Quem nunca ficou com um jingle de candidato na cabeça? As músicas “chiclete” são marca registrada de campanhas eleitorais, mas, nas eleições de 2026, ganharam um adicional curioso: as ferramentas de inteligência artificial têm substituído os compositores e, em alguns casos, os intérpretes dos famosos jingles dos candidatos ao governo do estado.
Pelo menos quatro candidatos usaram ferramentas de IA em diferentes etapas da produção dos jingles: Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), André Marinho (Novo) e Coronel Busnello (Missão).
O uso dessas ferramentas é permitido pela Justiça Eleitoral, desde que respeitando as normas estabelecidas. Por exemplo: caso um jingle ou peça publicitária de áudio use conteúdo sintético multimídia gerado ou manipulado por inteligência artificial, é obrigatório informar de forma explícita que o conteúdo foi manipulado e qual tecnologia foi utilizada.
Já nos casos em que a IA foi utilizada em detalhes técnicos — como para melhorar a qualidade do áudio — a declaração não é obrigatória.
Como cada candidato fez seu jingle
As equipes de todos os nove candidatos a governador foram procuradas pelo TEMPO REAL. As campanhas de Anthony Garotinho (Republicanos) e Luan Monteiro (PCO) não confirmaram os créditos dos jingles e se houve uso de IA na criação do material. Confira as respostas dos demais nomes na disputa
Eduardo Paes
O jingle “Eduardo Paes 55” teve letra e melodia feitas pela equipe de criação da campanha do político. Os recursos de inteligência artificial foram utilizados apenas para o refinamento da voz, segundo a equipe do candidato.
Douglas Ruas
Os jingles de Ruas seguiram um modelo semelhante ao de Paes; composição de música e letra foram resultado de trabalho coletivo da equipe de marketing, liderada por Paulo Vasconcelos. O uso de IA se restringiu a uma ferramenta de finalização da peça, de acordo com a assessoria.
André Marinho
A campanha de André Marinho forneceu informações sobre três jingles utilizados na eleição. Dois deles, “Faz o M” e “Marinho, Marinho, Marinho” surgiram a partir de ideias do candidato, mas tanto a letra quanto a melodia finais foram produzidas por aplicativos de IA.
O terceiro jingle é “André Marinho 2026”, de autoria do compositor Anderson da Silva, o “Chumbinho”, que foi contratado pela campanha e ficou responsável pela letra, melodia, arranjo e produção musical. A inteligência artificial foi utilizada apenas posteriormente, como ferramenta de finalização da produção.
William Siri
A campanha de William Siri (PSOL), marcada pelo jingle “Com Siri eu vou”, também não usou IA nas músicas, segundo a assessoria. Letra e interpretação são de Carine Moutinho e Psé Diminuta, enquanto o arranjo é de João Callado e a produção musical é de Zé Campos, junto a João Callado.
Cyro Garcia
O tema de Cyro Garcia (PSTU), intitulado “Cyro 16”, não teve uso de IA em nenhuma etapa. A composição é de Danilo Garcia, a produção é de Bruno Danton e a voz é de Beth Dau.
Coronel Busnello
O jingle do candidato do Missão foi feito por Elker Buriti; porém, ele usou IA no processo, de acordo com nota da equipe do político
Juliete
Juliete (UP), a única candidata mulher ao cargo, tem o jingle “Ela luta, eles só prometem – Juliete 80 Unidade Popular”. Não houve uso de IA na produção do material, que teve composição e voz de Debrá de Souza e produção musical de Frank.
Estagiária sob a supervisão de Felipe Galeno e Berenice Seara.


























































