O conselheiro José Gomes Graciosa, do Tribunal de Contas (TCE-RJ), suspendeu nesta sexta-feira (27) uma licitação da secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) que estimava o custo de R$ 1,3 bilhão para produção e entrega de refeições para os internos.
A suspensão ocorreu antes da abertura do novo edital, que estava marcada para o dia 2 de abril.
Graciosa atendeu a representações de empresas que apontaram irregularidades no processo, como falhas na formação de preços, critérios que podem restringir a concorrência e inconsistências no edital. Para o conselheiro, há indícios de ilegalidades capazes de comprometer a lisura da disputa e gerar prejuízo ao erário.
TCE vê repetição de falhas após Seap já ter suspendido licitação semelhante em janeiro
Um dos pontos que pesaram na decisão foi o histórico recente do próprio processo. Em janeiro, a própria secretaria suspendeu um pregão com o mesmo objeto após identificar suspeitas de irregularidade, incluindo possível vazamento de dados.
Agora, segundo o TCE, um novo edital foi publicado praticamente nos mesmos moldes, sem que as falhas levantadas anteriormente tenham sido devidamente enfrentadas. O conselheiro cita esse contexto para justificar a necessidade de intervenção preventiva.
Em manifestação, a secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel defendeu a legalidade da licitação e contestou as denúncias apresentadas pelas empresas.
Ainda assim, o TCE decidiu suspender o novo edital até uma análise mais aprofundada.
O que diz a Seap
A secretaria enviou uma nota sobre o assunto. Eis a íntegra:
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (SEPPEN) informa que recebeu com surpresa a decisão cautelar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) que determinou a suspensão do Pregão Eletrônico nº 001/2026, destinado à contratação do serviço de alimentação para cerca de 45 mil pessoas privadas de liberdade no estado.
A medida contraria, inclusive, manifestações técnicas do próprio Corpo Instrutivo do TCE-RJ e do Ministério Público de Contas, que haviam se posicionado pelo arquivamento do tema. A Secretaria reforça que todos os questionamentos já foram devidamente respondidos em ocasiões anteriores, com decisões favoráveis à regularidade do edital.
Ressalta-se ainda que o mesmo edital já foi analisado pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, que considerou cumpridas todas as exigências na esfera judicial.
A SEPPEN destaca que o atual edital incorporou ajustes e aprimoramentos após a anulação do certame anterior, garantindo competitividade, legalidade e segurança na prestação de um serviço essencial.
A pasta irá prestar todos os esclarecimentos ao TCE-RJ dentro do prazo legal de 15 dias, com a convicção de que a medida será revista diante da consistência técnica e da regularidade do processo.
Com informações da coluna do Ralfe Reis no “Tribuna NF”.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) cumpre, nesta quinta-feira (13), sete mandados de busca e apreensão contra uma organização criminosa acusada de explorar ilegalmente o mercado de apostas online. Segundo as investigações, a quadrilha aplica golpes contra usuários das plataformas, as chamadas “bets”.
Agentes cumprem no Rio, em São Paulo e na Bahia. As investigações apuraram que a organização criminosa opera por meio de diversos sites de apostas, como os portais furiabet.bet, galeradabet.bet, voude.bet, alfagames.bet, pixbr.io, pixdasorte.io, jogadacerta.net, aposteibet.bet, goathbet.com e bravabet.io.
Esquema usava empresas de fachada para enganar usuários
O esquema direcionava depósitos dos usuários para empresas de fachada. Quando o apostador ganhava a aposta, as plataformas impediam o saque dos valores disponíveis em suas contas.
Em seguida, os valores eram convertidos em criptoativos para lavagem de dinheiro. O valor era pulverizado em múltiplas contas e enviadas remessas para o exterior. Assim, o capital seria reintroduzido na economia formal.
Um Relatório de Inteligência Financeira do COAF, que contém mais de 800 comunicações de operações suspeitas entre 2022 e 2026, registrou movimentação financeira superior a R$ 1,4 bilhão, dos quais mais de R$ 100 milhões correspondem a uma única empresa envolvida no esquema.
A Operação Aposta Suja é realizada pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos, vinculado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGAECO) do MPRJ. A Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) também participou da ação.
Cinco ônibus foram interditados durante uma ação de fiscalização da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ na última quarta-feira (12). Na operação, agentes encontraram irregularidades em veículos no Terminal Rodoviário Intermunicipal de Nova Iguaçu. Os cinco coletivos foram interditados e recolhidos.
Os ônibus apresentavam problemas de segurança e manutenção, como bancos soltos, com estofamento rasgado, falhas em iluminação, para-brisas trincados e ausência de equipamentos obrigatórios. Além disso, também foram identificadas campainhas e botoeiras sem funcionamento.
Alguns dos veículos não tinham os equipamentos de emergência obrigatórios, como o martelo e, no caso de um dos ônibus interditados, foi encontrado um extintor de incêndio vazio.
A ação foi realizada com a parceria do Detran, Detro e do 20º BPM e os passageiros dos coletivos retirados de circulação foram realocados para outros veículos.
A edição desta quinta-feira (13) do Diário Oficial deixou claro, mais uma vez, que o alinhamento político no governo do estado segue em grande sintonia. Além de Couto, que tem mantido uma sequência de publicações onde as nomeações se sobressaem às exonerações, a Casa Civil também segue movimentando a estrutura estadual, com novos reforços e mudanças em diferentes órgãos. Na publicação de hoje, a pasta assinou 29 nomeações e 26 exonerações.
Longe dos cortes, o saldo final foi positivo para a Secretaria de Fazenda; Instituto Rio Metrópole; e Detran-RJ.
Agricultura e Pesca sofrem baixa
O lado amargo do dia, porém, ficou reservado para a Agricultura e o Instituto de Pesca, alvos de cortes em massa.
O facão da Casa Civil passou pela pasta, com nove exonerações. Enquanto que na Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), outras nove baixas foram assinadas.
O governador em exercício Ricardo Couto manteve o ritmo de nomeações nesta quinta-feira (13), com quatro novos nomes chegando ao governo do estado do Rio e apenas uma exoneração registrada no Diário Oficial. O movimento preserva a tendência dos últimos dias.
O grande destaque da rodada fica por conta do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que recebeu um reforço com perfil de segurança pública: a vice-presidência agora passa a ser comandada pelo coronel da PM João Fiorentini Guimarães. Ex-comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, o oficial da Polícia Militar assume o posto com a missão de endurecer a gestão e o controle sobre o transporte intermunicipal.
Ainda no Detro, a diretoria técnica também ganhou nova chefia com a nomeação de Nathalia da Costa Moura.
Completam o time de nomeados do dia o novo assessor especial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Alexandre Silveira de Souza, e a nova chefe de gabinete da Secretaria das Cidades, Camila Alves dos Santos.
Já do lado das exonerações, com apenas um registro nesta quinta-feira, a baixa no expediente foi a de Tatiani Abreu Gomes, que deixou o cargo de assessor chefe na Secretaria de Agricultura.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) pediu novamente a prisão preventiva do vereador de São João de Meriti, Ernane Aleixo (PL), acusado de ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). De acordo com o MP, o parlamentar descumpriu medidas cautelares impostas pela Justiça ao participar de um encontro com políticos e empresários do município na semana passada.
Ele foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Muro de Favores, da Polícia Civil, que investigou suposta relação entre agentes públicos e integrantes do TCP. As investigações apontam que o político prestava apoio e oferecia recursos públicos aos criminosos na construção de barricadas no município da Baixada Fluminense.
Em janeiro deste ano, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio determinou que ele poderia responder ao processo em liberdade, mas estabeleceu medidas cautelares, entre elas o afastamento da função pública e de todas as prerrogativas do cargo, com exceção da remuneração.
Segundo o órgão, a decisão judicial não proibiu apenas a participação do vereador em sessões ou votações na Câmara, mas determinou o afastamento da função pública e das prerrogativas relacionadas ao cargo.
Investigação aponta ajuda ao TCP para erguer barricadas
O vereador é suspeito de fornecer suporte a facção em troca de benefícios financeiros e eleitorais. Materiais obtidos pela polícia durante a investigação mostram que o parlamentar teria fornecido materiais e apoio logístico para que os criminosos erguessem barricadas em Vilas dos Teles, bairro de São João de Meriti.
Ainda de acordo com a investigação, o vereador também teria negociado vagas de emprego em troca de apoio político.
Quinto mandato consecutivo na Câmara de São João de Meriti
Apesar de não poder exercer as funções de vereador, o parlamentar continua recebendo a remuneração mensal de R$ 18 mil. Como está impedido de comparecer às sessões da Câmara, ele pediu ao presidente da Casa, João Dantas de Mello, o abono das faltas.
Em oito meses, o vereador recebeu cerca de R$ 144 mil em remuneração, mesmo afastado das funções.
Defesa alega que a presença do vereador em encontro com políticos foi um convite do prefeito
A defesa de Ernane Aleixo afirmou que ele foi convidado pelo prefeito de São João de Meriti para participar de um almoço com empresários da cidade.
Segundo os advogados, o encontro não teve finalidade política e não estava relacionado às funções exercidas pelo vereador na Câmara. Por isso, a defesa sustenta que não houve descumprimento das medidas cautelares.
Os advogados também afirmaram que Ernane está à disposição da Justiça e participou normalmente de uma audiência realizada nesta quarta-feira (12) no Fórum de São João de Meriti.
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública pedindo medidas de controle e segurança dos voos comerciais de helicópteros no Rio.
A ação, proposta contra a União, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o município do Rio, foi movida após uma sequência de acidentes registrados neste ano – tendo como estopim a queda de uma aeronave de turismo na região da Vista Chinesa, que matou quatro pessoas no último sábado (8).
Além da ação, o MPF determinou a abertura de novo inquérito civil para apurar a responsabilidade da empresa Voos Rio Panorâmico Serviços Aeronáuticos Ltda., dona do helicóptero, pelos danos ambientais causados ao Parque Nacional da Tijuca em decorrência da queda e do incêndio da aeronave na floresta.
O MPF pede que a União adote providências para que o trânsito ordinário dos helicópteros destinados ao transporte remunerado de passageiros, incluindo os voos panorâmicos, seja direcionado à Rota Especial de Helicópteros Praia (REH Praia), independentemente da modalidade de contratação do serviço. A rota é um corredor aéreo que já existe ao longo do litoral carioca, a 600 metros da faixa de praia.
A proposta prevê exceções para operações de segurança pública; defesa civil; salvamento; transporte aeromédico; serviços públicos e cobertura jornalística. Também não se aplica aos trechos necessários para pousos e decolagens em heliportos localizados na cidade.
Fiscalização em caráter de urgência
O Ministério Público Federal também pede, em caráter de urgência, que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo intensifique a fiscalização das altitudes mínimas e demais regras das rotas de helicópteros, e que a Anac reforce a fiscalização dos operadores, impedindo a exploração comercial por empresas, aeronaves ou operadores que não atendam às exigências regulamentares.
Com relação ao Inea, a ação pede a reavaliação das condicionantes ambientais do Aeroporto de Jacarepaguá relacionadas ao ruído e à intensidade das operações de helicópteros.
Já para o município do Rio, a ação pede que a Justiça determine o exercício das atribuições de controle e fiscalização ambiental da atividade econômica, inclusive por meio de medições de poluição sonora em bairros e áreas ambientalmente sensíveis.
As causas da queda da aeronave de turismo no último sábado (08) continuam sob investigação da Polícia Civil e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Presidente do União Brasil, Antônio Rueda disse aos filiados que o partido vai seguir neutro nas eleições para governador do estado do Rio e para presidente da República.
E que, individualmente, cada um vai poder escolher seus próprios candidatos.
Nem é preciso GPS para saber o caminho da turma. Basta olhar as redes sociais.
A principal mudança é a proibição do transporte de equipamentos elétricos autopropelidos, como scooters e ciclomotores. Segundo a Setram, a medida tem como objetivo aumentar a segurança dos passageiros, ciclistas e tripulantes.
O regulamento divide os equipamentos em quatro categorias — três estão permitidas. São elas:
Categoria 1: bicicletas convencionais, movidas exclusivamente pela força dos pedais;
Categoria 2: bicicletas elétricas que também podem ser utilizadas manualmente e que não tenham estruturas que prejudiquem a circulação;
Categoria 3: bicicletas e patinetes dobráveis.
A categoria 4, porém, passa a ser proibida a partir desata quinta.
Categoria 4: equipamentos elétricos autopropelidos, como scooters, e ciclomotores.
Na linha Charitas, somente bicicletas dobráveis continuam permitidas. Se não houver espaço disponível na embarcação, o usuário deverá aguardar a próxima viagem.
As equipes que atuam nas estações poderão avaliar se o equipamento está de acordo com as regras antes do embarque. Em caso de irregularidade, o passageiro poderá receber orientação, ter o embarque impedido ou ser retirado da estação.
Dois registros em seis meses
Nos últimos seis meses, foram registradas duas ocorrências relacionadas ao uso inadequado de bicicletas elétricas no sistema.
Também houve um caso de passageiro que colocou uma bicicleta elétrica para carregar em uma tomada da estação, o que é proibido.
O regulamento não altera o direito de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ao uso de cadeiras de rodas motorizadas e outras tecnologias assistivas, que continuam permitidas em todas as estações.
Embarque por ordem de chegada
O transporte de bicicletas está condicionado à disponibilidade de espaço na embarcação. O embarque de passageiros sem bicicletas ocorre antes dos ciclistas.
Entre os passageiros que estiverem com bicicletas ou patinetes, o embarque será feito por ordem de chegada. Pessoas com atendimento preferencial que estejam acompanhadas desses equipamentos terão prioridade dentro desse grupo.
Segundo a Setram, a restrição considera também situações de emergência. Equipamentos maiores podem dificultar a circulação e a evacuação das embarcações.
A disputa pela vaga aberta recentemente no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) começa a incendiar os bastidores da Assembleia Legislativa. Na terça-feira (11), o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), confirmou já ter recebido a comunicação oficial sobre a cadeira que era ocupada por Domingos Brazão.
Embora Douglas tenha desconversado sobre os trâmites da escolha, os acordos e as negociações já começaram.
E estão à toda.
Uma das articulações mais curiosas envolve os planos para a indicação do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), irmão do deputado estadual Guilherme Delaroli (PL). A família conta com um aliado de peso e, à primeira vista, improvável: o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT).
Um acordo político em discussão prevê o apoio de Quaquá aos Delaroli para o TCE-RJ. Marcelo seria um representante dos prefeitos — que conhecem as dificuldades do dia a dia dos alcaides no relacionamento com o tribunal. Mas claro que o futuro também está em jogo. Depois de ajudar os Delaroli a chegarem lá, quem sabe eles não devolveriam o favor, apoiando o candidato do petista à presidência da Alerj?
Mais precisamente, Adilson Pires (PT), o preferido do homem de Maricá.
Os Delaroli e o PT, um caso de amor antigo
A aproximação entre os irmãos filiados ao PL e o PT não é exatamente uma novidade.
Quaquá e os Delaroli mantêm há tempos uma espécie de acordo de boa vizinhança. Embora Marcelo tenha origem política em Maricá, não interfere no município comandado por Quaquá. O petista, por sua vez, mantém distância das disputas de Itaboraí, cidade vizinha e reduto eleitoral dos Delaroli.
Na primeira eleição de Marcelo como prefeito de Itaboraí, em 2020, o vice foi… Lourival Casula, do PT.
Os Delaroli, aliás, são conhecidos na política justamente por não terem grandes arestas: o famoso “estão bem com todo mundo”. Até com o ex-prefeito Eduardo Paes, aliás.
Quaquá também não tem problema com bandeiras ideológicas. Um de seus parceiros na política é justamente o bolsonarista General Pazuello.
De Brasília para a Praça da República
Um outro nome que circula com desenvoltura nas bolsas de apostas é o do deputado federal Hugo Leal, do PSD do candidato a governador Eduardo Paes.
A candidatura de Hugo Leal teria padrinhos poderosos em Brasília, até mesmo de fora da política tradicional, como integrantes de tribunais superiores.
Um embate intrapartidário
Mas, tanto a conexão Maricá, quanto a influência de Brasília encontram resistências na Alerj.
No Largo da Carioca, Rodrigo Amorim (PL) continua no páreo — e na mobilização. Embora não possa concorrer às reeleição, por causa de uma condenação por violência política de gênero contra a vereadora de Niterói Benny Briolly (PSOL), Amorim mantém as esperanças em conquistar a vaga no tribunal.
Além disso, é deputado e, portanto, colega daqueles que terão nas mãos os votos para escolher o novo conselheiro.
Se as duas candidaturas forem levadas adiante, a de Delaroli e a de Amorim, a sucessão no TCE-RJ promete uma disputa que mistura fogo amigo no PL, espírito de corpo na Alerj e acordos suprapartidários — com reflexos, inclusive, na futura eleição para o comando da Assembleia.
A primazia da Alerj
A vaga de Domingos Brazão “pertence” mesmo à Assembleia Legislativa.
As sete vagas de conselheiro do TCE-RJ são divididas constitucionalmente em proporção fixa: quatro são da Alerj, e seus ocupantes são indicados diretamente pelo legislativo; e três vagas são do governo do estado. Mas, neste caso, seguem uma regra: uma é de livre escolha do executivo; uma deve ser obrigatoriamene ocupada por um auditor de carreira do próprio TCE-RJ e a última, por um membro do Ministério Público de Contas.
Daí que, como a ordem de preenchimento é fixada pela Constituição, o entendimento é simples: abriu uma vaga da Alerj, ela vai ser preenchida por escolha dos deputados.
Domingos Brazão, um ex-parlamentar, foi eleito (teve 61 votos de um total de 66) pela Assembleia em 2015.
Seu substituto não precisa ser um deputado, mas, obrigatóriamente, deverá ser indicado por eles.
Sem correria
Quando os deputados perguntaram sobre os trâmites para a escolha, Douglas desconversou. O presidente saiu pela tangente, e disse que levará a questão primeiro ao colégio de líderes.
Ele já havia informado, há algumas semanas, que não vai acelerar o processo. Há quem aposte que a escolha do novo conselheiro só aconteça depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre quem deve comandar o estado. Ou, até, ser adiada para depois das eleições.
“O trâmite seguirá sem qualquer açodamento”, explicou Douglas.
A sustentabilidade deixou de ser um assunto complementar e passou a fazer parte das decisões estratégicas da construção civil. Esse foi um dos principais pontos do Café Empresarial, realizado nesta quarta-feira (12), na sede do Sinduscon-Rio. O encontro reuniu representantes do poder público, da Caixa e de empresas do setor para discutir como práticas sustentáveis podem contribuir para a eficiência, a competitividade e a geração de valor.
O evento foi conduzido pelo vice-presidente do Sinduscon-Rio, Vinicius Benevides, que, na abertura, destacou a mudança na forma como o setor enxerga a sustentabilidade. “Se antes o tema estava mais associado a uma visão de futuro, hoje já está presente nas decisões de negócio”, afirmou ele, que também apresentou a experiência da Dimensional Engenharia, onde atua como diretor, com projetos que adotam certificações ambientais como EDGE e Selo Casa Azul, da Caixa.
O Café Empresarial foi conduzido pelo vice-presidente do Sinduscon-Rio, Vinicius Benevides, que destacou a mudança na forma como o setor enxerga a sustentabilidade — Foto: Divulgação
Prefeitura aposta na revitalização da cidade existente
Na sequência, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante, apresentou as mudanças recentes na legislação urbanística do Rio e os programas voltados à requalificação de áreas que já contam com infraestrutura, transporte e serviços, como Porto Maravilha, Reviver Centro e Praça Onze Maravilha.
A proposta, segundo Guerrante, é aproveitar melhor a cidade que já existe, estimulando a ocupação e a recuperação de regiões estruturadas, em vez de ampliar desnecessariamente a área ocupada. É nesse contexto que o retrofit e a preservação do patrimônio ganham importância e passam a contar com incentivos específicos da Prefeitura.
“Com o Reviver Pro APAC, que, inclusive, foi lançado aqui, no Sinduscon-Rio, a Prefeitura criou um incentivo para tornar a recuperação desses imóveis mais viável. O programa prevê um subsídio por metro quadrado recuperado e, nos projetos de retrofit, um acréscimo de 50% no benefício. A ideia é preservar o patrimônio, recuperar imóveis degradados e trazer esses espaços de volta para a cidade”, explicou o secretário.
Durante a conversa, Vinicius ressaltou que o diálogo entre os setores público e privado é fundamental para que essas políticas sejam construídas de acordo com a realidade do setor e possam se transformar em projetos concretos.
Na prática, sustentabilidade também é eficiência
A programação também trouxe exemplos de empresas que já vêm incorporando esses conceitos à rotina dos negócios, com a participação de Diego Alves, da RJZ Cyrela, Adriana Santos, da Construtora Tenda, e José Marcos, do Sebrae/RJ, que apresentaram experiências e soluções.
Diego Alves, da Cyrela, Adriana Santos, da Tenda, e José Marcos, do Sebrae/RJ, participaram do painel técnico do evento — Foto: Divulgação
Diego mostrou como algumas dessas decisões podem começar ainda na concepção dos empreendimentos, com medidas voltadas à racionalização dos projetos, redução de resíduos e retrabalho, ganho de produtividade e escolha de fornecedores considerando também critérios ambientais.
Já Adriana falou sobre os desafios da habitação popular e mostrou como a sustentabilidade, quando incorporada à estratégia do negócio, pode contribuir para melhorar resultados, eficiência e competitividade. Nesse contexto, apontou também a importância da governança e da previsibilidade para reduzir incertezas no processo construtivo. “A melhor estratégia ambiental é aquela que torna o processo construtivo mais eficiente e responsável. Boa governança reduz incertezas e, na construção, previsibilidade é valor”, afirmou ela.
Na apresentação do Sebrae/RJ, José Marcos trouxe a sustentabilidade para o dia a dia das empresas, mostrando que, para gerar impacto de verdade, é preciso também cuidar da rentabilidade. O consultor chamou atenção para perdas que pesam no resultado, como retrabalho, desperdício de materiais e erros de orçamento, e falou sobre a importância de uma gestão mais estratégica. A ideia é deixar de lado o perfil do “dono executor” e buscar mais eficiência, organização e preparo para as novas demandas do mercado.
Sustentabilidade também chega ao financiamento
Fechando a programação, a Caixa trouxe duas perspectivas complementares sobre a relação entre sustentabilidade, mercado imobiliário e financiamento.
Cláudio Martins e Morenno de Macedo, da Caixa, falaram sobre financiamento verde — Foto: Divulgação
Cláudio Martins, superintendente de Habitação da Caixa no Rio de Janeiro, destacou como a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental para ganhar espaço na agenda financeira e estratégica da construção civil e do mercado imobiliário. A partir do papel da Caixa na indução do mercado, mostrou como o crédito imobiliário e a adoção de critérios ESG podem estimular empreendimentos mais resilientes, eficientes e com menor custo operacional. Também chamou atenção para um novo perfil de consumidor, mais atento a aspectos como conforto, economia de recursos e saúde. Nesse cenário, a sustentabilidade passa a ser vista também como um fator de atração de capital, redução de riscos climáticos e valorização dos empreendimentos.
Na sequência, Morenno de Macedo, da área de Finanças Sustentáveis da Caixa, aprofundou a discussão pelo olhar do financiamento e mostrou como a instituição pode atuar na conexão entre capital, políticas públicas e demanda do setor produtivo para ampliar a habitação verde. Nesse processo, a Caixa atua como estruturadora, aproximando recursos nacionais e internacionais, como indutora de mercado, incorporando critérios de sustentabilidade ao financiamento, e como plataforma de escala, transformando projetos sustentáveis em carteiras financiáveis. A proposta é ampliar o acesso ao capital e apoiar projetos capazes de comprovar seu desempenho ambiental, social e econômico.
A mensagem foi de que o financiamento verde precisa avançar de iniciativas pontuais para uma estratégia capaz de ganhar escala e acompanhar os ciclos do mercado imobiliário.
O Café Empresarial foi uma realização do Sinduscon-Rio, com apoio do Sebrae-RJ, Ademi-RJ e Paggo, e reuniu gestores de empresas de diferentes portes e profissionais de diversos segmentos da construção. Acompanhe nossa agenda de eventos e participe dos debates.