Dois deputados estaduais reeleitos pelo PL, Jair Bittencourt e Chico Machado, usaram a primeira sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) após as eleições para defender o ex-presidente Rodrigo Bacellar, preso desde março por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ambos fizeram uma contestação rara — assim como o senador eleito Carlos Jordy (PL) — e afirmaram não acreditar que o ex-deputado tenha qualquer ligação com o Comando Vermelho.
Bacellar é réu por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. A denúncia da aponta que ele teria participado de ações para atrapalhar a Operação Zargun, que investigava atividades ligadas ao CV e tinha entre os alvos o ex-deputado TH Joias, apontado como integrante ou aliado da facção.
Bacellar ‘não teve e não tem nada com o tráfico de drogas’, afirma deputado
Jair Bittencourt, que é da mesma região que acusado, afirmou que nunca viu qualquer elemento que, na avaliação dele, ligasse o ex-presidente da Alerj ao crime organizado ou ao tráfico de drogas.
“Eu nunca vi nada que desabonasse ao deputado Rodrigo Bacellar no que diz a crime organizado ou tráfico de drogas”, disse.
Ao comentar o episódio que levou à investigação, ele afirmou que o deputado pode ter cometido apenas “obstrução de Justiça”.
Jair também criticou a forma como a Assembleia e seus integrantes foram tratados durante a campanha eleitoral. Segundo ele, eventuais crimes devem ser individualizados e investigados, sem que toda a Casa seja colocada sob suspeita.
Chico Machado compara situação atual com a ditadura militar no Brasil
Na sequência, Chico Machado também fez uma defesa de Bacellar. O deputado afirmou que é amigo pessoal do ex-presidente da Alerj e disse nunca ter visto indícios de ligação do colega com a facção.
“Até hoje eu não vi um áudio da ligação do ex-presidente com o Comando Vermelho. Eu até hoje não vi nada escrito ou digitado pelo ex-presidente Bacellar que o comprometesse a ponto de estar hoje preso num presídio federal em Mossoró”, afirmou.
Chico também criticou a “atuação do STF” e comparou a situação atual à ditadura militar. O deputado questionou as duas prisões sofridas pelo ex-deputado e afirmou que a Justiça não poderia permitir que alguém fosse “julgado, condenado e preso” sem, segundo ele, o devido processo legal.
Prisão de Bacellar
Rodrigo Bacellar foi preso pela primeira vez em dezembro de 2025, em uma investigação sobre suposta obstrução de uma operação que apurava integrantes do Comando Vermelho. Após a Alerj derrubar a prisão através do voto em plenário, ele foi solto, mas voltou a ser preso em março deste ano, após perder o mandato de deputado estadual por um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente da Alerj por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia, e o processo segue em andamento.






















































