Uma representação enviada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) reúne relatos de 11 ex-assessores do gabinete do vereador e candidato a deputado federal pelo Rio Rick Azevedo (PSOL).
O grupo pede que o órgão apure possíveis irregularidades nas relações de trabalho e condutas atribuídas ao parlamentar — que se destacou na política com a defesa de melhorias nos direitos trabalhistas, como o fim da escala 6×1 — e a membros de sua equipe.
Entre os episódios narrados no documento estão supostos casos de abuso de poder, perseguição funcional, assédio moral e nepotismo. Os ex-funcionários também questionam o uso da estrutura do gabinete para interesses particulares e atividades eleitorais, além de apontarem possível desvio de finalidade administrativa.
Tanto o vereador Rick Azevedo quanto sua assessoria de imprensa foram contactados às 8h30 desta segunda-feira (28), mas não se manifestaram sobre a representação até o momento. O portal está aberto para a publicação da versão do parlamentar a qualquer hora.
A representação também registra o depoimento de uma ex-integrante trans, que conta como teria ocorrido sua saída da equipe.
De acordo com ela, a justificativa apresentada para o desligamento foi de que estaria demorando para cumprir as tarefas solicitadas e não corresponderia às expectativas do vereador. No entanto, a ex-integrante contesta a versão e afirma que a dinâmica de trabalho adotada pelo gabinete não teria sido considerada. Ela também relata que sua condição de mulher trans teria sido desconsiderada na situação.
Atividades do gabinete e promoção pessoal
Os relatos apresentados ao MPT também levantam questionamentos sobre as funções desempenhadas pelos ex-assessores dentro do gabinete. Segundo a representação, parte da equipe teria sido direcionada para tarefas que, na avaliação dos autores, não tinham relação direta com as atividades institucionais do mandato.
Entre os trabalhos mencionados estão a produção de conteúdo para redes sociais e a administração de perfis e páginas usados para divulgar a atuação pessoal do vereador.
Os ex-assessores afirmam que coordenadores do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), iniciativa particular de Rick, teriam sido nomeados para cargos no gabinete, passando a atuar em ações de promoção pessoal do parlamentar. O documento relata ainda que servidores teriam realizado tarefas em benefício do VAT durante o expediente na Câmara do Rio.
De olho na Câmara dos Deputados
A representação também traz outro ponto que envolve atividades relacionadas à campanha de Rick para deputado federal. Segundo os ex-assessores, integrantes da equipe teriam recebido orientação para abordar pessoas nas ruas e recolher números de telefone, que seriam posteriormente utilizados no envio de mensagens durante a campanha.
As cobranças, de acordo com os relatos, também envolviam a atuação dos funcionários nas redes sociais. Os assessores afirmam que eram pressionados a curtir, comentar e compartilhar publicações de Rick e do VAT, inclusive fora do horário de trabalho e durante períodos destinados ao descanso.
De acordo com ela, a justificativa apresentada para o desligamento foi de que estaria demorando para cumprir as tarefas solicitadas e não corresponderia às expectativas do vereador. No entanto, a ex-integrante contesta a versão e afirma que a dinâmica de trabalho adotada pelo gabinete não teria sido considerada. Ela também relata que sua condição de mulher trans teria sido desconsiderada na situação.
Rateios e questionamentos sobre a estrutura do gabinete
Os relatos apresentados ao MPT também mencionam cobranças para que funcionários contribuíssem com despesas de água, café e alimentação em eventos realizados pelo gabinete. Segundo os ex-assessores, a expectativa era de que todos participassem dos rateios, independentemente da remuneração de cada um.
A representação também solicita que seja apurado o possível uso de recursos e equipamentos públicos em atividades de interesse particular, promoção pessoal e finalidade eleitoral, como impressoras, papel, toner, equipamentos de informática e a própria estrutura administrativa disponibilizada ao gabinete.
Relatos de assédio e pressão no gabinete
Na representação, os 11 ex-assessores relatam que o gabinete teria sido marcado por intimidação, constrangimentos e pressão desde o início do mandato de Rick Azevedo. Segundo o documento, pelo menos 14 assessores foram exonerados no primeiro ano.
Os ex-servidores também afirmam que eram cobrados a participar de atividades externas, como panfletagens, mesmo quando não tinham condições financeiras para arcar com os deslocamentos e a alimentação. Em um dos relatos, um ex-assessor afirma ter sofrido um infarto em setembro de 2025 e, após retornar do afastamento, ter sido repreendido por integrantes da equipe.
A representação pede que seja investigada uma possível relação entre os episódios e o ambiente de trabalho descrito.
Suspeitas sobre parentesco e ‘funcionários fantasmas’
O documento também pede apuração de possíveis casos de nepotismo e de servidores que, segundo os denunciantes, teriam presença esporádica no gabinete. Um dos casos citados é o de Erinalda Alves Félix, apontada como mãe de João Victor Alves Félix, chefe de gabinete de Rick.
Segundo os relatos apresentados ao MPT, Erinalda compareceria apenas esporadicamente ao gabinete.
Na campanha de 2026, João Victor aparece entre os fornecedores da candidatura de Rick. Dados da prestação de contas eleitoral indicam pagamento de R$ 35 mil a ele.
Outro nome mencionado é Marcos Vitor de Oliveira Gouvea, identificado na representação como namorado de Rick e coordenador de campanha. Ele também recebeu R$ 35 mil da candidatura em 2026. Os ex-assessores afirmam que Marcos comparecia ocasionalmente ao gabinete e teria usado o espaço para atividades ligadas ao trabalho como analista de investimentos.
A representação cita ainda uma publicação feita por Marcos nas redes sociais, na qual teria afirmado que ex-assessores foram demitidos porque “não queriam trabalhar” e mencionado os salários recebidos por eles. Para os denunciantes, o episódio seria mais um caso de exposição pública de integrantes e ex-integrantes da equipe.
O que dizem as defesas
Até o momento, as defesas de Rick Azevedo, João Victor Alves Félix, Erinalda Alves Félix e Marcos Vitor de Oliveira Gouvea não se posicionaram sobre as alegações.





























































