Declarado inelegível por oito anos pela Justiça Eleitoral em decisão de primeira instância, o empresário Clébio Lopes Pereira, conhecido como Clébio Jacaré (União), registrou candidatura a deputado federal nas eleições de 2026 com um patrimônio de R$ 57.065.162,25 declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A candidatura foi apresentada meses depois de a Justiça Eleitoral decretar sua inelegibilidade por oito anos em uma ação relacionada à campanha para a Prefeitura de Nova Iguaçu, em 2024.
O patrimônio informado neste ano representa um crescimento expressivo em relação às eleições de 2022, quando Jacaré declarou cerca de R$ 16 milhões em bens ao disputar, pela primeira vez, uma vaga na Câmara dos Deputados. No mesmo ano, o empresário foi preso durante a Operação Apanthropía, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investigou um esquema de corrupção na Prefeitura de Itatiaia, no Sul Fluminense.
Clébio Jacaré declara ter R$ 11,95 milhões em espécie
Assim como ocorreu há quatro anos, um dos itens que mais chama atenção na declaração é o volume de dinheiro em espécie.
Em 2022, Jacaré informou possuir R$ 5 milhões guardados em dinheiro vivo. Agora, o valor declarado nessa modalidade chegou a R$ 11,95 milhões, mais que o dobro do registrado na última eleição.
Entre os bens de maior valor também aparecem uma cessão de quotas avaliada em R$ 20 milhões, R$ 5,6 milhões registrados como “valor adiantado”, uma casa em condomínio de R$ 3 milhões, um sítio de R$ 2,05 milhões, além de diversos imóveis, terrenos e participações societárias.

Candidato foi declarado inelegível pela Justiça de Nova Iguaçu
Em maio deste ano, a 156ª Zona Eleitoral de Nova Iguaçu declarou Clébio Jacaré inelegível por oito anos por abuso de poder econômico durante a campanha municipal de 2024.
Segundo a sentença, ele e o então candidato a vereador Marcelo Fernandes Loureiro, o Marcelinho das Crianças, promoveram eventos gratuitos voltados ao público infantil e familiar, com passeios de trenzinho, festas e distribuição de brinquedos e brindes. Para a Justiça, as ações extrapolaram os limites da legislação eleitoral e comprometeram a igualdade entre os candidatos.
A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e, posteriormente, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Empresário já foi preso em operação do Ministério Público
Jacaré também ficou conhecido por ter sido preso em setembro de 2022 durante a Operação Apanthropía, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Na ocasião, os promotores o apontaram como líder de uma organização criminosa acusada de fraudar contratos públicos na Prefeitura de Itatiaia, no Sul Fluminense.
De acordo com a denúncia, o grupo exercia influência sobre a administração municipal por meio de ex-prefeitos, vereadores e secretários, obtendo vantagens em contratos públicos. O empresário responde ao processo.
Antes disso, o nome de Clébio Jacaré também apareceu nas investigações da Operação Favorito, que apurou um esquema de desvios de recursos públicos durante a pandemia de Covid-19. Conforme a denúncia do MP, uma empresa ligada ao empresário teria sido utilizada em movimentações financeiras investigadas no caso.


























































