Contos céticos, novo livro de Adriana Lunardi, será lançado nesta quarta-feira, às 19h, na Janela Livraria (Rua Maria Angélica, 171 – Jardim Botânico – Rio de Janeiro).

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A principal novidade, na atualização das prestações de contas parciais das Eleições 2026, no início da noite deste domingo (23), é a entrada de Joyce Trindade (PSD) diretamente no 7º lugar do ranking de arrecadação do estado, declarando R$ 105 mil. O levantamento do chamado “pix eleitoral” foi feito no DivulgaCand, o sistema de informações sobre os candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A prestação de contas de Joyce inclui aportes significativos de doadores como Fabiano de Castro Robalinho Cavalcanti (R$ 50 mil), Bruno Frajhof Levacov (R$ 30 mil) e do economista Arminio Fraga (R$ 25 mil).
Além de Joyce, outros candidatos estrearam na prestação de contas do TSE nesta atualização:
Nelsinho Ruas (PL) (irmão de Douglas Ruas, candidato a governador pelo PL no Rio): R$ 42.000 declarados.
Dra. Gabriela (PL): R$ 37.000 (recursos próprios repassados em três parcelas).
Delegado Edgar Santana (União Brasil): R$ 10.751.
Delegado Carlos Augusto (PL): R$ 10.000 (recursos próprios).
No topo da tabela do pix eleitoral, a liderança permanece inalterada com Luiz Lima (Novo), seguido por Pedro Duarte (PSD) e Flavio Valle (PSD). Confira os 10 primeiros colocados no ranking do Rio de Janeiro:
Luiz Lima (NOVO): R$ 600.000
Pedro Duarte (PSD): R$ 408.883
Flavio Valle (PSD): R$ 302.884
Tatiana Roque (PSB): R$ 173.000
André Corrêa (PSD): R$ 160.000
Jair Bittencourt (PL): R$ 120.000
Joyce Trindade (PSD): R$ 105.000 (novo)
Daniel Soranz (PSD): R$ 91.113
Marina do MST (PT): R$ 67.560
Marcelo Freixo (PT): R$ 62.452
Entre as candidaturas ao Palácio Guanabara com repasses declarados, o cenário segue liderado por William Siri (PSOL), com R$ 46.000. Em seguida aparecem Anthony Garotinho (Republicanos), com R$ 2.500, e Cyro Garcia (PSTU), com R$ 300.
Como o prazo legal para partidos e candidatos informarem o recebimento de doações à Justiça Eleitoral é de até 72 horas, os números são parciais e continuam em constante movimentação na plataforma do TSE.
O governo do estado voltou a publicar no Diário Oficial uma autorização genérica referente a um processo administrativo para viagem, fechado ao público, sem informar quem vai viajar, qual é o destino ou quanto será gasto com a missão.
O processo aparece no SEI-RJ, sistema eletrônico de informações do governo do estado, com a classificação de “Acesso Restrito”, sob a justificativa de Documento Preparatório, com base no artigo 7º, § 3º, da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).
Mesmo sem acesso ao conteúdo, a própria lista de protocolos do sistema permite identificar que a tramitação envolve compra de passagens, hospedagem e outros serviços relacionados a viagem. Entre os documentos registrados estão “E-mail Convite”, “Formulário de solicitação de passagem aérea ou terrestre”, “Bilhete e Voucher” e referência ao Decreto nº 50.282, de 30 de abril de 2026.
Em outras palavras: o bloqueio impede que o cidadão saiba quem será enviado em missão oficial, para onde, por qual motivo e qual será o custo da viagem aos cofres públicos.
Só que não é a primeira vez que processos relacionados a viagens internacionais do governo do estado aparecem com acesso restrito.
A prática já havia provocado reação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que abriu investigação sobre a falta de transparência em despesas com diárias e passagens aéreas internacionais que não estavam disponíveis adequadamente nos sistemas públicos.
Em outubro de 2024, o tribunal determinou que documentos relacionados às despesas com destinos internacionais fossem liberados e abertos ao público. A cobrança ocorreu justamente em meio à publicação de novas autorizações de viagens cujos detalhes não podiam ser consultados.
O novo processo repete a fórmula: os registros disponíveis permitem identificar que existe uma operação de viagem, mas não revelam os dados essenciais para acompanhar a despesa pública.
O cidadão consegue saber que há documentos relativos a passagens e hospedagem. O que não consegue descobrir, por causa da restrição de acesso, é quem viaja, para onde vai, qual é a finalidade da missão e quanto será pago.
A classificação como Documento Preparatório é utilizada enquanto determinado processo está em fase de elaboração de decisão ou de ato administrativo. No caso em questão, porém, o bloqueio alcança informações relacionadas à contratação de serviços de viagem.
O novo registro chama atenção porque surge em um cenário no qual o TCE-RJ já havia questionado justamente a falta de transparência em despesas desse tipo.
A fiscalização do tribunal colocou sob análise processos de viagens internacionais e gastos com diárias e passagens que não estavam integralmente disponíveis para consulta pública.
Agora, mesmo com o histórico de cobranças, a Casa Civil mantém restrito um novo processo que contém documentos relacionados a passagens, bilhetes, vouchers e hospedagem.
Por enquanto, ficam públicos o número do processo e a existência da tramitação. No entanto, destino, viajante, justificativa e custo continuam fora do alcance da consulta pública.
COM FÁBIO MARTINS



O governo do estado do Rio de Janeiro determinou a suspensão imediata de todas as licitações e contratos vinculados ao programa Estradas Agro RJ. A medida foi publicada no Diário Oficial e prevê uma revisão dos processos administrativos relacionados às ações do programa, com foco em conformidade, riscos, integridade e controles internos.
A decisão foi formalizada por meio da Resolução SEAPPADI Nº 02, assinada pelo secretário de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, Ricardo Augusto Rosa Mansur.
De acordo com a resolução, a suspensão alcança os processos relacionados à contratação direta, ao fornecimento de bens e à execução de obras e serviços de engenharia vinculados ao Estradas Agro RJ.
Em suma, os procedimentos ficam interrompidos enquanto a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior faz uma análise dos processos que estão sob sua responsabilidade.
A resolução determina a adoção de uma análise preventiva dos procedimentos administrativos, com o objetivo de verificar aspectos relacionados à conformidade e à integridade dos processos.
A medida também considera normas e decretos estaduais voltados ao fortalecimento da governança, da auditoria, da gestão de riscos e dos mecanismos de controle interno na administração pública.
Para realizar o trabalho, a secretaria deverá instituir um Grupo de Trabalho formado por técnicos da própria pasta e especialistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-RJ).
O grupo ficará responsável por auxiliar na avaliação dos processos vinculados ao programa, dentro da revisão determinada pela secretaria.

COM FÁBIO MARTINS



O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontou desvio de finalidade e outras irregularidades na execução do Projeto do Observatório Social da Operação Segurança Presente, parceria firmada entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Secretaria de Estado de Governo e a Secretaria de Estado da Casa Civil.
O projeto recebeu um acréscimo de R$ 141.087.659,00 em 2022. Segundo o TCE-RJ, não houve comprovação suficiente de que o aumento dos recursos fosse proporcional à expansão das atividades. A eventual existência de dano ao erário e o valor a ser ressarcido ainda serão apurados.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo plenário do tribunal em sessão realizada em 22 de julho, sob relatoria do conselheiro-substituto Christiano Lacerda Ghuerren.
O projeto começou em junho de 2021 e foi interrompido em dezembro de 2022.
O tribunal aponta que extensionistas, que deveriam atuar em atividades de caráter acadêmico-científico, passaram a desempenhar funções operacionais na Segurança Presente, substituindo agentes civis.
Para a Corte de Contas, a mudança desvirtuou a finalidade original do projeto, que passou a assumir atribuições próprias da operação de segurança pública.
A fiscalização também identificou irregularidades na gestão das despesas com pessoal. Entre os achados estão pagamentos a colaboradores acima do teto estabelecido para cargos comissionados da Uerj e um aumento de R$ 2 mil na remuneração do coordenador-geral apenas cinco meses após o início das atividades.
Outro ponto destacado pelo TCE-RJ foi o surgimento de 30 colaboradores com remuneração de R$ 8 mil mensais nos meses de maio, junho e julho de 2022 — além de identificar pagamentos em duplicidade, ausência de pesquisa de mercado e falta de relatórios capazes de subsidiar efetivamente a gestão da segurança pública.
O aumento dos recursos ocorreu por meio da resolução conjunta entre a Secretaria de Governo e Uerj nº 58/2022, que autorizou o acréscimo de R$ 141.087.659,00 ao projeto.
De acordo com o TCE-RJ, não ficou demonstrada a proporcionalidade entre o aumento do orçamento e a expansão das atividades desenvolvidas. O valor, porém, não foi considerado pelo Tribunal como prejuízo já comprovado aos cofres públicos. A existência de eventual dano e sua quantificação serão objeto de uma apuração específica.
A Casa Civil instaurou uma tomada de contas especial, registrada no processo SEI-150001/005767/2026, para aprofundar a investigação, identificar os responsáveis e quantificar eventual dano ao erário. O tribunal determinou ainda que a Casa Civil encaminhe a conclusão do procedimento assim que ele for encerrado.
O acórdão também determinou a notificação dos gestores que estavam à frente dos órgãos envolvidos na execução do projeto: o ex-reitor da Uerj Ricardo Lodi Ribeiro, o ex-secretário de Governo Rodrigo Bacellar e o ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione.
Os três foram notificados de que a instauração da tomada de contas especial interrompe o prazo de prescrição das pretensões punitivas e ressarcitórias relacionadas aos fatos apurados.
Com a decisão, o processo da representação foi arquivado. A apuração sobre eventual dano financeiro e as possíveis responsabilidades, no entanto, continuará na tomada de contas especial.
Após a conclusão do procedimento, os resultados deverão ser encaminhados ao TCE-RJ, que poderá analisar em processo próprio a existência de dano ao erário e eventual responsabilização dos envolvidos.
COM FÁBIO MARTINS



A Justiça do Rio manteve, neste domingo (23), as prisões temporárias dos entregadores de aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, acusados de participação no espancamento que resultou na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada à tarde.
No sábado (22), a Justiça já havia mantido as prisões temporárias dos outros dois envolvidos identificados no caso: os seguranças de rua Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias.
Os quatro estão custodiados no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte.
As prisões dos entregadores foram mantidas pelo juiz Rafael de Almeida Rezende, da Central de Audiência de Custódia da Capital. O magistrado considerou que os mandados foram regularmente expedidos e continuam dentro do prazo de validade.
Cláudio Rafael foi espancado na noite de 11 de agosto, em Copacabana, após ser confundido com um ladrão. Segundo as investigações, ele foi abordado e espancado por seguranças de rua e pelos dois entregadores.
O ciclista, que tinha transtornos psicológicos, não resistiu aos ferimentos e morreu após as agressões. A Polícia Civil identificou os entregadores a partir de imagens que registraram parte da ação.
As investigações também apontaram que um dos seguranças envolvidos chegou a ser preso sob suspeita de participação em uma tentativa de roubo da bicicleta de Cláudio Rafael.
O caso segue sob investigação para esclarecer a dinâmica das agressões e a responsabilidade de cada um dos envolvidos.
Com informações do jornal “O Globo”.
A implementação de políticas públicas para a população em situação de rua no Rio voltou a entrar na mira do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Defensoria Pública do Estado (DPRJ).
Os três órgãos pediram à Justiça Federal uma nova audiência conciliatória para cobrar a adequação do município às diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF), na ADPF 976.
Na petição, os órgãos afirmam que a Prefeitura do Rio descumpre diversas determinações do Supremo, como a aplicação da Política Nacional para a População em Situação de Rua e a produção de um diagnóstico detalhado sobre este grupo.
Um dos problemas apontados é a ausência do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento (Ciamp-Rua). Previsto em lei municipal desde 2018, o colegiado nunca foi instalado sob a justificativa de falta de regulamentação, argumento rejeitado pelos autores da ação.
O documento reúne dados para demonstrar que a infraestrutura municipal não acompanhou o crescimento da demanda. Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas, o contingente de pessoas em situação de rua na cidade saltou de 125 em 2012 para mais de 8 mil em 2021.
Em contrapartida, o município mantém os mesmos 14 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) desde 2010, além de contar com apenas cinco unidades de acolhimento para adultos e dois Centros Pop.
Relatórios de auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) também constataram falhas na execução das políticas para população em situação de rua já existentes. Entre aas irregularidades estão a falta de metas claras e a baixa execução orçamentária. No programa Abraço Carioca, por exemplo, o município criou apenas 510 das 3 mil vagas de acolhimento prometidas originalmente.
Por fim, os órgãos citam um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em maio de 2026 entre o município e o Ministério Público estadual para tratar de políticas para a população em situação de rua.
A ação defende que o TAC não substitui a ação civil pública. A petição qualifica o acordo como uma lista de intenções formais, elaborada sem a participação da sociedade civil e sem metas concretas ou orçamento definido. Por isso, o MPF e as Defensorias pedem uma nova audiência. A Justiça Federal ainda vai analisar o pedido.
O vereador do Rio Paulo Messina (PL) publicou um vídeo nas redes sociais pedindo votos para dois candidatos do arquirrival PSD nas eleições de outubro, indo contra determinação de seu próprio partido.
Messina diz apoiar a candidatura de seu colega de Câmara e líder do governo Márcio Ribeiro (PSD), que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, e a do deputado estadual Guilherme Schleder (PSD), que busca a reeleição.
No vídeo, publicado nos perfiis dos três, o vereador do PL aparece ao lado dos candidatos e destaca uma de suas principais bandeiras: a defesa e cuidado com famílias atípicas.
Paulo Messina destaca a importância do trabalho do Centro Integrado de Atenção às Pessoas com Deficiência (Ciad) como rede de apoio para famílias de pessoas com deficiência e neurodivergentes.
Segundo Messina, pai de dois jovens com autismo, a evolução do Ciad tem a “marca desses dois grandes caras”, em referência a Schleder e Ribeiro. Os três também afirmam que a união em torno da causa das pessoas neurodivergentes é o que faz a diferença.
“Eu fico à vontade para votar e para indicar porque eu sei que eles trabalham”, afirma Messina no vídeo.
Na legenda da publicação, também há pedidos de voto para Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do estado, e Pedro Paulo (PSD), que disputa uma vaga no Senado.
O posicionamento contrasta com as candidaturas apoiadas pelo PL, partido de Messina, que lançou nomes próprios para os principais cargos em disputa nas eleições de outubro. O PL, inclusive, já baixou ordem unida, proibindo seus filiados de fazerem campanha por candidatos de outros partidos.
Nos comentários, o vereador reforçou sua posição e voltou a pedir votos para os dois candidatos do PSD.
“Numa eleição em que eu vejo tanto candidato por aqui no Rio colocando lacinho da nossa causa no material dizendo que luta por nós e NUNCA produziu nada, é obrigação de quem conhece se posicionar. 💙 Isso sem contar os absurdos que vieram à tona após a posse do governador interino. Pelas nossas famílias. Minha posição”, escreveu.

O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) suspendeu a decisão que havia autorizado Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança a retornar ao Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
A residência, onde o príncipe afirma morar desde que nasceu, pertence à Companhia Imobiliária de Petrópolis, que tem entre seus sócios o pai dele, Pedro Carlos de Orléans e Bragança, e os tios Afonso e Francisco de Orléans e Bragança.
Em 16 de julho, o TJ-RJ suspendeu a liminar que havia garantido a Dom Pedro Tiago a reintegração de posse do palácio. Com a decisão, a Justiça de Petrópolis determinou a expedição de um novo mandado de reintegração, desta vez em favor da companhia.
A disputa se intensificou após um episódio em 9 de junho. Dom Pedro Tiago afirma que saiu do palácio para fazer exercícios e, ao retornar, foi impedido de entrar por seguranças que disseram estar a serviço da companhia imobiliária.
O príncipe teria contornado a construção e conseguido acessar o imóvel, onde permaneceu por temer pela própria segurança.
A Polícia Militar foi acionada pelos seguranças. Segundo a corporação, agentes do 26º BPM (Petrópolis) foram chamados para atender a uma ocorrência de invasão de residência.
De acordo com o processo, bombas de gás lacrimogêneo teriam sido lançadas contra Dom Pedro Tiago, e marcas no chão foram apontadas como evidência da ocorrência. A confusão terminou na delegacia.
No dia seguinte, acompanhado de advogados, o príncipe tentou voltar ao imóvel, mas não conseguiu entrar. As fechaduras haviam sido trocadas.
Os advogados de Pedro Tiago entraram com uma ação de reintegração de posse contra a Companhia Imobiliária de Petrópolis.
Na primeira decisão, o juiz Adriano Loureiro Binato de Castro, da 2ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis, entendeu que Dom Pedro Tiago havia comprovado que ocupava o imóvel e que havia sido retirado da posse.
O magistrado ressaltou que, embora o palácio pertença à companhia, a empresa não poderia retirar o ocupante do imóvel por conta própria.
A decisão estabelecia multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 100 mil, em caso de descumprimento. O juiz também determinou o envio de peças do processo ao Ministério Público para apuração de possíveis ilícitos penais relacionados aos fatos relatados.
Após a decisão, Dom Pedro Tiago voltou ao palácio mas, segundo seus advogados, encontrou parte de seus pertences do lado de fora, incluindo roupas, um tablet, bicicletas, um carro e um quadro.
Em nota divulgada pela Casa Imperial do Brasil na época, o príncipe afirmou ter sido impedido de acessar pertences pessoais, documentos e instrumentos de trabalho.
A Companhia Imobiliária de Petrópolis recorreu da liminar que havia permitido o retorno do príncipe. O TJ-RJ acolheu o recurso e suspendeu os efeitos da decisão anterior.
Em 16 de julho, a Justiça de Petrópolis recebeu a determinação e ordenou seu cumprimento. O despacho prevê a expedição de um novo mandado de reintegração de posse em favor da companhia.
O documento também determina o levantamento do segredo de Justiça do processo.
Além da ação de reintegração de posse, Dom Pedro Tiago move uma ação de usucapião contra a Companhia Imobiliária de Petrópolis. No processo, ele afirma ocupar o imóvel desde 1980, ano de seu nascimento, e exercer a posse de forma mansa e pacífica há mais de três décadas.
A companhia afirma ser a proprietária do palácio. Em documento apresentado à Justiça, reconheceu que o imóvel é ocupado há muitos anos por integrantes da Família Imperial, mas sustentou que poderia adotar medidas para proteger os interesses da empresa.
Com informações do jornal “O Globo”.
Nos grandes eventos políticos deste sábado (22), os dois principais campos da disputa pelo Palácio Guanabara deixaram claro que a campanha eleitoral de 2026 será, principalmente, um duelo de narrativas sobre quem é responsável pela crise do Rio. Se alguém ainda tinha dúvida sobre o desenho da eleição para o governo do estado, os discursos de Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) ajudaram a resolver.
Em palanques simultâneos — mas em pontos opostos da capital — os dois apresentaram praticamente duas versões do estado. E, principalmente, dois culpados diferentes para os problemas do Rio.
Paes subiu ao palco em Moça Bonita, em Bangu, ao lado do presidente Lula, para dizer que o estado precisa ser salvo da herança dos governos estaduais ligados ao campo bolsonarista.
Ruas, em espetáculo no Maracanãzinho com Flávio Bolsonaro, fez o movimento inverso: apresentou-se como a ruptura com aquilo que chamou de política dos últimos 30 anos e transformou Paes, Lula e o PT nos símbolos do modelo que pretende combater.
É quase uma campanha de espelhos.
Paes fez um discurso muito menos programático e muito mais político. Gastou boa parte de sua fala explicando a aliança com Lula, que remonta à eleição municipal de 2008, e tentando dar um significado maior à união de PSD, PT e outros partidos.
“O que nós estamos fazendo aqui não é uma aliança de iguais”, afirmou.
A ideia central foi a de uma frente ampla para “salvar o Rio”. E, nesse ponto, não economizou munição contra o grupo político adversário. Disse que o estado chegou ao “fundo do poço” e reproduziu uma imagem ainda mais gráfica, usada pelo juiz Marcelo Rubioli na sentença sobre o Instituto Rio Metrópole: debaixo do fundo haveria uma “caixa de gordura”.
“O crime organizado sentou no Palácio Guanabara”, disparou.
Paes citou Rodrigo Bacellar, que definiu como o candidato que seria apoiado pelo PL e pelo grupo Bolsonaro, e procurou colar seus adversários aos governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro. Também recuperou um clássico da retórica eleitoral: quem governou antes não pode aparecer agora como solução.
“Eles elegeram o Witzel e o Cláudio Castro e têm a cara de pau de dizer que vão resolver o problema agora”, afirmou.
Se Paes concentrou fogo na crise política e institucional do Estado, Douglas Ruas falou mais sobre propostas concretas. Segurança, educação profissionalizante, saúde regionalizada, políticas para mulheres e inclusão de pessoas com deficiência ganharam espaço no discurso.
Prometeu colocar qualificação profissional já no primeiro ano do ensino médio e fazer com que os jovens terminem a escola com “um diploma e uma profissão”.
Na saúde, apresentou a proposta dos Centros Integrados Regionais, reunindo especialistas, exames de imagem e pequenas cirurgias próximos da população.
Também dedicou uma longa passagem às mulheres, defendendo autonomia financeira como instrumento de combate à violência doméstica.
Mas foi quando entrou no terreno dos costumes e do gasto público que o discurso ganhou temperatura. Ruas atacou os gastos da Prefeitura do Rio com grandes eventos e camarotes.
“Tem dinheiro pra show da Madonna, tem dinheiro pra farra de camarote na Sapucaí”, disse.
E encontrou uma frase feita sob medida para circular nas redes sociais:
“Eu quero um show de segurança no Rio! Eu quero um show de educação! Eu quero um show de saúde!”
No “show” imaginado por Ruas, acrescentou, o protagonista não seria Madonna nem Eduardo Paes, mas “o cidadão do Estado do Rio de Janeiro”.
Os dois discursos também acabaram funcionando como declarações de dependência política — mas de polos opostos. Ruas contou que aceitou a candidatura depois de receber uma missão de Jair Bolsonaro e encerrou pedindo votos para Flávio Bolsonaro à Presidência.
Trouxe ainda para o centro do discurso o lema:
“Deus, pátria, família e liberdade”.
Paes fez exatamente o movimento contrário. Construiu quase toda a introdução em torno de sua relação com Lula e chegou a dizer que uma recuperação do estado dependerá diretamente da parceria com Brasília.
“Nós não vamos salvar o Rio de Janeiro sem a ajuda do presidente do Brasil”, afirmou.
Em outra passagem, brincou que sabe arrancar recursos de Lula “como ninguém”.
“Elejam Lula, me elejam, que vocês vão ver em 2030: não vai ser uma folha só não, vai ter uma Bíblia”, disse, referindo-se à lista de investimentos federais no Rio.
Há ainda uma diferença de biografia que os dois começaram a explorar.
Paes vende experiência.
Recordou 2008, 2020 e 2022, falou de alianças construídas ao longo de quase duas décadas e se apresentou como alguém capaz de unir forças políticas diferentes e obter recursos em Brasília.
Ruas vende exatamente o contrário: renovação.
Aos 37 anos, apresentou-se como integrante de uma geração que cresceu “ouvindo as promessas” dos adversários.
“Não estou aqui pra ser mais um na história do nosso estado que faz promessas, promete mudança e depois entrega desculpa”, afirmou.
É uma diferença que provavelmente será explorada até outubro.
Para Paes, experiência significa capacidade de governar. Para Ruas, significa representar o passado que precisa ser superado.
Curiosamente, os dois também tentaram se apropriar do Rio que existe longe dos cartões-postais.
Ruas falou diretamente de Zona Norte, Zona Oeste, Baixada, São Gonçalo e interior, contrapondo esse território ao “Rio da orla da Zona Sul” e da Lagoa Rodrigo de Freitas. Chamou essa realidade de “Rio real”.
Paes escolheu justamente Bangu, na Zona Oeste, para fazer seu grande ato com Lula e insistiu na ausência do Estado em territórios dominados pelo crime organizado.
Ou seja: ninguém quer deixar para o adversário o eleitor que mora longe da praia.
No discurso deste sábado, Paes tentou transformar a eleição em um julgamento dos governos Witzel e Castro e do campo político que os elegeu.
Ruas tentou transformá-la em um julgamento de Paes, Lula, PT e de uma classe política que, segundo ele, governa o Rio há décadas sem resolver seus problemas.
Um diz que o adversário representa a continuidade de quem levou o estado ao fundo do poço.
O outro diz que o adversário representa justamente os mesmos políticos que estão no poder há 30 anos.
Paes promete experiência, articulação com Brasília e reconstrução institucional.
Ruas oferece renovação, conservadorismo, descentralização dos serviços públicos e confronto com aquilo que chama de desperdícios e prioridades erradas do poder público.
E ambos já escolheram padrinhos muito maiores que o Palácio Guanabara.
De um lado, Lula.
Do outro, Bolsonaro.
A eleição fluminense começou com sotaque carioca — mas, pelos discursos deste sábado, será impossível separá-la da briga nacional.
Um grupo de 58 agentes públicos aparece formalmente ligado a mais de 500 contratos ativos cada no Estado do Rio de Janeiro. O dado faz parte do Relatório de Fiscal de Contratos da Controladoria-Geral do Estado, atualizado em 25 de maio de 2026, que reúne 32.615 acordos e os nomes de 1.498 fiscais distribuídos por 104 unidades estaduais.
O fiscal de contrato é o agente designado pela administração pública para acompanhar a execução de uma contratação. Entre suas atribuições estão verificar se a empresa cumpre as obrigações assumidas, se os serviços são prestados regularmente, se os bens são entregues e se as demais condições previstas no acordo são respeitadas.
Difícil é fiscalizar direito cada etapa do processo com tantos contratos sob a responsabiliade de uma pessoa só.
Dos 32.615 contratos identificados na base, 20.824 estavam classificados como ativos. Outros 10.215 apareciam como “Em Aberto”, 665 estavam encerrados e 317, cancelados. Os 594 restantes estavam em fases como liberação, alteração, aprovação ou publicação no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Como um contrato pode ter vários fiscais designados, o relatório registra 194.742 vínculos entre agentes e contratações. Entre os que estão ativos, foram encontrados 139.377 vínculos, envolvendo 1.286 pessoas.
A distribuição dessas designações é bastante desigual. Metade dos agentes ligados a contratos ativos aparece em até oito contratos, enquanto 58 nomes — cerca de 4,5% do grupo — estão associados a mais de 500 contratações cada.
Francisco José Magalhães Pinheiro lidera a relação, com 3.918 contratos ativos. Na sequência aparecem Daniela Maria Rodrigues Ramos, com 3.863; Adilson dos Santos, com 3.812; Adriana Nery da Silva, com 3.498; e Thais de Oliveira Marques, com 3.491.
O Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj, é a unidade com mais acordos ativos registrados: 4.161. O Fundo Estadual de Saúde aparece em segundo lugar, com 3.481, seguido pelo Fundo Especial do Corpo de Bombeiros, com 2.351.
O levantamento permite identificar quem foi formalmente designado e em quais órgãos estão concentradas as contratações. Os números, no entanto, não demonstram, isoladamente, que os servidores acompanhem pessoalmente todas as etapas dos milhares de acordos aos quais estão vinculados.
A base também não informa carga horária, formação profissional, divisão interna das tarefas ou quantidade de fiscais efetivamente atuando em cada momento. Por isso, o volume de vínculos pode servir como ponto de partida para avaliar a estrutura de fiscalização, mas não permite concluir, por si só, que exista sobrecarga ou falha no acompanhamento.
Fonte: Relatório de Fiscal de Contratos da Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro, atualizado em 25 de maio de 2026.