A disputa pela vaga aberta recentemente no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) começa a incendiar os bastidores da Assembleia Legislativa. Na terça-feira (11), o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), confirmou já ter recebido a comunicação oficial sobre a cadeira que era ocupada por Domingos Brazão.
Embora Douglas tenha desconversado sobre os trâmites da escolha, os acordos e as negociações já começaram.
E estão à toda.
Uma das articulações mais curiosas envolve os planos para a indicação do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), irmão do deputado estadual Guilherme Delaroli (PL). A família conta com um aliado de peso e, à primeira vista, improvável: o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT).
Um acordo político em discussão prevê o apoio de Quaquá aos Delaroli para o TCE-RJ. Marcelo seria um representante dos prefeitos — que conhecem as dificuldades do dia a dia dos alcaides no relacionamento com o tribunal. Mas claro que o futuro também está em jogo. Depois de ajudar os Delaroli a chegarem lá, quem sabe eles não devolveriam o favor, apoiando o candidato do petista à presidência da Alerj?
Mais precisamente, Adilson Pires (PT), o preferido do homem de Maricá.
Os Delaroli e o PT, um caso de amor antigo
A aproximação entre os irmãos filiados ao PL e o PT não é exatamente uma novidade.
Quaquá e os Delaroli mantêm há tempos uma espécie de acordo de boa vizinhança. Embora Marcelo tenha origem política em Maricá, não interfere no município comandado por Quaquá. O petista, por sua vez, mantém distância das disputas de Itaboraí, cidade vizinha e reduto eleitoral dos Delaroli.
Na primeira eleição de Marcelo como prefeito de Itaboraí, em 2020, o vice foi… Lourival Casula, do PT.
Os Delaroli, aliás, são conhecidos na política justamente por não terem grandes arestas: o famoso “estão bem com todo mundo”. Até com o ex-prefeito Eduardo Paes, aliás.
Quaquá também não tem problema com bandeiras ideológicas. Um de seus parceiros na política é justamente o bolsonarista General Pazuello.
De Brasília para a Praça da República
Um outro nome que circula com desenvoltura nas bolsas de apostas é o do deputado federal Hugo Leal, do PSD do candidato a governador Eduardo Paes.
A candidatura de Hugo Leal teria padrinhos poderosos em Brasília, até mesmo de fora da política tradicional, como integrantes de tribunais superiores.
Um embate intrapartidário
Mas, tanto a conexão Maricá, quanto a influência de Brasília encontram resistências na Alerj.
No Largo da Carioca, Rodrigo Amorim (PL) continua no páreo — e na mobilização. Embora não possa concorrer às reeleição, por causa de uma condenação por violência política de gênero contra a vereadora de Niterói Benny Briolly (PSOL), Amorim mantém as esperanças em conquistar a vaga no tribunal.
Além disso, é deputado e, portanto, colega daqueles que terão nas mãos os votos para escolher o novo conselheiro.
Se as duas candidaturas forem levadas adiante, a de Delaroli e a de Amorim, a sucessão no TCE-RJ promete uma disputa que mistura fogo amigo no PL, espírito de corpo na Alerj e acordos suprapartidários — com reflexos, inclusive, na futura eleição para o comando da Assembleia.
A primazia da Alerj
A vaga de Domingos Brazão “pertence” mesmo à Assembleia Legislativa.
As sete vagas de conselheiro do TCE-RJ são divididas constitucionalmente em proporção fixa: quatro são da Alerj, e seus ocupantes são indicados diretamente pelo legislativo; e três vagas são do governo do estado. Mas, neste caso, seguem uma regra: uma é de livre escolha do executivo; uma deve ser obrigatoriamene ocupada por um auditor de carreira do próprio TCE-RJ e a última, por um membro do Ministério Público de Contas.
Daí que, como a ordem de preenchimento é fixada pela Constituição, o entendimento é simples: abriu uma vaga da Alerj, ela vai ser preenchida por escolha dos deputados.
Domingos Brazão, um ex-parlamentar, foi eleito (teve 61 votos de um total de 66) pela Assembleia em 2015.
Seu substituto não precisa ser um deputado, mas, obrigatóriamente, deverá ser indicado por eles.
Sem correria
Quando os deputados perguntaram sobre os trâmites para a escolha, Douglas desconversou. O presidente saiu pela tangente, e disse que levará a questão primeiro ao colégio de líderes.
Ele já havia informado, há algumas semanas, que não vai acelerar o processo. Há quem aposte que a escolha do novo conselheiro só aconteça depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre quem deve comandar o estado. Ou, até, ser adiada para depois das eleições.
“O trâmite seguirá sem qualquer açodamento”, explicou Douglas.





























































