país em 1984, mas o Congresso barrou a emenda. Mas teve eleição para prefeito da capital em 1985, eleição para a Assembleia Constituinte em 1986 (e novamente para governador), nova eleição municipal em 1988, e, finalmente, as primeiras eleições diretas para presidente em 1989. Em alguns pontos do Rio de Janeiro, nos anos de votação, o clima de campanha eleitoral era permanente e durava semanas – na Cinelândia, no Largo da Carioca, na Central do Brasil, no centro dos bairros da Zona Oeste, na estação das barcas de Niterói, nas praças principais de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, maiores municípios da Baixada Fluminense.
Achei uma foto dos anos 80, exatamente do comício no segundo turno da primeira campanha de Lula a presidente em 1989: uma multidão ocupou a Candelária, tomando as pistas da Avenida Presidente Vargas, mais de 200 mil pessoas com certeza, um milhão na conta otimista dos organizadores. Nas outras grandes manifestações do Rio, tinha ido trabalhando: repórter, cobri todas as eleições de 1982 a 1988. Mas, em 1989, trabalhava na Editoria de Esporte: fui de manifestante mesmo, podia levar bandeira e fazer o L.
O palanque naquela noite de dezembro remetia ao comício pelas Diretas Já, cinco anos antes, pois reunia novas lideranças do país, como o próprio Lula; políticos que haviam sido exilados e voltaram após a anistia, como Miguel Arraes e Leonel Brizola, que engoliu suas diferenças com o PT; líderes que tiveram mandatos cassados como Mário Covas e Franco Montoro, fundadores do então recém-nascido PSDB, e políticos que resistiram na oposição consentida do MDB, capitaneados pelo veterano Ulysses Guimarães.
Bandeiraço perto do Largo da Carioca: Centro do Rio é um dos poucos lugares da cidade com clima eleitoral na campanha 2026, em que redes sociais substituíram o corpo-a-corpo nas ruas (Foto: Oscar Valporto)
Era uma frente de democratas contra Fernando Collor de Mello, de tradicional família de fazendeiros e políticos de Alagoas, com um discurso populista de estado-mínimo e caça aos “marajás do serviço público”. Com Collor, ficaram os filhotes e saudosistas da ditadura, malufistas e os setores mais reacionários da sociedade, inclusive um certo Ronaldo Caiado, que fora presidenciável (menos de 1% dos votos no primeiro turno), após ser presidente da União Democrática Ruralista, conhecida por representar os mais atrasados proprietários de terra do país.
Nestas eleições 2026, as ruas não servem mais como termômetro. Candidatos e partidos ainda reúnem multidões em grandes eventos – mas, na maior parte do país, falta aquele corpo-a-corpo de décadas, o pedido de voto olho no olho, a interpelação popular ao candidato na rua. As campanhas foram recuando para os meios de comunicação, para internet, para as redes sociais.
Eleitor veterano, sinto falta da poluição sonora dos jingles, da sujeira cívica dos santinhos impressos. Mas sigo animado e esperançoso que, nas eleições 2026, a democracia vença mais uma vez, que os democratas mais uma vez derrotem os golpistas de sempre, os saudosistas da ditadura, os inimigos da igualdade, da liberdade, da ciência, do planeta.
Especialistas saíram em defesa de Paolla Oliveira após a atriz ser alvo de comentários deselegantes nas redes sociais logo depois de postar fotos em que aparece na Praia da Barra da Tijuca jogando futevôlei. “Não, ela não é gorda. Não, ela não precisa de mounjaro! Nem comer menos carbo. Ela não é ‘magra o suficiente’ para uma sociedade que idolatra o corpo excessivamente magro, que confunde anorexia com disciplina e transforma a magreza em extrema virtude”, escreveu o nutricionista Ricardo Durante, defendendo o estilo de vida da nova rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense.
Durante seguiu questionando os ataques e louvando a opção de vida saudável e sem neuroses da atriz.
“Paolla tem lipedema, já falou abertamente sobre as questões que enfrenta como o próprio corpo. Mesmo assim, está longe de ser uma pessoa com obesidade. Está apenas fora daquele padrão inatingível e doentio que 99% das mulheres nunca vão conseguir manter. E é exatamente isso que perturba. Uma mulher que trabalha na mídia, que aparece de barriga de fora sem se esconder, que não está se matando numa dieta maluca nem gastando uma fortuna em procedimentos, e ainda assim parece bem consigo mesma, vira um espelho desconfortável”.
O lipedema se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas ou nos braços. Ele costuma ser muito mais comum entre mulheres (cerca de 90% dos casos). Estimativas médicas apontam que a condição, que é crônica, atinja 12,3% de indivíduos do sexo feminino no Brasil. Em muitos casos, o lipdema acaba sendo confundido com obesidade ou celulite. Mas é uma coisa diferente. Costuma causar dor e desconforto.
O nutricionista seguiu criticando a ditadura da magreza:
“Ela incomoda quem sacrifica a própria vida, saúde, dinheiro, sanidade tentando alcançar um ideal que não existe. Porque quando alguém vive fora desse padrão e está bem, a ilusão de que a felicidade depende de caber nele começa a rachar. E muita gente prefere atacar o corpo alheio do que questionar a própria prisão”.
A terapeuta em emagrecimento Nathy Fitness também comentou o caso nas redes.
“Quem decidiu que você não é bonita não foi você. Fotos da Paolla Oliveira na praia viralizaram, e veio o de sempre: gente avaliando o corpo de uma mulher que só estava curtindo o lazer”, publicou.
Alessandra Negrini e Paolla brilharam em vídeo. Foto: Reprodução
Ignorando completamente o tema (nem tocou no assunto nas redes), Paolla segue brilhando como rainha de bateria no carnaval carioca e viralizou essa semana com um vídeo que comemora os 15 anos da Netflix no Brasil. A plataforma mostrou a atriz e a colega Alessandra Negrini retocando a maquiagem e batendo papo no banheiro feminino durante uma festa. Publicações ressaltaram que as duas atrizes “esbanjaram beleza, humor, sensualidade”.