O prédio histórico da Agência Central dos Correios, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, vai passar por intervenções para conter o avanço da deterioração e viabilizar sua restauração.
A estatal disponibilizou cerca de R$ 1,27 milhão para a reforma emergencial do telhado e a atualização dos projetos de arquitetura e engenharia necessários à recuperação do imóvel histórico após um pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF).
Do total, R$ 570 mil foram destinados, em 18 de setembro de 2026, às intervenções na cobertura. Outros R$ 700 mil foram liberados quatro dias depois para a atualização dos projetos executivos. Os valores e as providências foram comunicados pelos Correios à Justiça Federal.
Imóvel tombado sofre com deterioração
A destinação dos recursos foi viabilizada depois de anos de entraves administrativos e orçamentários que impediram a recuperação do prédio. O processo está na fase de cumprimento de sentença de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2017. Para tentar destravar as obras, o órgão propôs o encaminhamento do caso ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc Ambiental).
Em audiência realizada em agosto deste ano, a procuradora da República Luciana Gadelha cobrou a liberação dos recursos e a adoção de medidas para evitar o agravamento dos danos à construção. Na ocasião, a Justiça Federal determinou que a Diretoria de Administração dos Correios informasse quando disponibilizaria os valores para a elaboração do projeto executivo e as intervenções emergenciais.
Na audiência seguinte, em outubro, os Correios confirmaram a obtenção dos recursos e informaram que já haviam iniciado os levantamentos técnicos para contratar as obras. A estatal também comunicou que será necessária a substituição integral do telhado e das telhas. As especificações dos materiais serão definidas em conjunto com o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), para preservar as características históricas do imóvel.
Risco de agravamento dos danos
A urgência das intervenções foi apontada em um laudo técnico dos próprios Correios, que identificou infiltrações graves, deterioração dos revestimentos e risco de colapso parcial do forro do pavimento superior. O projeto emergencial também prevê medidas para proteger a claraboia artística e o vitral do prédio, estruturas de elevado valor histórico.
Datada do início do século XX, a edificação de características neoclássicas e coloniais é tombada pelo patrimônio estadual e representa um marco da memória urbana de Petrópolis.
Para acompanhar o cumprimento das obrigações, a juíza Ana Carolina Vieira de Carvalho estabeleceu prazo de 45 dias para que os Correios comprovem o andamento das contratações do projeto executivo e das intervenções na cobertura.




















































