Foi normalizada na madrugada desta quarta-feira (26) a operação do Sistema Guandu, que atende à rede de abastecimento de água na capital e em municípios da Baixada Fluminense. Na terça (25), as concessionárias de água do Rio aproveitaram a manutenção do sistema, realizada pela Cedae, para realizar uma série de intervenções nas redes de distribuição que atendem à região.
As ações, que ocorreram de forma simultânea em diferentes regiões, tiveram como objetivo reforçar a operação, reduzir perdas e melhorar o fornecimento em áreas historicamente mais sensíveis, como móveis na ponta da rede ou em terrenos mais elevados.
A Águas do Rio, que atende boa parte da capital, realizou cerca de 90 intervenções durante a manutenção. Novos sistemas de bombeamento e válvulas foram instalados em bairros da Zona Sul, Grande Tijuca e comunidades próximas. Já a Rio+Saneamento, que atua em parte da Zona Oeste, realizou 40 intervenções, incluindo troca de registros, reparos e instalação de equipamentos automatizados. A Iguá Rio, que também atende à região, realizou obras, mas não entrou em detalhes sobre as ações.
Mesmo após normalização do Guandu, bairros ainda podem sentir efeitos e falta d’água temporariamente
A normalização do fornecimento ocorre de forma gradual ao longo de 72 horas. Por mais que a operação do sistema tenha sido plenamente retomada durante a madrugada, o tempo para a pressurização da rede e as características do sistema de distribuição em cada localidade afetam o retorno. Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba devem ser os bairros mais afetados.
Ações aconteceram durante parada do Guandu para manutenção na terça (25) – Foto: Divulgação/Águas do Rio
Lindbergh Farias (PT), candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, foi quem mais gastou com anúncios relacionados a política e eleições nas plataformas da Meta no Rio de Janeiro na última semana. Entre 21 e 27 de agosto, a página do deputado federal registrou R$ 135,4 mil em impulsionamentos, segundo dados da Biblioteca de Anúncios da empresa.
No período, foram registrados R$ 1,46 milhão em gastos com anúncios no estado. Entre os dez maiores anunciantes, seis são candidatos de partidos de esquerda, sendo cinco do PT.
A Prefeitura do Rio aparece na segunda colocação, com R$ 74,8 mil em anúncios. Em seguida, estão Marina do MST (PT), candidata à reeleição para a Assembleia Legislativa, com R$ 40,9 mil, e Carol Sponza (Novo), candidata a deputada federal, com R$ 39,3 mil.
Ranking de impulsionamento semanal nas redes – Fonte: Meta
Depois aparecem Leonel de Esquerda (PT), que disputa uma vaga na Alerj, com R$ 36,1 mil; Lilian Behring (PCdoB), que tenta renovar o mandato na Assembleia, com R$ 34,6 mil; Tainá de Paula (PT), na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, com R$ 33,3 mil; e Marcelo Freixo (PT), que busca a reeleição em Brasília, com R$ 27,4 mil.
Na sequência estão Vinicius Cozzolino (PSD), candidato à reeleição como deputado estadual, com R$ 26,6 mil; e o deputado Poubel (PL), que tenta deixar a Alerj para chegar à Câmara, com R$ 23,9 mil.
Entre os dez primeiros, apenas Carol Sponza, Cozzolino e Poubel não estão em partidos de esquerda.
O novo presidente da Faetec, Eduardo Chow De Martino Tostes, não quer saber de ficar entre fogo cruzado.
O também defensor público comunicou, nesta sexta-feira (28), que a sede da fundação passará para o antigo prédio do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), no Centro. A mudança inclui a presidência, toda a diretoria, administração, recursos humanos…
Em Quintino, só vão permanecer os colégios e o Centro Vocacional Tecnológico (CVT).
Confronto de quarta acelerou o plano
Tostes disse aos servidores que a ideia já estava em pauta, mas que os eventos da última quarta-feira — quando 19 ônibus foram usados como barricadas nas ruas de Cascadura e Quintino, num confronto entre policiais e traficantes — precipitaram o processo de mudança.
Detalhe: a diretoria tinha carro blindado à disposição.
Um grupo de vinte pessoas foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros, na manhã deste domingo (30), após os banhistas ficarem à deriva na Praia do Pepê, na Barra da Tijuca. Eles pretendiam fazer uma travessia pelo mar rumo às ilhas situadas em frente ao 2º Grupamento Marítimo (2º GMAR), mas acabaram impedidos de voltar à costa após uma forte ventania que atingiu a região.
A mudança brusca nas condições do vento desviou os participantes em direção a São Conrado. O grupo à deriva era composto por pessoas com idades entre 20 e 67 anos. Guarda-vidas do 2º GMAR entraram no mar e conseguiram localizar os banhistas, que foram levados aos poucos até a faixa de areia.
Os vinte resgatados passaram por avaliação médica imediata no local e apresentavam boas condições de saúde. Ninguém precisou de transferência para unidades de saúde.
O ex-jogador Bebeto, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994, é alvo de uma cobrança judicial por débitos de condomínio de um imóvel no Condomínio Santa Mónica, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo o processo, ainda restam R$ 28.670,44 a serem pagos.
A dívida começou com 19 cotas condominiais em aberto — 11 referentes a 2025 e outras oito deste ano. Com a inclusão de honorários advocatícios e despesas judiciais, o débito chegou a R$ 67.049,30.
Bebeto e a mulher, Denise, chegaram a um acordo com o condomínio para parcelar o valor. No entanto, de acordo com a administração do residencial, o compromisso não foi cumprido integralmente. Ao longo da negociação, R$ 38.378,86 foram depositados judicialmente, mas o condomínio afirma que o montante não foi suficiente para quitar a dívida.
Condomínio pede bloqueio de dinheiro nas contas de Bebeto
Diante do saldo ainda pendente, o Condomínio Santa Mónica pediu à Justiça que determine a penhora online de valores nas contas de Bebeto e Denise até que o débito seja integralmente quitado. A ação tramita na 4ª Vara Cível da Leopoldina.
Durante o processo, Denise afirmou que não recebe os boletos das cotas condominiais e que, por esse motivo, não consegue efetuar os pagamentos restantes. A administração do condomínio, porém, contesta a justificativa.
Segundo o residencial, os boletos são enviados normalmente para o endereço de e-mail que está cadastrado no sistema do condomínio em nome de Denise.
Com informações da coluna do Ancelmo Gois no jornal “O Globo”.
De olho no eleitorado evangélico, é comum que existam candidatos que usam o título religioso no nome de campanha. Mas, de acordo com a plataforma DivulgaCand, a quantidade de pastores e bispos autodeclarados na disputa por uma cadeira na Alerj caiu 45,7% em 2026, se comparado com a eleição de 2022.
Na disputa deste ano, a quantidade total de pastores e bispos que levaram o título religioso para a urna foi de 19 candidatos. Ao todo, foram 16 pastores e três bispos. Já em 2022, essa quantidade foi de 35 candidatos, sendo 29 pastores, cinco bispos e um candidato que usava o termo “irmão” na urna.
Entre as candidaturas evangélicas femininas, a queda foi pequena. Em 2026, eram quatro pastoras e duas bispas, sete no total, apenas uma mulher a menos comparado com 2022, que teve a mesma quantidade de pastoras e três bispas, totalizando seis.
Guia eleitoral para igrejas evangélicas
Com o objetivo de orientar como deve ser o comportamento das igrejas evangélicas durante o período eleitoral, o trio formado pelo Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), William Douglas; pelo Mestre em Direito. Especialista em Direito Eleitoral e Promotor de Justiça Eleitoral e Criminal durante 26 anos, Francisco Dirceu Barros; e pelo advogado especialista em Direito Religioso, Eleitoral e Digital, Rafael Durand; lançou, no dia 4 de agosto, o “Guia Evangélicos & Eleições 2026. Guia Prático para Igrejas, Líderes e Candidatos”.
Com 56 páginas, a proposta do manual é a de ser “um guia de sobrevivência e de excelência para pastores, líderes, candidatos e cidadãos”. Além disso, traz situações de forma prática sobre o que é permitido e o que é proibido ser feito pelas igrejas durante essa época.
Sete linhas de ônibus que circulam por Campo Grande e bairros do entorno começam a receber veículos novos neste domingo (30). As linhas 808, 821, 822, 833, 841, 869 e 893 passam a operar com parte dos 54 ônibus zero quilômetro entregues pela Prefeitura do Rio neste sábado (29).
Os novos veículos têm ar-condicionado, tomadas USB, painéis eletrônicos, câmeras de monitoramento e sistemas de GPS e telemetria, que permitem acompanhar a operação em tempo real.
As linhas 808, 841 e 833, que já atendem a região, terão alterações de itinerário. A 808 passa a circular por Paciência, West Shopping, Estrada do Tingui e Avenida Brasil; a 841 será estendida até o CIEP 432 Alberto Cavalcanti; e a 833 também atenderá o Conjunto Campinho, pela Rua Frei Timóteo.
A operação também inclui as linhas 821 e 822, entre Campo Grande e Corcundinha; 869, entre Campo Grande e Santa Margarida; e 893, entre Jardim Palmares e Campo Grande.
Renovação da frota prevê mais 147 ônibus até dezembro e nova garagem para atender a operação em Campo Grande
A entrega dos 54 veículos em Campo Grande faz parte da primeira etapa de renovação da frota na região. Segundo a prefeitura, outros 147 ônibus serão incorporados até dezembro, chegando a 316 veículos nas áreas de Campo Grande e Santa Cruz.
Também neste sábado foi inaugurada a primeira garagem pública destinada à nova operação, na Estrada do Campinho, em Campo Grande. Com 56 mil metros quadrados, o espaço tem capacidade para receber até 380 ônibus urbanos e conta com áreas para abastecimento, lavagem e manutenção dos veículos, além de espaços de apoio para motoristas e equipes administrativas.
A estrutura tem iluminação no pátio para permitir a operação durante a noite e controle de acesso para veículos e funcionários.
Segunda etapa da licitação prevê mais mil ônibus para a Zona Oeste
A Prefeitura do Rio realizou na sexta-feira (28), na sede da Procuradoria Geral do Município, no Centro, a licitação da segunda etapa da nova concessão dos ônibus. Três lotes foram definidos e vão ampliar a frota que atende Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu.
Com a nova etapa, a previsão é que a frota dessas regiões passe de 654 para 1.006 veículos, um aumento de 54%.
A implantação começou pela Zona Oeste, região apontada pela prefeitura como uma das que enfrentavam os maiores problemas na operação dos ônibus municipais.
Na zona de xeque-mate: Flávio Bolsonaro vai priorizar Rio, São Paulo e Minas na campanha e planeja desembarcar por aqui mais quatro vezes até a eleição
No planejamento de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Rio, São Paulo e Minas Gerais são os três principais alvos.
Não à toa, os maiores colégios eleitorais.
Mas o Rio tem o adicional de ser o berço do bolsonarismo, e local onde deu o pontapé inicial da campanha. Daí que o moço planeja voltar a terras fluminenses mais quatro vezes até a eleição.
De Doutor Luizinho (PP) a Diego Quaquá (PT), passando por Hugo Leal (PSD), Rueda (União Brasil) e Bebeto (PP), o estreante João Drumond (PRD), neto do bicheiro Luizinho Drumond e apoiado por Anísio Abrão David, aparece em materiais de campanha e palanques com candidatos de todas as cores ideológicas — numa costura eleitoral que atravessa fronteiras partidárias.
Uma varredura no perfil do candidato mostra que o moço não está preso a poucas dobradinhas, como de praxe. Ao contrário: João Drumond aparece ao lado de aspirantes de diferentes partidos e campos políticos, em peças conjuntas, agendas e palanques.
A relação mais explícita é com Doutor Luizinho. Os dois aparecem juntos em diferentes materiais de campanha, inclusive com a mensagem “Juntos somos + fortes”. A parceria já foi tratada publicamente como dobradinha eleitoral.
Também aparece com força a composição com Hugo Leal. Os dois dividem o slogan “Juntos por um Rio de Janeiro mais forte” e já participaram de agenda conjunta em Petrópolis — reduto eleitoral do deputado federal candidato à reeleição.
Na lista entra ainda Rueda, o presidente nacional do União Brasil que aparece em material eleitoral ao lado de estreante; e o presidente estadual do PT, Diego Quaquá, incluído numa peça conjunta com João Drumond, Pedro Paulo e Eduardo Paes.
Já no caso de Bebeto, a aproximação vai além do santinho: Drumond aparece no palanque de um evento de campanha ao lado do candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.
Outras postagens que fazem referência à candidatura de João Drumond – Reprodução das redes sociais
João Drumond é candidato de primeira viagem
Há ainda dois nomes em zona de observação. Talita Galhardo (PSDB), teve material eleitoral compartilhado no perfil, mas sem uma peça conjunta que permita cravar a dobrada. Já Mariana de Souza (PP) foi apontada em manifestação do Ministério Público Eleitoral como politicamente alinhada a Drumond, embora ainda não tenha aparecido, no material analisado, em dobradinha tão explícita quanto as demais.
O desenho revela uma estratégia pouco ortodoxa: João Drumond, candidato de primeira viagem, filiado ao nanico PRD, divide palanque e material com federais de peso de PP, PSD, União Brasil e PT.
Drumond parece apostar menos na fidelidade partidária e ideológica — e muito mais na matemática territorial.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) rejeitou os recursos apresentados pelo ex-subsecretário municipal Abrahão Lincoln de Mello e pela Salgueiro Construções S.A. e manteve a condenação de ex-gestores, servidores e da empresa ao ressarcimento de cerca de R$ 34,6 milhões aos cofres de Duque de Caxias. A decisão foi tomada por unanimidade pelo plenário virtual da Corte.
O processo teve origem em auditorias realizadas pelo tribunal para apurar a execução do Contrato nº 19/2007, firmado para serviços de coleta de resíduos, limpeza e conservação de logradouros públicos. Segundo o TCE, houve superfaturamento decorrente da atestação de serviços de varrição em quantidade superior à efetivamente executada.
A decisão mantida pelos conselheiros estabelece quatro blocos de responsabilização solidária, com débitos que variam de R$ 3,4 milhões a R$ 14,7 milhões.
Entre os responsabilizados estão a fiscal do contrato, Edelza Alves de Vasconcelos; o ex-secretário municipal de Serviços Públicos Ronaldo Godinho Amichi; o ex-subsecretário Abrahão Lincoln de Mello; a ex-diretora do Departamento de Limpeza Urbana Susane de Oliveira Ferreira; e a Salgueiro Construções S.A., apontada como empresa contratada.
Ao analisar os embargos de declaração, o tribunal concluiu que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão anterior. No caso de Abrahão Lincoln, os técnicos entenderam que os argumentos apresentados buscavam apenas rediscutir o mérito da condenação, o que não é admitido nesse tipo de recurso.
A Salgueiro Construções também sustentou a ocorrência de prescrição. O argumento foi rejeitado após análise dos marcos processuais do caso. O TCE aplicou o entendimento consolidado pela Corte e as regras introduzidas pela Lei Complementar Estadual nº 220/2024, concluindo que os prazos foram interrompidos por sucessivas notificações e atos processuais desde 2018.
Com a manutenção da condenação, os responsáveis terão prazo de 15 dias para comprovar o recolhimento dos valores. Caso isso não ocorra, o tribunal já autorizou a cobrança judicial dos débitos e a adoção das medidas necessárias para inscrição em dívida ativa.
O cantor sertanejo Gustavo, de 43 anos, foi condenado a 28 anos de prisão pela morte a pancadas da companheira, Karen Mancini, de 39, ocorrida em abril de 2024, dentro da casa em que viviam em Lumiar, distrito de Nova Friburgo. O julgamento, que levou 13 horas, terminou na madrugada deste sábado (29), na 3ª Vara Criminal de Niterói.
“A sensação é de justiça sendo feita. Depois de dois anos, saiu um peso das minhas costas. Finalmente vou conseguir dormir de novo”, disse, emocionada, a irmã da vítima, Caroline Mancini, que não segurou as lágrimas quando a juíza Nearis dos Santos Arce leu a sentença.
Discussão que levou o dia inteiro
De acordo com o Ministério Público, a dinâmica no feminicídio começou na manhã de 19 de abril de 2024, uma sexta-feira, quando o casal começou a ter mais uma violenta discussão dentro de casa. Uma testemunha, vizinho que mora a 50 metros do casal, disse que ouviu berros durante todo o dia, com Gustavo, que na verdade se chama Clodoaldo Queiroz de Oliveira, dizendo a todo o tempo que ia embora, enquanto entrava e saía do carro. Isso ocorreu até o início da noite, quando o cantor finalmente foi embora. A testemunha disse que desde aquele momento não ouviu mais a voz de Karen.
Pouco mais de uma hora depois da partida, um motoboy chegou apavorado no portão da casa, chamando por Karen, sem obter resposta. Isso aconteceu porque Gustavo sofreu um acidente, caindo com o carro numa vala à beira da estrada, num local não muito distante da casa. O motoboy chamou o Samu para os primeiros socorros e, a pedido de Gustavo, foi alertar Karen, tendo ido à casa duas vezes, sem obter resposta.
Acidente de carro perto do local do crime
Uma outra testemunha, corretor que alugou a casa para Karen, contou que foi chamado por Gustavo no sábado pela manhã. O cantor ligou dizendo que havia sofrido um acidente e estava no Hospital Raul Sertã, em Nova Friburgo. Pediu ajuda para voltar para casa.
“Ele disse que estava preocupado porque a mulher não tinha notícias dele, ele estava com celular dela (não explicou o motivo). Pediu ajuda, mas antes quis passar no local do acidente para ver o carro. Cheguei a procurar nos bancos e no assoalho a carteira e o celular dele, mas não achei”, contou o corretor em seu depoimento no julgamento.
Um corpo frio no assoalho da casa
Do local do acidente, ainda segundo o corretor, ambos partiram para a casa de Karen. Gustavo entrou sozinho e demorou entre três e quatro minutos. Foi quando o corretor ouviu os gritos e entrou para ajudar.
“Ela estava deitada de bruços. Ele me pediu ajuda para virá-la. Ela estava roxa, o corpo frio”, lembrou o corretor.
Isso tudo aconteceu quase no fim da manhã. O local foi isolado, mas a perícia só feita por volta das 19h30. Fato que viria a amparar a tese da defesa.
114 ferimentos de pancada pelo corpo
Em sua sustentação, o promotor Diogo Erthal disse não haver dúvidas de que Karen foi brutalmente assassinada. E o autor foi Gustavo.
“Ela morreu de porrada. A perícia mostra que havia 114 ferimentos. Somente dez não eram recentes. É difícil saber o quanto ela sofreu. Quando ele foi para o hospital, ela poderia estar agonizando”, ressaltou o promotor.
Erthal disse que Gustavo foi matando Karen um pouco a cada dia desde que começaram a se relacionar. Mostrou aos jurados fotos do cadáver e também imagens dos resultados das agressões que teriam ocorrido ao longo do relacionamento. O casal vivia uma relação turbulenta desde quando se conheceram, em 2018, quando Karen viu Gustavo cantando num bar.
Relatos e inúmeras fotos de agressão
A irmã de Karen, Caroline, contou que ouviu vários relatos e viu inúmeras fotos com os resultados das agressões ao longo dos anos. Ela conta que tentou de tudo para afastar a irmã de Gustavo, mas eles sempre acabavam voltando. Karen chegou a ter medida protetiva contra o agressor.
Karen e Gustavo viviam relação conturbada, segundo testemunhas. Foto: reprodução
Caroline diz que a vida de Karen desmoronou a partir do momento em que conheceu Gustavo. A vítima havia enfrentado uma depressão após o término de um relacionamento, que piorou quando ela perdeu os pais num intervalo de três meses em 2018. A essa altura, já havia conhecido Gustavo.
“Ela se tornou dependente emocional dele”, disse Caroline.
De emprego público com bom salário a Pix de R$ 27
Segundo ela, a irmã, que tinha um ótimo emprego no Tribunal de Contas do Estado, começou a afundar financeiramente durante o relacionamento com Gustavo. Caroline disse ter contraído um empréstimo de R$ 50 mil para ajudar a irmã.
“Tempos depois, ela chegou a me pedir um Pix de R$ 27. Uma funcionária do TCE quase precisando mendigar para comer”, revoltou-se Caroline.
Rotina de remédios controlados e bebida alcoólica
A irmã da vítima disse ainda que viu várias vezes Gustavo incentivando Karen a tomar remédios controlados e misturar com bebida alcoólica. Segundo ela, nessas ocasiões ele aproveitava para deixar Karen dormindo e sair com o cartão de banco e o carro dela.
Caroline disse que, quando se deu conta, a situação estava tão insustentável que Karen sequer podia usar seu plano de saúde, por falta de pagamento. Foi por ocasião de sua primeira internação, após surto provocado por abuso de remédios e álcool. Ao todo, foram três internações.
80 pinos de cocaína que seriam do réu
Outras testemunhas reafirmaram o abuso de remédios e álcool por parte de Karen. Uma amiga, que chegou a morar com ela por alguns períodos, disse que todos a sua volta se preocupavam, e chegou a romper com ela devido à obsessão de Karen em se manter no relacionamento abusivo.
Caroline relatou que, após várias suspeitas, descobriu que Gustavo era viciado em cocaína e, numa busca pela casa, achou 80 pinos da droga. A informação em nenhum momento foi contestada pela defesa durante o julgamento.
Horário da morte vira argumento da defesa
Na hora de sustentar sua tese de inocência, a defesa se agarrou à hipótese de dúvida razoável, inclusive questionando os verdadeiros horários e dias da morte. Alegando que a rigidez cadavérica começa entre duas a quatro horas após o óbito, baseou-se no laudo do perito para abrir a possibilidade de a morte ter ocorrido no dia 20, não no dia 19. Nesse caso, Gustavo estaria, comprovadamente internado no hospital quando o óbito ocorreu de fato, que seria um fator que poderia inocentá-lo.
Uma das advogadas da defesa, que apresentou uma equipe de oito pessoas, levantou a hipótese de que convulsões ocasionadas pelo uso de álcool e remédios podem ter causados os ferimentos fatais em Karen. A defesa até sugeriu que quando o corretor tocou o corpo da vítima e sentiu que estava frio, a temperatura simplesmente poderia estar assim porque ela estava deitada no chão gelado. A hipótese levanta uma possibilidade macabra. De o local ter ficado isolado, enquanto Karen ainda agonizava, e os outros achavam que ela já estava morta. Em nenhum momento, porém, a defesa questionou o fato das agressões realizadas pelo cantor ao longo do relacionamento que deixaram marcas visíveis no rosto de Karen.
Muletas, falta de respostas e choro silencioso no fim
Gustavo ficou fora da sala de audiência durante mais da metade do julgamento, para não constranger testemunhas. Nos momentos em que ocupou seu lugar, permaneceu de cabeça baixa, quase sempre de olhos fechados.
O cantor estava de muletas. Alegou sofrer sequelas de um Acidente Vascular Encefálico que teria sofrido. Foi, aliás, esse o motivo alegado por ele para usar a prerrogativa de se manter em silêncio durante o julgamento e não ser inquirido nem pelo Ministério Público nem pela defesa. O promotor mostrou laudos em que alega não haver nenhum tipo de dano neurológico em Gustavo. A defesa não questionou isso.
Impassível a maior parte do tempo, finalmente chorou, em silêncio, depois de a sentença, que levou pouco mais de dez minutos entre a decisão dos jurados e a dosimetria da juíza, ser lida.