Durante décadas era comum ouvir de integrantes de diversas denominações evangélicas a recomendação de não misturar religião e política. Entretanto, desde as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro contou com o forte apoio deste segmento espiritual, ambos os temas se envolvem de forma direta com frequência. Por isso, o trio formado pelo Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), William Douglas; pelo Mestre em Direito. Especialista em Direito Eleitoral e Promotor de Justiça Eleitoral e Criminal durante 26 anos, Francisco Dirceu Barros; e pelo advogado especialista em Direito Religioso, Eleitoral e Digital, Rafael Durand; lançou nesta terça (04) o “Guia Evangélicos & Eleições 2026. Guia Prático para Igrejas, Líderes e Candidatos”.
Com 56 páginas, a proposta do manual é a de ser “um guia de sobrevivência e de excelência para pastores, líderes, candidatos e cidadãos”. Além disso, traz situações de forma prática sobre o que é permitido e o que é proibido ser feito pelas igrejas durante essa época.
O guia também traz uma tabela diferenciando quais as ações são liberadas e as não permitidas na pré-campanha e quando a campanha se oficializa. O TEMPO REAL RJ teve acesso a esse trecho do manual de forma exclusiva.


Orientações para manifestação política de pastores
Em outro trecho do manual, há uma série de orientações aos pastores sobre o que um líder religioso pode, ou não, dizer em um púlpito. De acordo com o guia, é possível dizer as seguintes situações abaixo.
- “Como cristãos, temos o dever bíblico de exercer nossa cidadania e votar com consciência”.
- “Certas ideologias promovem práticas pecaminosas e anticristãs”.
- “Orem para que Deus levante homens e mulheres íntegros para governar nossa cidade/nação”.
- “Nossa igreja defende princípios como a proteção da vida, a liberdade religiosa e a justiça social”.
- “Damos as boas-vindas ao Sr.(a.) [Nome], que nos visita hoje e é candidato(a) a [Cargo]”. (Apresentação protocolar).
- “A liberdade cristã deve ser exercida com responsabilidade, pois ‘tudo me é lícito, mas nem tudo
me convém’ (1 Co 6:12). Portanto, votem com discernimento”.
Já os itens proibidos são os seguintes:
- “Deus me revelou que o candidato X é o escolhido para esta igreja”.
- “Quem é fiel de verdade deve votar no número XX”.
- “Quem vota no candidato Z vai para o inferno”.
- “Vamos agora fazer uma oferta especial para ajudar na campanha do irmão Z”.
Em outro trecho da obra, o trio dá mais detalhes sobre a intenção do manual
“Em suma, este Manual é um convite à coragem e à prudência. Aos candidatos, que a busca pelo mandato seja o reflexo de uma vida de serviço e integridade. Às igrejas e seus líderes, que a autonomia e a liberdade de pregar não sejam confundidas com palanque eleitoral, preservando o púlpito para a sua missão eterna”, afirma a publicação.
























































