É, no mínimo, um caso curioso da eleição de 2026. Para tentar conquistar uma cadeira de deputada federal pelo Rio de Janeiro, Rebeca Ramagem (PL) está fazendo uma campanha com alguns milhares de quilômetros de distância entre candidata e eleitor.
Rebeca vive nos Estados Unidos desde o fim de 2025, ao lado do marido, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Mesmo morando na Flórida, ela foi oficializada pelo PL para disputar uma das 46 cadeiras fluminenses na Câmara dos Deputados.
Na prática, a campanha ganhou contornos de home office eleitoral internacional. Nas peças que começaram a circular nas redes, Rebeca Ramagem aparece defendendo principalmente bandeiras ligadas à segurança pública e à atuação política do marido. Em um dos vídeos, o slogan é direto: “Faça justiça, vote Rebeca”.
A situação chama ainda mais atenção porque a moça é procuradora do Estado de Roraima, cargo do qual pediu licença em junho justamente para exercer atividade política. Antes disso, ela já estava afastada presencialmente das funções desde que foi para os Estados Unidos.
Foi também dos EUA que a procuradora anunciou sua entrada na política eleitoral. Ao lançar a candidatura, afirmou viver uma situação de “exílio político” e disse que decidiu disputar a vaga com apoio da família Bolsonaro.
A distância não faz de Rebeca Ramagem uma candidata irregular
Apesar da peculiaridade, morar fora do Rio — ou mesmo fora do Brasil — não torna, por si só, uma candidatura irregular. A legislação exige que o candidato possua domicílio eleitoral na circunscrição pelo menos seis meses antes da eleição. E a própria jurisprudência do TSE admite que o domicílio eleitoral seja demonstrado não apenas pela residência física, mas também por vínculos políticos, econômicos, sociais ou familiares.
Assim, salvo eventual questionamento específico sobre seu registro, o ponto mais singular da candidatura de Rebeca Ramagem não é jurídico, mas eleitoral: ela tenta convencer o eleitor do Rio sem estar, fisicamente, no Rio.
É uma campanha fluminense com endereço americano — e, ao menos por enquanto, a ponte aérea foi substituída pelo Wi-Fi.



























































