As inscrições para vendedores autônomos que desejam trabalhar nos blocos de rua durante o carnaval 2025 no Rio começam nesta segunda-feira (6). A informação foi divulgada pela prefeitura no Diário Oficial do munícipio.
A partir das 18h, estarão disponíveis 15 mil vagas exclusivas para brasileiros maiores de 18 anos, com 5 mil oportunidades a mais em relação ao ano passado.
Os interessados devem se inscrever até o dia 21 de janeiro no site oficial do evento: carnavalderua2025.com.br. O sorteio dos selecionados ocorrerá no dia 22 de janeiro.
Requisitos e documentos
Para realizar a inscrição, é necessário apresentar os seguintes documentos: carteira de identidade (RG), CPF e comprovante de residência no município do Rio. Os vendedores sorteados deverão comparecer a um local, a ser informado, para a verificação dos documentos.
Na ocasião, será entregue um kit contendo colete, isopor e credencial, além de informações sobre o treinamento necessário para atuar nos blocos de rua.
Carnaval 2025
A permissão para trabalhar nos blocos começará em 1º de fevereiro e vai até 9 de março. Durante esse período, os vendedores aprovados poderão atuar nas principais festas de rua da cidade, que atraem milhões de foliões.
Eu gostaria de participar do Carnaval do bloco de rua vendendo biscoito água e suco para os foliãos pra eles ficarem bem idratados pra poder pular bastante nos blocos
O deputado estadual Renato Machado (PT), candidato à reeleição para a Alerj, declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de R$ 1,3 milhão, uma alta de 54,03% em relação aos bens declarados há quatro anos, que somavam R$ 875 mil.
Entre os bens informados pelo mais novo milionário, chamam a atenção 14 terrenos, duas casas e dois apartamentos em Maricá, que, somados, dão R$ 1,18 milhão — quase a totalidade dos bens declarados pelo parlamentar neste ano.
A relação de bens foi informada por Jane Reis à Justiça Eleitoral durante o registro da candidatura. As declarações são públicas e podem ser consultadas por qualquer eleitor no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Declaração de bens de Renato Machado em 2020 — Foto: Reprodução/Divulgacand
Declaração de bens de Renato Machado em 2026 — Foto: Reprodução/Divulgacand
Um erro no sistema da Justiça Eleitoral quase transformou o candidato André Ceciliano (PT) no candidato mais rico das eleições para deputado estadual. Um empréstimo de R$ 100 mil declarado pelo político ao TSE foi creditado, no sistema do Tribunal, como R$ 100 milhões, fazendo seu patrimônio parecer mais de 3.000% maior do que, de fato, é.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) apareceu no sistema da Justiça para divulgação de dados dos candidatos neste domingo (09). Até às 13h, ele aparecia no sistema com R$ 103 milhões de patrimônio.
A maior parte do valor, no entanto, correspondia ao empréstimo de R$ 100 milhões. Ao TEMPO REAL, o candidato disse que o empréstimo declarado foi de apenas R$ 100 mil.
Além do empréstimo, André Ceciliano declarou quatro carros, duas casas, um prédio comercial em Paracambi e R$ 380 mil em espécie, segundo os outros dados da Justiça Eleitoral. Os valores no portal do TSE são atualizados em tempo real até o fim das eleições.
Erro no sistema do TSE aumenta patrimônio de André Ceciliano – Foto: Reprodução
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) negou um novo pedido de extensão de prazo feito pela Controladoria-Geral do Estado (CGE-RJ) para concluir a investigação sobre perdas milionárias e possíveis irregularidades no Rioprevidência. Entre os principais pontos sob apuração está a aplicação de quase R$ 1 bilhão em papéis do Banco Master.
Em decisão monocrática, o conselheiro José Gomes Graciosa indeferiu a solicitação de mais 60 dias para a conclusão da Tomada de Contas Especial aberta no processo TCE-RJ nº 100.659-6/25, em dezembro do ano passado.
Graciosa considerou que o estado já havia recebido uma prorrogação de 120 dias em maio deste ano e, segundo o TCE-RJ, o prazo adicional já havia atingido o limite previsto no regimento da Corte. Com o novo pedido negado, a CGE terá de apresentar o relatório final, incluindo a mensuração do prejuízo aos cofres públicos e a indicação dos possíveis responsáveis, até o dia 02 de setembro.
Do alerta do TCE à prisão de ex-dirigentes
O rombo bilionário no Rioprevidência ganhou novos desdobramentos no final de 2025, quando o TCE-RJ recomendou o afastamento imediato de toda a diretoria executiva, do comitê de investimentos e do controle interno da autarquia. Desde então, as apurações administrativas avançaram paralelamente às investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
Em janeiro de 2026, o então diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal e pediu exoneração do cargo.
No mês seguinte, Antunes foi preso preventivamente pela PF durante a Operação Barco de Papel, sob suspeita de gestão temerária, tentativa de obstrução da Justiça e destruição de provas. A prisão foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com o avanço das investigações, toda a cúpula que comandava o Rioprevidência no período em que ocorreram os fatos investigados acabou substituída ou desarticulada.
Aplicações e irregularidades sob investigação
As apurações apontaram uma série de condutas que teriam exposto o fundo de previdência dos servidores estaduais a riscos incompatíveis com sua finalidade.
Entre eles, o investimento de quase R$ 1 bilhão em papéis do Banco Master S.A., instituição que posteriormente sofreu liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central.
Também estão sob análise compras de Notas do Tesouro Nacional (NTN-B) por meio da corretora Planner. Segundo as apurações, os títulos teriam sido adquiridos por valores superiores aos praticados no mercado secundário, sem justificativas técnicas ou econômicas para a contratação da intermediária.
Outro foco é a governança dos investimentos. Foram identificadas aplicações feitas sem a aprovação tempestiva do Plano Anual de Investimentos, além de possíveis descumprimentos dos limites estabelecidos pela Resolução CMN nº 4.963/2021 e falta de transparência em relatórios e atas de conselhos.
CGE terá de concluir tomada de contas
Com o pedido de prorrogação negado e os autos anexados ao processo principal, a CGE terá de concluir a Tomada de Contas Especial. O relatório deverá apontar o valor do prejuízo e os responsáveis pelos eventuais danos até a data limite definida pela prorrogação de 120 dias, aceita em maio deste ano.
A quantificação das perdas será usada como base para eventual cobrança de ressarcimento aos cofres públicos e poderá reforçar os processos judiciais e criminais já em andamento contra ex-gestores do Rioprevidência.
Entre os bens informados estão um automóvel avaliado em R$ 220 mil; um imóvel no valor de R$ 30 mil; e um título de previdência privada de R$ 44 mil.
Declaração de bens de Jane Reis em 2026 — Foto: Reprodução/Divulgacand
O valor total é maior do que o declarado por Jane em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Magé. Na declaração daquele ano, a irmã do presidente estadual do MDB, Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, declarou um total de R$ 268.608,29, somando automóvel, título de previdência privada e participações em empresas.
Declaração de bens de Jane Reis em 2020 — Foto: Reprodução/Divulgacand
A relação de bens foi informada por Jane Reis à Justiça Eleitoral durante o registro da candidatura. As declarações são públicas e podem ser consultadas por qualquer eleitor no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e candidato do PL para o governo do estado, Douglas Ruas (PL) tem um patrimônio estimado em R$ 1,4 milhão. O valor foi declarado por ele à Justiça Eleitoral, que reúne os dados dos candidatos no portal DivulgaCand.
O patrimônio total é de R$ 1.467.687,88, dividido em quatro imóveis, quotas de imóveis e aplicações em fundos de investimentos, além de valores depositados em poupanças e conta corrente.
O valor é cerca de 15% maior do que o declarado por Douglas Ruas em 2022, quando foi eleito deputado estadual. Na época, ele disse ter R$ 1,2 milhão em bens. Ele participa, em 2026, de sua primeira disputa ao cargo de governador.
Candidato ao governo do estado do Rio pelo PSD, Eduardo Paes declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de R$ 189 mil. O valor é um pouco maior do que o declarado em 2024 — R$ 185 mil — quando concorreu à Prefeitura do Rio.
Entre os bens informados, chama atenção um Volkswagen Tiguan 2020, avaliado em R$ 150 mil, além de um título de previdência privada de R$ 32 mil.
Juntos, os dois itens somam quase todo o patrimônio declarado pelo candidato do PSD, que reúne ainda um saldo de R$ 50 em renda fixa e R$ 6,3 mil espalhados em quatro contas correntes no país.
Na declaração de 2022, Paes declarou duas contas bancárias no exterior, que, juntas, somavam R$ 2,3 mil. Esses registros não constam mais na declaração atual. Em contrapartida, houve aumento no número de contas mantidas no Brasil: naquele ano, ele havia declarado apenas uma conta corrente, com saldo de R$ 182.
Declaração de bens de Eduardo Paes em 2026 — Foto: Reprodução/Divulgacand
Declaração de bens de Eduardo Paes em 2024 — Foto: Reprodução/Divulgacand
A relação de bens foi informada pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral durante o registro da candidatura. As declarações são públicas e podem ser consultadas por qualquer eleitor no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O candidato ao governo do estado do Rio pelo PSD, Eduardo Paes, anunciou na noite deste sábado (08) que desistiu de ir ao debate da Band, que acontece às 20h neste domingo. Ele justificou a desistência pelo fato de o período eleitoral não ter se iniciado oficialmente, o que ocorre no próximo dia 16.
No entanto, mesmo sabendo das datas e conhecendo o calendário eleitoral, Paes havia confirmado a presença até o fim da tarde de ontem, quando mudou de ideia. Ele vinha sendo aconselhado por sua equipe a não ir, e assim, se preservar dos ataques mais que esperados do candidato do Republicanos, Anthony Garotinho.
O ex-governador passou a semana ameaçando apresentar denúncias e provocações ao adversário.
A ausência Paes tira do primeiro debate da disputa estadual o primeiro colocado na corrida pelo Palácio Guanabara, de acordo com as pesquisas de intenção de votos já divulgadas. E tira, do eleitor, a chance de conhecer as propostas e ouvir as explicações do ex-prefeito do Rio.
A coordenação de campanha de Paes publicou uma nota anunciando a desistência.
“A coordenação de campanha da coligação ‘Juntos Para Mudar, Coragem para Reconstruir’ decidiu, seguindo orientação do departamento jurídico, que o candidato Eduardo Paes não vai participar de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros de candidaturas pela Justiça Eleitoral”, diz a nota.
O MP alega que Garotinho está inelegível desde 2025, quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sua condenação por improbidade administrativa no projeto “Saúde em Movimento”. Garotinho foi acusado de participar de um esquema que desviou R$ 234,4 milhões da Secretaria estadual de Saúde entre 2005 e 2006., na época em que o estado era governado por Rosinha Matheus, e ele era seu secretário de Governo. Com a decisão de Toffoli, a sentença tornou-se definitiva.
Para integrantes da equipe de Paes, este será o único debate com a participação de Garotinho.
Grupo Bandeirantes lamentou a decisão de Paes, mas confirma que o debate vai acontecer ‘em respeito aos eleitores’
“O Grupo Bandeirantes lamenta a decisão do pré-candidato Eduardo Paes, do PSD e reafirma o compromisso da emissora com a democracia. Em respeito aos eleitores, aos partidos e demais pré-candidatos, a Band confirma o debate nesse domingo, dia 09 de agosto. A mediação será da âncora do Jornal da Band, Adriana Araújo”, diz o comunicado divulgado pela emissora após o anúncio da decisão do ex-prefeito.
Sem ele, o debate será realizado entre os candidatos Anthony Garotinho (Republicanos), André Marinho (Novo), Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL).
O primeiro encontro entre os candidatos ao governo do estado do Rio nas eleições de 2026 terá transmissão especial do TEMPO REAL em parceria com a Band e marcará também a estreia do portal na cobertura de uma eleição estadual.
O debate será realizado na Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, com transmissão ao vivo pela Band, na TV aberta, pela BandNews FM Rio (90.3 FM) e pelo YouTube do TEMPO REAL. a partir das 19h, com a exibição de um programa especial feito para a ocasião.
O público também poderá acompanhar a cobertura pelo Instagram do TR com transmissão e atualizações nos stories.
Em 2024, o TEMPO REAL acompanhou as eleições municipais em todo o estado do Rio, ampliando já naquele época a cobertura eleitoral para além da capital.
Candidato a deputado federal pelo PT no Rio para as eleições de 2026, Marcelo Freixo anunciou, através das redes sociais, que vai entrar com uma ação no Ministério Público Federal (MPF) contra Eduardo Bolsonaro. Ele acusa o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de violar o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O motivo da “treta” foi a divulgação de um vídeo no Instagram do próprio Eduardo Bolsonaro, onde ele revela ter entrado com um pedido, em uma espécie de cartório do Texas, nos Estados Unidos, para impedir a vacinação da própria filha.
Em resposta, Freixo demonstrou indignação com o anúncio e classificou a atitude como um ato criminoso.
“Estou entrando com uma ação no Ministério Público Federal contra Eduardo Bolsonaro. O que ele está fazendo é uma violação grave do Estatuto da Criança e do Adolescente. É crime. Em pleno fim de semana do dia dos pais, divulgar um video contrário a vacinação de uma criança é repugnante. A família Bolsonaro sabotou a vacinação contra a Covid, provocando a morte de milhares brasileiros. Agora eles estão atacando a vacinação de crianças”, disse Freixo.
O petista também falou sobre o sucesso das campanhas de vacinação no país, que reduziram a incidência de doenças como varíola, poliomielite, rubéola, difteria, tétano, coqueluche e outras. E lembrou dos episódios no governo Jair Bolsonaro, onde o ex-presidente se posicionou contra a aplicação de vacinas durante a pandemia da Covid-19.
“Tomar vacina é um direito da criança. A criança tem direito à vida. E se a sua filha tiver alguma doença grave fruto da não vacinação, que você negou a ela? Você vai ser o responsável? Vai ser preso? Me reuni com minha equipe e no início da semana vou processar você no Ministério Público Federal por crime contra o Estatuto da Criança e do Adolescente porque você é criminoso e tem que ser tratado como criminoso. Ser idiota eu não posso fazer nada. Mas criminoso eu posso”, afirmou Freixo.
A defesa do empresário Marcelo Conde solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que Alexandre de Moraes seja retirado da relatoria de um inquérito que envolve o empresário.
Os advogados do empresário sustentam que o ministro estaria impedido de atuar no processo devido ao parentesco com a suposta vítima, citando o Código de Processo Penal.
O pedido ainda vai ser analisado por Fachin. Antes, a defesa de Conde submeteu o mesmo pleito diretamente a Alexandre de Moraes, mas não obteve resposta.
Acusado de pagar R$ 4,5 mil por dados, Marcelo Conde nega denúncia
Marcelo Conde é filho do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, que morreu em 2015. Ele nega qualquer irregularidade envolvendo os dados de Viviane Barci e afirma que as acusações são infundadas.
As investigações da Polícia Federal apontam que o empresário teria pagado R$ 4,5 mil ao contador Washington Travassos de Azevedo para obter as informações fiscais de forma ilegal. Travassos, apontado como o executor do acesso indevido aos sistemas da Receita Federal, está preso desde março.
O caso tramita no âmbito do chamado Inquérito das Fake News. Em abril, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário, que se apresentou às autoridades após a emissão de uma ordem de prisão preventiva expedida por Moraes.
A medida de prisão, à época, ocorreu mesmo com parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não identificou riscos ou provas suficientes para justificar a custódia cautelar de Marcelo Conde naquele momento.
Pandemia. Pessoas isoladas temendo a contaminação por um vírus potencialmente mortal. Para matar o tempo, reúnem-se com o devido isolamento em torno da literatura. Um casal se conhece e se apaixona. Poderíamos estar falando do clássico “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio, ambientado na Peste Negra do século XIV. Mas nossa história é bem mais recente. Acontece na pandemia da Covid-19, em Lisboa, e tem seu ápice no Rio de Janeiro com um escritor como cupido: Machado de Assis.
A guia Juliana Fiúza, de 31 anos, há dez concluiu seu curso e resolveu se especializar em rotas turísticas literárias no Rio de Janeiro. Tem vários roteiros. O mais concorrido é, disparado, o de Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras. Foi graças ao Bruxo do Cosme Velho que sua história se misturou com a do casal.
Durante a pandemia, Rui Carvalho e Sofia Vicente dedicaram parte do seu tempo à literatura, participando de um clube. Descobriram que eram apaixonados por Machado de Assis. Mais um pouco e descobriram-se, agora, apaixonados um pelo outro. Depois do casamento, os portugueses procuraram Juliana, que conheceram através das redes sociais, para comemorar a lua de mel de um jeito diferente e especial: fazendo o roteiro literário de Machado de Assis no Rio.
Personagens de uma história contada e recontada
E as artes do bruxo vão mais longe e criam outra conexão. O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti tem um sonho. Nele, caminham pelas ruas do Rio de Janeiro Bentinho, olhando para os lados, desconfiado do que aconteceu no passado. O filósofo Quincas Borba filosofa e se pergunta onde errou. Ao mesmo tempo, o transeunte precisa ter cuidado com seus trejeitos. Podem ser mal interpretados por um tal Dr. Simão Bacamarte, que não hesitará em levar o desavisado para uma internação compulsória. Na mente de Nireu, os personagens de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, Machado de Assis, passeiam por aí, a clamar, como fantasmas, um caminho delimitado por “templos” onde o povo possa prestar a devida homenagem a seu criador.
Nireu Cavalcanti sabe tudo de Machado de Assis — Foto: Arquivo pessoal
Nireu Cavalcanti tem a ousada ideia de tornar o Rio uma Cidade Machadiana. As ideias serão expostas em dois eventos. Na próxima terça-feira (11), às 9h, acontece o Circuito Machadiano – Bem Jurídico Imaterial, na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. No dia 25, quem recebe o debate é o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro.
“Temos até 2039 (ano do bicentenário do escritor) para criar o roteiro. É uma homenagem justa, mais do que merecida”, diz Nireu, de 82 anos, que tem uma relação de décadas com Machado de Assis. Conheceu a obra do escritor ainda garoto, em Alagoas, onde nasceu.
Evento vai discutir a proposta do arquiteto
Intervenções arquitetônicas para preservar a memória
A proposta do arquiteto e historiador inclui intervenções em dez locais, sendo nove deles antigas moradias de Machado de Assis. O roteiro vai da Rua do Livramento, na Gamboa, ao Cosme Velho, passando por bairros como São Cristóvão, Centro, Lapa, Laranjeiras, Catete e Cosme Velho. A décima intervenção aconteceria num prédio que hoje pertence à Assembleia Legislativa do Rio. Demolição é a solução apresentada.
“A edificação foi reformada e transformada em um caixote revestido de vidro”, escreve Nireu, quase com repugnância.
A presença de Machado de Assis na cidade é tema do livro de Nireu — Arte/Divulgação
As intervenções propostas por Nireu têm um grande entusiasta. Trata-se do desembargador João Batista Damasceno, presidente do Fórum Permanente de Sociologia Jurídica da Escola de Magistratura.
“Machado de Assis pode ser considerado um dos fundadores da literatura brasileira. O que tínhamos, antes da Indendência (1822), era literatura portuguesa. No caso do roteiro da Cidade Machadiana, temos ainda muita coisa que pode se perder com o tempo caso nada seja feito”, alerta Damasceno.
Registros imortais e um pouco de fofoca literária
O desembargador é tão apaixonado pela obra do escritor que, pesquisando textos de vários literatos brasileiros, escreveu o artigo ”Machado de Assis: Talaricagem, catarse ou fake news? Este é o enigma”. Nele, discorre sobre literatura e… fofoca. Mais de 150 anos depois, Machado de Assis ainda é babado!
“Mas e se a obra for autobiográfica e Machado a tiver escrito como um mea culpa ou catarse, explicitando o que não poderia dizer publicamente e às claras? Há criminosos que decorridos tempos de seus delitos procuram autoridades e relatam o que cometeram, sem o que jamais se saberia sobre a autoria”, discorre Damasceno, falando sobre “Dom Casmurro”, o livro mais conhecido de Machado, e usando uma fofoca secular para botar fogo no parquinho.
Ousadia para derrubar o que está atrapalhando
E se demolir um prédio, como o anexo da Assembleia, pode chocar os mais afeitos a “deixar tudo como está”, Nireu, em sua proposta, é didático:
“Registrar as nove moradias do gênio Machado de Assis não deve se restringir a colocação de placas em suas fachadas. Mas restaurar os imóveis e lhes dar função social, cultural, histórica, turística e revitalizar o seu entorno”.
É bom lembrar que menos de duas décadas atrás, muita gente considerou até sacrilégio implodir a Perimetral, pra revitalizar o Porto Maravilha. As ideias de Nireu nem envolvem tanto barulho e poeira, mas explosivas. Incluindo botar abaixo o terminal atual das barcas (somente a parte não tombada) para revitalizar a Praça XV.
“O espaço urbano onde Machado de Assis viveu e trabalhou por tantos anos (no Ministério da Agricultura, de 1873 a 1908) é o centro histórico onde localizava-se o Palácio Imperial, a Câmara de Deputados, a Sé Catedral (Igreja do Carmo e Capela Imperial); o porto de desembarque de escravos, dos navios mercantes, de passageiros estrangeiros e nacionais, dos moradores de Niterói, na Estação das Barcas, das embarcações do interior da baía de Guanabara e da Província do Rio de Janeiro. Os navios de guerra do Brasil e das diversas nações estrangeiras”.
Uma Praça Quinze vibrante, como Machado de Assis via
O visionário quer ver mais vida de volta à Praça Quinze.
“Nesse sítio urbano fervilhava o comércio com o Mercado Municipal, os quiosques, os vendedores ambulantes, as baianas e as lojas de variados ramos comerciais. Tinha os hotéis famosos da cidade, os cafés, confeitarias, casas de pasto (restaurantes), sorveterias, tabacarias, livrarias, sedes dos principais jornais da cidade, lojas de moda francesa, de móveis, de instrumentos musicais, sapatarias, escritórios e consultórios de famosos advogados, contadores, médicos, dentistas e sedes de empresas importantes”, detalha.
Autor do livro “Machado de Assis – Caminhos de suas moradias no Rio de Janeiro”, Nireu vai defender suas propostas nos dois eventos citados no início deste texto. E pretende trazer para a ideia os mais variados setores da sociedade, do poder público a entidades da sociedade civil.
O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, está ansioso pelo encontro como Nireu Cavalcanti.
“A importância desse trabalho, elaborado pelo professor, de nos oferecer e especializar na questão urbana toda a vivência, a própria obra, a inspiração de Machado de Assis, é muito importante para o CAU reconhecer esse trabalho, apoiar e fazer o devido encaminhamento institucional junto à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro para tentar aproveitar essa ideia e valorizar esses espaços da cidade que têm um valor não só urbano, arquitetônico e histórico, mas sobretudo um valor cultural, de inspirar. Para que perpetuassem nas suas obras essa realidade tão pitoresca da cidade do Rio de Janeiro”, diz.
Ligação profunda até mesmo com o turismo europeu
E, voltando ao início, de nossa narrativa, ficamos com o depoimento de Juliana (@papodeguiario), que vê praticamente todos os dias o efeito da literatura de Machado e outros escritores na divulgação do Rio de Janeiro mundo afora:
“Machado é muito conhecido e tem um nome muito forte em outros países. Outro dia, uma família holandesa me procurou”, conta ela, que faz o roteiro do Bruxo do Cosme Velho bimestralmente, porque em sua agenda também precisa abrir espaços para outros escritores brasileiros, como José de Alencar e Lima Barreto. Mas isso é uma outra história…
O casal apaixonado por Machado com Juliana durante a visita — Foto: Arquivo pessoal
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Eu gostaria de participar do Carnaval do bloco de rua vendendo biscoito água e suco para os foliãos pra eles ficarem bem idratados pra poder pular bastante nos blocos
Quero trabalhar no Carnaval. Eu moro no Rio de Janeiro, rua João crispim de Barros número 26 acari