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Home Rio é Rua

Rio é Rua

03/12/2024 12:55
  • Oscar Valporto Oscar Valporto

Uma lista de 40 pretextos para conjugar o verbo botecar

Festival Comida di Buteco lembra das boas razões para frequentar bares

Moela do bar 5ª Categoria: festival traz 40 pretextos para conjugar o verbo botecar no Rio. - Foto: Oscar Valporto

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Quando comecei, lá pelos 16 anos, a frequentar botequins por conta própria (antes ia na aba do meu pai), meu guia era o B.I.P (Busca Insaciável do Prazer), notas do Jaguar, grande cartunista e grande boêmio, no semanário Pasquim, em que dava dicas de onde beber e comer nesta cidade de São Sebastião – e em outras também. Era um guia, em pílulas, de bares novos e antigos – não eram todos pés-sujos, como podem alguns imaginar, porque Jaguar não tinha preconceitos: bebia até em restaurante estrelado.

Ao longo da vida, fui conjugando o verbo botecar e colecionando bares pelo Rio de Janeiro, mas, naturalmente, há muito mais botequins por aqui do que a minha modesta capacidade boêmia. Assim, festivais de baixa gastronomia me dão uma certa angústia porque abrem um leque assustador de ofertas, que nem o Jaguar daria conta. O Comida di Buteco 2024, por exemplo, tinha um cardápio de mais de 140 estabelecimentos – capital, Niterói e Baixada. A alma boêmia fica perdida entre tantas opções, temendo, inclusive, cair em alguma armadilha.

Foi uma alegria, portanto, tropeçar numa rede social qualquer pelo Botecar, a primeira versão carioca de um festival de botequins que, como o Comida di Buteco, nasceu em Belo Horizonte e também tem um concurso de petiscos. Mas essa nova promoção, com esse nome inspirador, reúne apenas 40 bares cariocas;  e, dos 38 possíveis, eu já conheço 28: 73% (são 40 no festival, mas dois abriram só agora – o Botecar começou dia 21 de novembro).

A lista dos conhecidos aponta para uma competição gastronômica em alto nível já que conta com Aconchego Carioca, Adega do Pimenta, Bar da Frente, Bar da Gema, Bar da Portuguesa, Bar do Momo, Bar Madrid, Costelas, Enchendo Linguiça, Kalango e Velho Adonis – um time de 11 lugares onde, como conjugo o verbo botecar com frequência, sei que a cerveja estará sempre bem acompanhada. Garante também a qualidade da disputa a dupla de curadoras – as jornalistas Marcella Sobral e Pitty Basílio, coleguinhas de profissão e de balcão.

Aprendi com os executivos corporativos que o importante é estabelecer metas desafiadoras porém factíveis. Inicialmente, fixei como objetivo cobrir todos os bares que me faltavam na Zona Sul, onde nasci, moro e circulo mais: eram sete. Talvez fosse possível botecar com tranquilidade até o fechamento desta coluna.

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O Baixela, legítimo pé-sujo do Posto 6, em Copacabana: bares são palco de conversas sobre temas sempre atuais. – Foto: Oscar Valporto

Dois botequins fizeram muito bem a essa alma boêmia. O Baixela é um legítimo pé-sujo no Posto 6: tem tremoços, jiló, alho, ovo de codorna e batata calabresa. E uma imagem de São Jorge na parede. Jaguar vai gostar. Provei e aprovei o bolinho de peixe com maionese de dendê – batizado de Rainha do Mar em homenagem a Dorival Caymmi, todos os petiscos de Botecar tem nomes inspirados em músicas.  Também a maxixada com calabresa (homenagem ao Moacyr Luz) do Quitanda, no Catete, alegrou o paladar.

Os bares recém-inaugurados da lista são, na verdade, novos empreendimentos de velhos conhecidos da botecagem carioca. Sergio e Eliane Rabello – do Sat’s – abriram o 5ª Categoria, bem ao lado da Adega da Velha (que eles compraram em 2019): a moela à parmegiana (Trocando em Miúdos) estava excelente. Raphael Vidal – da Casa Porto e do Bafo da Prainha – chegou ao Beco das Sardinhas com o Capiau. O prato Claudinho, com bochecha de porco na receita, tem difícil tarefa de distrair a freguesia das casas especializadas em sardinhas (muito boas) daquela região do Centro.

Botequei também no Maravilha, em Botafogo, onde não cheguei a provar o Vem cá, Minha Flor (nome de um bloco): não sou muito de couve-flor – nem empanada. Mas não alcancei a meta de cobrir os sete bares que me faltavam na Zona Sul. Uma das razões: impliquei com o Zuzu Fish Bar – não é nome de boteco que preze a tradição. (Aliás, parêntesis para informar que não votei nos petiscos: precisa usar um QR code, o que é coisa para novas gerações de botequeiros).

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Cartaz do Festival Botecar no Quitanda no Posto 6: competição de petiscos em bares com tradição de qualidade. – Foto: Oscar Valporto

Faltou tempo para ir ao Otra, em Copacabana – pretendo pagar essa dívida. A pressa é sempre inimiga da botecagem. Porque faz parte da experiência dos botequins, conversar fiado ou ouvir a conversa fiada alheia, sempre sobre importantes temas da conjuntura ou sobre questões sempre atuais.

Assim, numa mesa, o debate era  se a cabeça pensante na trama do golpe de estado para impedir a posse de Lula era o general Braga Neto ou o general Heleno – havia consenso que o capitão Bolsonaro não tinha capacidade intelectual, coragem e patente para isso. Em outro boteco, a discussão (antes da final da Libertadores) era sobre o melhor jogador do campeonato brasileiro: o argentino Almada ou o venezuelano Zavarino – o que diz muito sobre o nosso principal torneio.

Numa mesa inteiramente feminina, jovem pedia conselho às amigas sobre a melhor maneira de se livrar “delicadamente” de um rapaz que tornara-se “inconvenientemente” apaixonado após encontros que deveriam ser apenas de “inconsequente” diversão. Em outra mesa, de outro bar, uma ou duas gerações adiante, um grisalho bebedor de cerveja tentava convencer o amigo, recentemente devolvido à solteirice, das qualidades dos aplicativos de namoro. Conversas como essas fazem parte da experiência dos bares onde há sempre o consolo de que todos problemas são parecidos e as pessoas, mesmo diversas, também.

E, exatamente, por isso: pretendo seguir conjugando o verbo botecar – inclusive, ainda durante o Festival Botecar que vai até o dia 20 de dezembro. Planejo conhecer, pelo menos, o Bar do Trotta, na Tijuca, porque seu prato Naquela Mesa (samba que adoro) é composto de baguetes com pernil, queijo provolone e alichela. E talvez fazer uma incursão à Ilha do Governador onde não conjugo o verbo botecar desde o tempo – mais de 30 anos – em que o meu grande parceiro de botecagem morava por lá.

Texto publicado originalmente no #Colabora – Jornalismo Sustentável

Escrito por:

Oscar Valporto Oscar Valporto Ver publicações

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Berenice Seara

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Os planos de governo dos candidatos ao Palácio Guanabara desenham estados quase incompatíveis entre si. Há propostas para entregar ativos à iniciativa privada e outras para reestatizar serviços; projetos de expansão das escolas cívico-militares e promessas de acabar com elas; estratégias de ocupação territorial e programas que defendem a desmilitarização da polícia.

O ponto comum é o diagnóstico de que segurança, saúde, educação e transporte deixaram de funcionar como deveriam.

O que muda radicalmente é a receita.

Nove candidaturas, nove programas analisados

O DivulgaCand lista nove pedidos de registro para o governo do estado: André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), Garotinho (Republicanos), Juliete (UP), Luan Monteiro (PCO) e William Siri (PSOL). 

A diferença de tamanho é expressiva. O programa de Garotinho tem 386 páginas, mais que o dobro do documento do PSOL, apresentado pela candidatura William Siri, com 143; o de André Marinho tem 140.

No outro extremo, Cyro Garcia e Luan Monteiro entregaram sete páginas cada. Eduardo Paes apresenta uma versão preliminar de oito páginas. A extensão, porém, não mede sozinha o grau de compromisso: um documento pode ser longo e manter custos em aberto, enquanto outro pode ser curto e assumir prazos politicamente arriscados.

WhatsApp Image 2026 08 21 at 18.26.55André Marinho: monotrilho, desestatização e um presídio insular

O plano do candidato do partido Novo é o mais ambicioso em escala física. A espinha dorsal é o Arco do Mar à Montanha, com um monotrilho suspenso de 60 quilômetros, hubs de integração e novas centralidades econômicas.

O documento também propõe entregar a concessionárias cerca de 700 quilômetros de rodovias estaduais sem criar novos pedágios, apoiar a Linha 3 do metrô, ampliar escolas cívico-militares com formação técnica e organizar a desestatização de empresas deficitárias e ativos ociosos por meio do programa Liberta Rio.

A parte mais dura está na segurança.

O projeto prevê reconstruir em Ilha Grande uma unidade de segurança máxima para lideranças de facções, com isolamento individual, acesso marítimo e sem visita íntima. Outra frente, batizada de Operação Asfixia, estima investir de R$ 800 milhões a R$ 1,2 bilhão e recuperar entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões em patrimônio do crime.

O próprio texto, no entanto, repete 170 vezes a expressão “a confirmar na estimação técnica”. É o paradoxo do programa: muitos números, mas uma parcela relevante deles ainda apresentada como hipótese.

Coronel Busnello: 25 escolas cívico-militares e ‘desfavelização’ em dez anos

O plano do Coronel Busnello combina reforço policial, metas de infraestrutura e uso intenso de concessões e parcerias público-privadas. Na segurança, promete formar ao menos 3.500 novos profissionais por ano, retomar territórios em três fases e elevar para 25% a parcela da população carcerária em trabalho remunerado até 2030. Na educação, quer chegar a 25 escolas cívico-militares ao fim do mandato, com consulta pública vinculante e adesão voluntária das famílias.

Na mobilidade, o programa prevê 55 novos trens, recuperação das 104 estações, novas rotas de ferry-boat, VLT entre Pavuna e Nova Iguaçu, dois corredores de BRT e retomada da Linha 3. A proposta mais sensível é chamada de “desfavelização”: transformar, em dez anos, as 1.724 favelas e comunidades urbanas do estado em bairros formais, com titulação individual, reurbanização ou realocação apenas onde o plano considerar inviável a permanência. Parte das novas unidades seria vendida a preço de mercado para produzir “mistura social”.

Douglas Ruas: ‘linha dura’, presídios privados e benefício condicionado ao trabalho

Douglas Ruas coloca a segurança como eixo estruturante do governo. O plano prevê leitura de placas, reconhecimento facial, drones, bloqueio das fontes de renda das milícias e presença policial permanente em territórios retomados. No sistema penitenciário, propõe construir novos presídios em parceria com a iniciativa privada, inclusive uma unidade de regime disciplinar descrita como mais rigorosa do que qualquer referência existente. Benefícios seriam vinculados ao trabalho e ao rompimento com facções, com parte da remuneração destinada às vítimas e ao Estado.

Na saúde, promete hospitais de alta resolução, central digital única de regulação e contratação da rede privada para acelerar cirurgias. Na mobilidade, defende integração tarifária entre trem, metrô, barcas, BRT e ônibus, captação de recursos para a Linha 3 e fiscalização mais dura das concessões. Apesar de anunciar gestão com metas, prazos e custos transparentes, o PDF analisado não apresenta valores em reais nem um quadro consolidado de financiamento.

Eduardo Paes: cinco compromissos em uma versão preliminar

O documento de Eduardo Paes é o mais sintético entre os candidatos competitivos e se assume preliminar. Promete reduzir de forma significativa assaltos, tiroteios e feminicídios já no primeiro ano, retomar territórios com apoio das Forças Armadas, retirar indicações políticas da escolha de comandantes de batalhão e delegados, recuperar hospitais e UPAs, contratar médicos e expandir o ensino técnico em tempo integral.

No transporte, Paes propõe colocar a SuperVia no “padrão do BRT”, levar o BRT à Baixada Fluminense e iniciar as obras da Linha 3 do metrô para Niterói, São Gonçalo e Itaboraí até o fim do mandato.

O texto não detalha custos, fontes de financiamento ou metas numéricas para a prometida queda da violência. É mais uma carta de compromissos do que um plano executivo.

William Siri: tarifa zero, reestatização e descriminalização das drogas

Com 143 páginas, o programa do PSOL apresentado por William Siri é o segundo mais extenso. Defende retomar o controle público da Cedae, reestatizar os trens, avançar na retomada das barcas e implantar tarifa zero imediatamente no sistema ferroviário reestatizado, com redução progressiva nos demais transportes estaduais. Também propõe as linhas 3 e 6 do metrô, integração Estácio-Carioca e 30 CIEPs em tempo integral no primeiro ano.

Na segurança, quer extinguir as secretarias autônomas das polícias, criar uma Polícia Técnico-Científica independente e trabalhar no Congresso pela desmilitarização, com carreira civil única e ciclo completo.

O programa também defende a descriminalização e regulamentação das drogas consideradas ilícitas. Uma curiosidade: a palavra “milícia” não aparece no PDF analisado, embora o texto proponha combater crime organizado e lavagem de dinheiro. Entre as minúcias, há até a mudança das cabines de rádio e televisão para o setor 6 do Sambódromo e o fim da exclusividade da transmissão da Sapucaí, em negociação com a prefeitura.

Juliete: 80 propostas, corte de 50% das tarifas e fim das escolas militarizadas

A Unidade Popular condensou 80 propostas em 13 páginas. Juliete promete anular a privatização da Cedae, reestatizar a energia elétrica, colocar trens e metrô sob administração estatal com controle popular e reduzir em 50% as passagens de todos os transportes já em janeiro de 2027. Também prevê metrô para a Baixada, Niterói e São Gonçalo, passe livre estudantil intermunicipal e ampliação ferroviária por frentes de trabalho.

Na segurança, propõe desmilitarizar as polícias e guardas municipais, acabar com operações violentas em comunidades, instalar câmeras nos uniformes e afastar imediatamente servidores sob suspeita de ligação com milícias. Na educação, quer extinguir escolas cívico-militares e retirar PMs das unidades.

Duas promessas exigem escrutínio especial: erradicar o analfabetismo completo e funcional em um ano e cumprir o corte tarifário sem apresentar cálculo de impacto fiscal. O programa ainda prevê retirar de ruas, escolas e praças homenagens a racistas, escravocratas, fascistas e integrantes da repressão da ditadura.

Cyro Garcia: reestatização sem indenização, jornada de 30 horas e drogas sob controle estatal

O programa de Cyro Garcia é curto, mas ideologicamente definido. Defende jornada semanal de 30 horas sem redução salarial, suspensão de aluguéis de desempregados que sejam inquilinos de grandes proprietários e um plano de obras públicas capaz de zerar o déficit habitacional. No transporte, propõe revogar as privatizações da SuperVia e do MetrôRio sem indenização, estatizar barcas e ônibus e caminhar para a tarifa zero.

Na segurança, o PSTU defende polícia civil única, punição de agentes envolvidos em chacinas, descriminalização das drogas e controle estatal da produção e comercialização. O texto também propõe aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS, estatização de instituições privadas de ensino superior e de grandes empresas que descumpram normas ambientais.

Parte relevante da agenda depende de mudanças federais, decisões municipais ou alterações constitucionais que não estão ao alcance isolado de um governador.

Luan Monteiro: o PCO diz que não faz promessas — e entrega um manifesto nacional

O próprio programa de Luan Monteiro afirma que o PCO não participa das eleições para fazer promessas. O documento é nacional, termina assinado em São Paulo e quase não trata de problemas específicos do Rio. Propõe salário mínimo de R$ 7.500, aumento emergencial de 50% dos salários, cancelamento das dívidas dos trabalhadores, proibição de demissões, fim de todas as privatizações, estatização do sistema financeiro e livre ingresso nas universidades.

Na área institucional, defende dissolver a Polícia Militar, cancelar a concessão da Rede Globo, estatizar grandes empresas de comunicação, extinguir o Supremo Tribunal Federal e eleger juízes e procuradores por voto popular.

Também prevê direito ao armamento para trabalhadores do campo e indígenas e apoio a povos que se levantem “de armas nas mãos”. É um manifesto revolucionário de alcance nacional, não um roteiro de administração estadual.

Garotinho: programas antigos de volta, cashback e obras além do mandato

O plano de Garotinho é o maior da disputa e o mais ligado à memória administrativa do próprio candidato. Garotinho promete retomar, com controles digitais, o Cheque Cidadão, os restaurantes populares, o Café do Trabalhador, a Sopa da Cidadania, o Jovens pela Paz e o Reservistas da Paz.

Na educação, o Geração Fluminense acompanharia alunos da primeira infância ao primeiro emprego, com ensino integral, formação em inteligência artificial, Bolsa-Tech e a meta de elevar o índice educacional do ensino médio para 5,2 até o quarto ano.

Para servidores, o Rio Cashback devolveria em folha até 70% do imposto incidente sobre itens essenciais comprados em estabelecimentos credenciados.

Na segurança, propõe uma Corregedoria-Geral Unificada, uma Cidade da Polícia Militar no atual centro de formação de Sulacap, retomada de territórios, unidades estaduais de segurança máxima e o Presídio Produtivo RJ, com trabalho e qualificação. Na mobilidade, o Aqua Mobile prevê novas ligações por barcas para São Gonçalo, Magé e Ilha do Governador e uma rede lagunar na Barra e em Jacarepaguá, financiada por PPP e receitas comerciais dos chamados “acqua centros”. Para a Linha 3, o texto é mais cauteloso: promete atualizar estudos e modelos, evitando anúncio sem projeto ou recurso.

A proposta mais vistosa é construir 11 “viadutos inteligentes” na Avenida Brasil, com pistas segregadas, ciclovia de quatro metros e o chamado “asfalto de Singapura”. O plano promete reduzir em até 40% o tempo de viagem e em 60% os acidentes, mas não informa a fonte desses percentuais. O cronograma vai a sete anos, três além do mandato em disputa. Outro contraste: em 386 páginas e cerca de 63,6 mil palavras, há apenas uma ocorrência de “R$”, relativa a R$ 53 milhões em investimentos socioeducativos já previstos ou em andamento.

O PDF também tem dez páginas sem texto e uma galeria de referências de sistemas aquaviários de oito cidades.

As perguntas que os candidatos ainda precisam responder

Quem paga a conta?

Nenhum dos nove documentos apresenta orçamento consolidado para o mandato. André Marinho inclui uma tabela de custos da segurança e várias estimativas de projetos; Busnello informa valores em algumas obras.

Nos planos de Douglas e Paes, não aparece valor em reais. O programa de Garotinho diz que custos e cronogramas serão formalizados no PPA, na LDO e na LOA; sua única ocorrência de “R$” se refere a investimento socioeducativo já previsto ou em andamento, não ao preço das novas vitrines do plano.

Nas candidaturas à esquerda, a fonte costuma ser descrita como taxação de grandes fortunas, revisão de isenções, suspensão da dívida ou reestatização, sem simulação de arrecadação e despesa para cada entrega.

O que depende de Brasília — ou das prefeituras?

Descriminalizar drogas, mudar legislação trabalhista, fixar salário mínimo nacional, extinguir o STF, cancelar concessões federais, alterar o regime constitucional das polícias ou mexer em ônibus municipais não são decisões que um governador tome sozinho.

Os planos variam muito na honestidade com que reconhecem essa limitação: alguns escrevem que irão atuar no Congresso ou celebrar convênios; outros apresentam a mudança como promessa direta.

Qual é a linha de base da promessa?

Paes promete reduzir significativamente a violência no primeiro ano, mas não fixa percentual. Juliete promete erradicar o analfabetismo em um ano e cortar tarifas pela metade em janeiro de 2027. William prevê 30 CIEPs integrais no primeiro ano. Garotinho apresenta metas educacionais e de mobilidade, mas não referencia a origem de percentuais como a redução de 60% nos acidentes da Avenida Brasil.

André Marinho traz dezenas de metas numéricas, porém marca muitas como pendentes de estimação técnica.

Sem linha de base, custo e órgão responsável, prazo pode virar apenas recurso de campanha.

O que cabe em quatro anos?

Algumas promessas atravessam o calendário eleitoral. Busnello projeta a transformação das comunidades em bairros formais ao longo de dez anos. Garotinho divide os 11 viadutos da Avenida Brasil em etapas que chegam ao sétimo ano.

Planos plurianuais podem ultrapassar um mandato, mas precisam indicar o que será contratado, financiado e entregue até dezembro de 2030 — e o que dependerá do sucessor.

Como tirar a Linha 3 do papel?

A ligação metroviária para Niterói e São Gonçalo é uma das raras convergências.

André Marinho apoia a expansão; Busnello descreve implantação em duas fases; Douglas promete captar recursos; Paes fala em iniciar obras até o fim do mandato; William inclui Itaboraí na rede de longo prazo; Juliete promete chegada a Niterói e São Gonçalo; Garotinho promete atualizar estudos e modelos, evitando anúncio sem projeto ou recurso.

A repetição da obra em sete programas expõe tanto sua popularidade quanto o risco de reciclagem de uma promessa histórica sem engenharia financeira fechada.

O que os nove planos têm em comum

Apesar das diferenças ideológicas, quase todos prometem integrar bases de dados, interiorizar saúde e educação, ampliar o ensino técnico, recuperar trens e rodovias e enfrentar o poder econômico do crime. Há também consenso sobre a necessidade de reduzir indicações políticas na segurança e fortalecer algum tipo de gestão por metas.

A divergência aparece quando se pergunta quem executa, quem financia e quanto controle o Estado deve exercer.

A campanha de 2026 oferece ao eleitor fluminense uma escolha de modelo, não apenas de gerente.

Entre monotrilhos, tarifa zero, desestatizações, reestatizações, ocupações territoriais e desmilitarização, o próximo passo da apuração é cobrar planilhas, marcos legais e cronogramas. Sem isso, até o programa mais comprido pode caber na categoria das promessas que o próprio texto ainda precisa confirmar.

Metodologia e fontes

A análise compara nove PDFs fornecidos à apuração e a lista oficial de nove candidaturas do Rio de Janeiro. Todas as propostas e cifras de campanha são atribuídas aos respectivos programas; não foram tratadas como fatos consumados. A consulta ao DivulgaCand e ao Portal de Dados Abertos do TSE ocorreu em 20 de agosto de 2026. Como registros e anexos podem ser atualizados, a situação documental deve ser revista imediatamente antes da publicação.

DivulgaCandContas/TSE: consulta de candidaturas e arquivos

Portal de Dados Abertos do TSE: propostas de governo – RJ – 2026

Documentos analisados: programas de André Marinho, Coronel Busnello, Cyro Garcia, Douglas Ruas, Eduardo Paes, Garotinho, Juliete, Luan Monteiro e William Siri.

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Rio de Janeiro

Ladrões de bicicleta: quando a morte imita a arte

Foto de Bruno Quintella
Bruno Quintella

23/08/2026 07:00

“Existe uma cura para tudo, exceto a morte.”

A frase lapidar do clássico filme italiano de Vittorio De Sica, reproduzida pelo personagem Antonio Ricci, interpretado por Lamberto Maggiorani, atravessa gerações e ganha mais uma esquina no Rio de Janeiro.

No filme, a bicicleta é o objeto que desaparece. No Rio de Janeiro de 2026, a vida é que vira objeto.

Sim, porque há uma espécie de violência que começa antes do primeiro golpe, no momento em que alguém olha para outra pessoa e decide, sem conhecê-la, quem ela é. Ou quem poderia ser.

Talvez seja a parte mais incômoda da história de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, assassinado depois de ser brutalmente espancado em Copacabana. Segundo as investigações da polícia, ele foi abordado depois que um segurança suspeitou que a bicicleta que conduzia fosse roubada. Depois da abordagem, Cláudio foi levado para outra rua e agredido por um grupo de homens, entre eles entregadores. Não resistiu.

Agora, os quatro homens identificados nas imagens da agressão — do abate — estão presos. Dois entregadores e dois seguranças foram localizados pela polícia e se entregaram. A investigação, no entanto, continua, e a polícia ainda apura a participação de outras pessoas.

Mas isso é porque foi em Copacabana, onde no fuso-horário social carioca, miliciano vira justiceiro.

A família de Cláudio conta que ele tinha transtornos psicológicos. Mas essa informação não deveria ser necessária para que a tragédia nos causasse indignação. Uma pessoa não precisa apresentar diagnóstico, profissão ou qualquer documento de pertencimento para ter direito à própria vida.

É justamente aí que o caso de Cláudio faz lembrar de outras histórias que o Rio de Janeiro parece insistir em não esquecer e, ao mesmo tempo, parece insistir em repetir.

Em 2007, a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto esperava um ônibus na Barra da Tijuca quando foi atacada por cinco jovens. Foi espancada e roubada. A justificativa foi a de que os agressores haviam pensado (ou confundido, nas palavras de quem decide sobre o futuro da vida alheia) que Sirlei fosse uma prostituta.

Em 2022, foi a vez de Moïse Mugenyi Kabagambe. Congolês, refugiado, 24 anos. Estrangeiro, mas não “gringo”. Foi ao quiosque onde trabalhava, na Barra, para cobrar duas diárias atrasadas. Acabou espancado até a morte. Não era um europeu que caiu no golpe da caipirinha.

Agora, em Copacabana, a história volta a nos colocar diante da mesma pergunta: o que acontece quando uma pessoa deixa de ser vista como pessoa e passa a ser classificada apenas pela categoria que alguém decidiu atribuir a ela?

O ladrão. A prostituta. O estrangeiro. O sujeito “estranho”. Sem contrato social assinado pelo destino. Ou pelo acaso.

O que existe entre esses casos é a ideia, assustadora, de que uma classificação, um rótulo, pode diminuir o valor de uma vida. Ou ceifá-la.

Se é ladrão, então pode apanhar. Se é prostituta, então pode ser agredida. Se é estrangeiro, mas não gringo, não pega nada. Mas nenhuma dessas temeridades autoriza a violência.

Porque há algo ainda mais perigoso e vil do que a violência em si: a justificativa que vem depois.

“Eu achei que fosse.” Em seguida, um “E daí?”.

O problema começa quando o “achei” passa a valer mais do que o “achado”: a vida de quem está diante de nós. Quase vinte anos separam a agressão de Sirlei do espancamento de Cláudio.

Talvez por isso o linchamento comece antes da agressão física: quando a sociedade aceita que algumas pessoas valem menos do que outras. Ninguém pode ser condenado à morte aleatoriamente, com verniz de justiçamento.

Em que momento passamos a achar que saber ou pressupor quem alguém é nos dá o direito de decidir o que podemos fazer com essa pessoa? E com as próprias mãos?

Pois é.

 

 

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Transparência

Não passou: ex-gestores do Detran e empresa são condenados pelo TCE a devolverem R$ 57 milhões por fraude em sistema de vistoria

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Redação

22/08/2026 19:00

O plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) deu prazo improrrogável de 15 dias para que ex-gestores do Detran-RJ — entre eles o ex-presidente Vinícius Farah — e a empresa líder do Consórcio PCME, a M.I. Montreal Informática S.A., recolham aos cofres públicos estaduais valores relacionados a irregularidades na execução do contrato nº 161/2014. O acordo previa a implementação do Sistema Integrado de Identificação e Monitoramento de Veículos (Simove).

Somadas, as parcelas de débito determinadas pelo tribunal ultrapassam R$ 57 milhões em valores atuais. O montante foi distribuído entre diferentes grupos de responsáveis, de acordo com a participação atribuída a cada um na execução do contrato.

Vinícius Farah e a responsabilidade solidária

Entre os implicados no processo e notificados para ressarcimento está Vinícius Farah. O ex-presidente do Detran-RJ responde solidariamente junto com a servidora Fernanda Pereira Curdi e o Consórcio PCME em uma das parcelas do débito determinado pelo tribunal, no valor equivalente a 1.569.574,52 UFIR-RJ (o que corresponde a mais de R$ 7 milhões em valores atualizados).

Sistema não entregou o prometido

A cobrança teve origem em uma auditoria externa realizada pelo TCE-RJ entre maio e julho de 2019 para verificar o fornecimento e a instalação do sistema previsto no contrato. A fiscalização identificou a inexecução do objeto contratado e falhas estruturais e operacionais graves.

Entre os problemas apontados estão a ausência de condições mínimas em diversos postos do Detran, o descumprimento de especificações técnicas e a não entrega de componentes considerados essenciais para o funcionamento do sistema.

O TCE-RJ classificou o resultado como uma “frustração total dos objetivos contratuais”. Para o Tribunal, a conclusão foi baseada nos elementos técnicos e documentais produzidos pela própria auditoria.

Pagamentos sem comprovação

Além das falhas na execução, a auditoria apontou pagamentos de valores elevados sem comprovação da correspondente prestação dos serviços. Segundo o acórdão, houve pagamentos sem homologação das etapas contratadas e sem documentação capaz de comprovar a efetiva execução das atividades previstas. O tribunal considerou que os achados demonstraram dano material concreto ao erário.

Quem aparece entre os responsáveis

O processo envolve diferentes grupos de ex-gestores, fiscais de contrato e servidores que participaram da execução do acordo, além do Consórcio PCME.

Além de Vinícius Farah, figuram entre os citados no processo Ricardo Tristão Borges, José Carlos dos Santos Araújo, Mateus Dias Marçal, Alexandre Gonçalves Antunes, Carla Adriana Pereira, Fabiana Espindola Ivo, Fábio Luiz Pinto da Silva, Leonardo Silva Jacob e Fernanda Pereira Curdi. O Consórcio PCME, liderado pela M.I. Montreal Informática S.A., também aparece como responsável solidário em diferentes parcelas.

O maior débito individualizado no julgamento é de 6.141.992,43 UFIR-RJ e envolve Mateus Dias Marçal, Ricardo Tristão Borges, José Carlos dos Santos Araújo, Alexandre Gonçalves Antunes e o Consórcio PCME.

Os responsáveis e a empresa líder do Consórcio PCME apresentaram Embargos de Declaração contra a decisão anterior. Entre os argumentos estavam alegações de prescrição, nulidades processuais e questionamentos sobre a formação e a quantificação dos débitos.

As alegações não foram acolhidas pelo relator, conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento, por demonstrarem apenas inconformismo com a decisão, sem apontar omissões ou obscuridades capazes de alterar o mérito do julgamento.

TCE corrigiu erro sobre destino do dinheiro

O relator deu provimento parcial aos embargos apresentados por Ricardo Tristão Borges e José Carlos dos Santos Araújo apenas para corrigir um erro material na decisão anterior.

O texto determinava que os valores fossem recolhidos aos “cofres municipais”. Como o Detran-RJ é uma autarquia estadual, o tribunal corrigiu a determinação para que o ressarcimento seja feito aos cofres estaduais. Os responsáveis têm prazo improrrogável de 15 dias para comprovar o recolhimento dos débitos, com recursos próprios. Caso o pagamento não seja realizado integralmente dentro do prazo, as contas serão julgadas irregulares.

O relator classificou o recolhimento como a última oportunidade para sanar as contas. O acórdão afirma ainda que, nesta fase, a decisão não é passível de nova apresentação de defesa ou interposição de recurso, por se tratar de decisão definitiva de mérito.

COM FÁBIO MARTINS

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Política

Pix eleitoral: Luiz Lima nada em dinheiro, enquanto Garotinho espera o troco do pão

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Redação

22/08/2026 18:30

O deputado federal Luiz Lima (Novo) mantém a primeira colocação no quesito pix eleitoral: o volume total de arrecadação financeira para a sua campanha à reeleição já soma R$ 600 mil declarados. Já o vereador carioca Pedro Duarte (PSD), pré-candidato à Assembleia Legislativa (Alerj), comunicou à Justiça Eleitoral o recebimento de mais R$ 62,7 mil. Com o aporte, ele passou de R$ 346,1 mil para R$ 408.883 em arrecadação total.

O acréscimo consolida a segunda posição geral de Pedro Duarte e amplia a margem em relação ao também pré-candidato do PSD à Alerj Flávio Valle, que contabiliza R$ 302.884. No mesmo partido, o ex-secretário municipal de Saúde do Rio Daniel Soranz, pré-candidato à Câmara dos Deputados, registrou um novo repasse de R$ 20,9 mil, subindo de R$ 70,1 mil para R$ 91.113 acumulados.

A lista do topo das arrecadações conta ainda com a pré-candidata a deputada federal Tatiana Roque (PSB), com R$ 168 mil, o deputado estadual Jair Bittencourt (PL), com R$ 120 mil provenientes de recursos próprios, e a pré-candidata à Alerj Marina do MST (PT), que ingressou no grupo com R$ 67.560 informados.

Na corrida ao governo do estado do Rio de Janeiro, novas doações foram inseridas no sistema. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) registrou R$ 2.500, montante vindo de uma única doação. Já Cyro Garcia (PSTU) aparece com R$ 300 declarados. Eles se somam a William Siri (PSOL), que contabiliza R$ 46 mil oriundos de transferências efetuadas por quatro pessoas físicas.

O pix eleitoral é coisa séria e declarada ao TSE

Os valores apresentados são parciais e refletem as comunicações feitas pelas campanhas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o momento. A legislação eleitoral determina que os partidos e candidatos informem o recebimento de recursos em até 72 horas após a entrada dos valores, o que pode alterar os totais acumulados a cada nova atualização do sistema.

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Transparência

No ritmo da Cultura: 24 projetos de Música e Dança podem captar R$ 24,8 milhões em incentivos no estado do Rio

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Redação

22/08/2026 18:00

A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro publicou a relação oficial de projetos contemplados com a Certificação de Mérito Cultural, autorizando a captação de recursos por meio de incentivos fiscais. Na área de Música e Dança, foram 24 projetos aprovados, somando R$ 24.855.638,08 autorizados para busca de apoio financeiro junto à iniciativa privada.

A nova relação se soma a outras autorizações de captação feitas pela pasta. Em junho, 13 projetos de diferentes áreas culturais também receberam autorização para buscar recursos por meio de incentivos fiscais, em uma rodada que permitiu a captação de mais de R$ 21 milhões. ⁠

A lista atual abrange desde grandes festivais do calendário cultural fluminense até projetos sociais de formação musical e celebrações comunitárias.

Entre as maiores captações autorizadas estão o Rio Bossa Nossa 2027 e o Orquestra Light da Rocinha – Ano III, autorizados a captar R$ 3 milhões cada. O Arraiá ICAIS aparece na sequência, com R$ 2,2 milhões aprovados para captação.

A autorização não significa que os recursos já tenham sido arrecadados. A partir da Certificação de Mérito Cultural, os responsáveis pelos projetos ficam habilitados a buscar empresas interessadas em apoiar as iniciativas por meio dos mecanismos de incentivo fiscal.

COM FÁBIO MARTINS

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Transparência

Trevo das Missões terá terminal de BRT de R$ 56,6 milhões; licitação é marcada para setembro

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Redação

22/08/2026 17:00

O Trevo das Missões, em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio, terá um novo terminal de transporte integrado ao BRT. A Secretaria municipal de Infraestrutura publicou o edital para a construção do Terminal Missões, com valor estimado de R$ 56,6 milhões. A licitação está marcada para 24 de setembro, às 10h30.

A concorrência pública eletrônica prevê a execução da primeira fase das obras, com prazo de 360 dias. O critério de julgamento será o menor preço global. A disputa será realizada por meio do sistema Comprasnet.

O terminal será construído em uma área estratégica, no entroncamento da Avenida Brasil com a Rodovia Washington Luiz (BR-040), e integra o projeto de expansão do BRT Metropolitano em direção à Baixada Fluminense.

A estrutura deverá ampliar a conexão do transporte público entre a capital e moradores de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Magé e São João de Meriti. A proposta é permitir a integração entre ônibus intermunicipais e o sistema BRT, facilitando o deslocamento dos passageiros que chegam ao Rio pela Washington Luiz.

Valor da obra aumenta em relação à estimativa inicial

O valor previsto no edital, de R$ 56.612.320,75, é superior aos R$ 46 milhões estimados pela prefeitura quando o projeto foi apresentado, em junho. Na ocasião, foi lançada a pedra fundamental do Terminal Missões, em cerimônia que marcou o avanço do projeto.

A nova estrutura foi planejada para receber plataformas para o BRT e para ônibus alimentadores, além de áreas destinadas aos passageiros e à operação do terminal. O equipamento faz parte da estratégia de ampliar o alcance do BRT Metropolitano para além dos limites da capital.

O Terminal Missões também está associado ao corredor Transbrasil, que conta com outros terminais de integração e permite a conexão dos passageiros com diferentes regiões do Rio. Documentos da Secretaria Municipal de Transportes já previam o equipamento como ponto de integração para ônibus intermunicipais provenientes da Rodovia Washington Luiz.

O projeto e a conexão com a Baixada já haviam sido detalhados anteriormente, quando foi anunciada a implantação do terminal no Trevo das Missões.

Agora, com a publicação do edital, a obra entra na etapa de disputa pela contratação da empresa que será responsável pela execução.

COM FÁBIO MARTINS

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Garrafas ao Mar

O Poder Superior

Foto de João Arruda
João Arruda

22/08/2026 16:30

Era uma noite de terça-feira quando o companheiro relatou sua história ao grupo. Aconteceu quando estava há mais de um ano recaído, depois de um longo período sem usar drogas e frequentando a irmandade. E a recaída foi feia. Como diz a literatura do Programa dos Doze Passos, foi pior do que o uso de drogas anterior. O cara estava completamente derrotado. Numa noite, com o bolso cheio de drogas, estava descendo o morro, quando sua moto deu pane total. Do nada. O cara praguejou, se enfureceu. E foi quando se deu conta de onde estava.

A moto parou justamente em frente a um grupo da irmandade. Próximo ao horário em que iria acontecer uma reunião. O camarada parou, pensou. Entro ou não entro? Quando se está sob efeito de drogas e prestes a usar ainda mais, a sanidade não é exatamente uma coisa que aflora no momento. Por isso, tomou uma decisão meio canhestra, que no fim se mostrou certa. Mesmo que por linhas tortas.

O camarada fazia parte da irmandade, mesmo estando afastado. Sabia que o sugerido era nunca entrar num local de reunião portando drogas ou qualquer objeto costumeiramente utilizado no uso. Sendo assim, arrumou um lugar, cheirou toda a cocaína que tinha no bolso, tentou se recompor, como se isso fosse possível, e entrou na reunião.

Lá dentro, escutou as partilhas. Ao fim da reunião, pediu ajuda a um companheiro. Desde aquele dia, frequenta assiduamente as reuniões e não está usando drogas. Inclusive atua como servidor em um grupo. Não sabe explicar o que aconteceu naquela noite. A pane na moto, o despertar espiritual. Só tem uma resposta, que parece simples, mas não é: O Poder Superior.

As irmandades destacam que existe um Poder Superior, que é maior do que a doença do vício. Pode ser uma divindade, uma pessoa, um animal. Não importa. Existe e está lá para ser acessado pelo dependente químico. Muitos nas irmandades acreditam ainda que o tal Poder Superior resolve interferir às vezes. Destino? Vá saber. O fato é que existem milhares de relatos. Aqui só faço dois que conheço de perto.

O segundo se deu quando o Poder Superior pode ter se manifestado, de certa forma, por um terceiro. Aconteceu que o viciado chegou à boca de fumo para comprar cocaína. Na hora de puxar o dinheiro, deixou a chave cair. Nela estava um chaveiro de Narcóticos Anônimos. O traficante viu. O bandido tinha um pai que estava tentando se livrar da dependência química havia anos e frequentava a irmandade. Ao ver o chaveiro, o traficante se recusou a vender para o rapaz. O que aconteceu depois não sabemos. Mas o fato é que, naquela noite, naquela boca de fumo, o cara não comprou nada.

Eu sou ateu convicto, a despeito de me pegar dando atenção a certos misticismos. “Quem é ateu e viu milagres como eu”, como canta o Caetano Veloso. O fato é que considero meio inexplicável ainda a circunstância de estar sem beber há um ano. A coisa tinha se tornado muito feia pra mim. Não via luz no fim do túnel, tampouco acreditava no poder do Programa dos Doze Passos. Não para mim, pelo menos. Mas vem acontecendo.  E isso eu atribuo muito à frequência diária das reuniões das irmandades (sou membro de duas). De fato, tem algo inexplicável dentro daquelas salas quando começa uma reunião. Meu lado racional grita que é apenas apoio terapêutico de um viciado para o outro, como prevê o programa. Mas o mesmo programa diz que existe algo a mais lá dentro. E de certa forma eu posso sentir.

Por isso escolhi esse tema para esse primeiro texto sobre o assunto. Para quem não me conhece, sou escritor, jornalista há 32 anos e alcoólatra. Publiquei um livro chamado “Garrafas ao mar”, escrito à mão durante minha internação de 110 dias numa clínica. Desde então, venho me dedicando a entender o programa e compartilhar um pouco dele com os outros através do meus textos.

Convido vocês a participar dessa viagem interior comigo. E finalizo a de hoje com uma curiosidade. Horas atrás, eu estava com o cachorro Lunga na rua. Parei para acender um cigarro. Estava justamente pensando neste texto, no tal Poder Superior, seus sinais, quando um motoqueiro numa Harley Davidson encostou, esperando o sinal abrir. Estava tocando uma música bem alto. Era Bob Dylan cantando “It’s all over now, baby blue”. Aquela música que tem os versos “As pedras do caminho / deixe para trás / Esqueça os mortos / eles não levantam mais”. Essas coincidências…

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Política

PL leva ‘Ramagens de papelão’ a ato de Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas no Maracanãzinho

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Redação

22/08/2026 16:19

Mesmo nos Estados Unidos, onde vive desde o fim do ano passado, Rebeca Ramagem (PL) marcou presença à distância no ato do PL realizado neste sábado (22), no Maracanãzinho, no Rio.

A candidata a deputada federal não participou presencialmente do evento, mas ganhou uma “representante”: um boneco de papelão com sua imagem, levado ao local ao lado de uma versão de seu marido, Alexandre Ramagem (PL).

O evento marcou o lançamento oficial da candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado Rio, com a presença do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. As imagens dos bonecos foram divulgadas pela própria Rebeca nas redes sociais.

‘Presentes’ diretamente dos EUA

Em uma delas, os “Ramagens” aparecem ao lado de Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, e de outros integrantes do partido, como o candidato a deputado estadual Rogério Amorim.

Os bonecos também foram levados ao palco do Maracanãzinho e posicionados ao lado dos candidatos.

Em uma publicação, Rebeca agradeceu a Fernanda Bolsonaro e afirmou: “Seguimos juntas, com coragem, fé e muito trabalho. O Rio de Janeiro e o Brasil podem contar conosco!”.

Campanha de Rebeca tem sido feita à distância

Rebeca Ramagem, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, ainda não veio ao território fluminense desde o início da campanha e tem concentrado as ações em publicações nas redes sociais.

Ela chegou a afirmar que disputa a vaga no lugar do marido: “Meu marido não pode estar nessa disputa. Mas eu posso”.

Rebeca deixou o Brasil no fim de 2025 e se mudou para os Estados Unidos após a condenação de Alexandre Ramagem por envolvimento na trama golpista. Procuradora do estado de Roraima, ela acumula férias, prorrogações e licenças, somando mais de sete meses sem trabalhar. Em julho, pediu uma nova licença para disputar a eleição.

Nas redes sociais, a candidata republica vídeos do marido e publica gravações em que fala sobre sua experiência como delegada de polícia, o conflito diplomático entre Brasil e Estados Unidos e segurança pública.

Com informações do jornal “O Globo”.

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Política

Fantasia de cachorro vira atração em ato de Lula em Bangu

Foto de Redação
Redação

22/08/2026 15:34

Um “cachorrão” muito simpático virou uma das atrações do comício de Lula em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

No meio do ato político lotado, a figura chamou a atenção de quem estava por perto: dançava, pulava, dava a “pata”, levantava bandeira e ainda posava para fotos com uma interminável fila de admiradores.

A curiosidade era geral: afinal, quem estava por trás da fantasia de cachorro laranja? Em plena forma física, o “bichano” chegou a andar de quatro pelas ruas de Bangu, enquanto apoiadores tentavam descobrir a identidade do personagem.

Dirigente do PSD sob a fantasia

O mistério, porém, tinha um nome conhecido da política fluminense. Quem vestia a fantasia era Luiz Carlos Ramos, o “Homem do Chapéu”, um dos dirigentes do PSD no Rio e responsável pelas nominatas do partido.

Segundo Luiz Carlos, a performance foi uma forma de chamar a atenção do presidente Lula e do público para a causa animal.

“Essa é uma forma de chamar a atenção do presidente Lula e de todo o país para a causa animal. O Brasil deve priorizar o bem-estar dos animais, esses seres indefesos que não podem falar”, afirmou Luiz Carlos, que encerrou a declaração em tom bem-humorado: “Au au do Chapéu”.

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Rio de Janeiro

80% dos consumidores da Região Metropolitana afirmam que consideram meio ambiente em seus hábitos, aponta pesquisa

Foto de Redação
Redação

22/08/2026 15:30

Consumidores da Região Metropolitana do Rio acumulam hábitos sustentáveis, é o que revela uma pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ). 80% dos entrevistados pela pesquisa afirmam que seus
hábitos consideram a preservação do meio ambiente, mas apenas 63% afirmam que suas a maior parte de suas ações rotineiras estão associadas às mudanças climáticas.

Alguns hábitos populares no país se concretizam nos resultados do levantamento no Rio. Por exemplo, fechar a torneira ao escovar os dentes ou lavar a louça foi a atitude mais citada, por 94,2% dos participantes. Já quando o assunto é economia e consumo responsável, apagar as luzes ao sair de um recinto aparece em destaque, com 94,1% das menções.

Preço continua sendo relevante que mudanças climáticas

A disposição para pagar mais por produtos e serviços de empresas que adotam práticas socioambientais comprovadas diminuiu, quando comparada a 2025. 41,4% dos consumidores afirmaram dar preferência a essas empresas mesmo diante de um preço maior, percentual que no ano passado chegou a 48,9%.

A pesquisa aponta que apenas 22,9% dos entrevistados não associam suas escolhas cotidianas às mudanças climáticas.

Coleta de lixo ainda é preocupação

Mesmo com as campanhas de coleta seletiva e lixo e incentivo ao hábito da reciclagem, 71,4% relata que o lixo coletado nas ruas é misturado, sem separação entre recicláveis e orgânicos. Somente 18,3% afirmaram que os resíduos são separados adequadamente.

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa é do tipo quantitativa com questionário aplicado de forma presencial a 946 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

 

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