O município do Rio entrou no Estágio 2, às 15h desta terça-feira (1°), por causa da passagem de uma frente fria pelo município. Por volta das 15h51, telefones em diferentes regiões da cidade receberam uma notificação de “alerta severo” da Defesa Civil, avisando que o tempo permanece instável nas próximas horas, com vento e chuva fortes.
Segundo o Sistema Alerta Rio, núcleos de chuva forte e rápida já atingiram pontos da Zona Oeste e avançam em direção a outras regiões da cidade. O Estágio 2 é o segundo nível em uma escala de risco que vai até cinco e sinaliza a possibilidade de ocorrências de médio e alto impacto na rotina.
A orientação da prefeitura é que a população evite a prática de esportes ao ar livre e o abrigo embaixo de árvores, coberturas metálicas e outdoors. Em casa, a recomendação é manter janelas e portas bem fechadas. Em situações de emergência, os acionamentos devem ser feitos pelos telefones 199 (Defesa Civil) e 193 (Corpo de Bombeiros).
Entre os objetos liberados estão garrafa plástica transparente de água de até 500 ml com tampa, carregador portátil do tamanho aproximado de um celular, capa de chuva, canga, casaco e protetor solar de até 100 ml. Também é permitido levar até cinco itens de alimentação por pessoa, desde que estejam de acordo com as regras do festival.
Já garrafas de vidro ou metal, latas, guarda-chuvas, sprays, bebidas e objetos cortantes estão entre os itens proibidos.
Veja abaixo a lista do que o público pode levar para o evento:
garrafa plástica transparente de água de até 500 ml, com tampa;
carregador portátil de tamanho equivalente a um celular;
capa de chuva;
canga e casaco;
óculos de sol;
protetor solar de até 100 ml;
máquina fotográfica portátil;
isqueiro;
até cinco itens de alimentação por pessoa;
frutas cortadas em embalagem transparente e flexível, como Zip Lock;
sanduíches em embalagem transparente e flexível.
A relação dos itens proibidos estão abaixo:
garrafas de vidro ou metal;
garrafas maiores que 500 ml;
latas;
copos térmicos de vidro ou metal;
potes rígidos com tampa;
capacetes;
armas e objetos cortantes;
guarda-chuvas;
sprays;
bebidas, com exceção da água dentro das regras do festival;
cooler e isopor;
bastão de selfie;
câmeras profissionais com lentes destacáveis;
tripés e drones;
computadores e tablets;
powerbanks maiores que um celular;
malas, bolsas ou mochilas de grandes dimensões;
fantasias ou máscaras que impeçam a identificação da pessoa.
Medicamentos devem ser levados na embalagem original. A entrada de objetos que não estejam expressamente previstos entre os permitidos ficará sujeita à avaliação da segurança do evento.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) barrou, por unanimidade, a candidatura do deputado estadual Val Ceasa (PRD) à reeleição para a Assembleia Legislativa (Alerj). O julgamento ocorreu nesta terça-feira (1º) e analisou uma ação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que aponta uma suposta ligação do parlamentar com o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua no Complexo de Israel, na Zona Norte da capital.
A decisão também abriu uma discussão sobre a responsabilidade dos partidos na escolha de candidatos ligados a organizações criminosas. O colegiado decidiu enviar peças ao MPE para avaliar se o Partido Renovação Democrática teve responsabilidade na indicação de Val Ceasa ao pleito.
Partido pode ser responsabilizado por indicar candidato ligado ao crime organizado
A discussão sobre a responsabilidade da legenda no caso foi levantada pelo desembargador Bruno Bodart durante o julgamento. Para ele, a Constituição não proíbe apenas a presença de integrantes de organizações paramilitares nas eleições, mas também impede que partidos políticos sejam utilizados por esses grupos para chegar às instituições públicas.
Bodart propôs que o caso fosse enviado ao MPE para que o órgão avaliasse a abertura de uma ação própria contra o partido, caso entenda que houve fraude à proibição constitucional. O desembargador comparou a situação aos casos de fraude à cota de gênero, que podem atingir toda uma chapa.
Ao votar, o desembargador Fábio Ribeiro Porto que, como os partidos têm o monopólio das candidaturas no Brasil, as legendas também têm responsabilidade total na escolha dos nomes que apresentam ao eleitorado.
O desembargador chamou atenção ainda para a cronologia do caso: o sigilo da investigação criminal envolvendo Val Ceasa foi levantado em 18 de junho de 2026, enquanto o pedido de registro da candidatura foi apresentado em 31 de julho.
Para Porto, o intervalo deverá ser considerado na apuração sobre o que o partido sabia quando decidiu lançar o deputado.
A proposta acabou ganhando apoio dos demais desembargadores. O colegiado deixou claro, porém, que não se trata de responsabilização automática do partido. A eventual participação ou conhecimento da legenda deverá ser investigada em processo próprio.
.A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ) anunciou nesta terça-feira (1º), durante reunião de associados, duas novidades. A primeira é a criação da Comissão da Mulher, voltada a ampliar a participação e o protagonismo feminino no setor. A outra é o lançamento de um podcast mensal para dar mais visibilidade ao mercado sobre os lançamentos das empresas. A nova comissão será presidida por Michelle Novaes, sócia da imobiliária Kaselle, e terá como vice-presidente Rafaella Carvalho, diretora jurídica da Cyrela.
A Comissão da Mulher nasce com a missão de ampliar a presença, a voz e o protagonismo feminino dentro da Ademi-RJ e nas discussões sobre os rumos do mercado imobiliário. A iniciativa acompanha um movimento de crescimento da participação das mulheres no setor. Segundo dados divulgados pelo Creci-RJ, o estado conta com 22.679 corretoras de imóveis em atividade, e a participação feminina entre os profissionais do mercado passou de 33% para 37% em quatro anos.
O anúncio foi feito pelo presidente da Ademi-RJ, Leonardo Mesquita. A reunião teve ainda um caráter simbólico: foi a primeira reunião da entidade conduzida por uma mulher, Michelle Novaes, reforçando, na prática, a proposta de ampliar a participação feminina nos espaços de representação do setor.
“Queremos uma Ademi cada vez mais representativa do mercado. As mulheres já ocupam posições importantes nas incorporadoras, construtoras, imobiliárias e em diferentes áreas da cadeia do setor. A criação da comissão é uma forma de ampliar essa participação também dentro da entidade, trazendo novas lideranças, ideias e olhares para as nossas discussões”, afirma Leonardo Mesquita.
Além de presidir a nova comissão, Michelle Novaes estará à frente de um novo canal de comunicação da Ademi-RJ. O podcast, com periodicidade mensal, terá como convidados representantes das empresas associadas. A cada edição, um associado será recebido para apresentar seus lançamentos, projetos e novidades, além de discutir tendências e temas relevantes para o mercado imobiliário carioca.
“O mercado imobiliário tem muitas histórias, projetos e profissionais que merecem mais visibilidade. Queremos que o podcast seja uma vitrine para os nossos associados e, ao mesmo tempo, um espaço de conversa sobre o setor. E a Comissão da Mulher chega para aproximar ainda mais as mulheres da Ademi, estimular a troca de experiências e abrir espaço para novas lideranças”, diz Michelle Novaes.
A criação da Comissão da Mulher e o lançamento do podcast reforçam o movimento da Ademi-RJ de ampliar sua interlocução com os associados e com a sociedade, abrindo espaço para novas lideranças e criando canais para mostrar os projetos, investimentos e transformações do mercado imobiliário do Rio de Janeiro.
Com as alterações, as propostas retornaram às comissões da Casa antes de serem novamente apreciadas no plenário.
O projeto que trata da renegociação de dívidas recebeu 49 emendas, enquanto a proposta sobre o chamado devedor contumaz recebeu outras 28.
Novas regras sobre dívidas
Uma das propostas cria regras para a chamada transação de créditos inscritos na Dívida Ativa. O texto permite descontos de até 70% sobre multas, juros e outros encargos, além do parcelamento dos débitos em até 145 meses.
A medida busca ampliar as possibilidades de regularização de empresas e contribuintes que tenham dívidas com o Estado.
Já o projeto sobre devedores contumazes estabelece critérios para identificar empresas que acumulam dívidas tributárias de forma recorrente — de forma contumaz.
Poderão ser enquadrados contribuintes com débitos superiores a R$ 15 milhões e que mantenham irregularidades no pagamento do ICMS por pelo menos quatro períodos consecutivos ou seis alternados em um ano.
Grandes devedores podem perder benefícios fiscais
Pelo projeto, empresas classificadas como devedoras contumazes poderão perder benefícios fiscais, ficar impedidas de participar de licitações e de firmar novos contratos com o governo estadual.
A proposta também prevê a criação de um cadastro público de devedores, que será divulgado pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), com informações como CNPJ, razão social e número do processo administrativo.
O enquadramento, no entanto, dependerá de processo administrativo. O contribuinte será notificado e terá 30 dias para apresentar defesa ou regularizar a situação.
As duas propostas fazem parte do pacote fiscal apresentado por Couto para aumentar a recuperação de créditos do Estado. Pela proposta de transação, empresas enquadradas como devedoras contumazes não poderão ter acesso às condições especiais de negociação.
As emendas apresentadas pelos deputados serão agora analisadas pelas comissões da Alerj. Entre as mudanças propostas está a alteração do prazo para a entrada em vigor das novas regras sobre a Dívida Ativa.
O Teleférico da Providência atingiu, nesta terça-feira (01), a marca de 4 milhões de passageiros transportados desde a retomada da operação, em 09 de fevereiro de 2025 — após sete anos parado.
O transporte municipal, que é gratuito para os moradores do Morro da Providência e visitantes, também registrou o recorde de 12.645 usuários em um único dia, em 05 de junho deste ano.
O modal é gerido pelo Consórcio Rio Providência, com investimentos da Prefeitura do Rio e gestão e fiscalização do contrato de concessão realizados pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar). A modernização do teleférico, no ano passado, envolveu a reforma das três estações e torres metálicas e a atualização do sistema eletromecânico. O investimento total da prefeitura foi de R$ 42 milhões.
O teleférico da Providência foi reinaugurado em fevereiro do ano passado — Foto: Reprodução/Prefeitura do Rio
“Alcançamos uma marca relevante em tão pouco tempo porque é um transporte gratuito, que funciona todos os dias da semana, inclusive domingos e feriados, e em horários estendidos nos dias úteis. Entrou na rotina do morador, facilitando seu deslocamento e dando mais qualidade de vida a quem precisa trabalhar, estudar e àqueles que têm dificuldade de locomoção, além de ter ampliado o acesso aos visitantes. É uma demonstração de que investimentos em infraestrutura e parcerias podem gerar resultados concretos para a cidade e, principalmente, para quem utiliza o transporte público diariamente”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
O Teleférico da Providência, inaugurado em julho de 2014, foi construído no âmbito do programa Morar Carioca, com investimento de R$ 75 milhões, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O serviço foi interrompido em 2017 e passou por um amplo processo de recuperação, iniciado em 2021 e coordenado pela CCPar.
O Ministério Público Federal (MPF) convocou uma audiência pública para debater a política de reocupação de territórios no estado do Rio de Janeiro. O encontro está marcado para acontecer no dia 10 de setembro, na quinta-feira da próxima semana , às 15 horas, na Procuradoria da República no Rio de Janeiro, no centro.
O objetivo é discutir as estratégias de segurança pública e outros direitos fundamentais e a atuação do poder público em áreas sob o domínio de grupos criminosos, como tráfico e milícia. A realização da audiência pública atende a uma demanda formalizada pelo Fórum Popular de Segurança Pública.
O debate insere-se no contexto do cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635 e do monitoramento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Favela Nova Brasília. A Suprema Corte ordenou que o estado do Rio elabore um plano de reocupação territorial guiado pelos princípios do urbanismo social, garantindo a presença permanente do Estado por meio da instalação de equipamentos públicos, qualificação dos serviços básicos e políticas direcionadas à juventude.
Em resposta, o governo estadual editou o Decreto nº 50.402/2026 que institui a política estadual de reocupação territorial e apresentou um plano estratégico com projeto-piloto inicial, que foca na Zona Sudoeste, em regiões como Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul. Os eixos principais são segurança pública; desenvolvimento social, urbanismo e infraestrutura; e desenvolvimento econômico e governança.
Foram convidados para a audiência diversos atores envolvidos no tema, como Ministério da Justiça e Segurança Pública, governo do estado, prefeitura do Rio, Secretarias de Segurança, Polícias Civil e Militar, Educação, Desenvolvimento Social e Habitação, além de membros da Defensoria Pública, Superintendência do Patrimônio da União, Comissões de Direitos Humanos e movimentos sociais.
Parecer com ressalvas – O plano estratégico de reocupação territorial apresentado pelo governo estadual avançou recentemente no STF. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se a favor da homologação da proposta, acompanhando a avaliação feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mas fez ressalvas à sua execução.
O evento presencial será realizado no auditório da Procuradoria da República no Rio de Janeiro, localizado no centro da capital fluminense, e também será transmitido ao vivo pelo canal do MPF no YouTube.
A programação prevê a abertura dos trabalhos pela PRDC, manifestações da mesa, espaço para intervenção do público e considerações finais.
Quem quiser participar deve se inscrever previamente pelo e-mail prrj-gab13@mpf.mp.br ou pelo telefone (21) 99430-7318. A presença está sujeita à capacidade física do auditório.
Seis candidatos ao Senado pelo estado do Rio se reuniram para o primeiro debate eleitoral com nomes na disputa pelo cargo em outubro, realizado na manhã desta terça-feira (1º). Carlos Portinho (PL), Monica Benicio (PSOL), Marcos Dias (Podemos), Marcelo Crivella (Republicanos), Carlos Jordy (PL) e Waguinho (Republicanos) participaram do evento.
Os candidatos Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) também receberam convites, mas não compareceram ao evento. O debate foi promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e pelo jornal O Dia.
O encontro foi marcado pelas dobradinhas entre os nomes do mesmo partido. Tanto a dupla Jordy e Portinho como Waguinho e Crivella aproveitaram o encontro para trocar perguntas entre si e pedir o voto conjunto em suas respectivas chapas.
Monica Benício, por sua vez, pediu o voto em conjunto com Benedita, que não estava presente.
A dobradinha entre alguns nomes terminou em críticas “combinadas” contra candidatos rivais: Jordy e Portinho aproveitaram que estavam juntos para citar acusações contra o rival Pedro Paulo, que não compareceu. Ambos comentaram acusações arquivadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de violência doméstica envolvendo o candidato do PSD.
“É inacreditável que nós tenhamos uma pessoa que se coloca como candidata ao Senado Federal, e ele simplesmente quer que as pessoas esqueçam o seu passado”, afirmou Jordy.
Mônica Benício, por sua vez, criticou os adversários por passarem a palavra um ao outro, ambos homens, durante uma conversa sobre violência de gênero.
“A gente vê as mulheres ocupando lugares na política, ocupando lugares de poder, e sequer ainda assim sendo convidadas a falar sobre o tema como autoridade”, disse Mônica.
Além dos seis participantes e dos dois que não compareceram, também são candidatos ao Senado pelo Rio o Comandante Ribeiro Afonso (Democrata), Helio Seco (Missão), Luciano Mattos (PRTB), Luiz Eugênio (PCO), Michelly Xavier (UP), Ó Clemente (Democrata), Paula Falcão (PSTU) e Vinicius Benevides (Republicanos).
Neste ano, os eleitores votam em dois nomes na disputa pelo Senado. O primeiro turno das eleições acontece em 4 de outubro.
Cinco carcaças de animais em estado avançado de decomposição e cães desnutridos, com doenças de pele e pelos embaraçados foram encontrados em uma casa onde funcionava uma ONG, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio. A ação ocorreu após denúncias de moradores da região.
De acordo com a Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal, os animais estavam em condições consideradas graves de maus-tratos. A responsável pelo projeto, Camila Salata Medeiros, conhecida como Mila, não foi localizada durante a ação.
A denúncia chegou ao vereador Luiz Ramos Filho, que participou do resgate. Além disso, foi ele quem acionou a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais para também atuar na ação.
Segundo a Câmara Municipal, moradores chegaram a registrar uma ocorrência na delegacia antes da ação de resgate. Um vizinho disse que denuncia os maus-tratos desde 2023.
Em 1922, quando o Hotel Glória foi inaugurado no dia 15 de agosto (dia de Nossa Senhora da Glória), era o maior do país com seus 150 apartamento em 13 andares – o primeiro cinco estrelas da América Latina tinha, entre as suas atrações, a localização bem em frente ao mar, na Praia do Russel, àquela época já reduzida a uma mínima faixa de areia desde a primeira década do século 20, para a construção da Avenida Beira-Mar. Neste setembro de 2026, quando o Glória reabre como edifício residencial após quase duas décadas fechado, a orla da Praia do Russel está muito mais movimentada do que quando o hotel fechou as portas em 2008 – apesar da prainha de menos de um quilômetro de comprimento ter desaparecido completamente desde a década de 1960.
A Praia do Russel, antes chamada de Pedro I, foi batizada assim na década de 1860 quando morava ali o engenheiro João Frederico Russel, filho de ingleses, proprietário da empresa vencedora da concessão para a construção do sistema de esgotamento sanitário do Rio. O dono da mansão na orla da praia conseguiu que a própria rua recebesse seu nome: até hoje a via de quase um quilômetro entre a Praça Nossa da Glória e a Travessa do Outeiro chama-se Rua do Russel.
Na antiga orla, entretanto, para ver o mar e um pouco de areia, é preciso subir no alto do antigo hotel ou do prédio da antiga sede de 12 andares das empresas Bloch: após a Avenida Beira-Mar, inaugurado em 1906, vieram seguidos aterros para a ampliação da avenida e, depois, para a construção das pistas da Avenida Infante Dom Henrique e do Parque Eduardo Gomes, toda uma área entre Botafogo e o Aeroporto Santos Dumont conhecida pelos cariocas apenas como Aterro do Flamengo. Nesse caminho, desapareceram pelo menos seis praias – inclusive a Praia do Russel.
A construção do hotel, inaugurado em 1922, colocou a região no mapa nobre da cidade – a Glória ficava perto das sedes do Legislativo e do Judiciário, no Centro, e do Palácio do Catete, sede do Governo da República. Embaixadas estrangeiras também se instalaram na área, a própria Rua do Russel recebeu novos prédios ainda à beira-mar. O Hotel Glória, mesmo após a inauguração do Copacabana Palace, em agosto de 1923, continuou a receber presidentes e autoridades estrangeiros, artistas e celebridades.
O Labuta Mar com mesas na praça, cadeiras de praia e roda de choro: clima praieiro em orla sem praia (Foto: Oscar Valporto)
A obra do aterro na década de 1960, quando também foi inaugurado o Edifício Manchete, com projeto de Oscar Niemeyer encomendado por Adolfo Bloch, adiou uma decadência da região, que acabaria vindo com a transferência da capital – e boa parte do governo – para Brasília e o deslocamento da área nobre do Rio de Janeiro para a Zona Sul e suas praias. Com o século 21, chegaram a falência da Manchete (TV e revistas) e o esvaziamento do prédio – em 2008, o Hotel Glória fechou as portas após a venda pela família Tapajós para o empresário Eike Batista, responsável por múltiplos empreendimentos e por uma falência envolvida em múltiplos escândalos.
O velho hotel demorou a ter novo destino até o anúncio, em 2022, de que iria virar um prédio residencial. Mas, nesta terceira década do século 21, antes mesmo dos novos moradores chegarem, a orla da desaparecida praia veio ganhando novos ares, com bares ocupando calçadas da Rua do Russel e as praças vizinhas, também criadas pelo aterro, e trazendo um novo movimento, acelerado ainda pela ocupação por escritórios e salas de co-working no Edifício Manchete.
Nesta parte final da orla do Russel já chegando no Flamengo, vizinhos ao prédio com projeto de Niemeyer, os bares Isca e Manchete dividem as atenções da clientela. O Isca é mais moderninho com seus pintxos, boa ideia espanhola para acompanhar a cerveja, e seus drinks; o Manchete segue uma linha mais básica e popular com seus pratos executivos. Na mesma linha, na orla da praia do Russel, o meu preferido é mesmo o Mistureba: bons e variados pratos cariocas, cerveja invariavelmente gelada, mesas na calçada na primeira parte da rua, meio dividida em duas pela elevação onde fica o imponente Hotel Glória.
Por aqui, também está, desde 2019, o Sushi Glória, evidentemente especializado em culinária japonesa. Em 2025, foi aberto o Deja Vú, bar de vinhos, que dividem o cardápio com pratos e sanduíches com uma pegada francesa – a clientela jovem ocupa a calçada e as mesas já alcançam a praça em frente nos dias de maior movimento.
Mas nada mais praieiro na orla do Russel do que o Labuta Mar, que espalha mesas na calçada e ocupa a praça também com cadeiras de praia. E ainda tem ostras, polvo, sardinha, croquete de siri, pastel de camarão e peixes em sabores e formatos variados – para tudo ficar mais praieiro. Para saudar a carioquice do Russel, o Labuta recebe, desde o ano passado, o Mar do Choro, conjunto de chorinho para embalar a praça nas terças-feiras.
O Glória Residencial. prédio com 250 apartamentos no lugar do antigo hotel cinco estrelas: mais movimento para a orla do Russel (Foto: Oscar Valporto)
A Rua do Russel ainda abriga prédios de interesse arquitetônico: o Edifício Lage – inaugurado em 1925 pelo milionário Henrique Lage, também proprietário da mansão e do parque Lage – tem estilo eclético, com fachada marcada por colunatas; o Edifício Milton, de 1929, de fachada tombada como o Lage, tem estilo art-decó; o Itacolomy, no mesmo estilo, foi inaugurado em 1937 com 21 apartamentos; o Ipu, também art-déco, foi construído em 1939 para sediar o Hotel Pax. E tem outro patrimônio tombado: o Monumento ao Centenário da Abertura dos Portos, inaugurado em 1908, bem em frente ao antigo hotel.
Esse movimento na orla da praia que não existe mais tende a aumentar com a chegada dos moradores dos mais de 250 apartamentos do Glória Residencial, 88 no histórico prédio do hotel, 68 no antigo anexo e mais 110 numa área nova, integrada ao conjunto arquitetônico original – projeto de Joseph Gire, o mesmo do Copacabana Palace. Na orla do Russel, só fica difícil dar um mergulho: para chegar à Prainha da Glória, outro recente xodó do bairro, é preciso andar quase 500 metros e atravessar as pistas do aterro do Flamengo.
O furto de cabos e equipamentos de semáforos provocou um prejuízo superior a R$ 3,2 milhões no Rio de Janeiro entre janeiro e julho deste ano, segundo dados divulgados pela Prefeitura do Rio. No período, foram furtados 74,5 quilômetros de cabos e 39 controladores de semáforo.
Ao todo, 455 sinais de trânsito foram afetados por furtos, o equivalente a 14,6% do parque semafórico da cidade, em um total de 1.633 ocorrências nos primeiros sete meses de 2026.
Grande Tijuca, Centro e Grande Méier concentraram a maior incidência dos casos
Os dados deste ano apontam a Grande Tijuca como a região com maior impacto financeiro, com prejuízo de R$ 1,31 milhão, seguida pela Zona Norte, com R$ 1,28 milhão.
Na sequência aparecem o Centro, com R$ 651,9 mil, e o Grande Méier, com R$ 521,2 mil. Também foram registrados prejuízos na Zona Oeste, São Cristóvão, Barra/Jacarepaguá e Zona Sul.
Os números fazem parte de um cenário mais amplo de prejuízos: desde 2021, a cidade acumula cerca de R$ 27 milhões em prejuízos, considerando os custos de manutenção e reposição de cabos e controladores. Nesse período, foram furtados 457 quilômetros de cabos e 488 controladores de sinais.
Prefeitura do Rio cria força-tarefa contra a ‘máfia dos cabos’
A estrutura será permanente e reunirá informações das forças de segurança, órgãos municipais e concessionárias para orientar operações e fiscalizações.
A ação será coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), com representantes dos órgãos do Sistema de Segurança Municipal, da RioLuz e da CET-Rio.
CET-Rio troca cabos de cobre por material sem valor comercial
Como parte das medidas para reduzir os furtos, a CET-Rio começou a substituir os cabos de cobre dos semáforos por um material sem valor comercial.
A substituição ocorre gradualmente, principalmente após ocorrências de furto e durante a instalação de novos semáforos. Até agora, nove cruzamentos da Zona Norte já receberam o novo material.
A CET-Rio também adotou outras medidas para dificultar o acesso aos equipamentos, como soldagem das caixas que abrigam os cabos, instalação de equipamentos em pontos mais elevados, uso de garras antifurto e enterramento do cabeamento elétrico em áreas consideradas críticas.
Light registra R$ 10,4 milhões em prejuízos
O problema também atinge a rede elétrica. Entre janeiro e julho de 2026, a Light registrou 780 ocorrências de furto de cabos, com mais de 78 quilômetros de material furtado e prejuízo estimado em R$ 10,4 milhões.
Entre 2023 e 2025, foram identificadas 1.571 ocorrências na área de concessão da empresa, com aproximadamente 435 quilômetros de cabos furtados, prejuízo estimado em R$ 45 milhões e impactos no fornecimento de energia para cerca de 255 mil clientes.