Quedas de árvores, pontos de alagamento e interdições no trânsito foram registrados em diferentes regiões do Rio na manhã deste sábado (03), devido às fortes chuvas que atingem o estado desde a madrugada. Na RJ-142, conhecida como Serramar, uma árvore de grande porte caiu sobre a rede de alta tensão e bloqueou a pista na altura do Córrego da Luz, em Casimiro de Abreu.
Árvore cai sobre rede elétrica e bloqueia rodovia
No trecho afetado, a presença de fios de alta tensão aumenta o risco de acidentes e descarga elétrica. A Defesa Civil está no local acompanhando a ocorrência, enquanto a Enel foi acionada para realizar os procedimentos necessários na rede elétrica.
Até a conclusão dos trabalhos, a orientação é que motoristas não tentem passar pelo ponto interditado nem se aproximem da área. A liberação da pista depende da retirada da árvore e da adoção das medidas de segurança na rede elétrica.
Chuva também causa transtornos na capital
Na cidade do Rio, os maiores volumes de chuva registrados até as 10h20 estavam no Recreio dos Bandeirantes e na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, além de Copacabana, na Zona Sul.
Bolsões d’água foram registrados em diferentes pontos da Zona Sul. Na região do Parque Lage, no Jardim Botânico, a chuva dificultava a circulação de motoristas e pedestres.
Em Botafogo, uma árvore caiu na Rua São Clemente, na altura do Morro Santa Marta, por volta das 05h. De acordo com informações do COR-Rio, por volta das 11h, uma faixa da Rua São Clemente já havia sido liberada, na altura da Rua da Matriz.
Equipes da prefeitura permanecem atuando no local e o desvio sendo realizado para Rua Dona Mariana.
A previsão indica tempo chuvoso durante todo o sábado na capital, tanto durante o dia quanto à noite. As temperaturas devem variar entre 19°C e 22°C. O mesmo cenário é previsto para Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
Pela primeira vez, moradores da Aldeia Sapukai, no Sertão do Bracuí, em Angra dos Reis, poderão votar sem precisar deixar a comunidade. A aldeia terá uma seção eleitoral nas eleições deste domingo (4), instalada no Colégio Indígena Estadual Guarani Karai Kuery Renda.
A criação do local de votação é resultado de uma iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para facilitar o acesso dos moradores da comunidade à votação. Até então, indígenas da região precisavam se deslocar para outros locais para exercer o direito ao voto.
Atendimento do TRE
Em outubro de 2025, uma ação da Justiça Itinerante do TRE-RJ esteve na Aldeia Sapukai para atender moradores e viabilizar a transferência do domicílio eleitoral. Cerca de 90 indígenas que votavam fora da aldeia foram atendidos na ocasião. (Justiça Eleitoral)
A iniciativa também alcançou comunidades quilombolas do Sertão do Bracuí, que puderam solicitar serviços eleitorais, como emissão do título e transferência do local de votação.
A Aldeia Sapukai abriga o Colégio Indígena Estadual Guarani Karai Kuery Renda, onde funcionará a nova seção eleitoral. A medida permite que os moradores tenham o local de votação mais próximo de suas residências.
O TRE-RJ orienta os eleitores a consultarem previamente o local e a seção eleitoral. A consulta pode ser feita pelo site da Justiça Eleitoral ou pelo aplicativo e-Título. (Justiça Eleitoral)
Com informações do colunista Ancelmo Góis, de O Globo.
O aumento do furto de cabos de energia em escolas estaduais levou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) a pedir ao governo do estado a locação de geradores para 49 unidades que serão locais de votação e apresentam problemas no fornecimento de energia.
Os casos foram identificados pela Secretaria estadual de Educação nas últimas semanas, principalmente em Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) em municípios como Rio de Janeiro, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Petrópolis, Queimados, Paracambi e Tanguá.
São Gonçalo e Nova Iguaçu concentram o maior número de unidades incluídas no pedido do TRE: dez escolas no município da Região Metropolitana e nove no da Baixada Fluminense.
A Secretaria de Educação informou que aguarda um parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para definir a empresa que ficará responsável pelo fornecimento dos geradores. As propostas apresentadas têm valores próximos de R$ 1,1 milhão por turno.
Aumento no registro de furtos
De acordo com o governo do estado, nove furtos foram registrados em unidades escolares nos últimos 20 dias.
Um dos casos ocorreu na última terça-feira (29), no Ciep Brizolão 137 Cecília Meireles, em Petrópolis, na Região Serrana. Segundo o boletim de ocorrência, dois criminosos invadiram a unidade e tentaram furtar a fiação de alta tensão, mas não conseguiram e fugiram. O caso é investigado pela 105ª DP (Petrópolis).
Falta de luz não interrompe votação
Mesmo em caso de queda de energia, as urnas eletrônicas continuam operando normalmente. Os equipamentos contam com baterias capazes de mantê-los funcionando por até 12 horas, cobrindo todo o período previsto para a votação.
O principal problema para os eleitores pode estar no acesso aos locais de votação. Na capital, há seções instaladas em prédios de até 10 andares, e uma interrupção no fornecimento de energia pode afetar o funcionamento dos elevadores.
As urnas que eventualmente apresentarem falhas serão substituídas por equipamentos de contingência.
Justiça dá prazo de 15 dias para que o MPRJ corrija falhas em ação contra Waguinho por fraude em licitação; erro pode custar o arquivamento do processo
O ex-prefeito de Belford Roxo e candidato ao Senado pelo Republicanos, Waguinho, pode ser beneficiado por uma falha do Ministério Público do Rio (MPRJ) em uma ação que apura supostas irregularidades em licitações realizadas durante sua gestão.
Apresentada em março de 2023, a ação civil pública acusa Waguinho de envolvimento em um suposto esquema de direcionamento de licitações no município das Baixada Fluminense. No processo, porém, o MPRJ não apresentou os cálculos que justificariam o valor atribuído ao rombo financeiro nem detalhou os possíveis prejuízos aos cofres públicos.
A falha foi apontada pelo juiz Rafael Santana Garcia, da 1ª Vara Cível de Belford Roxo. Em decisão tomada na última semana, o magistrado determinou que o MP corrija o cálculo no prazo de 15 dias.
Caso a determinação não seja cumprida, a ação poderá ser rejeitada e arquivada sem que as acusações sejam analisadas no mérito.
Contratos milionários são alvo da ação
O processo trata dos primeiros 15 meses da gestão de Waguinho à frente da Prefeitura de Belford Roxo e também envolve o então secretário municipal de Obras, Bruno Paes Leme, e o ex-vereador Fabinho de Heliópolis.
Segundo a ação, nesse período a empresa ENG RIO, sediada em Belford Roxo, venceu quatro licitações para obras em postos de saúde, um viaduto e praças do município.
O magistrado também negou pedidos de medidas urgentes apresentados pelo MPRJ. Na decisão, afirmou que o órgão poderia ter obtido, por meio de seus próprios instrumentos de investigação, informações básicas sobre os envolvidos antes de recorrer ao Judiciário.
Com informações da coluna do jornalista Guilherme Amado no “Amado Mundo”.
Outubro começou e as eleições ditam o tom de seu primeiro fim de semana. No entanto, antes ou após ir às urnas, dá tempo de aproveitar a sempre animada programação cultural do Rio. Entre este sábado (3) e domingo (4), a cidade recebe mais uma edição de uma das maiores festas do cinema da América Latina: o Festival do Rio. Tem, ainda, o grande encerramento do Rio Gastronomia no Jockey Club e a estreia de uma exposição inédita sobre o mestre baiano Mario Cravo Neto. Vote consciente e bora lá!
Festival do Rio ocupa cinemas da cidade com maratona de mais de 300 filmes
Para os apaixonados por cinema, o fim de semana é de maratona garantida com a abertura do Festival do Rio, que vai até 11 de outubro. A edição deste ano espalha mais de 300 produções nacionais e internacionais por 14 pontos da cidade — incluindo o tradicional Cine Odeon, no Centro, além do Cine Santa Teresa, Reserva Cultural Niterói, unidades do Estação Claro e salas populares como o CineCarioca Nova Brasília e a Areninha Cultural Renato Russo. Os ingressos custam a partir de R$ 16 (meia-entrada). A programação completa pode ser conferida direto no site oficial do festival.
Festival ocupa 14 cinemas no Rio — Foto: Rogerio Resende/Festival do Rio
Arlindinho marca o encerramento do Rio Gastronomia na Gávea
O fim de semana também é o último para aproveitar a edição 2026 do Rio Gastronomia, no Jockey Club Brasileiro, na Gávea. Além de pratos icônicos dos melhores bares e restaurantes cariocas, o evento conta com aulas de culinária com chefs, feirinha de produtores, roda-gigante e espaço para as crianças. A trilha sonora de sábado tem show de Mariah Marini às 16h e roda de samba com Arlindinho às 20h. Já no domingo, a diversão infantil fica por conta de Os Fabulosos às 16h, e o encerramento traz o funk do Bloco da Favorita às 19h30. Os ingressos de 1º lote saem a partir de R$ 88 (inteira) na Ticketmaster, com consumação cobrada à parte.
Arlindinho marca último fim de semana do Rio Gastronomia — Foto: Divulgação/Nallafilms
Caixa Cultural inaugura exposição gratuita com obras do mestre baiano Mario Cravo Neto
Quem estiver passeando pelo Centro a partir deste sábado (3) também não pode deixar de visitar a estreia da mostra inédita “Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia”, na Caixa Cultural, no Centro. Com curadoria do filho do artista, Christian Cravo, a exposição gratuita reúne fotografias, vídeos em 8 mm, objetos e aquarelas produzidas entre o final dos anos 1960 e meados dos 1970. O acervo mergulha no período mais experimental de Cravo Neto, revelando as raízes de sua linguagem visual antes da fama internacional, com foco nas gentes, paisagens e na religiosidade baiana. A visitação é gratuita e funciona de terça a sábado, das 10h às 20h, e nos domingos, das 10h às 18h.
Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia” estreia na Caixa Cultural — Foto: Divulgação
Douglas Ruas (PL) começou a campanha para o governo do estado do Rio com um problema básico: ninguém sabia quem era… Douglas Ruas. Quarenta e nove dias depois, chega às urnas, neste domingo (04), em outro patamar. O presidente da Assembleia Legislativa já pode ser considerado figurinha carimbada. Conseguiu crescer, encurtou (muito) a distância para o favorito Eduardo Paes (PSD) e, principalmente, avançou sobre um eleitorado essencial: o de Flávio Bolsonaro (PL).
Os números do Datafolha revelam essa escalada. Em agosto, Douglas tinha 19% das intenções de voto. Na pesquisa divulgada em 14 de setembro, chegou a 25%. No levantamento mais recente do instituto, publicado nesta quinta-feira (01), alcançou 31%. No mesmo período, Paes passou de 41% para 42%.
A distância entre os dois, portanto, caiu de 22 para 11 pontos.
Mais avassalador é o crescimento dentro do campo bolsonarista. Ainda segundo o Datafolha, Douglas chegou a 55% entre os que se definem como alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. E, entre os eleitores de Flávio, a ascensão foi ainda mais acentuada: a adesão a Douglas passou de 37% para 56% e chegou a 63% na reta final.
Ou seja: o candidato do PL finalmente começou a encontrar o eleitor do PL.
Bolsonaro como padrinho — e como atalho
Flávio Bolsonaro nunca foi um personagem lateral na candidatura de Douglas. Foi parte de sua razão de existir.
O deputado estadual de primeiro mandato foi escolhido para dar um palanque próprio no Rio ao candidato a presidente pelo PL e entrou na disputa com seu aval. Disse, em entrevistas, que gostaria de ter Flávio ao seu lado todos os dias — não chegou a tanto, mas pode desfilar com ele, só durante o período oficial da campanha, em pelo menos 12 eventos (fora os que estão programados para hoje, em Bangu e Campo Grande).
Já na abertura da disputa, na Praia de Copacabana, se apresentou ao eleitorado mais à direita, afirmando ter recebido do próprio Jair Bolsonaro a missão de disputar o governo do estado.
A família virou a estrela dos programas eleitorais. Flávio e Jair Bolsonaro apareceram na propaganda de Douglas desde a estreia. Na reta final, a campanha chegou a usar, sem autorização, a imagem de Vini Jr numa peça que fazia uma comparação entre casais só para chegar à mensagem que realmente interessava: de um lado, Lula e Paes; do outro, Bolsonaro e Douglas.
Pode ter sido uma peça discutível — sobretudo pelo uso não autorizado da imagem do jogador, que foi até proibido pela Justiça Eleitoral — mas deixava cristalina a estratégia.
Douglas precisava transformar o sobrenome Bolsonaro em fermento eleitoral.
O candidato novo e os velhos conhecidos
A campanha investiu numa comunicação leve, rápida, com linguagem voltada especialmente para os mais jovens e forte ênfase na ideia de renovação. Aos 37 anos e disputando pela primeira vez uma eleição majoritária, Douglas tem características (inclusive físicas) que ajudam a sustentar essa embalagem.
Douglas Ruas corre, no primeiro programa eleitoral: imagem de juventude e vitalidade – Foto: Reprodução das redes sociais
O problema é que sua biografia política é menos nova do que a propaganda sugere.
Douglas está em seu primeiro mandato na casa legislativa do Largo da Carioca, mas ocupa há anos cargos públicos e políticos. Além da Alerj, passou pela Prefeitura de São Gonçalo, pelo Inea e pelo primeiro escalão do governo estadual. Em 2023, Cláudio Castro o nomeou secretário estadual das Cidades, pasta que comandou até março deste ano. A própria biografia oficial da Alerj registra a passagem pelo governo Castro.
Sua trajetória também está ligada a dois personagens experientes do PL fluminense: o pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, e o deputado federal Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara Federal. Levantamento publicado pela “Folha de S.Paulo”, em março, mostrou que Douglas acumulava nove anos em cargos sob a influência política dos dois.
Trata-se de uma das contradições mais interessantes da campanha: a renovação é um dos principais produtos vendidos por um candidato formado dentro de estruturas políticas para lá de tradicionais.
Castro? Que Castro?
Se Flávio Bolsonaro foi trazido para o altar do projeto eleitoral do PL no Rio, Cláudio Castro foi relegado à sacristia. Douglas comandou durante cerca de dois anos uma das principais secretarias do governo Castro, a das Cidades, responsável por grandes investimentos em obras nos municípios.
O partido também esteve presente em outras pastas — e em muitos outros escalões.
Mas, durante a campanha, todo mundo procurou marcar distância do ex-governador.
Ao ser questionado, o candidato a governador recusou-se a dar uma nota à administração da qual participou, disse desaprovar a gestão e afirmou que Castro não subiria em seus palanques.
Em outro momento, classificou a relação entre os dois como apenas “política e institucional”.
Um colunista da “Folha” observou que a campanha praticamente retirou do currículo eleitoral de Douglas os dois anos à frente da Secretaria das Cidades.
Embora haja uma dificuldade óbvia nessa estratégia: foi justamente a passagem pela secretaria que ajudou o candidato do PL a ampliar sua presença fora de São Gonçalo. À frente da pasta, ele teve contato direto com prefeitos — para quem levou investimentos em pavimentação, drenagem, equipamentos públicos e mobilidade.
Ou seja, aquilo que a campanha prefere não associar a Castro foi também o que ajudou Douglas a construir seu nome na política do estado inteiro.
Bacellar também ficou fora da foto
Rodrigo Bacellar é outro personagem cuja proximidade se tornou inconveniente. Douglas e o ex-presidente da Alerj foram aliados na Assembleia — como, aliás, quase que a Assembleia inteira. Depois da prisão de Bacellar, praticamente todos procuraram afastar de si qualquer responsabilidade pelo antigo aliado.
Ao comentar sobre o ex-presidente da Alerj que hoje está no presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, afirmou só que qualquer pessoa envolvida com práticas criminosas deve ser punida.
Nos debates, os adversários exploraram a convivência entre os dois. Eduardo Paes (PSD), o maior oponente, principalmente. Mas William Siri (PSOL), por exemplo, chamou Douglas repetidamente de “pupilo” de Castro e Bacellar. Douglas respondeu com a frase que acabou funcionando quase como um resumo de sua estratégia de campanha: “Não sou candidato de ninguém. Eu tenho identidade própria.”
A força que vem de fora da capital
Se Paes montou uma operação para conquistar prefeitos, especialmente na Baixada Fluminense, Douglas nem precisou, porque contava com a capilaridade do PL e de suas próprias relações no interior. A passagem pela Secretaria das Cidades lhe deu contato com administrações municipais de diferentes regiões.
Antes disso, porém, havia a fortaleza familiar de São Gonçalo. Em 2022, Douglas foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 175.977 votos — e 149.576 deles vieram apenas de São Gonçalo, onde obteve 33% dos votos válidos.
É quando entra a força do PL. O partido ofereceu uma estrutura capaz de transformar uma base municipal extraordinariamente concentrada numa candidatura estadual.
A alquimia do horário eleitoral
Douglas entrou no horário eleitoral com o segundo maior tempo de televisão entre os candidatos ao governo. Mas o tempo foi o de menos. A campanha elaborada pelo publicitário Paulo Vasconcelos apresentou um candidato jovem, policial civil concursado, pai de família, ligado a Bolsonaro e distante, na narrativa eleitoral, dos problemas recentes do governo estadual. Um golaço reconhecido até pelos adversários.
O candidato família foi enfatizado pela campanha eleitoral – Foto: Reprodução das redes sociais
Segurança pública, o assunto do momento, até ocupou um espaço importante, mas a propaganda procurou evitar um Douglas excessivamente sisudo. A linguagem mais leve e as peças voltadas à juventude ajudaram a construir a imagem de alguém que estaria chegando para renovar a política fluminense.
Uma campanha que escolheu muito bem o que colocar em foco.
E, principalmente, o que deixar à margem dele.
A eleição que Douglas conseguiu mudar
O presidente da Assembleia Legislativa chega ao fim do primeiro turno olhando (muito) do alto a posição em que começou. Paes continua líder, mas o adversário encostou — e, independentemente do resultado final, já deixou sua marca na eleição.
Com uma história política que passa por Capitão Nelson, Altineu Côrtes, o governo Castro e a própria cúpula da Alerj, o Douglas que vai às urnas é uma mistura peculiar de novidade e continuidade: um rosto jovem, apresentado numa campanha arejada — que está conseguindo convencer o eleitor de que sua trajetória política começou bem mais recentemente do que a realidade pode provar.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) passou o primeiro turno fazendo uma campanha com dois movimentos simultâneos. De um lado, consolidou o apoio de Lula e do PT. Do outro, percorreu o estado atrás de prefeitos e lideranças locais, com atenção especial à Baixada Fluminense, território indispensável para quem pretende trocar o Palácio da Cidade pelo Guanabara.
A costura política funcionou. Paes chega à última semana de campanha com uma aliança ampla, uma coleção de prefeitos no palanque e o apoio explícito do presidente da República. A questão agora é outra: quanto dessa força política chegará às urnas?
As pesquisas mostram por que a pergunta ganhou importância na reta final. No Datafolha de agosto, Paes tinha 41% e Douglas Ruas (PL), 19% — uma diferença de 22 pontos. No início de setembro, Paes marcou 43% e Ruas, 25%. No levantamento divulgado na última quinta-feira (01), o ex-prefeito permaneceu com 42%, enquanto o adversário chegou a 31%. Em outras palavras: Paes praticamente não perdeu intenção de voto, segundo o Datafolha, mas viu sua vantagem sobre Ruas encolher de 22 para 11 pontos em pouco mais de um mês.
A pergunta de milhões na campanha é: vai dar para resolver no primeiro turno?
Lula no palanque, mas na medida
A relação com Lula foi um dos equilíbrios mais interessantes da campanha de Paes. O PT escolheu, ainda em abril apoiá-lo formalmente e transformá-lo em seu principal palanque para a campanha presidencial no Rio. A votação no diretório estadual foi unânime.
Decisão tomada, Lula não economizou elogios. Em agosto, no primeiro grande comício de sua campanha na capital, em Moça Bonita, chamou Paes de amigo e defendeu sua eleição para o governo. No palco estavam também Benedita da Silva, candidata do PT ao Senado, e Pedro Paulo, do PSD.
Nas pesquisas internas feitas pelo PSD, a intenção de votos começou imediatamente a cair. Daí que Paes retribuiu a parceria, mas procurou não fazer dela a única identidade de sua candidatura.
Segundo o Datafolha do dia 24, Paes tem 70% entre os eleitores que se identificam com o PT e também lidera entre os que não se alinham nem ao petismo nem ao bolsonarismo, com 42%. Já entre os eleitores identificados com o bolsonarismo, Douglas Ruas tem 55%, contra 20% de Paes. Na reta final, a campanha passou a dosar as aparições com Lula, principalmente nas áreas em que o bolsonarismo é mais forte. A ideia foi manter a aliança com o presidente, mas preservar uma identidade própria diante do eleitorado que não é lulista.
Uma espécie de casamento com quartos separados quando necessário: ninguém esconde a aliança, mas cada um sabe que há lugares onde é melhor bater à porta antes de entrar.
Com Lula, no lançamento da campanha, no Estádio de Moça Bonita, em Bangu – Foto: Reprodução das redes sociais
A conquista dos prefeitos
Se a aproximação com Lula garantiu a Paes um lado importante do mapa político, a ofensiva sobre os prefeitos tratou do território. E nenhum território recebeu tanta atenção quanto a Baixada Fluminense. Há uma razão histórica para isso. A cidade do Rio reúne 4,9 milhões de eleitores, 38,5% do eleitorado estadual, mas ser forte na capital está longe de garantir o Palácio Guanabara. Nenhum ex-prefeito do Rio é eleito governador desde Marcello Alencar, em 1994.
Paes tratou de tentar romper essa barreira antes mesmo de a campanha começar oficialmente.
A escolha da vice já foi um sinal. Jane Reis (MDB) é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e uma das principais lideranças políticas da Baixada. Depois vieram os prefeitos. Em agosto, Paes já reunia em torno da candidatura nove dos 13 prefeitos da região. Um dos movimentos mais simbólicos aconteceu em Nova Iguaçu: o ex-prefeito Rogério Lisboa, que chegou a ser anunciado como vice de Douglas Ruas, do PL, declarou apoio a Paes. O atual prefeito, Dudu Reina, fez o mesmo.
Mas prefeito traz partido, vereadores e lideranças locais (às vezes), estrutura e presença territorial. Mas eleitor é outra história. Ainda mais que a Baixada é justamente uma região onde o bolsonarismo mantém forte presença.
Com a vice, Jane Reis, abrindo as portas da Baixada Fluminense e do interior – Foto: Reprodução das redes sociais
Uma campanha com poucos sustos — até a reta final
O primeiro turno de Paes teve mais avanços políticos do que crises. Ele começou a campanha como líder e, mesmo caindo, permaneceu líder. Conseguiu o apoio formal do PT sem precisar mudar seu estilo, incorporou Lula ao palanque, construiu uma chapa com pontes para a Baixada e ainda recebeu adesões de políticos do interior que inicialmente estavam no campo adversário.
O sinal amarelo apareceu na reta final. Não porque Paes tenha despencado nas pesquisas, mas porque Ruas cresceu enquanto o líder permaneceu praticamente parado.
O fator Garotinho
Com registro indeferido pelo TRE-RJ e recurso possível ao TSE, ocupando uma parcela pequena, mas não desprezível nas pesquisas eleitorais, Anthony Garotinho, o candidato do Repúblicaos, acrescenta uma variável incomum à matemática eleitoral — inclusive pela possibilidade de seus votos terem efeito sobre a totalização. Se forem anulados, reduzem o universo dos votos válidos, beneficiando quem estiver na primeira posição.
Ou seja, os votos anulados de Garotinho podem ser o fiel da balança. E fundamentais para Paes continuar sonhando vencer no primeiro turno.
Um domingo com máxima importância para Paes
Para qualquer candidato que lidera uma eleição, vencer no primeiro turno é melhor do que disputar o segundo. Mas para Paes, desta vez, há razões adicionais.
Douglas Ruas, que está em ascensão, teria mais três semanas para tentar reunir o eleitorado antipetista e bolsonarista, enquanto a aliança de Paes com Lula provavelmente ganharia ainda mais peso na campanha. Isso não significa que o resultado do confronto esteja dado — e pesquisas de primeiro turno não permitem essa conclusão.
Mas significa que a eleição passaria a obedecer a outra lógica.
Paes chegou às urnas do do primeiro turno tendo feito quase tudo o que a política recomenda: juntou partidos, trouxe o presidente da República, conquistou prefeitos, atravessou a Avenida Brasil e fincou bandeiras na Baixada e no interior. Mas nenhuma articulação consegue resolver tudo.
Amanhã é o dia de descobrir se toda essa engenharia política vale 50% mais um.
O primeiro fim de semana de outubro será de chuva e mudança brusca de temperatura no Rio. No sábado (03), a previsão é de tempo chuvoso durante todo o dia e à noite, enquanto o domingo (04), dia da eleição, terá calor de até 30°C e chuva forte à tarde.
No sábado, os termômetros devem marcar entre 19°C e 22°C. A possibilidade de chuva é de 99%, com previsão de acumulado de 30,2 milímetros ao longo do dia.
A chuva deve aparecer também durante a madrugada, manhã, tarde e noite. Os ventos devem soprar de leste, com velocidade média de 8 km/h e rajadas de até 34 km/h.
Domingo de eleição
No domingo (4), o cenário muda. A temperatura sobe bastante e pode chegar aos 30°C, enquanto a mínima prevista permanece em 19°C.
O dia começa com sol e muitas nuvens pela manhã. A previsão indica chuva forte à tarde e pancadas de chuva durante a noite. A possibilidade de chuva é de 72%, com acumulado estimado em 15,2 milímetros.
Os ventos devem soprar do norte, com velocidade média de 8 km/h e rajadas de até 46 km/h. A umidade relativa do ar deve variar entre 59% e 95%.
Para quem vai votar, a previsão indica um início de domingo mais quente e com períodos de sol, mas a possibilidade de chuva aumenta ao longo do dia, principalmente à tarde.
O ex-superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Nova Friburgo, Renato José Vieira de Almeida, conhecido como Renatinho Medeiros, é alvo de um processo administrativo disciplinar após a construção de um imóvel em uma área de preservação permanente (APP) às margens do córrego Curuzu, na Região Serrana do Rio.
A obra já havia sido embargada pelo Inea dois anos antes da demolição. Na ocasião, os fiscais constataram degradação ambiental “de difícil reparação”.
O imóvel, de cerca de 150 metros quadrados, foi construído em uma área que deveria ser protegida por uma faixa de 30 metros em cada margem do córrego. Durante o período em que Renatinho era o responsável pela Superintendência Regional de Dois Rios, em Nova Friburgo, a área de proteção foi reduzida para apenas cinco metros.
Segundo o Inea, a alteração favoreceu a construção do imóvel. Porém, Renatinho não tinha competência para modificar a faixa de proteção. A atribuição seria da Diretoria de Licenciamento Ambiental do Órgão.
O superintendente foi nomeado durante o governo de Cláudio Castro (PL) pelo então secretário estadual do Ambiente e vice-governador, Tiago Pampolha — que hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Mais de 100 licenças da gestão de Renatinho foram canceladas
A atuação da estrutura comandada por Renatinho também passou a ser revisada pelo Inea, que criou um grupo de trabalho para revisar todas as licenças ambientais concedidas na região entre 2019 e 2024. Até o momento, mais de 100 licenças já foram canceladas por apresentarem indícios de irregularidades. Outras 900 permanecem sob análise dos técnicos.
O Instituto também abriu um processo administrativo disciplinar contra Renatinho Medeiros e integrantes de sua equipe. Ele já foi notificado três vezes por meio do Diário Oficial para apresentar sua defesa, mas não compareceu nem enviou representante.
Técnicos do Inea também tentaram fazer a notificação na Companhia Docas, onde Renatinho trabalha como gerente de acesso terrestre, porém funcionários informaram que não o conheciam e que ele não possuía cadastro para acessar o local.
Agora a treta é oficial. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (1) contra Benny Briolly, que é candidata a deputada federal pelo PT, por veiculação de propaganda eleitoral irregular. A representação alega que materiais de campanha da postulante carioca estão usando sua imagem. O expediente consistiria, inclusive, em utilização de nome, identidade visual e até número na urna para dar a impressão de que Erika apoia a candidatura de Benny, o que não é o caso.
Material de campanha de Benny tem o rosto de Erika. Foto: Reprodução
Na petição, Erika alega ainda que chegou a fazer um pedido diretamente a Benny para que não continuasse a usar seu nome no material de campanha. A deputada federal paulista reafirmou que seu único candidato ao cargo no Rio é Rick Azevedo (PSOL), fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e militante pelo fim da escala 6×1.
Liminar contra o uso de material e pedido de multa
Erika solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral uma liminar para que Benny pare agora com a veiculação e a distribuição dos materiais. No mérito da ação, o pedido é que as publicações sejam removidas definitivamente, além da aplicação de multa prevista na legislação eleitoral. O TRE ainda não analisou o caso.
O TEMPO REAL adiantou na última terça-feira (29) que havia um alerta de treta entre Erika e Benny. Na ocasião, a parlamentar de São Paulo publicou um vídeo dizendo para eleitores não caírem “em golpes”, com candidatos que usam o nome dela mesmo sem o apoio declarado da parlamentar de São Paulo.
“Sim, o meu candidato a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro pra montar a bancada LGBTQIA+, que eu acredito, é Rick Azevedo. É o único candidato LGBTQIA+ que tem o meu apoio aí no estado do Rio de Janeiro. Não caiam em golpes, hein, porque tem muita gente por aí dizendo que tem meu apoio, que não sei o quê”.
O que gerou o burburinho é o fato de o rosto de Erika estar no material de campanha da candidata Benny Briolly (PT), que faz uma convocação: “rumo à bancada trans”. O material traz ainda os rostos de Thabatta Pimenta (PV-RN) e Duda Salabert (PSOL-MG), ambas candidatas ao Congresso.
Com informações de Lauro Jardim, do jornal “O Globo”
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revogou nesta sexta-feira (02) a liminar que permitia a Anthony Garotinho (Republicanos) manter as prerrogativas de candidato ao governo. Com a nova decisão, os votos recebidos pelo ex-governador no primeiro turno deverão ser considerados “anulados sub judice” enquanto estiver mantido o indeferimento de seu registro de candidatura.
Garotinho continuará aparecendo na urna eletrônica neste domingo (04). Segundo Floriano, porém, os votos destinados ao candidato “não devem ser considerados válidos para qualquer fim”.
A decisão não representa o julgamento do recurso apresentado pela defesa para tentar reverter o indeferimento da candidatura. O ministro afirmou que o recurso ordinário já foi apresentado, recebeu as contrarrazões e está “na iminência” de ser remetido ao TSE.
Liminar havia garantido direitos de candidato a Garotinho
A decisão de Floriano também retirou as garantias que haviam sido concedidas anteriormente a Garotinho enquanto a situação do registro era analisada pela Justiça Eleitoral. A liminar anterior permitia ao ex-governador acessar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, além de utilizar o horário de propaganda de TV e rádio.
Ao revogar a medida, o ministro levou em consideração o julgamento unânime do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que manteve o indeferimento do registro de candidatura. Segundo ele, deixou de existir, ao menos até a análise do recurso pelo TSE, a plausibilidade da condição de elegibilidade que permitia tratar Garotinho como candidato “sub judice”.
O ministro afirmou que cabe à Corte evitar “a incerteza dos eleitores e a instabilidade do pleito” que acontece neste domingo (04).
A situação poderá mudar caso o TSE aceite o recurso e reverta a decisão que barrou o registro. Nesse caso, os efeitos sobre os votos recebidos pelo candidato poderão ser alterados. Porém, se o indeferimento for mantido, todos permanecerão anulados.