Em 2022, o bélico Rodrigo Amorim (PL) transformou a Praça Saens Peña, na Tijuca, num campo de batalha ao dar de cara com militantes de esquerda liderados pelo então candidato ao governo Marcelo Freixo. Hoje filiado ao PT, na época Freixo era do PSOL, partido de Marielle Franco, a vereadora assassinada homenageada com a placa que o deputado bolsonarista havia quebrado no palanque na campanha de 2018.
A treta — que teve cheiro de pólvora, com denúncias de intimidações e quebra de bandeiras — foi parar na Polícia Civil.
Nesta terça-feira, quatro anos e alguns cabelos brancos depois, os irmãos Rogério (vereador e candidato a deputado estadual) e Rodrigo Amorim voltaram a se encontrar com Freixo a mesma e tradicional Saens Peña. Mas, dessa vez o confronto não teve “tiro, pancadaria e bomba”. E, sim, um debate sem mediador entre candidatos e militantes, testemunhado por quem saía do metrô voltando do trabalho.

Freixo é um grandes expoente da esquerda do Rio, com três mandatos de deputado estadual e um de federal, ex-presidente da Embratur, e candidato em três eleições majoritárias. E os irmãos Amorim somam quatro eleições para o Legislativo. Rodrigo ainda disputou duas majoritárias, a primeira delas como vice de Flávio Bolsonaro (2016), hoje candidato a presidente. Dois anos depois, foi o deputado estadual mais votado no Rio.
Ambos estavam lá, sem cabos eleitorais pagos, apenas com militantes voluntários, fazendo corpo-a-corpo pessoalmente, à noite, na chuva, na saída do metrô. Entregavam santinhos, tiravam fotografias, cada qual com seu grupo específico. Os eleitores, ao desembarcarem do metrô na volta pra casa, se identificavam com um lado ou outro, esquerda e direita, e reforçavam a tropa de Freixo ou dos Amorim.
“Temos que divergir só na política”, disse Freixo. “Os eleitores viram, escolheram os santinhos que queriam pegar. E tudo bem. Esse é o certo”.
“O debate tem que ser de ideias, sobretudo na Tijuca. Aqui sempre vai ter confronto. Que seja de ideias”, concordou Rodrigo Amorim.
O encontro, aliás, foi a cara da Tijuca.
Por um lado, uma espécie de berço do conservadorismo carioca e do próprio PL, partido do tijucano Alvaro Valle, onde os irmãos Bolsonaro passaram a infância e onde moram os Amorim, donos do QG de Bolsonaro na esquina da Avenida Maracanã com a Rua Uruguai.
Por outro, bairro onde morava Aldir Blanc, onde Leonel de Esquerda despontou para a Câmara dos Vereadores, e que cultiva uma militância marcante, resistente e tradicionalmente progressista.
Seguranças a postos
Mas, como cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, enquanto Freixo e os irmãos Amorim faziam campanha, os seguranças de um lado e de outro estavam de olho.
Menos mal que apenas ideias foram trocadas no ringue improvisado na praça.
A Tijuca de volta à normalidade
Depois de uma hora dividindo o espaço, Freixo foi embora.
E os Amorim seguiram panfletando e, como sempre, provocando a esquerda com uma caixa de som, tocando músicas tradicionais da militância bolsonarista com ofensas ao candidato do PT à Presidência da República.




















































