O ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM) Marcelo Lopes é apontado pelo Ministério Público do Rio como um dos responsáveis por impedir que possíveis irregularidades na gestão do órgão chegassem aos órgãos de controle. Preso nesta quarta-feira (16), Lopes é investigado por participação em um esquema que teria envolvido superfaturamento de contratos do Instituto.
O então procurador tinha entre suas atribuições verificar a regularidade de contratos e nomeações. Os investigadores, porém, afirmam que ele teria usado a função para controlar informações inseridas nos sistemas oficiais do governo e dificultar o acesso dos órgãos de fiscalização a possíveis irregularidades.
A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público, que afirma que Lopes “tinha conhecimento da operação ilícita, fazia parte dessa operação e tomava proveito material”.
Lopes foi denunciado ao lado do ex-presidente do Instituto, Davi Perini Vermelho, o Didê, que também está preso, e de outros nove investigados.
Conversas revelam pressão para alterar informações do Instituto Rio Metrópole no SEI
As mensagens apreendidas na investigação mostram a relação entre Lopes e Didê e são usadas pelo MP para sustentar a suspeita de que havia controle sobre o que era registrado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma oficial utilizada pelo governo.
Em uma conversa de 3 de junho de 2026, quando a gestão do Instituto já estava sob investigação, Didê demonstrou pressa para autorizar uma contratação. Mais tarde, Lopes fez um registro no sistema por volta das 22h39.
Para os investigadores, o horário não foi casual. A avaliação é de que o procedimento teria sido registrado naquele momento para evitar que a movimentação no sistema indicasse uma atuação clandestina.
Em outra conversa, Didê reclama justamente da inclusão de um parecer no SEI sem que ele tivesse autorizado.
“Quem mandou vocês subirem parecer contra a minha vontade? Fala comigo antes. Como bota parecer no SEI sem falar comigo, cara?”, escreveu o então presidente do IRM.
A troca de mensagens prossegue com reclamações sobre funcionários da área de tecnologia da informação. Para os investigadores, a conversa fazia referência à possibilidade de documentos serem retirados do sistema sem deixar rastros.
O Ministério Público agora tenta avançar sobre a movimentação financeira relacionada ao esquema. A investigação busca identificar o caminho do dinheiro e o eventual patrimônio obtido a partir das irregularidades.
O que dizem os investigados
A defesa de Marcelo Lopes informou que não vai se manifestar.
Já os advogados de Didê afirmam que não tiveram acesso às mensagens e repudiam qualquer interpretação que considere precipitada antes do exercício do contraditório. A defesa também sustenta que os contratos eram fiscalizados pelas diretorias do Instituto e posteriormente submetidos ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O Instituto Rio Metrópole informou que os fatos investigados são da gestão anterior. Segundo o órgão, a atual diretoria adotou medidas para corrigir as irregularidades apontadas e está auditando 16 contratos.
Com informações do “RJ2”.






















































