A Netflix vai estrear agora, em outubro, uma nova série com um trama que lembra, até demais, um célebre caso das páginas policiais do Rio — uma história que mistura morte, golpe milionário e um certo flerte com o sobrenatural.
No seriado “Dom de iludir”, Marieta Severo vive a colecionadora de obras de arte Lúcia Rossetti, que tem uma relação turbulenta com a filha, Maíra (Alice Wegmann). O destino das duas se entrelaça com a misteriosa Irina (Nanda Costa), dando início a uma história de suspense. Os episódios chegam ao streaming em breve.

A Netflix não admite oficialmente, mas, talvez, a semelhança não seja mera coincidência entre a série e o caso de Sabine Coll Boghici, de 49 anos, que morreu após cair do quinto andar de um prédio na Zona Sul. A falecida era filha de Geneviève Boghici, de 83 anos, viúva do marchand Jean Boghici.
Sabine chegou a ser presa, acusada de ter aplicado um golpe de centenas de milhões de reais na própria mãe com a ajuda de Rosa Stanesco Nicolau, com quem se casou na prisão, no fim de 2022. O roubo envolveu obras de arte de mestres da pintura brasileira como Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.
Toda a história real teria começado quando Geneviève foi abordada por Rosa na rua e alertada sobre “uma morte a qualquer momento na família”. Rosa se apresentava como Mãe Valéria de Oxóssi. Nas redes sociais, dizia ter “mais de 20 anos de experiência espiritual”. Ela relatava ter dado mais de 180 mil consultas espirituais.
Depois de conhecer Geneviève, Rosa a levou para se consultar com outras duas parceiras no crime. Essas foram apresentadas como cartomante e mãe de santo. Ambas confirmaram a existência do “perigo iminente” a outras duas comparsas, apresentadas como uma cartomante e uma mãe de santo, que confirmaram a previsão e sugeriram que ela pagasse por “um trabalho” para salvar a filha.
Com medo, a mãe chegou em casa e contou a história para a filha, que a essa altura já sabia de todo o plano e fingiu estar com medo. Foi quando Sabine implorou que a Geneviève pagasse pelo tal “trabalho espiritual”, que no total custou R$ 5 milhões.
A partir deste momento, Sabine começou a manter a mãe distante das pessoas. Funcionários foram demitidos, prestadores de serviço foram afastados. Só que Geneviève desconfiou e parou os pagamentos, quando então passou a ser agredida pela filha.
No fim das contas, a viúva do marchand calcula ter perdido R$ 725 milhões. Um total de 16 quadros foi roubado. Mesmo destino de joias avaliadas em R$ 6 milhões. O caso foi denunciado à polícia, que inclusive achou quadros roubados com Rosa, quando ela foi presa. A história ganhou contornos ainda mais macabros quando Sabine caiu do prédio. O caso, registrado como suicídio, foi reaberto a pedido de Geneviève. Um homem, apontado como genro de Rosa, foi preso acusado de induzir a mulher a tirar a própria vida.

Voltando à série da Netflix, a especulação é que Lúcia seria Geneviève. Maíra, inspirada em Sabine. E Irina (olha o nome do Leste Europeu aí!) seria o alter ego de Rosa Stanesco. O nome da série, além da óbvia inspiração da história, também é uma citação a um sucesso de Caetano Veloso — que, inclusive, estará na trilha sonora da atração, agora na voz da cantora Liniker.

A direção-geral é de Mauro Mendonça Filho. O elenco traz também José de Abreu, o Boris, que seria outro personagem fortemente inspirado na vida real, Felipe Camargo, Luciana Paes, Laila Garin, Rui Ricardo Diaz, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Giovanna de Jesus, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias, Laura Vick, Yanna Lavigne e Rosanna Viegas.
“Dom de iludir” foi produzida pela Conspiração. A criação é de Diane Maia e Mirna Nogueira, que também aparece como roteirista-chefe, tendo como assistentes de roteiro Carol Rodrigues, Felipe Sholl, Josefina Trotta e Pedro Riguetti. A produção é de Renata Brandão e Luísa Barbosa. A produção executiva é de Diane Maia e Tania Pacheco. “Dom de iludir” tem direção-geral de Mauro Mendonça Filho e direção de Gabriela Amaral Almeida e Daniela Carvalho.
























































