Definitivamente, esta não é uma boa fase para Vaguinho Neguinho (PRD). Depois de ser alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Fora de Ordem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), o vereador de Nova Iguaçu e candidato a deputado estadual agora enfrenta um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) para ter o seu registro de candidatura indeferido na Justiça Eleitoral.
A operação da PF e o salto patrimonial
A operação Fora de Ordem investiga um grupo criminoso liderado pelo miliciano Juninho Varão, acusado de extorsão, lavagem de dinheiro e exploração do monopólio do fornecimento de gás e internet na Baixada Fluminense — esquema que movimentou mais de R$ 350 milhões. A PF cumpriu 23 mandados de busca, incluindo endereços ligados a Vaguinho em Nova Iguaçu.
A ação trouxe à tona o crescimento expressivo do patrimônio do vereador agora candidato a deputado. À Justiça Eleitoral, ele declarou ter R$ 3,1 milhões em bens em 2026 (incluindo uma promessa de compra de casa financiada de R$ 1,77 milhão e uma BMW X6 de R$ 544,7 mil).
O montante representa um salto de mais de 7.000% em relação a 2014, quando declarou ter apenas R$ 40 mil ao disputar vaga de deputado federal.
A reviravolta no MPE
A partir das provas e dados compartilhados pela Operação da PF (como quebras de sigilo do celular do vereador e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf), a Procuradoria Regional Eleitoral recuou do parecer favorável anterior e pediu a rejeição definitiva do pedido de candidatura de Vaguinho:
Ligação com múltiplas facções
Segundo o MPE, foram identificadas conversas do candidato com lideranças do Comando Vermelho (CV), do Terceiro Comando Puro (TCP) e de milícias, envolvendo desde autorizações para a entrada de políticos em favelas até empréstimos a chefes do tráfico.
Monopólio de internet
Empresas de telecomunicações vinculadas ao candidato eram usadas para a prestação clandestina de serviços de internet em áreas dominadas pelo crime e em “bocas de fumo”.
Movimentação financeira suspeita
MPE apontou movimentações pessoais atípicas que somam R$ 14,2 milhões entre 2020 e 2024, valor incompatível com sua renda e patrimônio formalmente declarados.
O enquadramento legal do caso Vaguinho Neguinho
O procurador regional eleitoral Flávio Paixão de Moura Júnior reforçou que o art. 17, § 4º, da Constituição Federal proíbe expressamente a utilização ou interferência de grupos criminosos no processo democrático.
Com base em entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não é necessária uma condenação criminal prévia para barrar o candidato: a existência de provas consistentes que apontem envolvimento com o crime organizado é suficiente para fundamentar o indeferimento da candidatura.
O pedido de indeferimento está sob julgamento da relatora no TRE-RJ, Tathiana de Carvalho Costa.
























































