A discussão sobre a abertura de uma nova auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) acabou trazendo de volta ao plenário um assunto antigo: o caso Banco Master. Foi a partir dele que o conselheiro José Gomes Graciosa passou a questionar a condução de processos internos da Corte e abriu uma troca de farpas com o presidente do tribunal, Márcio Pacheco.
Em 25 de junho, o plenário analisou o requerimento de Graciosa para instaurar uma Auditoria Governamental Extraordinária destinada a verificar aplicações financeiras do estado em instituições como Banco Genial, Mirae Asset e Banco Digimais.
Antes de colocar o requerimento em votação, porém, Pacheco afirmou que já havia procedimentos em andamento sobre o tema e disse que ouviria a Secretaria-Geral de Controle Externo (SGE) para verificar eventual sobreposição de objetos antes de tomar uma decisão.
Graciosa contestou após Márcio Pacheco adiar a votação do requerimento
Depois de ouvir Márcio Pacheco dizer que não colocaria o requerimento em votação antes de consultar a SGE, Graciosa contestou o procedimento adotado pela presidência. O conselheiro sustentou que cabia ao plenário decidir sobre o pedido de auditoria, ainda que ele viesse a ser rejeitado pelos demais integrantes da Corte.
“No meu modo de entender, presidente, não cabe a Vossa Excelência indeferir o meu requerimento; o plenário, sim. Vossa Excelência, jamais”, contestou Graciosa.
Na sequência, o conselheiro reforçou que o presidente poderia esclarecer questões técnicas, mas não “influenciar” a condução dos trabalhos: “não é Vossa Excelência que vai discutir o tema e influenciar o plenário”.
Pacheco, no entanto, manteve sua posição. Segundo o presidente, era necessário verificar, junto à SGE e ao conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento, se o objeto da nova auditoria se sobrepunha aos processos já existentes.
Conselheiro critica a condução do próprio TCE em auditoria sobre investimentos no Banco Master
José Gomes Graciosa disse, então, que apresentaria aos colegas “um breve relatório de tudo o que diz respeito ao tema” para demonstrar que o requerimento de nova auditoria — voltado a aplicações em instituições como Banco Genial, Mirae Asset e Digimais — não se confundia com os processos citados por Pacheco para justificar o adiamento da votação.
Para sustentar esse argumento, Graciosa reconstruiu a tramitação de dois procedimentos: a Auditoria Especial sobre investimentos da Cedae e a Auditoria Extraordinária aprovada pelo plenário, em novembro de 2025, para apurar aplicações de órgãos públicos no Banco Master.
Ao longo da exposição, porém, o conselheiro foi além de defender que os objetos eram distintos. Em uma crítica à atuação interna da própria Corte, José Gomes Graciosa afirmou que a auditoria do Banco Master não foi conduzida conforme o que havia sido determinado pelo plenário.
Segundo ele, os trabalhos deveriam ter sido executados em duas etapas, mas apenas a primeira foi concluída. Também afirmou que o prazo fixado pelos conselheiros foi descumprido e acusou a equipe técnica do TCE de elaborar um relatório que, em sua avaliação, desvirtuou o escopo originalmente aprovado e acabou esvaziando a auditoria.
Graciosa acabou cortando na própria carne para rebater os argumentos de Márcio Pacheco.
Graciosa afirma que Márcio Pacheco tentou ‘limitar’ sua atuação
Apesar da longa exposição, Pacheco manteve o entendimento de que o novo requerimento poderia se sobrepor a investigações já em curso. O presidente reiterou que encaminharia o pedido à Secretaria-Geral de Controle Externo antes de submetê-lo ao plenário e afirmou que sua preocupação era evitar que a Corte abrisse “uma terceira auditoria sobre o mesmo tema”.
Graciosa reagiu imediatamente. “Os assuntos são absolutamente diferentes”, rebateu.
E, em seguida, elevou o tom: “o problema de Vossa Excelência é que Vossa Excelência não sabe o que está falando”.
Márcio Pacheco respondeu que pretendia ouvir a Secretaria justamente por não entender completamente a situação.
“A motivação pela qual eu estou encaminhando à SGE é porque justamente eu quero ter certeza de que não são os mesmos assuntos”, afirmou.
Sem se convencer, Graciosa retrucou: “Vossa Excelência quer limitar a minha atuação?”.
Pacheco negou.
Mas Graciosa insistiu: “está limitando sim senhor. Claro que sim”.
O bate-boca prosseguiu quando o presidente afirmou que sua única preocupação era evitar “trabalho dobrado” e preservar a atuação do relator que já conduzia uma representação sobre o caso.
E mais adiante, ao defender que não era contrário à abertura de novas auditorias, Márcio Pacheco alfinetou: “sou absolutamente favorável que haja todo o tipo de auditoria (…). A minha questão é se nós já não estamos fazendo o trabalho, enquanto Vossa Excelência está fazendo o discurso”.
A provocação de Pacheco foi respondida com outra. Ao ouvir que estaria “fazendo discurso”, Graciosa lançou uma referência à grande trajetória de Márcio Pacheco no Legislativo.
“Eu não estou ‘no discurso’, não, presidente. Eu não estou no Parlamento, estou no Tribunal de Contas”, devolveu.
O voto que pacificou o impasse
Mesmo após a troca de farpas, a discussão continuou girando em torno do rito do requerimento.
Graciosa protestou contra o encaminhamento adotado pelo presidente e afirmou que ele já havia antecipado seu voto ao defender o envio do pedido à SGE antes da deliberação do plenário. Pacheco negou, sustentando que apenas propunha um encaminhamento processual e não uma decisão de mérito.
A divergência se estendeu até que Graciosa pediu cópia da gravação da sessão “para que amanhã não haja dúvida”.
Coube à conselheira Marianna Willeman Montebello tentar apaziguar os ânimos e costurar uma solução.
Ela votou pela aprovação da auditoria extraordinária requerida por Graciosa, mas condicionou a execução à apresentação, pela SGE, de informações sobre eventuais processos que tratassem do mesmo tema. Segundo a conselheira, a proposta preservava tanto a prerrogativa do conselheiro de requerer auditorias quanto a preocupação da presidência em evitar sobreposição de trabalhos.
A posição de Marianna acabou prevalecendo e foi proclamado por Pacheco como o encaminhamento vencedor.
Nem isso, porém, encerrou o embate.
Graciosa ainda contestou a forma como o resultado foi anunciado, levando o presidente a esclarecer que o requerimento de auditoria estava aprovado e que caberia à SGE apenas prestar informações sobre eventuais processos correlatos.
Com o esclarecimento, a discussão finalmente foi encerrada e a sessão seguiu para os demais itens da pauta.
























































Comments 3
Todos, absolutamente todos os TC e afins deveriam acabar. Mais uma corte que não colabora em nada para o desenvolvimento. Apenas mais uma “camada” cartorial que sangra os cofres públicos.
Esse Márcio Pacheco é amississimo do ex governador Cláudio Castro, queria saber como ele chegou na presidência do TCE,respondendo processo pela Alerj,só no Rio de Janeiro PF urgente
Márcio Pacheco ex chefe do governo do ex governador Cláudio Castro e Thiago pampolha ex vice governador agora conselheiros do TCE indicação do ex governador KD a fiscalização das barbaridades feitas pelo ex governador o Rio de janeiro está fora de controle a muito tempo