O prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina (PP), recebeu do presidente da Light, Alexandre Nogueira Ferreira, na última quarta-feira (16), o sinal verde para a cessão das áreas necessárias ao projeto que prevê a construção de quatro novos piscinões na cidade. Somados à revitalização de um já existente, Nova Iguaçu passará a contar com a capacidade de armazenamento de 346 milhões de litros de água da chuva — o maior de todo o estado.
Juntas, as cinco estruturas terão capacidade para armazenar um volume equivalente a aproximadamente 92 piscinas olímpicas de três metros de profundidade. Para se ter uma dimensão, a capacidade é 19 vezes a do reservatório da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.. O sistema de Nova Iguaçu terá influência sobre uma área estimada em 4,7 milhões de metros quadrados e vai beneficiar mais de 100 mil pessoas.
A Light deverá encaminhar à Prefeitura, na próxima semana, a minuta do termo de cessão das áreas. O documento será analisado pela Procuradoria-Geral do Município e, após aprovação e assinatura, será incorporado à documentação do projeto.

Negociações pelos piscinões começaram há três anos
Desde 2023, a Prefeitura de Nova Iguaçu vem negociando a utilização dos terrenos. O trabalho começou antes mesmo de o município ter assegurados os R$ 49 milhões do Novo PAC destinados às intervenções.
Depois de assinado o acordo com a Light, a prefeitura enviará a documentação ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para análise e liberação dos recursos. Cumprida essa etapa, o município poderá abrir o processo licitatório para contratação da empresa responsável pela execução das obras.
“Estamos dando um passo decisivo para enfrentar um problema histórico de Nova Iguaçu. Estamos trabalhando desde 2023 para viabilizar essas áreas, antes mesmo de termos os recursos assegurados. E não estamos falando apenas de construir piscinões. A proposta é ampliar a captação da água que desce da Serra de Madureira e criar caminhos para conduzir esse volume de forma controlada até os reservatórios, evitando que chegue com tanta força às áreas mais baixas da cidade. É uma obra pensada como um sistema, para atacar o problema na origem e dar mais segurança à população quando vierem as chuvas fortes”, afirmou o prefeito Dudu Reina.
Da Serra de Madureira aos reservatórios
A intervenção vai além da construção dos piscinões. O projeto prevê obras complementares de microdrenagem para melhorar a captação e, principalmente, a condução das águas das chuvas até os reservatórios.
Parte do grande volume de água que chega às áreas mais baixas de Nova Iguaçu durante os temporais vem das encostas da Serra de Madureira. Atualmente, essa água desce rapidamente em direção à região urbana sem uma rede de captação suficiente para conduzi-la de maneira adequada aos pontos de armazenamento, aumentando a pressão sobre ruas, canais e sobre o sistema de drenagem existente.
Nesta primeira etapa, o Novo PAC contempla a implantação da microdrenagem no Bairro da Luz, na região próxima ao Fórum. A intervenção permitirá captar e conduzir as águas até o reservatório do Canal do Moquetá, também no Bairro da Luz.
O sistema funcionará de maneira integrada: as novas redes farão a captação e a condução das águas pluviais, enquanto os reservatórios receberão e armazenarão temporariamente esse volume nos momentos de maior intensidade das chuvas.
A combinação das duas estruturas permitirá reduzir a sobrecarga da drenagem e os impactos dos alagamentos.
Onde ficarão os cinco piscinões
O projeto contempla os reservatórios Firjan 1 – Dom Rodrigo, Firjan 2 – Dom Rodrigo, Jardim Pernambuco, Bairro da Luz e Jardim Alvorada. As estruturas terão capacidades diferentes, chegando a 106,5 milhões de litros na maior delas.
Os 11 bairros beneficiados, ao menos parcialmente, são Bairro da Luz, Chacrinha, Santa Eugênia, Ouro Verde, Jardim Alvorada, Jardim Canaã, Jardim Pernambuco, Nova Era, Centro, Vila Bandeirantes e Moquetá.
Somados, os cinco reservatórios poderão receber 346,09 milhões de litros de água.
Outras ações da Prefeitura de Nova Iguaçu contra as cheias
A iniciativa se soma às ações já realizadas pela Prefeitura de Nova Iguaçu na prevenção de enchentes. Desde 2021, o Rio Botas passou por obras de canalização, que ampliaram a calha de sete para 14,5 metros em um trecho de 1,4 km entre a Rua dos Quartéis e a Avenida Bernardino de Melo, além de aumentar a profundidade de 1,5 para 4 metros. Para viabilizar o serviço, a Secretaria municipal de Infraestrutura removeu quase 400 construções irregulares às margens do rio, reassentou 335 famílias em novas moradias e indenizou outras 61. Paralelamente, a prefeitura realizou a limpeza de rios, canais e bueiros.
A eficiência plena da canalização do Botas, no entanto, depende da execução do Projeto Iguaçu, orçado hoje em quase R$ 1 bilhão, que necessita da participação do Estado e da União. O plano prevê a construção de barragens e reservatórios, entre outras intervenções estruturais, com o objetivo de conter o transbordamento do rio. A obra deverá contemplar a região desde a foz na Baía de Guanabara, em Duque de Caxias, passando por Belford Roxo até Nova Iguaçu, beneficiando cerca de três milhões de pessoas em seis municípios da Baixada Fluminense.



























































