A nova atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com dados extraídos neste domingo (30), mostra como as lideranças partidárias estão distribuindo o caixa eleitoral entre os candidatos aos cargos proporcionais no Rio de Janeiro. Ao todo, as campanhas para deputado federal e deputado estadual já receberam R$ 185.303.081,59 em recursos.
A divisão deixa clara a prioridade dada à disputa por Brasília. Do montante total repassado, R$ 140.068.595,87 (75,58%) foram destinados aos concorrentes à Câmara dos Deputados. Já os candidatos à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ficaram com R$ 45.234.485,72 (24,42%).
Domínio do PL e concentração nas campanhas federais
O Partido Liberal (PL) lidera isolado em volume de verba distribuída para as candidaturas a deputado, com R$ 54,82 milhões. Desse total, R$ 36,97 milhões, o equivalente a 67,44%, foram destinados aos candidatos a deputado federal, enquanto R$ 17,84 milhões, ou 32,56%, ficaram com os postulantes à Alerj.
Na sequência, PSOL e PT aparecem com valores semelhantes. O PSOL distribuiu R$ 21,27 milhões entre as duas disputas, sendo 65,16% para os candidatos à Câmara dos Deputados e 34,84% para os estaduais. O PT, por sua vez, registrou R$ 21,05 milhões em recursos, mas concentrou uma parcela maior no plano federal, com 79,03% do total.
Entre União Brasil e PDT, a preferência pela disputa à Câmara também é evidente.

A concentração é ainda mais acentuada em partidos como PSDB e PV. Os tucanos destinaram 97,59% de sua verba, o equivalente a R$ 10,49 milhões, aos candidatos a deputado federal, enquanto apenas R$ 259 mil foram direcionados aos postulantes à Alerj.
No PV, a diferença é ainda maior: 98,88% dos recursos, cerca de R$ 3 milhões, foram aplicados na disputa pela Câmara Federal, deixando apenas R$ 34,17 mil, ou 1,12%, para os candidatos a deputado estadual.
Além do fundo partidário, candidatos recorrem a recursos próprios e doações de pessoas físicas para reforçar campanhas
A prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, além dos repasses dos partidos, candidatos à Câmara dos Deputados também recorrem ao autofinanciamento e a doações de pessoas físicas para reforçar suas campanhas. Entre os maiores aportes individuais no estado está o de Leonardo Picciani (PV), candidato a deputado federal que colocou R$ 310 mil de recursos próprios na campanha. A mãe dele, Márcia Picciani, também fez um aporte de R$ 190 mil. Ao todo, a família destinou R$ 500 mil à candidatura do ex-ministro.
Entre os grandes doadores pessoas físicas aparecem ainda o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto, que doou R$ 165 mil, distribuídos entre quatro candidatos, e o cineasta Walter Salles, responsável por R$ 200 mil em doações para dois nomes. O tabelião Alexis Mendonça Cavichini, por sua vez, repassou R$ 86 mil a candidatos do PL e do PSD.
Soraya Santos lidera repasses partidários entre candidatos a deputado federal pelo Rio
Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, os maiores volumes de recursos recebidos diretamente dos fundos partidários também estão concentrados em nomes com forte estrutura eleitoral. Soraya Santos (PL) recebeu R$ 3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) de seu partido.
No PSD, Maria Laura Monteza recebeu R$ 2,8 milhões, enquanto Otoni de Paula acumula R$ 2,5 milhões em repasses da direção nacional. Pelo Republicanos, Daniela do Waguinho recebeu R$ 2.497.433,98 e Rosangela Gomes, R$ 2.201.371,15.
No PSOL, os repasses aos principais candidatos federais aparecem em patamar semelhante. Glauber Braga, Tarcísio Motta, Talíria Petrone, Pastor Henrique Vieira e Chico Alencar receberam valores entre R$ 2,12 milhões e R$ 2,14 milhões do caixa partidário.
COM FÁBIO MARTINS





















































