O delegado da Polícia Civil Ruchester Marreiros Barbosa, que chegou a ser investigado por sua atuação durante as apurações do caso Amarildo, está entre os candidatos a deputado estadual no Rio nas eleições de 2026.
No DivulgaCand, sistema de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele aparece com o nome de urna Delegado Ruchester, pelo partido Agir. O delegado ganhou projeção durante as apurações sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, levado por policiais militares para a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, em julho de 2013.
De investigador, Ruchester passou a investigado pela Corregedoria Geral Unificada (CGU) por divergências na transcrição de escutas telefônicas apresentadas no inquérito da chamada Operação Paz Armada. O relatório produzido por ele sustentava que uma conversa interceptada poderia indicar envolvimento de Amarildo, conhecido como “Boi”, com o tráfico.
O delegado chegou a apontar criminosos como responsáveis pela morte do pedreiro.
A interpretação foi contestada pelo então titular da 15ª DP (Gávea), delegado Orlando Zaccone, que afirmou em seu próprio relatório que a conclusão de Ruchester estava à margem da investigação e que a transcrição apresentada divergia daquela produzida pelo policial responsável por ouvir as gravações.
Uma sindicância da Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) concluiu que Ruchester havia cometido três infrações disciplinares: fornecer informações inexatas ou alteradas; agir com displicência ou negligência no exercício da função; e deixar de exercer a atividade policial com a probidade, discrição e moderação exigidas.
O caso foi tratado internamente na corporação, sem desdobramentos de condenação criminal.
Professor universitário e passagens por delegacias do interior
Depois da polêmica, Ruchester passou por várias delegacias do interior (Conceição de Macabu, São João da Barra, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes…). Graduado bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, é também professor universitário.
Agora, aos 51 anos, o delegado retorna ao escrutínio público como candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Na ficha eleitoral, declara ocupação de policial civil, ensino superior completo e filiação ao Agir.
Como foi encerrado o caso Amarildo
Por fim, ficou comprovado que o ajudante de pedreiro morador da Rocinha foi morto por políciais militares — julgados e condenados pelo crime.
- Primeiras condenações (2016): 12 policiais militares foram condenados por crimes como tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.
- Ajustes e recursos (2019): O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) reviu algumas penas e absolveu quatro dos réus, mantendo a condenação de oito policiais.
- Decisão do STJ (2023): O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aumentou as penas dos oito PMs envolvidos, considerando a gravidade do crime e a repercussão internacional, fixando a pena do major apontado como mandante em mais de 13 anos e de outros agentes em até 16 anos.O corpo de Amarildo nunca foi encontrado.
































































