O presidente Lula (PT) e o candidato ao governo do estado do Rio Eduardo Paes (PSD) lançaram oficialmente suas campanhas num grande ato político neste sábado (22), no estádio de Moça Bonita, em Bangu, Zona Oeste do Rio. Diante de milhares de apoiadores, os dois reforçaram a aliança construída desde 2008 e defenderam a união entre os governos federal e estadual como caminho para recuperar o estado.
A agenda também serviu para apresentar as candidaturas ao Senado de Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD). O evento contou ainda com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), além de outros candidatos e líderes políticos.
Nos discursos, marcados por críticas à atual situação do estado e pela defesa de uma maior articulação com o governo federal, Paes e Lula destacaram o combate ao crime organizado, a recuperação das políticas sociais e a necessidade da aliança entre os dois para melhorias no estado fluminense.
A expectativa era reunir até 50 mil pessoas dentro e nos arredores do estádio, onde foram montados um palanque e telões para acompanhar os discursos.
Aliança do PT e do PSD no Rio
Primeiro a falar no ato, o prefeito carioca Eduardo Cavaliere destacou a importância da união entre o presidente Lula e do ex-prefeito e candidato ao governo do estado Eduardo Paes para o estado.
Segundo ele, os dois já mostraram que, quando trabalham junto, a população do Rio que sai ganhando. Como exemplo, Cavaliere citou a inauguração do Centro Carioca de Saúde em Benfica, Zona Norte, durante o início da terceira gestão de Lula na presidência, quando Paes ainda era o prefeito da capital.

Pedro Paulo e Benedita defendem união para tirar o Rio da crise
Subindo juntos no palco e discursando de mãos dadas, Pedro Paulo e Benedita, candidatos ao Senado, destacaram a necessidade de união entre os partidos para enfrentar os problemas do estado.
“Nós temos que estar unidos para tirar o Rio de Janeiro da maior crise da sua história”, afirmou Pedro Paulo.
O candidato do PSD também exaltou a parceria com a petista na disputa pelas duas vagas do Rio no Senado. Pedro Paulo disse ter “a maior honra” de caminhar ao lado da petista e destacou a trajetória política da candidata.
“Nós temos que ocupar o espaço do Senado. Tenho a maior honra de caminhar ao teu lado. Você é uma mulher completa, cheia de significado, que acompanha muita luta e honra na sua história”, declarou.
Benedita defendeu a candidatura de Paes ao governo do estado e afirmou que ele tem experiência para promover mudanças no estado. “Eduardo Paes foi o melhor prefeito que tivemos aqui, e temos certeza de que, como governador, ele vai fazer a diferença”, disse.
A candidata também destacou a aproximação entre PT e PSD na eleição e afirmou que a parceria com Lula e Paes pode ampliar a capacidade de investimento no estado.
“Nós nos unimos para fazer esse Brasil cada vez mais gigante, nos unimos para fazer o estado do Rio mais livre. E sabemos que nosso governador Eduardo Paes de mãos dadas com nosso presidente Lula já fizeram muita coisa e vão fazer muito mais”, declarou.

Paes reforça aliança com Lula e diz que ela é necessária para recuperar o Rio
Em seu discurso, Eduardo Paes destacou a aliança política construída com Lula desde 2008 e afirmou que a parceria entre os dois deixou de ser apenas eleitoral e se consolidou também no campo pessoal.
“O que nós estamos fazendo aqui não é uma aliança de iguais. Eu e Lula viramos amigos, gosto de estar com o Lula e sei que o Lula gosta de estar comigo”, disse.
Apesar da proximidade pessoal, o candidato afirmou que a parceria entre os dois é sustentada principalmente por uma visão política comum: “A gente aprendeu que ou a gente se unia, ou a gente se esforçava, ou as forças que faziam muito mal à política iam destruir aquilo que nós havíamos construído”.
Ao falar sobre as prioridades para o Rio, o ex-prefeito carioca afirmou que o estado chegou ao “fundo do poço” e colocou o combate ao crime organizado como uma das principais razões para a aliança com o presidente petista.
O candidato fez críticas à atual situação política do estado e citou a prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, a quem atribuiu ligações com o Comando Vermelho. Paes afirmou que o cenário vai além de casos tradicionais de corrupção.
Paes disse que, apesar das diferenças políticas entre PT e PSD, o grupo tem um objetivo comum: recuperar o estado. “O que nos une hoje, com nossas diferenças, é o desejo de salvar o Rio de Janeiro e a compreensão do Lula de que o Brasil não se salva se o Rio não se salvar”, declarou.
“Nós não vamos salvar o Rio de Janeiro sem ajuda do presidente do Brasil. Não vamos salvar o Rio se não tiver gente defendendo a gente no Senado Federal, para ajudar o Lula e ajudar o Rio”, afirmou.
Ao final, Paes associou a estratégia eleitoral à construção de uma base política capaz de sustentar seu eventual governo. “Por isso a gente está unido, por isso que estamos aqui fazendo campanha pelo Lula, por mim, pela Benedita e pelo Pedro Paulo”, concluiu.

Lula diz que Paes é uma ‘necessidade’ para o Rio
Lula também dedicou boa parte do discurso à relação construída com Eduardo Paes e afirmou que a aproximação entre os dois começou em 2008, apesar das diferenças políticas que existiam naquele momento. O presidente contou que, inicialmente, os dois não tinham uma boa relação, mas acabaram se aproximando por circunstâncias políticas.
Segundo Lula, a aliança atual vai além da amizade entre os dois e tem como principal objetivo atender aos interesses do estado. “Às vezes a gente deixa de pensar no todo, só pensa no próprio umbigo. A gente não escolhe irmão, a gente não escolhe amigo. Eduardo Paes não é apenas meu amigo, ele é uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro”, declarou.
O presidente também elogiou a atuação de Paes à frente da Prefeitura do Rio e destacou a capacidade de gestão do candidato ao governo do estado. Lula ainda citou Eduardo Cavaliere, atual prefeito da capital, e disse esperar que ele consiga superar os resultados da atual gestão.
Lula também pediu votos para Pedro Paulo e Benedita da Silva e defendeu a formação de uma bancada alinhada ao projeto político apresentado no ato. “Não está em jogo minha relação de amizade com quem quer que seja, está em jogo o que a gente quer que seja melhor para o Rio, quem é melhor para ajudar o Rio. Pedro Paulo merece toda minha confiança”, disse.

Presidente fala em tirar o Rio das páginas policiais e elogia Ricardo Couto
Ao defender a candidatura de Paes, Lula afirmou que o estado precisa mudar a imagem associada à violência e aos escândalos políticos. O presidente disse ainda que pretende se empenhar pessoalmente para ajudar Paes caso ele seja eleito governador. “Eduardo Paes, estarei empenhado de corpo e alma para que você possa dar sequência ao trabalho”, afirmou.
Lula aproveitou sua fala para fazer referência ao governador em exercício Ricardo Couto, que assumiu o comando do estado após a saída de Cláudio Castro (PL), e disse que ele iniciou um processo de “limpeza” que deverá ser continuado por Paes.
“Deus nos deu um homem chamado Ricardo Couto. Nosso governador. Um homem que jamais pensou em ser governador, nunca foi filiado a partido político. Mas quis a política e quis Deus que estava na hora do Rio de Janeiro de ter alguém que moralizasse esse estado”, disse.
Na avaliação de Lula, a próxima gestão deverá dar continuidade a esse processo e trabalhar pela recuperação do estado. “Queria dar meus parabéns a Ricardo Couto, que começou uma limpeza que você [Eduardo] vai ter que continuar quando for eleito”, afirmou. Em seguida, resumiu seu compromisso com o candidato: “Ajudar você a reconstruir o Rio de Janeiro”.
Além da eleição no Rio, Lula concentrou parte do discurso na educação e afirmou que pretende ampliar as oportunidades para pessoas que ainda não tiveram acesso a uma profissão. O presidente defendeu investimentos em escolas de tempo integral, universidades e institutos federais como forma de reduzir, no futuro, a necessidade de gastos com o sistema prisional.

































































