Nos grandes eventos políticos deste sábado (22), os dois principais campos da disputa pelo Palácio Guanabara deixaram claro que a campanha eleitoral de 2026 será, principalmente, um duelo de narrativas sobre quem é responsável pela crise do Rio. Se alguém ainda tinha dúvida sobre o desenho da eleição para o governo do estado, os discursos de Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) ajudaram a resolver.
Em palanques simultâneos — mas em pontos opostos da capital — os dois apresentaram praticamente duas versões do estado. E, principalmente, dois culpados diferentes para os problemas do Rio.
Paes subiu ao palco em Moça Bonita, em Bangu, ao lado do presidente Lula, para dizer que o estado precisa ser salvo da herança dos governos estaduais ligados ao campo bolsonarista.
Ruas, em espetáculo no Maracanãzinho com Flávio Bolsonaro, fez o movimento inverso: apresentou-se como a ruptura com aquilo que chamou de política dos últimos 30 anos e transformou Paes, Lula e o PT nos símbolos do modelo que pretende combater.
É quase uma campanha de espelhos.
Paes: o Rio chegou ao ‘fundo do poço’
Paes fez um discurso muito menos programático e muito mais político. Gastou boa parte de sua fala explicando a aliança com Lula, que remonta à eleição municipal de 2008, e tentando dar um significado maior à união de PSD, PT e outros partidos.
“O que nós estamos fazendo aqui não é uma aliança de iguais”, afirmou.
A ideia central foi a de uma frente ampla para “salvar o Rio”. E, nesse ponto, não economizou munição contra o grupo político adversário. Disse que o estado chegou ao “fundo do poço” e reproduziu uma imagem ainda mais gráfica, usada pelo juiz Marcelo Rubioli na sentença sobre o Instituto Rio Metrópole: debaixo do fundo haveria uma “caixa de gordura”.
“O crime organizado sentou no Palácio Guanabara”, disparou.
Paes citou Rodrigo Bacellar, que definiu como o candidato que seria apoiado pelo PL e pelo grupo Bolsonaro, e procurou colar seus adversários aos governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro. Também recuperou um clássico da retórica eleitoral: quem governou antes não pode aparecer agora como solução.
“Eles elegeram o Witzel e o Cláudio Castro e têm a cara de pau de dizer que vão resolver o problema agora”, afirmou.
Ruas: ‘Eu quero um show de segurança’
Se Paes concentrou fogo na crise política e institucional do Estado, Douglas Ruas falou mais sobre propostas concretas. Segurança, educação profissionalizante, saúde regionalizada, políticas para mulheres e inclusão de pessoas com deficiência ganharam espaço no discurso.
Prometeu colocar qualificação profissional já no primeiro ano do ensino médio e fazer com que os jovens terminem a escola com “um diploma e uma profissão”.
Na saúde, apresentou a proposta dos Centros Integrados Regionais, reunindo especialistas, exames de imagem e pequenas cirurgias próximos da população.
Também dedicou uma longa passagem às mulheres, defendendo autonomia financeira como instrumento de combate à violência doméstica.
Mas foi quando entrou no terreno dos costumes e do gasto público que o discurso ganhou temperatura. Ruas atacou os gastos da Prefeitura do Rio com grandes eventos e camarotes.
“Tem dinheiro pra show da Madonna, tem dinheiro pra farra de camarote na Sapucaí”, disse.
E encontrou uma frase feita sob medida para circular nas redes sociais:
“Eu quero um show de segurança no Rio! Eu quero um show de educação! Eu quero um show de saúde!”
No “show” imaginado por Ruas, acrescentou, o protagonista não seria Madonna nem Eduardo Paes, mas “o cidadão do Estado do Rio de Janeiro”.
Bolsonaro de um lado, Lula do outro
Os dois discursos também acabaram funcionando como declarações de dependência política — mas de polos opostos. Ruas contou que aceitou a candidatura depois de receber uma missão de Jair Bolsonaro e encerrou pedindo votos para Flávio Bolsonaro à Presidência.
Trouxe ainda para o centro do discurso o lema:
“Deus, pátria, família e liberdade”.
Paes fez exatamente o movimento contrário. Construiu quase toda a introdução em torno de sua relação com Lula e chegou a dizer que uma recuperação do estado dependerá diretamente da parceria com Brasília.
“Nós não vamos salvar o Rio de Janeiro sem a ajuda do presidente do Brasil”, afirmou.
Em outra passagem, brincou que sabe arrancar recursos de Lula “como ninguém”.
“Elejam Lula, me elejam, que vocês vão ver em 2030: não vai ser uma folha só não, vai ter uma Bíblia”, disse, referindo-se à lista de investimentos federais no Rio.
Experiência contra novidade
Há ainda uma diferença de biografia que os dois começaram a explorar.
Paes vende experiência.
Recordou 2008, 2020 e 2022, falou de alianças construídas ao longo de quase duas décadas e se apresentou como alguém capaz de unir forças políticas diferentes e obter recursos em Brasília.
Ruas vende exatamente o contrário: renovação.
Aos 37 anos, apresentou-se como integrante de uma geração que cresceu “ouvindo as promessas” dos adversários.
“Não estou aqui pra ser mais um na história do nosso estado que faz promessas, promete mudança e depois entrega desculpa”, afirmou.
É uma diferença que provavelmente será explorada até outubro.
Para Paes, experiência significa capacidade de governar. Para Ruas, significa representar o passado que precisa ser superado.
Até a geografia entrou na disputa
Curiosamente, os dois também tentaram se apropriar do Rio que existe longe dos cartões-postais.
Ruas falou diretamente de Zona Norte, Zona Oeste, Baixada, São Gonçalo e interior, contrapondo esse território ao “Rio da orla da Zona Sul” e da Lagoa Rodrigo de Freitas. Chamou essa realidade de “Rio real”.
Paes escolheu justamente Bangu, na Zona Oeste, para fazer seu grande ato com Lula e insistiu na ausência do Estado em territórios dominados pelo crime organizado.
Ou seja: ninguém quer deixar para o adversário o eleitor que mora longe da praia.
O resumo dos dois palanques
No discurso deste sábado, Paes tentou transformar a eleição em um julgamento dos governos Witzel e Castro e do campo político que os elegeu.
Ruas tentou transformá-la em um julgamento de Paes, Lula, PT e de uma classe política que, segundo ele, governa o Rio há décadas sem resolver seus problemas.
Um diz que o adversário representa a continuidade de quem levou o estado ao fundo do poço.
O outro diz que o adversário representa justamente os mesmos políticos que estão no poder há 30 anos.
Paes promete experiência, articulação com Brasília e reconstrução institucional.
Ruas oferece renovação, conservadorismo, descentralização dos serviços públicos e confronto com aquilo que chama de desperdícios e prioridades erradas do poder público.
E ambos já escolheram padrinhos muito maiores que o Palácio Guanabara.
De um lado, Lula.
Do outro, Bolsonaro.
A eleição fluminense começou com sotaque carioca — mas, pelos discursos deste sábado, será impossível separá-la da briga nacional.
Comments 26
Isso da água do Rio,já está sendo palhaçada,pois estão sempre com falta de água e nunca consertar nada
Essa empresa “Falta de Águas do Rio” está enganando a gente dizendo que tem água pra vender…? Tô achando isso, sabe!?
Em santa cruz da serra, bairro de caixas, o abastecimento esta cortado desde janeiro de 2025, e ao contatar a águas do rio, eles só dão desculpa que vai normalizar em 48h, e nisso já se passaram 2 meses. Eles não enviam nem caminhão pipa quando solicitado, mas a conta continua chegando pra pagar.
Como bem diz a máxima popular: “O Peixe morre pela boca.”, eu ao longo da vida cansei de murmurar contra os péssimos serviços prestados pela CEDAE, pois agora que a “falecida” saiu de cena observo que as “Águas do Rio” é anos-luz pior que a CEDAE. Ela é noticiário nos veículos de comunicação quase diariamente e nada é prontamente resolvido. Se arrependimento matasse, o meu enterro seria ontem! Santa CEDAE perdoai osmeus pecados!
Vc expressou muito bem o que ocorre hoje no estado. Pior que rolou muita grana, mas muita mesmo. E pensei que fosse melhorar, sério!
Concordo em gênero, número e grau
Perfeito!!! Também estou nessa lista. ?
Alex Bonifácio, vc não tem culpa de nada. Não ouviram o seu clamor por privatização e nem o contrário. Fui funcionário da light e prestei serviços nas subestações da CEDAE e o comparativo que nós colegas fazíamos servidores do estado e a CEDAE sempre mais organizada e complexo o serviço de uma empresa de tratamento e saneamento, esgoto ETC. Fhc já tinha em mãos a privatização de tudo e Lula também … Eles não ouviriam o povo nem se fossemos pra ruas pedir pra não privatizar. Leis, projetos, dissoluções seja o que for decidido lá fora, com os bancos, assim será! Vc querendo e eles não, ainda estaria nas mãos do estado, se vc não quisesse, estaria privatizado se assim estava já determinado. Nós não escolhemos nada. Dá até uma sensação de que ajudamos a fazer diferença no resultado. Nunca faremos! Isso vale pra tudo que é do sistema.
O mais completo e perfeito comentário sobre todo nosso país.
Por isso sou contra a privatização, empresa como a,CEDAE não foram feitas pra dar lucros, foram criadas para servir a população, pois pagamos muitos impostos mas muito mesmo assim como os hospitais público, pois deveriam ser muito bem administrado para nos da um serviço de grade qualidade, já que pagamos muito de imposto.
Eu, na Rua Jaguarema estamos sem água a 5 Cinco Dias sem Água.
Quem estiver nesta situação mantém os registros do IDRIMETRO FECHADO pra não pagar AR QUE VEM JUNTO COM A PRESSÃO DA ÁGUA.
Aguas do rio muito pior que a CEDAE,aumentaram as contas três vezes mais sem contar que mexem mexem nas tubulações desligam a água e mais não solucionam o problema da falta de água, em caxias por exemplo mais precisamente no centro a rua Nunes Alves sofre com falta de água a séculos ? vamos verificar essas tubulações que abastecem a rua Nunes Alves no centro de duque de caxias estão entupidas e parem com esse sistema de ligar e desligar a água em determinados dias.
Palmas para o crápula do Bolsonaro e o verme do Claudio Castro implantaram um serviço de bosta no Rio de Janeiro
Em Ricardo de Albuquerque ( Parque Anchieta ) não tem fornecimento de água há uma semana, e agora vai paralizar novamente?
Gostaria de entender.
Privatização de serviços essenciais só dá certo para os donos das empresas
Os servicos públicos são mal prestados, porque o governo não coloca funcionário suficiente para a qualidade como em alguns países. Aqui a mentalidade é outra, fazer com que sejam mal prestados para que a população seja contra o serviço público. Não há investimentos na qualidade para a população. O dinheiro da população é contra a própria população. Que mentalidade!
Qualquer empresa que vira privada as notícias correm mais soltas. Pq é igual correios. Governo arranca bilhões deles. Privatiza os correios pra você ver como vai começar o povo reclamar.
Péssimo serviço,e cobra taxa você usando ou não usando só aqui mesmo no Brasil
A Águas do Rio faz uma coisa simples e digna que muitas concessionárias de serviço público não fazem. Orientar os consumidores sobre a interrupção do serviço deveria ser uma ação óbvia, mas não é o que acontece. A cidade do Rio de Janeiro tem muitos problemas no setor de saneamento básico. Torço para que a Águas do Rio cumpra as obrigações assumidas no contrato e sirva como msus um exemplo de que o caminho é a privatização dos serviços públicos.
Esses tipo de empresa deveriam perder esse tipo de aquisição, são tão imprestáveis, arrogantes, incompetentes quando consertam uma parte destroem outra, estão querendo o retorno do investimento de maneira suja, apelando de forma grotesca um serviço que não deveriam fazer parte.
E no mendanha em campo grande a anos sem água e a água q quando vem é esgoto, surreal.
Depois que fecha a água é que avisa
Estou indignado com essa Aguas do Rio…. péssimo serviço, falta água toda hora… Saudades da antiga cedae,pior estamos pagando um absurdo…. colocaram taxa você paga usando ou não usando ridículo isso só aqui no Brasil ???
Poço artesiano no lombo deles . estamos pagando água a preço de ouro .Moro em um condomínio no centro do Rio já estamos dando madeirada neles com poço artesiano kkkkk
Vergonhoso. Nada nesse país funciona. Ou melhor, a corrupção funciona muito bem
Seria mais correto, fazerem cronograma de operação.
A cada bairro afetado por falta d.agua .
Os trabalhadores, não deveria trabalhar, pois o governador, deveria criar ponto facultativo a cada dia sem água .
Desta forma vai acabar essa falta de respeito, pois é irreparável os danos milhares familias .
Pois quando chegar as eleições aí vem as promessas, blá blá blá blá blá.