A Secretaria de Representação do Governo do Estado do Rio de Janeiro em Brasília instaurou uma comissão de sindicância administrativa para apurar supostas irregularidades em seis contratos firmados sem licitação e que, juntos, ultrapassam a cifra de R$ 34,4 milhões.
A medida foi oficializada por resolução assinada pelo atual secretário Gustavo Alves Pinto Teixeira e publicada no Diário Oficial. A comissão, formada por três servidores, terá o prazo de 30 dias para apresentar as conclusões sobre os processos, aditivos e contratações.
Todos os contratos sob suspeita têm como beneficiária a mesma empresa, o Instituto NTC do Brasil LTDA, e foram justificadas por meio de inexigibilidade de licitação para a prestação de serviços de capacitação e seminários online.
COM FÁBIO MARTINS

O feudo de André Moura no Governo do Rio
A instauração da comissão joga luz sobre a gestão da pasta, historicamente considerada um “feudo” do político sergipano André Moura no executivo fluminense. Entre idas e vindas, Moura comandou a pasta entre novembro de 2019 e março de 2026.
Ele foi nomeado, originalmente, pelo então governador Wilson Witzel. Um ano e meio depois, já sob o comando de Cláudio Castro, deixou o cargo em meio a uma reforma administrativa. Em outubro de 2021, voltou. E lá ficou até abril de 2022, quando pediu exoneração para disputar as eleições para o Senado pelo seu Sergiipe — mas desistiu da candidatura poucos meses depois.
Em fevereiro de 2024, André Moura — filiado ao União Brasil do então presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar — assumiu a Secretaria Estadual de Governo, substituindo Bernardo Rossi. Em setembro do mesmo ano, passou a acumular o comando da Segov com a chefia interina da Secretaria de Representação em Brasília — período em que boa parte dos contratos investigados estava em execução.
Após forte pressão de caciques políticos do Rio e com o afastamento de seu padrinho político, Rodrigo Bacellar, Moura foi exonerado do cargo interino em Brasília em março de 2026.
Mas permaneceu na Segov por mais algumas semanas, até pedir exoneração para, mais uma vez, focar na pré-candidatura ao Senado por Sergipe.

