Candidata a deputada federal pelo MDB, a atriz Adele Fátima usou uma lembrança no mínimo inusitada para apresentar a defesa da inclusão como uma das pautas da sua campanha. Ela postou em seu Instagram uma foto lembrando do filme “Histórias que nossas babás não contavam”, de 1979. O detalhe é que a paródia da história da Branca de Neve, dirigida por Oswaldo de Oliveira, é uma pornochanchada. E os atores eram portadores de nanismo.
Na rede social, a atriz escreveu: “Hoje é Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, e essa foto tem 46 anos. O que ela ainda tem a nos ensinar? Você se lembra deles? Eles não eram coadjuvantes. Eram protagonistas. Nanismo é uma deficiência física. E em 1979, quando estrelamos ‘Histórias que nossas babás não contavam’, o cinema brasileiro fez algo revolucionário. Colocou atores com nanismo no Cartaz, como personagens centrais, com nome, história, subjetividade e dignidade. Foi um dos maiores sucessos de bilheteria do país, passou na TV para milhões e rodou o mundo as 46 anos depois, o que mudou? Hoje, atores com nanismo ainda lutam por papéis que não sejam cômico. Ainda lutam por acessibilidade, por emprego, por respeito. Ainda são vistos como curiosidade, e não como profissionais talentosos que são. A inclusão não pode ser só no filme. Tem que ser na vida real”.
Humorista Costinha participou da produção
Além de Adele, o filme tinha no elenco o saudoso humorista Costinha (1923-1995), que interpretava o Caçador, aquele que se recusa a matar a Branca de Neve. Participaram também os atores Meiry Vieira (rainha), Dênis Derkian (príncipe), Xandó Batista (rei) e Sérgio Hingst. O crítico Rodrigo de Oliveira chegou a destacar que a obra continha até mesmo uma provocação política. Em 1979, a ditadura militar brasileira vivia um momento de abertura.

Cineasta e agora considera a abordagem equivocada
O cineasta, ator e jornalista Pedro Henrique França, que é portador de nanismo, mostrou certo receio com a maneira usada para abordar a pauta.
“Eu acho que a gente tem que tomar cuidado com muitas candidaturas que têm usado a plataforma da inclusão, sobretudo no tema de pessoas com deficiência, para sinalizar algum tipo de movimento progressista e de fato pensado na inclusão. Quando a gente vê uma postagem dessa, por exemplo, a gente já vê que a candidata não entendeu nada sobre capacitismo. Branca de Neve e os Sete Anões nunca foi revolucionário, muito pelo contrário. Ele é o marco inicial do retrocesso à identidade e representação de pessoas com nanismo. Então reforço o alerta, eu tenho visto muitas candidaturas falando em inclusão, muitas candidaturas falando em mães atípicas, muitas candidaturas falando até contra o autismo. Então eu recomendo que as pessoas aprofundem. Também de onde vem a candidatura, qual é o histórico desse partido, em termos de inclusão, para entender se essa pessoa de fato está levando isso como um lema, um projeto político ou apenas fazendo campanha sem eficácia nenhuma”.

























































