Vaguinho Neguinho (PRD), que disputava uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026 antes de ter o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), teria demonstrado preocupação com a presença de adversários políticos em áreas sob influência do Comando Vermelho (CV) na Baixada Fluminense.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o vereador de Nova Iguaçu chegou a cobrar um dos líderes da facção sobre a entrada de outros candidatos nesses locais.
Segundo o jornal O Globo, que teve acesso ao conteúdo, Vagner Mateus dos Santos encaminhou a José Luiz Lima, o Zé Velho, apontado como uma das lideranças do CV na região, uma captura de tela de uma conversa em um grupo de WhatsApp formado por moradores de um loteamento de Nova Iguaçu. Na imagem, uma pessoa anunciava uma reunião com outro pré-candidato a deputado estadual.
“Reunião dia 09/05 às 19h com nosso deputado estadual Felipinho Ravis para pedirmos melhorias para nosso bairro”, dizia a mensagem.
Na época, Zé Velho estava preso no Complexo Penitenciário de Gericinó. Ao receber a mensagem, ele teria tranquilizado Vaguinho com uma resposta curta: “Não vai entrar”.
Para a PF e o Ministério Público do Rio (MPRJ), a troca de mensagens indica uma “clara cobrança em razão da entrada de outros políticos em comunidades controladas pelo capital político do alvo”.
Prestação de serviços de internet em troca de apoio eleitoral
A investigação da PF aponta ainda que, em troca de apoio eleitoral, o CV cobrava de Vaguinho Neguinho, que é dono de empresas de internet, a prestação de serviços de tecnologia para a quadrilha.
Em setembro de 2024, um interlocutor que se identificou como “fiel do amigo responsável pela boca do Paraíso” — outro reduto político do vereador dominado pela facção — perguntou: “Tem como você ver a melhor forma de ‘ajudar nós’ em um ponto de internet lá pra firma?”.
Contatos com outras facções
Quebras de sigilo revelaram ainda vínculos de Vaguinho Neguinho com grupos rivais do Comando Vermelho que, segundo a PF, facilitaram o acesso do vereador a diferentes territórios durante a campanha.
A investigação aponta que Vaguinho é sócio de integrantes da milícia de Gilson Ingrácio de Souza Junior, o miliciano Juninho Varão, que disputa com o CV o controle de bairros de Nova Iguaçu.
O inquérito também encontrou mensagens nas quais o vereador discute com um comparsa uma estratégia para entrar em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo a PF, para viabilizar a articulação, Vaguinho se aproximou de Wallace de Brito Trindade, o “dono” do Complexo da Serrinha, na Zona Norte do Rio, a quem teria emprestado R$ 40 mil por meio de um laranja.
Registro de candidatura indeferido
Vaguinho teve o registro de candidatura para deputado estadual negado pelo TRE-RJ no último dia 14. A Corte entendeu que há “indícios robustos, precisos e concordantes” que caracterizam um vínculo “direto e funcional” de Vaguinho com organizações criminosas.
Segundo o voto da relatora, a desembargadora Tathiana Costa, foram considerados elementos extraídos do celular do candidato e outros dados reunidos durante investigação da Polícia Federal.
Entre os pontos citados estão trocas diretas de mensagens com lideranças criminosas, encontro pessoal, envio de geolocalização a partir de territórios dominados, empréstimo financeiro a uma liderança de facção e intermediação de acesso político-eleitoral a comunidades controladas pelo crime.
Com a decisão do TRE-RJ, Vaguinho Neguinho não poderá concorrer nas eleições de outubro.
Com informações do jornal “O Globo”.




















































