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Home Rio é Rua

Rio é Rua

14/01/2026 14:09
  • Oscar Valporto Oscar Valporto

Heitor dos Prazeres: enredo para revisitar a história do carnaval do Rio

Favela (Morro da Providência), na Pequena África na pintura de Heitor dos Prazeres: Heitor dos Prazeres: enredo sobre o sambista e multiartista para revisitar a história do carnaval do Rio.

Favela (Morro da Providência), na Pequena África na pintura de Heitor dos Prazeres: Heitor dos Prazeres: enredo sobre o sambista e multiartista para revisitar a história do carnaval do Rio (Foto: Reprodução)

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Talvez os moradores de outras paragens não saibam, mas aqui no Rio de Janeiro já é carnaval. No primeiro domingo de 2026, mais de 100 blocos estiveram na rua na já tradicional abertura não-oficial do Carnaval; no último fim de semana, foram quase 30 blocos nas ruas ou em ensaios. As escolas de samba também tomam as ruas em ensaios abertos e lotam suas quadras com festas e eventos para divulgar enredos e sambas e esquentar os tamborins. Os desfiles na Passarela do Samba em 2026 serão marcados por enredos homenagens – de Lula a Ney Matogrosso, de Rita Lee à carnavalesca Rosa Magalhães – nenhuma, entretanto, é tão justa como a da Vila Isabel a Heitor dos Prazeres, sambista, entre muitos outros talentos, com seu nome ligado à história do Rio e do Carnaval. E a Vila ainda caprichou no samba-enredo, na modesta opinião deste #RioéRua o melhor de 2026.

Heitor dos Prazeres nasceu, em 1898, na Rua Presidente Barroso, na Cidade Nova – um bairro que os mais novos podem até pensar que é relativamente novo, pelos seus prédios modernos, mas começou a ser chamado assim após a chegada, em 1808, da família real portuguesa no Rio de Janeiro. Era, então, uma região de mangue na periferia do Centro da cidade, que começou a ser aterrada para ligar a área central, onde estavam as repartições do governo e o comércio, aos bairros de São Cristóvão, onde foram morar dom João XVI e sua família, e da Tijuca, onde ficavam chácaras de muitos nobres da corte portuguesa. Decreto do próprio príncipe regente, de 1811, isentou de impostos construções naquela área: era uma cidade nova que nascia.

No meio do século, a Cidade Nova tinha características de um bairro proletário, com vilas operárias da baixa classe média, região onde passaram a se estabelecer também escravos libertos e seus descendentes, principalmente em torno da Praça Onze, ligada à história de samba e aos primeiros desfiles das escolas, décadas depois. Heitor dos Prazeres – filho do marceneiro Eduardo, clarinetista da Guarda Nacional, e da costureira Clementina, ambos de famílias baianas, e neto de escravos – cresceu ali e nunca deixou de estar ligado à região que acabou conhecida por Pequena África. “A Praça Onze era uma África em miniatura”, repetia Heitor dos Prazeres, já sambista e compositor famoso, sobre a região. Assim acabou batizando este “reino que se estendia da zona do cais do porto até a Cidade Nova, tendo como capital a Praça Onze”, como definiu o escritor e pesquisador Roberto Moura no seu livro “Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro”, de 1982, referência para a história dessa parte do Rio de Janeiro.

Nas imediações da Praça Onze, na Pedra do Sal, morava o tio Hilário Jovino Ferreira, baiano e fundador de ranchos e blocos carnavalescos, referência de folião da pré-história do Carnaval do Rio. Hilário tinha um cavaquinho, que nunca usou: o sobrinho Heitor, que aprendera clarineta com o pai, se apropriou do instrumento do tio, começou a tocar sozinho e a frequentar o círculo musical da região. Nas imediações da Praça Onze, também estava a casa de Tia Ciata (a também baiana Hilária Batista de Almeida), incentivadora e defensora do samba; o ritmo musical em seu formato carioca nasceu no quintal e terreiro de Tia Ciata, onde o jovem Heitor conheceu outros pioneiros do samba: Donga, João da Baiana, Sinhô, Pixinguinha.

heitor dos prazeres
Heitor dos Prazeres e seu violão em estúdio Vila Isabel vai levar para a Passarela do Samba a história e as glórias do sambista e pintor que batizou a Pequena África (Foto: Reprodução / Arquivo Nacional)

Ainda ganhando a vida como marceneiro, carpinteiro e polidor, Heitor dos Prazeres já era compositor de sambas: em 1926, um século atrás, era conhecido como Mano Lino, apelido de infância, nas rodas de samba do Estácio, bairro vizinho à Praça Onze, de Madureira, para onde foi levado por Paulo da Portela, e na festa da Penha, tradicional ponto de encontro de sambista. Em 1927, envolveu-se numa polêmica com Sinhô (José Barbosa da Silva), o chamado Rei do Samba, a quem acusou (e depois o compositor admitiu) de ter roubado dois sambas. Conforme o relato de Heitor dos Prazeres, em entrevista a revista Manchete, Sinhô, ao confessar, deixou uma frase que entraria para a história da música brasileira: “Samba é como passarinho: a gente pega no ar” – a frase é citada assim por Heitor na Manchete. Há uma outra versão da frase, citada pelo crítico e pesquisador Ary Vasconcelos, mas com o mesmo sentido: “Samba é que nem passarinho: é de quem pegar”.

Em 1928, foi um dos fundadores da Deixa Falar – que entra para a história como “a primeira escola de samba” – ao lado de bambas do Estácio como Ismael Silva e Alcebíades Barcelos, o Bide, desenvolvedores de uma nova cadência para o samba, a base do chamado samba urbano carioca. Em 1929, Heitor entrou para a história também da Portela: foi com uma composição sua, “Não adianta chorar”, que o Conjunto Carnavalesco de Osvaldo Cruz, um dos embriões da futura Portela (que só ganhou esse nome em 1935) venceu o primeiro concurso entre escolas de samba, numa disputa estritamente musical (sem julgamento de outros quesitos depois tradicionais) promovida pelo pai-de-santo Zé Espinguela em seu terreiro no Engenho de Dentro.

carnarcos
Carnaval nos Arcos: obras de Heitor dos Prazeres retratavam a vida urbana carioca (Foto: Reprodução)

Heitor dos Prazeres já era um compositor de algum sucesso – com muitos sambas gravados pelo cantor Francisco Alves, chamado de “Rei da Voz”, um dos mais influentes intérpretes brasileiros da primeira metade do século passado, quando começou a pintar, em 1937, depois da morte da primeira mulher, Glória. Seus quadros, retratando a vida urbana da cidade e da favela, com temas também de samba e carnaval, tornaram Heitor dos Prazeres mais famoso que sua música. A futura Rainha Elizabeth comprou um dos seus quadros após uma mostra de pintura brasileira em Londres na década de 1940. Participou da primeira Bienal de Arte de São Paulo, em 1951. Participou de outros bienais e seus quadros o levaram à Europa e aos Estados Unidos.

Já não morava mais nas imediações da Praça Onze mas ali ficaram seus ateliês, primeiro na Rua General Pedra – arrasada para a construção da Avenida Presidente Vargas – e, depois, na General Caldwell. “Eu me sinto feliz nesse meu ateliê, vendo meu panorama da favela, da rua General Pedra, lembrando do meu saudoso colégio São Sebastião, Colégio Benjamin Constant. É a Praça Onze, é a Cidade Nova”, afirma o sambista e pintor no documentário Heitor dos Prazeres, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, em 1965. Nos ateliês, ele pintava, ensinava aprendizes, desenhava e costurava figurinos para espetáculos – dele mesmo e seu grupo e de outros shows, por encomenda. E fazia sambas, promovida rodas, reunia os amigos.

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Heitor dos Prazeres em seu ateliê na região da Praça Onze, na Cidade Nova, na Pequena África: trajetória misturada a do Carnaval do Rio (Foto: Reprodução)

Com toda essa história, é surpreendente que Heitor dos Prazeres, falecido em 1966, ainda não tivesse sido homenageado pelas escolas do grupo especial. A homenagem não veio da Estácio de Sá, sucessora da Deixa Falar; nem da Portela, do seu grande amigo Paulo, nem da Mangueira, que Prazeres também ajudou a organizar: veio da Vila Isabel, com seu enredo para 2026 – “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África” – todo inspirado na arte do cantor, compositor, pintor, artista plástico, figurinista, desenhista de móveis. E também contratado da Rádio Nacional, por quase 20 anos, e funcionário do Ministério da Educação. E ‘inventor’ da Pequena África.

Mas Heitor dos Prazeres está ligado ao bairro e à escola pelo seu samba mais famoso, “Pierrô Apaixonado”, feito em parceria com Noel Rosa, o poeta da Vila: “Um pierrô apaixonado / Que vivia só cantando / Por causa de uma colombina / Acabou chorando, acabou chorando”. A marchinha carnavalesca já teve dezenas de gravações – Martinho da Vila, inclusive – e segue fazendo sucesso em blocos e bailes, com sua segunda parte impagável contando que a “Colombina entrou no botequim / bebeu, bebeu, saiu assim, assim” e o Pierrô “levando esse grande chute / Foi tomar vermute com amendoim”.

No enterro de Heitor dos Prazeres, uma multidão cantou repetidamente “Pierrô Apaixonado”, além de outros sambas de sua autoria. O poeta Carlos Drummond de Andrade, com quem ele trabalhou no Ministério da Educação, dedicou um poema ao colega, sambista e pintor. “Por tua pintura e música / passa um fluido de poesia / Poesia das coisas simples / Unidas em melodia”.

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Oscar Valporto Oscar Valporto Ver publicações

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A ação é fruto de investigações conduzidas pela Polícia Civil do Espírito Santo, que apura o possível envolvimento de outros atletas profissionais e empresários com o grupo criminoso.

A mobilização ocorre simultaneamente em vários estados e conta com a participação de aproximadamente 100 policiais civis, mais de 38 viaturas e dois helicópteros.

A reportagem entrou em contato com o Vasco da Gama e aguarda resposta.

Com informações do g1

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O delegado da Polícia Civil Ruchester Marreiros Barbosa, que chegou a ser investigado por sua atuação durante as apurações do caso Amarildo, está entre os candidatos a deputado estadual no Rio  nas eleições de 2026.

No DivulgaCand, sistema de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele aparece com o nome de urna Delegado Ruchester, pelo partido Agir.  O delegado ganhou projeção durante as apurações sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, levado por policiais militares para a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, em julho de 2013.

De investigador, Ruchester passou a investigado pela Corregedoria Geral Unificada (CGU) por divergências na transcrição de escutas telefônicas apresentadas no inquérito da chamada Operação Paz Armada. O relatório produzido por ele sustentava que uma conversa interceptada poderia indicar envolvimento de Amarildo, conhecido como “Boi”, com o tráfico.

O delegado chegou a apontar criminosos como responsáveis pela morte do pedreiro.

A interpretação foi contestada pelo então titular da 15ª DP (Gávea), delegado Orlando Zaccone, que afirmou em seu próprio relatório que a conclusão de Ruchester estava à margem da investigação e que a transcrição apresentada divergia daquela produzida pelo policial responsável por ouvir as gravações.

Uma sindicância da Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) concluiu que Ruchester havia cometido três infrações disciplinares: fornecer informações inexatas ou alteradas; agir com displicência ou negligência no exercício da função; e deixar de exercer a atividade policial com a probidade, discrição e moderação exigidas.

O caso foi tratado internamente na corporação, sem desdobramentos de condenação criminal.

Professor universitário e passagens por delegacias do interior

Depois da polêmica, Ruchester passou por várias delegacias do interior (Conceição de Macabu, São João da Barra, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes…). Graduado bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, é também professor universitário.

Agora, aos 51 anos, o delegado retorna ao escrutínio público como candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Na ficha eleitoral, declara ocupação de policial civil, ensino superior completo e filiação ao Agir.

Como foi encerrado o caso Amarildo

Por fim, ficou comprovado que o ajudante de pedreiro morador da Rocinha foi morto por políciais militares — julgados e condenados pelo crime.

  • Primeiras condenações (2016): 12 policiais militares foram condenados por crimes como tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. 
  • Ajustes e recursos (2019): O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) reviu algumas penas e absolveu quatro dos réus, mantendo a condenação de oito policiais. 
  • Decisão do STJ (2023): O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aumentou as penas dos oito PMs envolvidos, considerando a gravidade do crime e a repercussão internacional, fixando a pena do major apontado como mandante em mais de 13 anos e de outros agentes em até 16 anos.O corpo de Amarildo nunca foi encontrado. 
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Transparência

Viagens secretas 2: governo do estado abre parte de processo sobre ida a Portugal, mas esconde valor de passagens e mantém sigilo em documentos-chave

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Redação

30/08/2026 19:00

O governo do estado do Rio de Janeiro abriu e tornou públicos trechos do processo SEI-150001/009118/2026, referente à viagem oficial do subsecretário-geral da Casa Civil, Sergio Pimentel Borges da Cunha, a Portugal. A abertura, porém, ocorreu apenas parcialmente.

O convite da TAP Air Portugal, agora disponível para consulta pública, prevê a participação do representante do governo fluminense nas comemorações dos 60 anos da rota Lisboa-Rio de Janeiro. A programação inclui uma cerimônia de entrega de prêmios no Casino Estoril, em 9 de setembro, seguida de jantar de gala e apresentações de Ney Matogrosso, Pedro Jóia e António Zambujo.

Embora os documentos liberados permitam identificar o destino da missão, o motivo da viagem e os valores pagos em diárias, permanecem sob acesso restrito justamente os documentos que poderiam revelar quanto será desembolsado pelos cofres públicos na compra das passagens aéreas internacionais.

Os registros mostram que Sergio Pimentel viajará para Lisboa entre os dias 6 e 11 de setembro. Em documento encaminhado à Casa Civil, ele solicita autorização para representar o governo do estado no evento da TAP e informa que também pretende cumprir agendas institucionais voltadas ao fortalecimento de relações internacionais e à articulação de futuras iniciativas de cooperação.

No pedido, o subsecretário afirma que atuará como representante da Casa Civil e ponto focal do governo do estado junto à companhia aérea portuguesa.

A autorização para a viagem foi concedida pelo secretário estadual da Casa Civil, Flávio Willeman, em despacho inserido no processo administrativo.

Diárias liberadas e exceção usada no fim de mandato

A documentação tornada pública também revela que foram autorizadas duas diárias internacionais, além de despesas com traslados, totalizando R$ 5.175,88.

Para viabilizar o pagamento, a Casa Civil classificou a despesa como “não tipificada” e utilizou uma exceção prevista no Decreto Estadual nº 50.282/2026, editado para disciplinar gastos públicos durante o último ano de mandato. O enquadramento permitiu o uso da Fonte 500.100, referente a recursos ordinários provenientes de impostos, mesmo sem o atendimento dos requisitos cumulativos de tipificação previstos na norma.

O próprio processo registra que a justificativa adotada se baseou no artigo 4º, parágrafo 2º, do decreto, dispositivo que excepciona determinadas despesas da vedação imposta no período final do mandato.

O que continua escondido

Apesar da reabertura parcial do processo, os documentos considerados mais relevantes para aferição dos gastos permanecem inacessíveis ao público.

Continuam sob acesso restrito o formulário de solicitação de passagem aérea (SEI nº 139488446), o bilhete emitido (SEI nº 139553376), o voucher da viagem e a planilha detalhada de cálculo relacionada à missão internacional.

Na prática, a restrição impede que contribuintes saibam quanto o estado pagou pelas passagens aéreas para Portugal, informação que não aparece em nenhum dos documentos liberados até o momento.

O próprio andamento processual comprova a existência do bilhete e do voucher, mas os arquivos permanecem bloqueados para consulta pública.

Transparência parcial

A divulgação parcial do processo mantém uma prática que vem sendo alvo de questionamentos: enquanto os contribuintes conseguem saber quem viaja, para onde vai e quanto recebe em diárias, continuam sem acesso ao valor gasto nas passagens aéreas custeadas pelo estado.

A manutenção do sigilo sobre os custos dos bilhetes ocorre em um momento de maior escrutínio sobre as viagens internacionais custeadas pelo governo do estado, especialmente diante do crescimento das despesas com diárias e missões ao exterior registrado nos últimos anos.

Assim, mesmo após a reabertura parcial do processo, o cidadão continua sem acesso ao valor de um dos principais componentes da despesa pública relacionada à missão internacional: o custo das passagens aéreas.

COM FÁBIO MARTINS

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Rio de Janeiro

Rio na vertical: apartamentos já são quase dois terços dos imóveis residenciais; Barra Olímpica e Leme lideram

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João Pedro Lima

30/08/2026 18:00

O cadastro do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de 2026 mostra um Rio de Janeiro predominantemente vertical: dos pouco mais de 1,6 milhão de imóveis residenciais tributados na cidade, 63,7% (1.025.417 unidades) são apartamentos. Ou seja, quase dois em cada três imóveis cadastrados são em edifícios.

As casas somam 568 mil unidades, equivalente a 35,3%. Os dados são do cadastro de imóveis tributados como residenciais no IPTU de 2026, disponível no portal de dados abertos da Prefeitura do Rio.

Quando destrinchados por regiões, os números mostram a convivência de dois modelos de ocupação: bairros onde os prédios dominam a paisagem e grandes áreas urbanas, como na Zona Oeste e no subúrbio, onde as casas ainda são maioria.

Barra Olímpica é a região mais verticalizada da cidade

Entre os bairros com pelo menos 5 mil imóveis residenciais cadastrados, a Barra Olímpica apresenta o maior índice de apartamentos: 99,6%. Na sequência aparecem Leme (98,9%), Flamengo (98,3%), Lagoa (95,8%) e Copacabana (95,4%).

No recorte da Zona Sudoeste, a Barra da Tijuca aparece na lista com 60.564 imóveis tributados, enquanto o Recreio dos Bandeirantes conta com 49.843.

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O bairro da Barra Olímpica foi criado oficialmente em 2024 — Foto: Reprodução

Zona Sul dominada por edifícios

Leblon, Ipanema, Laranjeiras e Botafogo, na Zona Sul, também se destacam pela predominância de apartamentos, que representam mais de 93% dos imóveis residenciais desses bairros. Na Tijuca, na Zona Norte, esse percentual chega a 91,2%.

Quando analisada em conjunto, a Zona Sul concentra 259.933 imóveis residenciais tributados, o maior contingente da cidade. Desse total, cerca de 94% são apartamentos, o que evidencia a forte verticalização da região, especialmente em bairros como Copacabana, Flamengo, Ipanema, Leblon, Lagoa e Botafogo.

Copacabana, por exemplo, concentra 72.531 apartamentos tributados pelo IPTU de 2026 contra apenas 804 imóveis classificados como casas. Ao todo, são 76.038 unidades residenciais, o segundo maior número da cidade, atrás apenas de Campo Grande.

Em Botafogo, 93,2% dos 37.905 imóveis residenciais cadastrados são apartamentos.

Campo Grande concentra o maior número de imóveis residenciais, mas com a maioria sendo casas

Com 90.940 imóveis residenciais tributados, Campo Grande lidera o ranking da cidade em número de moradias cadastradas. Apesar do volume, o bairro da Zona Oeste mantém características típicas de uma ocupação horizontal, em que a maioria dos imóveis é formada por casas.

São 63.947 casas contra 26.879 são apartamentos no bairro. Isso significa que as residências fora de prédios representam 70,3% do cadastro imobiliário local.

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Campo Grande é o bairro com maior número de moradias, sendo 70% formado por casas — Foto: Reprodução

O mesmo padrão é observado em outros bairros da região. Em Bangu, por exemplo, as casas correspondem a 70,7% dos imóveis residenciais; em Realengo, a 64,7%; e em Paciência, a 69,8%. Em Guaratiba, o percentual chega a 79,6%, enquanto, em Sepetiba, alcança 89%.

A predominância das casas também se reflete na divisão por regiões de planejamento. Guaratiba aparece como a área mais horizontal da cidade, com 81,4% dos imóveis residenciais cadastrados classificados como casas, seguida por Campo Grande, com 67,3%, e Bangu, com 65,9%.

Casas são quase metade da área construída mesmo com menos imóveis

Apesar de corresponderem a pouco mais de um terço dos imóveis residenciais, as casas concentram 46,6% da área construída residencial registrada no cadastro.

A diferença está no tamanho médio das unidades: um apartamento tributado tem, em média, 77 m², enquanto nas casas a média chega a 123,1 m² (60% maior).

Campo Grande lidera também em área residencial construída, com 11,3 milhões de m². A Barra da Tijuca aparece em seguida, com 9,8 milhões.

Entre os bairros com pelo menos mil imóveis cadastrados, São Conrado tem a maior área média por unidade, com 199,9 m². Depois aparecem Vargem Grande, com 189,6; Itanhangá, com 174,7; e Urca, com 170,4.

Na outra ponta, a Maré apresenta a menor média, com 38,1 m² por imóvel. Na Cidade de Deus, são 38,2 m²; em Santa Cruz, 47,8.

Números por ruas: grandes avenidas concentram milhares de imóveis

O cadastro também mostra a concentração da moradia em grandes corredores urbanos. A Avenida Lúcio Costa, na Barra, lidera o ranking, com 10.746 imóveis residenciais tributados. Em seguida aparecem a Estrada dos Bandeirantes (10.698), a Avenida Nossa Senhora de Copacabana (9.118), a Avenida Dom Hélder Câmara (7.637) e a Rua Barata Ribeiro (7.487).

A lista reúne vias tradicionalmente verticalizadas, como as de Copacabana, Botafogo e Laranjeiras, e grandes eixos de expansão da Zona Oeste. A Avenida Lúcio Costa também lidera em área construída residencial, com aproximadamente 1,44 milhão de metros quadrados.

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Política

TRE-RJ aprova novas regras para agilizar julgamento das contas de candidatos nas eleições de 2026

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Gabriele Maia

30/08/2026 17:30

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) aprovou, por unanimidade, quatro mudanças nos procedimentos de prestação de contas das eleições de 2026. A principal delas determina que a análise financeira obrigatória antes da diplomação será concentrada nos candidatos eleitos. Os três primeiros suplentes de cada legenda terão prioridade na sequência.

A decisão foi tomada pelo plenário do TRE-RJ, na quarta-feira (26), e publicada no Diário Oficial do Tribunal neste sábado (29). O texto foi relatado pelo desembargador presidente do Tribunal, Claudio de Mello Tavares.

Eleitos serão prioridade no julgamento das contas de campanha

Pela nova regra, a análise das contas que precisa ser concluída antes da diplomação ficará restrita aos candidatos eleitos, e o julgamento das contas dos vencedores deve ocorrer até três dias antes da posse.

As contas dos candidatos classificados nas três primeiras posições de suplência também serão examinadas com prioridade, mas somente depois da conclusão dos processos dos eleitos.

O TRE afirma que a mudança é necessária diante do volume de prestações de contas e dos prazos reduzidos entre a eleição e a diplomação. Para 2026, o Orçamento da União prevê R$ 4,9 bilhões para o financiamento das campanhas por meio do Fundo Especial e do Fundo Partidário.

Há ainda uma regra específica para suplentes que estejam prestes a assumir uma vaga. Se as contas ainda não tiverem sido julgadas, a unidade técnica deverá verificar imediatamente se a documentação apresentada pode ser considerada uma prestação de contas. A eventual autorização para diplomação dependerá de decisão do relator, após pedido de tutela de urgência da defesa.

Para os candidatos que não foram eleitos, o Tribunal definiu um procedimento simplificado. Quando houver documentação suficiente para a análise, o parecer técnico conclusivo poderá ser emitido diretamente, mesmo que sejam identificadas algumas das irregularidades previstas na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nesse caso, não será necessário elaborar antes um relatório preliminar de diligências. O candidato será intimado e terá três dias para se manifestar sobre as irregularidades apontadas.

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Transparência

Divisão de lucros: Cedae destina R$ 300 milhões a obras e R$ 52 milhões ao governo do estado; enquanto reserva R$ 19,3 milhões para remunerar sua cúpula

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Redação

30/08/2026 17:00

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos  (Cedae) registrou um lucro líquido de R$ 219.393.313,04 no exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2025.

Em assembleia geral ordinária e extraordinária realizada em 24 de julho de 2026 e publicada no Diário Oficial em 20 de agosto de 2026, a empresa aprovou a destinação do montante, que inclui a distribuição de R$ 52,1 milhões em dividendos obrigatórios e a capitalização de R$ 156,3 milhões de lucros remanescentes.

Do total distribuído em dividendos (R$ 52.105.911,85, equivalente a 25% do lucro líquido ajustado), o Estado do Rio de Janeiro, na condição de acionista majoritário com o controle de mais de dois terços das ações com direito a voto, receberá R$ 52.105.705,60.

Os acionistas minoritários dividiram a quantia residual de R$ 206,25. De acordo com a deliberação, os proventos serão totalmente pagos até 31 de dezembro de 2026. Do lucro líquido, 5% (R$ 10.969.665,65) foram destinados à constituição da Reserva Legal.

A assembleia também deliberou pela capitalização do excedente do lucro líquido, sem emissão de novas ações nem alteração no valor nominal dos papéis. Com a incorporação de R$ 156.317.735,54 ao patrimônio, o capital social da Cedae passou de R$ 4.754.493.288,15 para R$ 4.910.811.023,69 — um crescimento de aproximadamente 3,29%.

Para respaldar a operação de reter e capitalizar os recursos, os acionistas aprovaram a alteração do artigo 4º do Estatuto Social da companhia, além de formalizarem as regras da Reserva de Expansão no artigo 65. O estatuto prevê que essa reserva de investimentos priorizará três grandes obras operacionais: a transposição e proteção da tomada de água do Rio Guandu (orçada em R$ 100 milhões), a recuperação da ETA Guandu (R$ 150 milhões) e melhorias na ETA Laranjal (R$ 50 milhões).

Remuneração da cúpula da Cedae

Embora os extratos públicos omitissem os números exatos, a apuração das Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras contidas no processo SEI nº 150017/005246/2026 revela que a remuneração paga e a pagar ao pessoal-chave da administração e governança da Cedae (incluindo conselheiros, diretores, membros do Comitê de Auditoria e o chefe da auditoria interna) somou R$ 19.338.000,00 (R$ 19,33 milhões) em 2025.

Valor expressivamente superior aos R$ 10.667.000,00 registrados no exercício de 2024.

O montante aprovado

Salários e encargos sociais: R$ 17.568.000,00;

Plano de assistência médica: R$ 678.000,00;

Planos de aposentadoria e pensão: R$ 232.000,00;

Outros proventos: R$ 860.000,00.

A ata da assembleia foi arquivada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o nº 00007954345 em 13 de agosto de 2026.

O apagão de transparência da Cedae

A descoberta das cifras da diretoria exigiu esforço na mineração de dados.

Na publicação oficial do Diário Oficial do Estado, a Cedae omitiu inteiramente os valores brutos aprovados para a cúpula, fazendo remissão genérica apenas ao processo administrativo SEI-150017/005246/2026 e à Nota Técnica DPR-16.

No entanto, ao tentar consultar o procedimento no Sistema Eletrônico de Informações do governo do estado (SEI-RJ), a coluna Transparência, do portal TEMPO REAL, constatou que o processo — com seus 32 documentos — estava integralmente sob acesso restrito/sigilo, impedindo o controle social e descumprindo o próprio Estatuto Social da empresa (Art. 56, § 8º), a Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016) e a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).

Diante do bloqueio, o portal acionou a companhia em três oportunidades consecutivas, enfrentando recusas sistemáticas em revelar os valores numéricos em reais:

Primeira tentativa

O portal questionou os valores brutos exatos e o motivo do trancamento do processo SEI. Em resposta, a Cedae limitou-se a declarar que os valores “não sofreram alteração, seguindo os mesmos de 2025”, alegou não saber por “questões técnicas” o motivo de o processo estar trancado e sugeriu que os dados fossem buscados individualmente por CPF no site da transparência — mecanismo ineficaz para fiscalizar deliberações de remuneração global aprovadas em assembleia.

Segunda tentativa

O portal reiterou a notificação, ressaltando que jargões como “valores congelados” não cumprem o dever constitucional de dar transparência e que falhas técnicas não respaldam o sigilo de atos contábeis públicos. A Cedae informou ter corrigido as “restrições” no SEI e alegou que a remuneração de seus executivos seria “inferior à média das empresas do setor no Brasil”, mas voltou a se recusar a informar a cifra em reais (R$).

Terceira e última tentativa

O portal formulou uma pergunta única e direta, exigindo exclusivamente o montante numérico bruto em reais e concedendo prazo final até as 17h do último dia 25. A Cedae ignorou o prazo e não respondeu ao terceiro questionamento.

Mesmo diante do silêncio e da resistência da estatal em cumprir a legislação de transparência ativa, a coluna Transparência conseguiu romper o bloqueio no processo aberto no SEI. Embora, no sistema de informações, o valor seja individualizado para cada cargo — como fora solicitado — pelo menos é possível revelar à sociedade os R$ 19,33 milhões destinados à alta cúpula da companhia.

COM FÁBIO MARTINS

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Política

Pix eleitoral: Paes recebe R$ 10 milhões do PSD, mas Douglas Ruas ainda lidera arrecadação para campanha ao governo

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Redação

30/08/2026 16:14

O candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD) recebeu R$ 10 milhões do próprio partido para financiar a campanha. O valor foi declarado à Justiça Eleitoral neste domingo (30) e coloca o ex-prefeito do Rio na segunda posição entre os candidatos que mais arrecadaram até agora.

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e candidato do PL ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas continua na liderança, com R$ 17.838.000 em receitas. Desse total, R$ 17.788.000 foram repassados pela direção do partido e R$ 50 mil saíram do próprio bolso do candidato.

Com a entrada dos R$ 10 milhões de Paes, a distância entre os dois principais candidatos caiu para R$ 7,8 milhões. Até sexta-feira (28), Paes ainda não havia declarado nenhuma receita de campanha.

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PL e PSD concentram as maiores verbas na campanha ao governo

Com a nova declaração, Paes passou a ocupar a segunda posição no ranking de arrecadação, atrás apenas de Ruas. A diferença entre os dois candidatos é de R$ 7,8 milhões.

William Siri (PSOL), que aparecia em segundo na última atualização, caiu para a terceira colocação, com R$ 1,04 milhão.  André Marinho (Novo) aparece em seguida, com R$ 135 mil em doações.

Já Coronel Busnello (Missão) passou a registrar R$ 100 mil em receitas, todo o valor vindo do partido. Juliete (UP), por sua vez, declarou R$ 6.545,19, provenientes de doações e financiamento coletivo.

Garotinho (Republicanos) aparece com R$ 2,5 mil em doações. O candidato teve o acesso aos recursos do fundo eleitoral suspenso pela Justiça Eleitoral nesta semana.

Cyro Garcia (PSTU) declarou R$ 300 em doações. Luan Monteiro (PCO) segue sem valores de arrecadação declarados até agora.

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– Fonte: TSE

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Rio de Janeiro

Privacidade em xeque: estado do Rio soma 343 processos relacionados à proteção de dados em três anos e ocupa terceira posição no ranking nacional

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Lívia Mendonça

30/08/2026 15:00

O estado do Rio aparece em terceiro lugar no ranking nacional de processos relacionados à proteção de dados pessoais, com 343 ações registradas entre 2023 e julho de 2026. O número coloca o estado atrás apenas de Goiás e São Paulo, que aparece disparado na liderança, com 22,4 mil processos.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Escavador e divulgado neste mês de agosto, quando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) completa oito anos de sua sanção, estabelecendo regras para a coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais por empresas e órgãos públicos.

No total, foram identificados 24,7 mil processos relacionados à proteção de dados pessoais no Brasil no período analisado.

O número elevado no ranking nacional, porém, não indica, necessariamente, que o Rio tenha uma quantidade maior de violações de dados do que os demais estados, como Amazonas, que aparece em quarto, com 298, e Sergipe, que ocupa a quinta posição, com 202.

O próprio levantamento alerta que a quantidade de processos também pode refletir diferenças na estrutura do Judiciário, no perfil econômico, na concentração de empresas e consumidores e na forma como os processos são classificados.

Queda de 90% no número de processos também ganha destaque

Embora os números pareçam elevados, principalmente nos estados que ocupam as primeiras colocações do ranking, o cenário nacional mostra uma forte redução na judicialização da proteção de dados, com uma queda de 90% no número de processos ao longo do período.

A retração se intensificou no ano passado, quando foram contabilizados 4,1 mil processos — queda de 50,7% em relação a 2024.

Já em 2026, os dados disponíveis até julho apontam mil processos registrados, uma redução de aproximadamente 75% em relação ao total contabilizado ao longo de 2025.

A queda, porém, não significa necessariamente que empresas e consumidores estejam menos preocupados com o uso de informações pessoais.

Ranking nacional

Logo abaixo de São Paulo, Goiás e Rio, que ocupa a terceira posição, aparecem os demais estados na sequência do ranking:

  • Amazonas: 298;
  • Sergipe: 202;
  • Mato Grosso do Sul: 151;
  • Ceará: 91;
  • Distrito Federal: 78;
  • Tocantins: 76;
  • Espírito Santo: 68;
  • Paraíba: 62;
  • Minas Gerais: 51;
  • Rio Grande do Norte: 48;
  • Santa Catarina: 37;
  • Bahia: 34;
  • Rio Grande do Sul: 33;
  • Maranhão: 28;
  • Alagoas: 10;
  • Paraná: 10;
  • Acre: 10;
  • Mato Grosso: 6;
  • Piauí: 4;
  • Rondônia: 4;
  • Pará: 4;
  • Pernambuco: 3;
  • Amapá: 3.
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Política

Confederação Nacional do Comércio lança campanha para pedir que PEC do fim da escala 6×1 não seja votada antes das eleições

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Redação

30/08/2026 14:53

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao lado de suas 34 federações e sindicatos filiados, lançou neste fim de semana (29 e 30 de agosto) uma campanha nacional para pedir que o Senado não avance, nas próximas semanas, na discussão envolvendo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1.

O órgão alega que o avanço nas discussões e uma eventual votação da PEC antes das eleições podem representar um “grave risco” em um momento de “acentuada fragilidade econômica” no país.

A campanha cita os índices altos de juros, endividamento e inadimplência entre as empresas, além do fim da Taxa das Blusinhas, que a categoria avalia como “um agravante na concorrência desleal para o varejo nacional”.

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Cartaz da campanha do CNC – Foto: CNC

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, alega que a votação antes de outubro pode acarretar em impactos para a categoria e para o consumidor final.

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais. Votar esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva”, diz.

O presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, também defende o apelo da categoria nacional.

“Precisamos ter cuidado para que uma medida que busca melhorar as condições de trabalho não termine provocando a redução de postos de trabalho. É fundamental encontrar um equilíbrio que preserve os empregos, a atividade econômica e, ao mesmo tempo, avance nas condições oferecidas aos trabalhadores”, afirma Antonio.

A PEC que acaba com a escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio, mas não avançou no Senado desde então. Nas últimas semanas, os senadores começaram a se movimentar para a análise do projeto e o relator, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou seu texto na última quinta-feira (27), mantendo a proposta aprovada na Câmara.

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Rio de Janeiro

Nova ciclofaixa de lazer muda circulação na orla entre Leblon e Copacabana; veja como funciona

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Redação

30/08/2026 14:26

Quem costuma pedalar pela orla da Zona Sul no tempo livre ganhou, neste domingo (30), uma nova opção de circulação. A Prefeitura do Rio inaugurou uma ciclofaixa de lazer de 7,2 quilômetros entre Leblon e Copacabana, ocupando uma faixa da pista destinada aos carros. A estrutura funciona aos domingos e feriados, das 8h às 16h, e passa por trechos das avenidas Delfim Moreira, Vieira Souto e Atlântica, além da Rua Francisco Otaviano.

A novidade, porém, não envolve apenas mais espaço para bicicletas. A implantação também veio acompanhada de uma operação de fiscalização de bicicletas elétricas e outros veículos autopropelidos, com testes de velocidade feitos por agentes da prefeitura. A ação começou de forma educativa e preventiva e, até 31 de outubro, os usuários serão orientados sobre as regras para cada tipo de equipamento.

Para a implantação da estrutura, o trânsito de veículos é interditado nesses trechos das 7h às 17h aos domingos e feriados. Também fica proibido o estacionamento nos canteiros centrais das avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto durante esse período.

Nos trechos que não fazem parte da nova operação, os equipamentos podem continuar circulando pelas ciclovias permanentes.

Fiscalização de bicicletas elétricas começa na orla

A estreia da ciclofaixa também marcou o início de uma fiscalização específica sobre bicicletas elétricas e outros equipamentos autopropelidos. A Secretaria Municipal de Ordem Pública, em parceria com a Secretaria de Assistência Social e a Guarda Municipal, montou pontos de fiscalização ao longo do percurso.

Os agentes utilizam dinamômetros, aparelhos que medem a velocidade máxima alcançada pelos equipamentos. Depois da aferição, o usuário recebe um comprovante com o resultado.

Até 31 de outubro, a fiscalização terá caráter educativo e preventivo. A ideia é orientar os usuários sobre as diferenças entre as categorias de veículos, os equipamentos de segurança obrigatórios, os locais adequados para circulação e os limites de velocidade.

E ainda em agosto, a partir desta segunda-feira (31), a fiscalização também será realizada de forma itinerante em outros pontos da cidade e em diferentes horários.

“A fiscalização educativa começa hoje na ciclofaixa de lazer, mas, a partir de amanhã, será realizada de forma itinerante em diversos pontos da cidade”, afirmou o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior.

Durante operação de ciclofaixas, bicicletas não poderão circular em toda a área de lazer

A ciclofaixa também vem acompanhada de uma regra que pode gerar dúvidas entre os frequentadores da orla. Bicicletas não podem circular na área de lazer, com exceção de crianças de até oito anos.

Nos trechos abrangidos pela nova operação, a circulação desses equipamentos deve ocorrer pela ciclofaixa. A prefeitura afirma que a medida busca reduzir conflitos entre ciclistas, pedestres e outros usuários da orla.

A operação da nova ciclofaixa também conta com 173 guardas municipais e 38 agentes da CET-Rio. As equipes estão distribuídas em 35 pontos estratégicos ao longo dos 7,2 quilômetros, com a missão de organizar a circulação e garantir a segurança de quem utiliza o espaço. A estrutura de fiscalização inclui nove viaturas, sendo uma delas um caminhão, além de dois mil cones, 76 rádios comunicadores e um drone para acompanhar o percurso.

A nova ciclofaixa funcionará aos domingos e feriados, das 8h às 16h. Já as interdições necessárias para organizar o trânsito e montar a estrutura acontecem das 7h às 17h.

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