Os candidatos do Rio de Janeiro que buscam uma vaga no Senado concentram um patrimônio bem superior ao declarado pelos próprios titulares das chapas na eleição de 2026. Levantamento feito a partir das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral mostra que os 28 candidatos a primeiro e segundo suplentes somam R$ 137,02 milhões em patrimônio, enquanto os 14 candidatos titulares ao Senado declaram, juntos, R$ 9,07 milhões.
Em valores absolutos, portanto, o patrimônio dos suplentes é 15,1 vezes maior que o dos titulares, uma diferença de R$ 127,95 milhões. Como cada chapa possui dois suplentes para um titular, a comparação fica da seguinte forma: cada suplente declarou, em média, R$ 4,89 milhões enquanto cada candidato a senador declarou por volta R$ 647,7 mil. Se o cálculo for por pessoa, significa que o patrimônio médio dos suplentes é 7,6 vezes superior. O levantamento usa os dados de candidaturas e bens disponibilizados pelo TSE para as eleições de 2026, a plataforma DivulgaCand.
Maioria das chapas tem suplentes com rendimentos superiores aos candidatos titulares para o Senado
A diferença aparece também quando a análise é feita chapa por chapa. Em 11 das 14 candidaturas ao Senado, a soma dos patrimônios do primeiro e do segundo suplentes supera o valor declarado pelo titular. Apenas nas chapas de Marcos Dias e Michelly Xavier o titular possui patrimônio maior. Na chapa de Monica Benicio, os três integrantes não declararam bens à Justiça Eleitoral.
O caso mais extremo é o de Marcelo Crivella. O ex-prefeito declarou apenas R$ 5.084,74, enquanto seus dois suplentes somam R$ 91,16 milhões. Quase todo esse valor pertence ao segundo suplente, Francisco Eugenio, que declarou R$ 91.160.770,15, incluindo R$ 42,67 milhões em cotas de empresas, R$ 27,03 milhões em fundos e aplicações e R$ 20,80 milhões em direitos creditórios.
Outra diferença expressiva aparece na chapa de Carlos Jordy. O candidato do PL declarou R$ 35,2 mil, enquanto seus suplentes, Lucimar Ferreira e Zé Augusto Nalin, somam R$ 12,02 milhões — valor cerca de 341 vezes maior. Nalin sozinho declarou R$ 11,46 milhões.
Na chapa de Pedro Paulo, os suplentes Miro Teixeira e Savio Neves acumulam R$ 12,26 milhões, contra R$ 1,80 milhão do titular. Na de Benedita da Silva, Manoel Severino e Kleber Lucas somam R$ 9,40 milhões, ante R$ 1,30 milhão da candidata.
O resultado também não depende exclusivamente da fortuna de Francisco Eugenio. Se o segundo suplente de Crivella for retirado integralmente da conta, os outros 27 suplentes ainda somam R$ 45,86 milhões. Nesse cenário, o patrimônio médio cai para R$ 1,70 milhão por suplente, mas continua sendo 2,6 vezes o patrimônio médio dos candidatos titulares.
Os valores são os declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e refletem a base disponível em 13 de agosto de 2026. Como os pedidos de registro ainda aparecem em análise, as declarações podem ser corrigidas durante o processo eleitoral.


COM FÁBIO MARTINS






















































