Cristiano Santos Hermógenes, irmão do traficante Marcinho VP, enfrenta uma nova batalha judicial em sua tentativa de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O candidato do Avante é alvo de uma ação que pede a impugnação de seu registro de candidatura sob a alegação de que sua participação na disputa eleitoral representaria uma tentativa de infiltração do Comando Vermelho nas instituições democráticas.
A ação foi protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) pelo candidato Gabriel Carvalho Gonçalves (Republicanos), adversário na corrida por uma vaga no parlamento estadual.
Candidato apontado como liderança do CV
O principal argumento da ação é que Cristiano não seria apenas irmão de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças da facção criminosa, mas também teria desempenhado um papel político relevante em benefício da organização.
Segundo o documento ajuizado por Gabriel Gonçalves, o candidato teria atuado como intermediador da entrada de campanhas eleitorais em áreas controladas pelo Comando Vermelho, utilizando a influência da facção para favorecer determinados grupos políticos.
A petição sustenta que esse mecanismo comprometeria a igualdade de condições entre os candidatos, uma vez que o acesso a comunidades dominadas pela facção estaria condicionado à autorização de pessoas ligadas ao grupo criminoso. O texto afirma que a candidatura de Cristiano poderia representar a conversão do domínio territorial exercido pelo tráfico em capital político e eleitoral.
O pedido também destaca o entorno familiar do candidato. Além de ser irmão de Marcinho VP, Cristiano é tio do rapper Oruam e cunhado de Márcia Gama, esposa do traficante e apontada pelas autoridades como um das principais ligações entre integrantes da facção dentro e fora do sistema prisional.
O documento ressalta que Márcia chegou a ocupar um cargo na Câmara Municipal de Belford Roxo durante o período em que Cristiano exercia o mandato de vereador.
Passado de Cristiano foi utilizado como justificativa
A ação recupera episódios do passado do candidato. Com base em reportagens da época, os advogados citam a prisão de Cristiano, em 2006, durante um baile funk em Belford Roxo. Segundo as informações dos recortes de jornais, ele era investigado pela Polícia Civil por associação ao tráfico e lavagem de dinheiro, e teria assumido atividades anteriormente comandadas por Marcinho VP nos complexos do Alemão e da Penha.
“Essas notícias não são apresentadas como prova de condenação cuja existência e situação processual devem ser certificadas por fonte oficial, mas como elementos históricos convergentes que justificam a requisição dos procedimentos policiais e judiciais correspondentes”, destaca o documento.
Apesar desse histórico, Cristiano manteve uma trajetória política ativa. De acordo com a ação, ele disputou eleições em 2010, 2016, 2018, 2020, 2022 e 2026, além de ter sido eleito vereador em Belford Roxo em 2016.
Neste ano, ele chegou a assumir a presidência do diretório municipal do PSDB na cidade, mas foi afastado poucos dias depois, após a repercussão de sua ligação familiar com Marcinho VP. No Divulgacand, portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cristiano declarou, já como candidato à deputado estadual pelo Avante, possuir R$ 15 mil em bens, relativos a “participação societária em 50% das cotas”.
Tese do TSE embasa pedido
Para pedir a impugnação, os autores citam uma decisão do TSE, de março de 2025. Segundo o entendimento, a proibição de partidos usarem organizações paramilitares também pode valer para candidatos apoiados ou ligados a organizações criminosas que interfiram, direta ou indiretamente, nas eleições.
Com base nesse entendimento, o pedido requer o indeferimento do registro da candidatura e a produção de novas provas, incluindo o envio de ofícios à Polícia Civil, ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça e a partidos políticos para reunir documentos e informações sobre investigações, processos e a atuação partidária de Cristiano Santos.