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Rio de Janeiro

08/07/24 17:14
  • Reportagem Reportagem

MPF recomenda suspensão de projeto imobiliário perto do Cais do Valongo

MPF recomenda suspensão de projeto imobiliário perto do Cais do Valongo
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O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à Prefeitura do Rio pedindo a suspensão de dois projetos imobiliários da empresa Cury Construtora e Incorporadora S/A, na região do Cais do Valongo.

Baseada em inquérito civil, o MPF acredita que os dois edifícios com 30 andares e 90 metros de altura cada podem comprometer a integridade paisagística e histórica do sítio arqueológico, “impactando negativamente tanto a ambiência quanto a visibilidade do bem tombado”.

O Cais do Valongo foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio mundial, por representar a mais importante evidência física da chegada de africanos escravizados ao continente americano.

Os procuradores da República Sergio Suiama e Jaime Mitropoulos, que assinam a recomendação, afirmam que “a Unesco, ao reconhecer o valor universal excepcional do Cais do Valongo, estabeleceu diretrizes rigorosas para a preservação do sítio, incluindo a realização de avaliações de impacto e a manutenção da relação entre o sítio arqueológico e a Baía de Guanabara”.

O documento recomenda ainda que o Iphan indefira os projetos imobiliários apresentados pela Cury, e “se abstenha de aprovar qualquer intervenção na área sem a devida aprovação dos órgãos competentes de preservação do patrimônio”.

O MPF solicita que a empresa Cury apresente, no prazo de 30 dias, o detalhamento do projeto imobiliário, acompanhado de estudo volumétrico de morfologia urbana da área externa do Cais do Valongo e do prédio Docas Pedro II.

Já à Prefeitura do Rio, a recomendação é para que os órgãos gestores da zona portuária fortaleçam, através de medidas paisagísticas, a relação entre a orla marítima e o Cais do Valongo, conforme determinado pela Unesco, o que justifica, inclusive, a conveniência e oportunidade de edificação de “Espaço Rio-África” em imóvel contíguo ao edifício Docas Pedro II.

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Mãe é mãe: STF iguala licença-maternidade para mães biológicas e adotivas

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Mãe é mãe: STF iguala licença-maternidade para mães biológicas e adotivas

Foto de Redação
Redação

23/09/2026 16:39

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (23), por unanimidade, igualar os direitos de mães biológicas e adotivas em relação à licença-maternidade. O julgamento, iniciado na semana passada, foi concluído nesta quarta.

Relator da ação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro Alexandre de Moraes foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte.

Com a decisão, todas as mães, sejam biológicas ou adotantes, passam a ter direito à licença-maternidade com o mesmo período e condições.

Período da licença pode começar a contar do momento da adoção

A licença será de 120 dias de afastamento remunerado, prorrogável por mais 60 dias. O prazo será contado a partir do nono mês de gestação, do parto, da adoção, da obtenção da guarda para fins de adoção ou da alta hospitalar do recém-nascido ou da mãe — o que ocorrer por último.

O novo entendimento vale tanto para trabalhadoras contratadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que rege as relações de trabalho na iniciativa privada, quanto para servidoras públicas submetidas a regime estatutário.

A decisão também determina que não pode haver distinção na concessão da licença com base no vínculo de trabalho da mãe. Ela passa a valer para novas licenças e também para aquelas que já estão em andamento.

Os ministros, no entanto, não estenderam a medida a licenças que já tenham terminado.

Como era a diferença

Antes da decisão do STF, mães biológicas submetidas ao regime estatutário na esfera federal tinham direito a 120 dias de licença remunerada. Já para mães adotantes, algumas regras ainda estabeleciam períodos diferentes: 90 dias quando a criança tinha até um ano e 30 dias para crianças com mais de um ano.

Na iniciativa privada, a CLT já garantia a equiparação entre mães biológicas e adotantes. A diferença permanecia em algumas legislações definidas por estatuto, que ainda previam períodos distintos de licença para mães adotivas.

Segundo Moraes, essa diferenciação não é compatível com a Constituição. “Não há constitucionalidade nem em desfavor da maternidade adotiva nem tampouco uma segunda discriminação em relação à maternidade adotiva, o período de afastamento vai sendo graduado de acordo com a idade da criança adotada”, afirmou durante o julgamento.

Precedente de 2023 não servia como base geral

Em 2023, o STF já havia decidido que não é possível discriminar o período de licença-maternidade concedido à mãe biológica e à mãe adotante.

Na ocasião, a Corte citou princípios como dignidade humana, igualdade entre filhos biológicos e adotados, proteção integral, prioridade e melhor interesse da criança.

A PGR sustentou que aquela decisão serviu de base apenas para órgãos do Poder Judiciário e não alcançou toda a administração pública. Por isso, segundo a Procuradoria, leis que mantinham diferenças continuaram produzindo efeitos.

A ação julgada agora pedia que essas normas fossem consideradas incompatíveis com a Constituição, de forma a vincular tanto os órgãos do Judiciário quanto a administração pública.

No voto apresentado na semana passada, Moraes resumiu seu entendimento: “Se todos são filhos, a mãe é mãe de todos, dos filhos naturais, biológicos, adotivos, então a licença maternidade deve ser igual para todos”.

Além de Moraes, votaram pela equiparação Cármen Lúcia, Flávio Dino e Dias Toffoli. Na sessão desta quarta, acompanharam o relator Cristiano Zanin, André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin.

Com informações do “G1”.

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Política

Presidente do Conselho Federal de Medicina pede votos para Dr. Luizinho em viagem ao Rio custeada pela autarquia

Foto de Redação
Redação

23/09/2026 16:25

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, viajou ao Rio de Janeiro com passagens custeadas pela autarquia para participar de um ato de campanha pela reeleição do deputado federal Dr. Luizinho (PP). A viagem ocorreu em 11 de setembro, após o presidente participar de um evento do CFM em Vitória (ES).

Gallo estava na capital capixaba para o II Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina, realizado nos dias 10 e 11 de setembro, e logo depois embarcou às 15h30 em um voo com destino ao Rio. Segundo os dados de emissão das passagens, o trecho custou R$ 1.418, já incluindo as taxas de embarque.

A agenda pública do Conselho não registrava compromisso de Gallo no Rio naquele dia. Na capital fluminense, porém, o presidente participou de um ato de campanha de Dr. Luizinho. Depois, seguiu para a sede da autarquia, em Brasília, com uma passagem também paga pelo CFM, no valor de R$ 2.128,80.

Durante o evento, Gallo falou na condição de presidente do Conselho Federal de Medicina e pediu votos para Dr. Luizinho. Em determinado momento, ele também afirmou que havia deixado uma reunião em Vitória para não faltar ao convite para o ato.

A participação ocorre em meio à restrição prevista na Lei das Eleições ao uso de recursos, serviços e bens públicos em benefício de partidos ou candidatos. O CFM é uma autarquia federal.

O que diz o Conselho Federal de Medicina

Em nota, a autarquia afirmou que “o presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, esteve no Rio de Janeiro (RJ), em 11 de setembro, após o encerramento do Encontro Nacional de Conselhos de Medicina, para participar de encontro institucional com lideranças médicas nacionais. Por questões de segurança, a reunião não foi incluída na agenda pública do CFM. Na oportunidade, ele participou institucionalmente de reunião com representantes de sociedades médicas de especialidade para discutir a tramitação de importantes projetos no Congresso Nacional que afetam o ensino médico, o exercício da medicina e a segurança dos pacientes. Com relação à presença do médico José Hiran Gallo em evento de campanha, ela ocorreu em caráter pessoal e na condição de eleitor e cidadão, sendo que sua participação aconteceu fora de expediente de trabalho.”

Com informações do colunista Lauro Jardim do jornal “O Globo”.

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Política

Intérprete da Paraíso do Tuiuti, Pixulé vai cantar Hino Nacional em evento de Lula na Fundição Progresso

Foto de João Arruda
João Arruda

23/09/2026 16:02

Discípulo de mestres como Jamelão e Neguinho da Beija-Flor, Roosevelt Pixulé, intérprete da escola de samba Paraíso do Tuiuti, foi o escolhido para cantar o Hino Nacional hoje à noite, na Fundição Progresso, o evento que reunirá artistas em apoio ao presidente Lula (PT). Pixulé foi o intérprete mais premiado no carnaval deste ano e estará acompanhado do violonista Pratinha.

A Paraíso do Tuiuti se notabilizado por levar para a Sapucaí enredos com conteúdo político e críticas à direita. Foi assim em 2019, por exemplo, ano do primeiro governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (hoje preso). O enredo falava do bode Ioiô, que chegou a receber votos suficientes para se eleger vereador em Fortaleza (CE) nos anos 20. O desfile mostrava integrantes vestidos de coxinhas e armados, além de frases como “Deus acima de tudo, mas a favor da tortura” e “Direitos humanos para humanos direitos” no último carro.

Lula, que discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York (EUA) nesta terça-feira, deverá receber cerca de 80 personalidades do mundo artístico, entre eles Caetano Veloso, Maria Bethânia e Chico Buarque. Vale lembrar que um evento marcante de artistas no Rio aconteceu quando o de novo presidente Lula estava preso. Chico Buarque e Milton Nascimento cantaram “Cálice” num dos eventos “Lula Livre”, que foi realizado nos Arcos da Lapa. Já Odair José cantou o clássico “Eu vou tirar você desse lugar”.

A Fundição Progresso fica na Rua dos Arcos 24, Lapa.  O evento começa às 19h.

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Rio de Janeiro

Procon-RJ já multou 60 bets desde julho; autarquia investiga 150 empresas de apostas no Rio

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Redação

23/09/2026 15:59

O Procon-RJ multou 60 plataformas de apostas de quota fixa, as famosas “bets”, desde julho deste ano. A autarquia investiga um total de 150 empresas de apostas em processos administrativos por violações aos direitos dos consumidores.

As infrações constatadas incluem propaganda enganosa ou abusiva, falta de dados claros sobre riscos e deficiências na proteção de públicos vulneráveis. Os fiscais identificaram a exposição de menores de idade à publicidade de bets e propagandas que associam apostas a enriquecimento ou investimento.

As penalidades financeiras são definidas caso a caso e podem chegar a até R$ 14 milhões por companhia. O cálculo considera a gravidade das infrações, o número de ocorrências, o porte financeiro do negócio e o histórico de reincidência.

No ano passado, o Procon-RJ já tinha notificado 195 bets. A fiscalização ao setor de apostas online começou após uma nota técnica conjunta dos governos estadual e Federal, no ano passado, com orientações para a fiscalização das plataformas e a identificação de práticas que poderiam representar violações aos direitos dos consumidores.

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Alfeu Valença

Quando a plateia enxergou antes da história

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Redação

23/09/2026 15:00

Em setembro de 1968, o Maracanãzinho lotado recebeu a final do Festival Internacional da Canção (FIC), um dos eventos culturais mais importantes do país naquele período politicamente turbulento. O Brasil vivia sob o endurecimento do regime militar, poucos meses depois da morte do estudante Edson Luís e da Passeata dos Cem Mil. A censura apertava o cerco e a juventude buscava, na música, uma forma de expressar aquilo que não podia dizer abertamente.

Naquele ambiente carregado, duas canções chegaram à final do FIC, com enorme expectativa. Uma delas foi “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque; uma obra delicada, poética, construída com metáforas e referências ao exílio. Já “Pra não dizer que não falei das flores”, do então quase desconhecido Geraldo Vandré, era direta, urgente, quase um chamado à ação. Seu refrão — “vem, vamos embora, que esperar não é saber” — ecoava como um grito coletivo contra o autoritarismo militar.

Quando o júri anunciou “Sabiá” como vencedora, o ginásio explodiu em vaias. A plateia reagiu com indignação. Muitos gritavam “marmelada, marmelada!”, convencidos de que a canção escolhida não representava o momento político do país. Vandré tentou, em vão, acalmar o público, mas só conseguiu silêncio quando dedilhou os primeiros acordes de sua música, que foi acompanhada pela plateia cantando delirantemente.

A escolha do júri refletia uma visão mais tradicional, conservadora, talvez mais cautelosa ou covarde, em um tempo em que qualquer crítica explícita ao regime podia custar caro. “Sabiá” era bela, mas parecia distante da realidade dura que o público vivia. Já “Caminhando”, como ficou conhecida, traduzia com clareza o sentimento de revolta e esperança que tomava conta das ruas. Não por acaso, pouco depois, a canção seria censurada e Vandré acabaria no exílio.

Passadas mais de cinco décadas, o julgamento popular daquela noite se confirma. “Sabiá”, apesar de sua qualidade artística, tornou-se uma lembrança tênue na história da música brasileira. Já a canção de Vandré atravessou gerações, transformou-se em símbolo de resistência e permanece viva sempre que o país enfrenta momentos de tensão política. É cantada em manifestações, lembrada em livros, estudada como documento histórico e reconhecida como um dos maiores hinos de liberdade já produzidos no Brasil.

A plateia do Maracanãzinho mostrou que entendia o espírito do momento melhor do que o júri. Ela não queria apenas beleza, queria e exigia coragem. Queria uma música que dissesse, sem rodeios, aquilo que tantos brasileiros sentiam e não podiam expressar. E foi exatamente isso que Vandré entregou.

Hoje, olhando para trás, fica claro que aquela multidão tinha razão. A história não guardou “Sabiá”. Guardou “Caminhando”. Guardou o protesto. Guardou a voz coletiva que, naquela noite de 1968, se levantou para dizer que a arte também é instrumento de liberdade e que, quando o povo canta junto, nenhuma censura consegue silenciar.

Agora, sugiro ouvir, no Spotify, a gravação original de Vandré, que me inspirou a escrever esse texto.

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Jogo Rápido

Secretário de conservação ‘batiza’ prato de tradicional bar para o Rio Gastronomia

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Redação

23/09/2026 14:31

Presente na 16ª edição do Rio Gastronomia, o Bar da Portuguesa leva para o evento deste ano o Arroz do Didi, prato criado em homenagem ao secretário de Conservação Diego Vaz, que é cliente fiel e amigo de Dona Donzília Gomes — dona do espaço — desde os tempos em que era subprefeito da Zona Norte.

O prato é um risoto de camarão e bacalhau, com azeitonas, pimenta-biquinho, palmito, salsa e gratinado com queijo mussarela.

O secretário estará presente nesta quinta-feira (24) para prestigiar a amiga durante o festival e, claro, para comer novamente o seu já famoso — e agora batizado — risoto.

Localizado em Ramos, na Zona Norte, o bar começou como um armazém de bairro e, ao longo dos anos, se transformou em um dos botequins mais emblemáticos da cidade.

Patrimônio Cultural Carioca

Patrimônio Cultural do Rio desde 2021, o Bar da Portuguesa tem o típico cenário de botequim de subúrbio.

Aberto em 1972, o espaço, próximo ao ramal de trem da Leopoldina, é comandado por dona Donzília Gomes, portuguesa radicada no Brasil desde 1968.

Entre os quitutes que mais agradam ao público está o bolinho de aipim com carne-seca e os famosos jiló e sardinha frita.

O estabelecimento também tem importância histórica: foi lá que ocorreu o encontro de Pixinguinha, que morava nas redondezas, e do violonista Baden Powell, registrado pelo músico francês Pierre Barouh no documentário “Saravah”. Na época, Donzília ainda não estava à frente da casa.

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Rio de Janeiro

Oruam deixa de ser considerado foragido; Justiça do Rio concede habeas corpus e rapper poderá responder em liberdade

Foto de Redação
Redação

23/09/2026 14:14

A Justiça do Rio concedeu um novo habeas corpus ao rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. Em decisão unânime nesta quarta-feira (23), a 8ª Câmara Criminal revogou o último mandado de prisão pendente contra o artista, relacionado a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro.

Com isso, ele deixa de ser considerado foragido. Antes, a Justiça já havia concedido outro habeas corpus ao cantor em um processo por tentativa de homicídio contra dois policiais civis, incluindo o delegado titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Os juízes entenderam que faltam provas suficientes para comprovar a autoria de Oruam no episódio do arremesso de uma pedra contra os agentes durante uma diligência policial.

Os advogados de defesa, agora, pedem o trancamento dessa ação penal, fundamentando o pedido em um laudo pericial que aponta irregularidades nas provas. Oruam continua respondendo perante a Justiça por ameaça, dano qualificado, resistência, desacato e lesão corporal.

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Política

Candidata, atriz Adele Fátima posta pornochanchada com portadores de nanismo para dizer que vai defender a inclusão

Foto de João Arruda
João Arruda

23/09/2026 14:07

Candidata a deputada federal pelo MDB, a atriz Adele Fátima usou uma lembrança no mínimo inusitada para apresentar a defesa da inclusão como uma das pautas da sua campanha. Ela postou em seu Instagram uma foto lembrando do filme “Histórias que nossas babás não contavam”, de 1979. O detalhe é que a paródia da história da Branca de Neve, dirigida por Oswaldo de Oliveira, é uma pornochanchada. E os atores eram portadores de nanismo.

Na rede social, a atriz escreveu: “Hoje é Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, e essa foto tem 46 anos. O que ela ainda tem a nos ensinar? Você se lembra deles? Eles não eram coadjuvantes. Eram protagonistas. Nanismo é uma deficiência física. E em 1979, quando estrelamos ‘Histórias que nossas babás não contavam’, o cinema brasileiro fez algo revolucionário. Colocou atores com nanismo no Cartaz, como personagens centrais, com nome, história, subjetividade e dignidade. Foi um dos maiores sucessos de bilheteria do país, passou na TV para milhões e rodou o mundo as 46 anos depois, o que mudou? Hoje, atores com nanismo ainda lutam por papéis que não sejam cômico. Ainda lutam por acessibilidade, por emprego, por respeito. Ainda são vistos como curiosidade, e não como profissionais talentosos que são. A inclusão não pode ser só no filme. Tem que ser na vida real”.

Humorista Costinha participou da produção

Além de Adele, o filme tinha no elenco o saudoso humorista Costinha (1923-1995), que interpretava o Caçador, aquele que se recusa a matar a Branca de Neve. Participaram também os atores Meiry Vieira (rainha), Dênis Derkian (príncipe), Xandó Batista (rei) e Sérgio Hingst. O crítico Rodrigo de Oliveira chegou a destacar que a obra continha até mesmo uma provocação política. Em 1979, a ditadura militar brasileira vivia um momento de abertura.

filme
Adele Fátima e Costinha fizeram sucesso na pornochanchada exibida em 1979

Cineasta e agora considera a abordagem equivocada

O cineasta, ator e jornalista Pedro Henrique França, que é portador de nanismo, mostrou certo receio com a maneira usada para abordar a pauta.

“Eu acho que a gente tem que tomar cuidado com muitas candidaturas que têm usado a plataforma da inclusão, sobretudo no tema de pessoas com deficiência, para sinalizar algum tipo de movimento progressista e de fato pensado na inclusão. Quando a gente vê uma postagem dessa, por exemplo, a gente já vê que a candidata não entendeu nada sobre capacitismo. Branca de Neve e os Sete Anões nunca foi revolucionário, muito pelo contrário. Ele é o marco inicial do retrocesso à identidade e representação de pessoas com nanismo. Então reforço o alerta, eu tenho visto muitas candidaturas falando em inclusão, muitas candidaturas falando em mães atípicas, muitas candidaturas falando até contra o autismo. Então eu recomendo que as pessoas aprofundem. Também de onde vem a candidatura, qual é o histórico desse partido, em termos de inclusão, para entender se essa pessoa de fato está levando isso como um lema, um projeto político ou apenas fazendo campanha sem eficácia nenhuma”.

cartaz
O ator Pedro Henrique prefere ser cuidadoso com certas posturas

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Política

Loterj rompe contrato com a RioPag, que intermediava pagamentos de bets, após empresa reter R$ 20 milhões

Foto de Redação
Redação

23/09/2026 13:27

A Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) decidiu romper unilateralmente o contrato com a RioPag, empresa que detinha o serviço de meio de pagamento das casas de apostas credenciadas. A autarquia também aplicou uma multa de R$ 4,8 milhões e cobra outros valores da empresa, fazendo a dívida chegar a R$ 9,4 milhões, considerando juros e demais quantias apontadas no processo administrativo.

A decisão ocorreu após a Loterj apontar uma série de irregularidades na execução do contrato, entre elas a retenção de cerca de R$ 20 milhões que deveriam ter sido repassados à autarquia.

Loterj afirma que RioPag reteve cerca de R$ 20 milhões e só devolveu parte do valor

O caso começou em janeiro de 2025, quando o então presidente da Loterj, Hazenclever Cançado (PL), enviou um ofício à RioPag determinando que a empresa deixasse de pagar a parcela da arrecadação que cabia à autarquia.

A situação só voltou a ser tratada pela Loterj em abril deste ano, já com Hazenclever fora do comando da autarquia e Ricardo Couto no governo do estado. A loteria estadual cobrou os valores que haviam ficado represados, estimados em cerca de R$ 20 milhões.

Segundo o processo, a RioPag inicialmente não respondeu à cobrança. Depois, pediu mais prazo e, posteriormente, propôs um parcelamento, alegando que não tinha os recursos disponíveis naquele momento.

A justificativa chamou a atenção da Loterj porque, de acordo com a autarquia, a empresa informava mensalmente a existência desses recursos.

A RioPag chegou a afirmar que o dinheiro estava aplicado no Santander, com uma trava de seis meses, e que só poderia ser resgatado em outubro. Diante da informação, a Loterj pediu à Justiça o bloqueio dos bens da empresa — que não teve nenhum valor localizado no sistema bancário.

Posteriormente, a RioPag depositou cerca de R$ 16 milhões por meio de uma empresa de pagamentos apontada como concorrente da companhia.

Processo administrativo contra RioPag aponta falhas na prestação de informações e na gestão dos recursos

No processo, a Loterj apontou quatro conjuntos de condutas da RioPag que configuraram infrações contratuais: a falta de transparência e a prestação incompleta de informações necessárias à fiscalização; a criação de obstáculos à atuação fiscalizatória da Administração; a realização de atos de gestão financeira envolvendo recursos públicos sem demonstração de fundamento contratual ou autorização administrativa específica; e a alteração unilateral do fluxo financeiro previsto no contrato.

Para a autarquia, as condutas caracterizam “inadimplemento contratual grave, reiterado e injustificado”, além de falha na execução do serviço, justificando o encerramento do contrato de forma unilateral.

A RioPag terá dois dias úteis, no máximo, para realizar a transição integral das atividades para a empresa que vier a assumir o serviço.

Além da multa de R$ 4,8 milhões, equivalente a 15% do valor do contrato, a Loterj determinou a devolução de mais de R$ 2,1 milhões referentes aos ganhos financeiros obtidos durante o período em que recursos da autarquia permaneceram retidos com a empresa.

Com juros e outros valores considerados devidos, a cobrança chega a R$ 9,4 milhões.

RioPag chegou a cobrar até 2,5% por transação de bets credenciadas pela Loterj; taxa nacional é de 0,20%

Em determinado período, quando o Rio de Janeiro ainda permitia que as bets licenciadas pelo estado operassem nacionalmente, a empresa chegou a faturar mais de R$ 30 milhões em um único mês com uma única casa de apostas, segundo informações publicadas pelo portal “Metrópoles”.

A operação, porém, sofreu uma mudança após o Supremo Tribunal Federal derrubar a possibilidade das casas licenciadas por um estado atuarem em todo o país.

A RioPag cobrava das empresas de apostas uma taxa que podia chegar a 2,5% de cada transação entre apostadores e as plataformas. No mercado nacional, as bets licenciadas pela União podem escolher suas próprias intermediárias, que costumam cobrar taxas menores, de aproximadamente 0,20%.

Advogado ligado à RioPag também atuou para ampliar a operação das bets no Rio

A RioPag não era apenas uma prestadora de serviços para as casas de apostas credenciadas pela Loterj. A empresa também esteve no centro de uma estratégia para ampliar o número de bets que atuavam sob a regulamentação do estado — articulação da qual participou o advogado Willer Tomaz, ligado ao grupo econômico que controla a companhia.

Tomaz atuava na tentativa de convencer novas empresas a obter uma licença no Rio. Na época, ele defendia que o estado conseguiria manter sua regulamentação mesmo diante da disputa com a União e que as bets poderiam operar com uma licença estadual mais barata.

A atuação de Willer também se cruzava com a própria estrutura da Loterj. Antes de Hazenclever Cançado assumir a presidência da autarquia, o advogado já havia trabalhado para ele.

Segundo o próprio Willer, sua relação com a RioPag não se limita à prestação de serviços jurídicos. Ele reconheceu ser um dos beneficiários econômicos do grupo: é cotista de um fundo que investe na Capital Pretium S.A., empresa que é dona da RioPag.

A Capital Pretium é administrada por Lidia Mazelli, que atua como administradora profissional para Willer. O advogado não informou o nome do fundo nem detalhou quem são os demais parceiros no negócio.

Procurado, Willer afirmou que não é sócio, cotista ou acionista da RioPag e que atua exclusivamente como advogado da companhia, sem participação em sua gestão ou direção.

Relação de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro entrou no radar durante a eleição

A relação de Willer Tomaz com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) passou a ganhar atenção durante o período eleitoral.

O advogado foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, Tomaz é investigado por atuar como um suposto “hub financeiro, patrimonial e logístico” do senador Weverton Rocha (PDT), um dos personagens investigados no caso.

Reportagem do jornal “O Globo” apontou ainda que Willer e Flávio fizeram cinco viagens internacionais juntos no primeiro semestre de 2025. Uma delas teve como destino um safári na África e contou também com a presença de Weverton Rocha e das respectivas famílias.

Outra viagem aos Estados Unidos ocorreu em um jatinho da Prime You, empresa de aviação executiva que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.

Willer também teria cedido uma casa da Prime You para a festa de aniversário da filha de Flávio, segundo reportagem do “ICL”. Durante a campanha, Flávio ficou em um apartamento de Willer em São Paulo que havia pertencido anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, de acordo com a “Piauí”.

O que dizem os citados

Procurado, Willer Tomaz afirmou que não é sócio, cotista ou acionista da RioPag. Segundo ele, sua relação com a empresa é exclusivamente profissional.

“É exclusivamente advogado da companhia, não tendo qualquer papel de gestão ou direção”, afirmou.

Com informações do portal “Metrópoles”.

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Política

Quatro a cada dez cariocas apoiam poder de decisão dos condomínios sobre Airbnb

Foto de Redação
Redação

23/09/2026 13:01

Cerca de 42% dos cariocas apoiam que condomínios tenham poder para autorizar ou vetar o aluguel de apartamentos por curta temporada, como os realizados por meio do Airbnb.

As informações foram divulgadas pela pesquisa do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário — Loft, em parceria com a Offerwise.

O tema será discutido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e divide a opinião dos moradores da cidade. Entre os cariocas ouvidos, 29% discordam de que os condomínios tenham esse poder, enquanto 28% adotam uma posição intermediária.

Pesquisa em capitais

A pesquisa foi realizada entre 21 e 30 de agosto de 2026, com 1.400 pessoas em seis capitais: Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia. No Rio, foram entrevistados 300 moradores.

Considerando as seis capitais, 39% dos entrevistados apoiam que os condomínios possam autorizar ou vetar os aluguéis de curta temporada, enquanto 32% são contrários.

Regras do aluguel por curta temporada no Rio

O Rio de Janeiro não tem uma legislação municipal específica para regulamentar os aluguéis de curta temporada em plataformas como Airbnb. Atualmente, há um projeto em tramitação na Câmara do Rio, que propõe criar regras para a atividade, incluindo cadastro dos proprietários e hóspedes, além de medidas de segurança e privacidade.

A proposta também prevê que as plataformas mantenham cadastro fiscal no município, exibam esse número nos anúncios e forneçam informações como datas de entrada e saída dos hóspedes. O texto ainda prevê a possibilidade de retenção do ISS diretamente pelas plataformas.

Sobre regras para os condomínios, a proposta pretende criar mecanismos para ampliar o controle sobre a circulação de hóspedes, enquanto o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que a exploração de imóveis residenciais para locação de curta temporada depende da autorização do condomínio, com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos.

Com informações do blog do Ancelmo Gois, no jornal “O Globo”.

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